...KATHERINE...
Despertei quando a luz do sol abriu as minhas pálpebras pesadas de sono, encontrando a cama estreita fria e vazia mais uma vez, imagino que Beck já teve ter voltado ao trabalho.
Me levantei e me vesti rapidamente, com as minhas roupas mais casuais.
Eu amaria ficar o dia todo na cama para repor todos os dias que fiquei fora da capital, mais eu precisava treinar e dá uma afiada nas minhas lâminas.
Vozes ecoaram pelas escadas desgastadas enquanto eu as descia, risadas familiares entravam em meio a tons bruscos vindos de baixo.
Ao chegar ao patamar, avisto Rebecca entretendo um cliente corpulento, contando histórias para acalmar seu ego, sem dúvida na esperança de engordar a sua bolsa.
Quando os seus olhos azuis pousaram em mim, um sorriso radiante floresceu em seus labios. lhe dou uma piscadela e um aceno de cabeça a desejando boa sorte antes de sair silenciosamente para a rua movimentada, com as tarefas aguardando além do barulho animado da Casa de prazeres.
A capital fervilhava sobre o sol quente da tarde nas ruas. puxei o capuz para baixo enquanto caminhava pelas ruas da cidade, me misturando facilmente à multidão que se aglomerava em seus negócios.
Não seria muito inteligente da minha parte andar com o capuz na cabeça, eu sabia que muitas pessoas e familiares das vítimas que eu matei queriam a minha cabeça, assim como caçadores de recompensas, mesmo sem saber como ela é. E andar com o capuz não me ajudava a ser menos invisível sobre a multidão.
O melhor era deixar o meu rosto a mostra e parecer mais uma garota da capital fazendo compras diárias para a sua família.
As lojas ficavam abertas até tarde na esperança de atrair os clientes, com seus produtos espalhando displays coloridos nas calçadas movimentadas. Os escribas ofereciam documentos e cartas mediante pagamento, os mercadores vendiam sedas finas e jóias importadas de terras distantes, as fogueiras emprestavam ao ar aromas ricos de carnes e pães assados.
Mais não era por isso que eu saí da Casa de prazeres, então continuo acompanhando o ritmo sobre a multidão até sair da capital e entrar nas áreas rurais.
O barulho e a agitação da capital diminuíram quando ultrapassei as fronteiras, entrando na periferia rural envolta no abraço da tarde. Campos e pastagens estendiam-se até onde a vista alcançava, pontilhados pelas luzes ocasionais das fazendas, ganhando vida uma a uma contra o crepúsculo que se aproximava.
É talvez eu tenha acordado tarde demais.
Era um mundo totalmente diferente aqui, quieto, pacífico, mas guardando seus próprios perigos ocultos para alguém sozinho. Ando sobre a calçada simples, com os sentidos perfeitamente sintonizados para qualquer movimentação estranha, apesar da quietude incomparável que me pressionava de todos os lados.
Embora o consolo do céu aberto e da solidão tentasse afrouxar os meus nervos tensos, anos vivendo como assacina, me proibiam de abaixar a guarda mesmo agora.
A luz tanto a escuridão geravam coisas que era melhor não serem vistas, e o ofício de assassina não tolerava surpresas ou erros.
E assim deslizo pela rua cada vez mais profunda, o pouco de asfalto separava a grama alta como um espectro, dou uma olhada de relance pra vê se eu não estava sendo seguida antes de seguir para os campos abertos sob o tapete azul do céu.
O destino era ainda mais distante, mas esses caminhos eram familiares como um velho amigo, assim como as sombras por onde eu me esgueirava.
...****************...
Parei à sombra do muro do jardim, examinando a propriedade rústica banhada pelo brilho do dia. Além dos pastos abertos, as fazendas vizinhas enviavam um sinal de tranquilidade e conforto.
O sol poente dourava a paisagem rústica enquanto caminhava.
Casas simples e campos florescentes pontilhavam as encostas até onde a vista alcançava.
Mas foi para a soleira da humilde propriedade que fui atraída, solitária em meio à abundância, sem o brilho das lanternas para iluminar o crepúsculo que caía. Apenas o toque constante do martelo na bigorna traía os habitantes internos.
Deslizando silenciosamente pelo portão do jardim, segui por caminhos perfumados cercados por flores que desabrochavam em volta da casa.
Na porta aberta da oficina, a luz acobreada se espalhava em faixas, delineando uma silhueta familiar forjada na forja.
Thomas trabalhava sem parar, os tendões ondulando a cada golpe do aço na pedra. A prata derretida dançava onde a lâmina encontrava a bigorna, transformando-se, sob mãos experientes, em graciosos instrumentos feitos pra proteger e matar.
Sobrancelhas franzidas em concentração, grandes músculos brilhando com o brilho orvalhado do trabalho honesto sob a carícia dourada do braseiro bruxuleante.
