...MARRY...
As últimas semanas têm sido um verdadeiro turbilhão. Aquele maldito professor continua me fazendo repetir as mesmas partes da música diversas vezes, e estou completamente exausta.
Mas depois que Catarina falou com ele, comecei a questionar as partes que realmente detestei. Claro que ele me olhou torto até o final da aula, mas não me importei. Sempre nos olhamos feio, e eu também o odeio profundamente.
Graças a Deus hoje não vou precisar encarar a cara barbuda dele. Agora preciso me arrumar para sair. William me pediu para comparecer a uma festa de nobres da corte em seu lugar, e não tive muita escolha. Se não for, terei que encarar a aula de piano... e eu não quero. Por isso, aceitei com o maior sorriso que consegui forjar. Afinal, é melhor enfrentar uma festa de nobres falsos do que passar mais três horas ouvindo o professor gritar para repetir o maldito refrão.
"Você gosta desse, Majestade?" Saio dos meus pensamentos ao ouvir a voz de Diane.
Me viro e vejo suas duas mãos segurando um vestido branco com vários babados nas pontas. Não é um dos meus favoritos, mas William pediu e... Eu preciso me lembrar da aula para não perder o ânimo.
"Claro, muito obrigada, Diane." Ir a essas festas sempre foi um grande pesadelo... cheias de fofocas, indiretas ridículas e desrespeitosos.
Suspiro profundamente tentando não desistir.
"É um prazer, Majestade," diz Diane com um sorriso radiante.
Diferente dos outros do castelo, o sorriso dela é o único que eu julgo ser sincero.
E tem a... Catarina, ela não é de sorrir, mais eu tive um breve privilégio na semana passada, foi bem rápido mais eu consegui o notar, ele era sincero, o que me faz pensar que talvez eu a tenha a julgado um pouco errado deis da primeira vez...
Mais ela realmente parecia outra pessoa na primeira vez que a vi, agora até que eu mais ou menos conheço ela.
...****************...
Após me trocar, Diane e Jeff me acompanham até o portão de entrada. Mais nada de Catarina, acho estranho ainda não ter a visto até agora...
Avisto a carruagem já estacionada em frente ao castelo, os cavalos brancos já estão posicionados sob a carruagem, relinchando e batendo as patas impacientemente no chão.
"Diane sabe onde está Catarina?" Pergunto, já cansada de esperar.
"Receio que ela já esteja a caminho, Majestade," responde Diane ao meu lado.
Na verdade, se ela demorasse mais, eu poderia arranjar uma boa desculpa para não ir, mas parece que não terei essa sorte. Rapidamente, a avisto se aproximando pelos corredores.
À medida que ela se aproxima, não posso evitar de notar seu novo vestido. Ela realmente fica deslumbrante em vestidos, mesmo que aparentemente não goste muito de usá-los.
Ela pode ser uma segurança, mas exala um ar de nobreza... William acertou em cheio com esse disfarce.
Desvio o olhar quando nossos olhos se encontram, percebendo seu olhar curioso sobre mim.
"Bem, acho que podemos partir agora," murmuro, subindo os degraus da carruagem, e ela segue, dando uma leve inclinação antes de entrar.
Jeff apenas acena para o cocheiro, e finalmente partimos.
Me sentir de frente para Catarina, o que deixa o clima um tanto estranho durante a viagem. Não sei ao certo por que, mas sua presença ainda não me deixa confortável o suficiente. Talvez seja verdade o que dizem: "a primeira impressão é a que fica".
Enquanto a carruagem começa a se mover, tento me concentrar na paisagem pela janela ao meu lado. Catarina parece fazer o mesmo, virando-se para o outro lado, pois não sinto os seus olhos em mim.
...****************...
Ao chegarmos à imponente mansão, solto um grande suspiro, tentando disfarçar meu desânimo ao sair da carruagem e encarar todos aqueles nobres.
Melhor eu já começar a pensar em algumas desculpas para sair de cena..
Observo pela janela outras carruagens estacionadas em frente à enorme entrada da mansão. O cocheiro abre a porta, e sou finalmente obrigada a sair.
Levanto-me com a velocidade de uma lesma e saio da carruagem. Catarina me segue, mas ao contrário de mim, ela desce sem precisar da ajuda do cocheiro.
Após desceremos, seguimos para dentro, acompanhadas por outros convidados que também acabaram de chegar em suas próprias carruagens. Ao entrarmos, somos rapidamente envolvidas por um imenso pátio aberto.
Várias mesas estão posicionadas ao redor, e a maioria delas já está completamente lotada.
À medida que avançamos pelo pátio, sinto os olhares curiosos dos outros convidados sobre nós. Catarina parece estar mais à vontade do que eu, o que não é surpreendente, considerando o seu papel aqui.
O som das conversas e risadas preenche o ar, enquanto garçons circulam servindo bebidas e petiscos. A atmosfera é animada, mas ao mesmo tempo carregada com uma tensão palpável, típica das festas da nobreza.
O ambiente está repleto de olhares curiosos que se fixam em Catarina enquanto caminhamos entre a multidão de nobres. Ela parece atrair a atenção de todos ao seu redor, especialmente os homens, que não conseguem disfarçar o interesse diante de sua presença imponente. Enquanto isso, eu tento passar despercebida, evitando o contato visual com os outros convidados.
