...KATHERINE...
Será que alguém poderia me explicar, QUE PORRA EU TO FAZENDO AQUI!?
Quando foi que eu caí de assassina para uma mulher que usa vestidos e toma chá? Este é apenas o segundo dia... Como diabos eu decaí tanto...assim
E por que essas mulheres não param de me encarar? Já está difícil tentar pegar essa xícara sem parecer um elefante num balé...
Bem que Marry poderia ter me liberado disso... Ela sabe muito bem que eu não sou a porra de uma duquesa de verdade.
"Então, Catarina, está apreciando o castelo?" Tiro minha atenção da xícara e me volto para a mulher que está claramente grávida.
Apreciando? Que língua é essa?
Se não fosse pela sua cara fechada de cu seco, eu poderia muito bem pensar que ela se parece com Ana.
"Gostei bastante", forço, desviando o olhar de volta para a xícara em minhas mãos.
"Você não parece ser da família da Marry, você é tão... diferente dela", diz a mulher que quase implorou para que eu me sentasse ao seu lado.
"Pois é, né... Família é estranha mesmo." Merda... quando isso vai acabar? Já se passaram quantas horas?
Já foram tantas perguntas que Jajá vão pedir um teste de DNA.
" Marry já te mostrou tudo?" Diz a outra ao meu lado direito, enquanto leva a xícara até os seus lábios avermelhados, como uma vampira.... Não sei, acho que seu nome é Claire... Clarice... Foda-se.
"Eu não..." Paro ao ouvir uma breve batida na porta do quarto. Graças...
Rapidamente, uma empregada corre para abri-la, enquanto continuo sentada observando e torcendo para não me perguntarem mais nada nesse período de tempo.
Felizmente, todas também se voltam para a funcionária quando ela entra na sala.
Suas roupas eram as mesmas da funcionária que me levou ao jardim mais cedo... Diane... Sim, esse era o seu nome.
Concerteza é um uniforme bem utilizado pelos empregadas, que parecem responsáveis em ajudar e servir diretamente os moradores do Castelo.
"Vossa Majestade, o Professor de piano está aqui para a sua aula", diz a empregada. Não posso deixar de notar a cara que todas fazem, como se a funcionária tivesse contado uma piada da Marry.
Com um leve suspiro, vejo-a se levantar de seu assento no sofá vizinho claramente ignorando as olhadas bem sinicas.
"Bem, parece que eu terei que ir agora. Aproveitem o resto do chá," Marry diz, levantando-se com a maior elegância já vista. Seu olhar atravessa o grupo, como se buscasse uma última confirmação de sua autoridade antes de sair da sala.
Aproveitem o quê?! Eu é que não fico mais aqui.
As concubinas parecem tentar disfarçar o alívio com o afastamento da Rainha, mas a tensão ainda paira no ar.
A grávida, claramente, debocha da resposta de Marry, sua expressão revelando um sorriso malicioso que contrasta com o ar de inocência. "Tudo bem, majestade, cada um com seus compromissos." Sua voz carrega um tom de sarcasmo mal disfarçado.
Observo tudo isso com um misto de curiosidade e desinteresse. Não tenho nada a ver com as intrigas palacianas, mas não pode evitar de sentir uma pontada de raiva dessa mulher e essa cara de merda...
De todas na verdade....
Sem aviso, me levanto rapidamente do sofá, deixando a xícara na mesa, sigo Marry até a porta, mas não tão elegantemente quanto ela, claro. Infelizmente, diferente de Marry, elas parecem grudar em mim.
"Você vai com ela?" pergunta a vampira. forço-me a virar para encará-la com o sorriso mais falso que consigo. "Sim, adoro música," falo, já desviando o olhar desesperada para a porta.
"Ok," diz ela, voltando-se para a outra ao seu lado, que também troca um olhar de chateada.
Ignorando seus olhares me viro para a porta e corro para não ficar pra trás.
Assim que Marry passa pela porta, sinto que não era só eu que estava se segurando para não sair correndo.
Com alguns acenos e sorrisos trocados, saio da sala atrás de Marry, agradecendo a Deus por esse tal professor dela. Santo professor...
...****************...
Depois de horas intermináveis, Marry ainda está presa na aula de piano, enquanto eu me esforço para não morrer de tédio observando aquela tortura musical. O professor parece corrigi-la a cada nota, como se estivesse conduzindo uma sinfonia do inferno.
A irritação é palpável, não apenas em mim, mas também em Marry, cujos dedos pressionam as teclas com tanta força que parecem prestes a quebrar. Por que diabos ele não a deixa tocar do jeito dela?