Contente em ver a maestria se misturar com a arte, permaneci invisível, deixando a tensão diminuir em um consolo tranquilo. Por fim, me aproximo deixando a minha presença visível, para Thomas.
Ele olhou para cima com um sorriso cansado, colocando o martelo e as ferramentas na mesa para me cumprimentar com um abraço.
"Olha se não é a lâmina mais afiada capital" escuto o dizer.
"Olha se não é o homem mais fedido da capital" Sorrio para ele capturando o seu olhar sério por um momento antes de ambos caírmos na risada.
Thomas também trabalhava secretamente para Joseph, fornecendo armas para mim e muitos outros. Por causa disso era perigoso ele sair daqui e morar em um lugar mais público, tanto para ele quanto para a sua esposa Ana.
Ser fornecedor de armas para Assacinos não era uma profissão que o rei aprovaria se soubesse, por isso ele mantia o seu negócio mais escondido morando longe do distrito da capital.
Nos conheciamos a muito tempo e até hoje ele não conseguia ser profissional comigo.
Ter a sua presença era reconfortante admito, pena que eu tenha que andar um pouco pra isso..
Thomas lançou um último sorriso cansado pra mim antes de voltar ao seu trabalho, balançando o martelo num ritmo constante enquanto o aço beijava a pedra mais uma vez.
Olhando para cima enquanto faíscas voavam entre os ataques, ele acenou com a cabeça em direção à capital brilhando em ouro rosa à distância.
"Mais eai novidades da capital? "Perguntou dando uma última olhada para mim antes de voltar a sua antenção para o trabalho.
Seu rosto familiar brilhava avermelhado sob o brilho do braseiro, não intocado pelas preocupações, mas irradiando aquele baluarte interior de resiliência que há muito provava ser seu porto nas tempestades da vida.
Atraída para mais perto pelo calor que emanava do coração da forja, encostei o quadril no balcão, cruzando os braços cobertos de couro enquanto olhos âmbar varriam a cena idílica com passos experientes.
"Apenas o de sempre, nobres se matando por dinheiro, mais assassinatos, desaparecimentos e outras coisas que o rei está pouco se fodendo pra resolver" murmurei , com um olhar demorado nos ombros largos flexionados sob a pele brilhante.
"Realmente o rei pouco se importa com o que acontece na capital, mais pelo menos não é um escroto com os impostos" Seu tom suavizou-se, concordo com ele, diferente de seu pai, o rei anterior, ele podia até parecer um cara que não ligava pra nada, como um recém nascido, mais não podíamos negar que ele é compreensivo com o povo.
"Como vai você e a Ana?" pergunto.
"Estamos bem, por mais que Joseph seja um babaca, ele tem nos mantido protegidos aqui e os negócios estão indo bem" revela.
Poise não é só eu que acho o Joseph um verdadeiro babaca que faz tudo por dinheiro, mais negócios são negócios para todos nós.
Olhei para fora vendo que já estava escurecendo e me lembro do motivo de estar aqui.
"Poderia melhora-las pra mim?"Puxo o cabo das lâminas escondidas nos bolsos da minha calça de couro para Thomas vê - Elas são boas, mais já estão se desgastando e perdendo o corte -.
Me aproximo, desembainhando as lâminas e as colocando sobre o balcão, como ele solicitou com o olhar.
Pegando um punhal em cada palma enorme, Thomas girou-as lentamente sob o brilho avermelhado do braseiro, franzindo a testa atentamente.
"É, parece que as suas amigas estão bem desgastadas pelo o que eu vejo, você as tem deis de que começou a trabalhar não é?" Concordo com a cabeça enquanto ele ainda analisava as lâminas.
Vendo-as em suas mãos rigidas várias lembranças começaram a passar em minha mente, gritos, choros, pedidos de desculpas, confessamentos..sangue.
As vezes eu descobria coisas que eu nem precisava saber, mais que acabavam me dando forças para matar todos aqueles escrotos que eu tinha que eliminar, por bons motivos.
Colocando-as no balcão mais uma vez, os olhos de Thomas encontram os meus com conhecimento da causa.
"Então... já é hora delas descansarem, você não concorda?"
Trocar de arma?
Essas lâminas me acompanharam em caminhos sangrentos e difíceis.. Por muito tempo... Mais eu não posso me apegar a nada.. ele tem razão... é melhor trocá-las antes que acabem quebrando, isso pode até me ajudar a melhorar alguns ataques.
Sua mão gentil apertou o meu ombro, como se soubesse o que eu estava pensando.
"É você tá certo" Digo encontrando os seus olhos compreensivos.
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Atualizado até capítulo 128
Comments
Bruna
vc está inspirada nas palavras hein KKK
2024-05-02
5