"Majestade, mais uma vez, o refrão precisa ser mais lento e delicado", o professor insiste, sua voz áspera cortando o ar. Marry parece à beira do colapso, mas mantém a compostura, embora seus olhos revelem uma mistura de frustração e exaustão.
Respiro fundo, decidido a colocar um fim nessa tortura. "Marry, temos que ir agora. Você me prometeu uma volta pelo palácio, lembra?", intervenho, tentando soar o mais relaxado possível, apesar da raiva fervendo dentro de mim.
O professor me encara com desdém antes de voltar sua atenção para Marry, que parece confusa com minha atitude. "Ainda não terminamos, majestade. Você não progrediu em nada", ele insiste, ignorando minha intervenção.
Não consigo mais suportar aquela situação. "Ela progrediu, sim", afirmo, erguendo-me e encarando o professor com determinação. "Ela não errou uma única nota. Só está aumentando a velocidade... Talvez porque a música seja... bem... monótona", concluo, escondendo minha frustração sob um sorriso polido.
O professor me olha com uma mistura de surpresa e indignação, mas finalmente cede. Marry levanta-se rapidamente, agradecendo-me com um olhar de alívio. Juntas, deixamos a sala, deixando para trás o professor indignado.
Que alívio sair daquela sala de tortura.
O silêncio pesa entre nós enquanto percorremos os corredores do castelo, cada passo ecoando como um lembrete da distância que ainda existe entre nós. Marry parece perdida em seus próprios pensamentos, seus olhos fixos adiante, como se estivesse procurando por algo que só ela pudesse ver.
"Eu agradeço... Eu sei que isso não faz parte do seu trabalho", ela finalmente murmura, rompendo o silêncio com palavras que parecem carregar um peso invisível.
"Não precisa", respondo automaticamente, sem desviar o olhar do corredor à nossa frente.
O silêncio volta a se instalar, envolvendo-nos como um véu invisível, mais ela parece tentada a quebra-lo novamente .
"Gostaria de conhecer o castelo?" pergunta, finalmente encontrando seus olhos em um instante de conexão fugaz. "Foi uma desculpa ótima, mas acho que você realmente deveria conhecer o local, caso algo aconteça."
Concordo com um aceno de cabeça, e voltamos nossos olhares para frente, mergulhando novamente no silêncio que parece tão familiar quanto desconfortável.
À medida que Marry me guia pelos corredores do castelo, sua expressão serena e determinada revela uma familiaridade tranquila com cada canto e recanto. Seus passos são firmes, como se estivesse conduzindo-me por um labirinto familiar, onde cada curva e cada passagem contam uma história própria.
Enquanto caminhamos, ela indica os diferentes salões e quartos com um gesto calmo, explicando brevemente sua função e importância. Seus olhos percorrem as obras de arte e os móveis antigos com uma reverência silenciosa, como se estivesse relembrando memórias de tempos passados.
Ao explorarmos os corredores silenciosos e as escadarias de pedra, Marry revela os segredos discretos e as belezas escondidas do castelo. Ela me conduz a jardins tranquilos e terraços isolados, compartilhando comigo os lugares preferidos onde ela parece encontrar serenidade e contemplação
Com um bando de gente chata atrás dela, eu também iria querer ficar sozinha nesses lugares.
Quando menos percebemos, ambas parecem, parar tudo para observar o sol se por pelas grandes janelas da sala aberta.
Isso sim é lindo de se ver..
Não sei por que mais, os meus olhos se viram para olhar Marry enquanto está distraida com a paisagem, me prendo em seu rosto que parecia brilhar mais que os candelabros do castelo, seus lindos cabelos brancos presos em um pentiado mais que esquisito.. Se mexiam como ondas graças ao pequeno vento entrando sob as janelas.
Seus cabelos brancos parecem se misturar com o dourado do sol poente, criando uma aura quase mágica ao seu redor. Seu rosto, iluminado por essa luz suave, parece radiante e tranquilo, como se todos os problemas do mundo desaparecessem naquele momento. É uma cena simples, mas de uma beleza tão profunda que me deixa sem palavras.
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Atualizado até capítulo 128
Comments
Julinha Rolim
esse capítulo foi ótimo, maravilhoso me rendeu farias risadas, parabéns espero q continue
2024-08-28
2
Ana Faneco
muito bom mesmo continua por favor
2024-06-04
6
Bruna ♥️🤞
não demore tanto pra atualizar menina
2024-06-04
1