Mais Catarina parece completamente à vontade mesmo diante de todos os olhares voltados para ela, mantendo uma postura serena e tranquila. Sua calma contrasta com a agitação ao nosso redor, deixando-me intrigada com sua presença magnética. Observo seus cabelos presos em um coque elaborado, adornado com flores, um detalhe encantador que realça ainda mais sua beleza. É evidente o motivo pelo qual ela atrai tanto a atenção de todos, tanto homens quanto mulheres.
"Majestade!" Escuto, ao me virar em direção a voz, avisto o Anfitrião da festa ao lado de sua esposa e mais alguns nobres que estão nos olhando de uma mesa ao lado direito.
E lá vamos nós...
Empurro os meus pés forçando um sorriso animado em sua direção.
"Que bom que veio, vossa magestade. Lamentavelmente, fiquei sabendo que o rei não pôde comparecer", diz o anfitrião, passando rapidamente de um semblante feliz para um mais sério.
Sem saber exatamente o que dizer, mantenho um sorriso forçado, embora ele pareça nem notar quando Catarina se posiciona ao meu lado.
À medida que nos aproximamos da mesa, percebo que todos lançam olhares curiosos para Catarina, o que me alivia um pouco, já que posso escapar um pouco da atenção.
"E quem seria esta bela dama ao seu lado?", pergunta um jovem nobre ao lado do anfitrião, parecendo genuinamente interessado.
"Esta é a Duquesa Catarina," respondo, apresentando-a com um gesto discreto. "Está me acompanhando nesta noite em nome do Rei."
Catarina acena levemente em cumprimento, mantendo uma expressão serena e distante, como se estivesse observando tudo com cautela.
O jovem homem se inclina educadamente em sua direção. "É uma honra tê-la conosco, Duquesa Catarina. Permita-me dizer que sua presença ilumina ainda mais esta festa."
Catarina responde com um simples "obrigada", sem demonstrar muito interesse na conversa.
Eu também não tenho interesse algum no assunto, mas preciso fingir estar interessada quando Charles, o anfitrião, começa a puxar conversa sobre negócios e terras.
Após quase 40 minutos discutindo sobre terras, estou ansiosa para escapar dessa conversa antes que minha boca caia de tanto sorrir. Catarina permanece ao meu lado à mesa, e não posso deixar de notar os olhares do jovem nobre para ela. No entanto, ela parece ignorá-lo como se fosse um fantasma.
"Com licença, senhores. Preciso dar uma esticada", digo, desejando sair dali.
Charles parece surpreso. "Oh, claro, Majestade, me desculpe. Permita-me acompanhá-la." Oh, por favor, não. Eu só quero um momento de privacidade.
E lá vamos nós, mais um sorriso.
"Claro, adoraria ver a sua propriedade", digo, esperando despistá-lo no caminho.
Antes de seguir Charles, percebo o olhos de Catarina em mim, antes de desvia-los para atender ao chamado do jovem que parece animado para aproveitar seu tempo sozinho com ela quando os outros nobres também saíem para dar cobertura a ele. Daqui, posso ver que Catarina não gostou nada disso.
Desculpa.
Volto minha atenção Ao Charles quando ele volta a falar de onde havia parado... Maravilha.
Caminhamos no meio dos outros nobres, que me lançam olhares meio estranhos. Tento ignorá-los como Catarina fez, mas escuto algo que tira toda minha atenção do caminho.
"A Rainha ainda não conseguiu dar um herdeiro ao rei." Procuro a voz com os olhos, mas há várias pessoas conversando entre as mesas.
"Majestade?" Escuto Charles me chamar ao lado, mas não viro o olhar para ele. Meus olhos ainda vagam pelos vários nobres ao nosso redor.
"Ela é incapaz de dar filhos?" Outra voz masculina diz parecendo mais perto.
"Concerteza, dizem que o rei engravidou uma concubina" A outra parece o responder.
Nesse momento, uma sensação de desconforto toma conta de mim. As palavras sussurradas parecem pesadas no ar, carregadas de fofocas.
Charles continua a falar, alheio à tensão que paira no ar. Por um momento, sinto-me dividida entre permanecer ali e confrontar eles ou simplesmente ignorar e seguir adiante.
Sinto o meu peito se apertar, meu corpo havia travado, eu precisava sair dali.... Eu não aguento ter que ouvir isso... O que esses nobre sabem de mim? Sobre William?
A sensação de sufocamento aumenta enquanto escuto mais murmúrios e cochichos ao meu redor. A necessidade de escapar daquela situação se torna irresistível. Com um movimento rápido e determinado, viro-me para Charles.
"Desculpe-me, Charles, não me sinto muito bem. Acho que preciso de um tempo", murmuro, tentando disfarçar minha agitação. Sem esperar por uma resposta, viro-me e começo a afastar-me rapidamente dali, desejando fervorosamente que ninguém tenha percebido minha repentina inquietação.
Sem olhar para trás, me afasto rapidamente, ignorando os chamados de Charles e qualquer outro que tente me deter.
Corto caminho por entre os jardins do amplo terreno da mansão, guiada pela luz do dia que se derrama sobre mim. Passo pela imponente fachada da casa e adentro a densa floresta que se estende além dos jardins.
A sombra floresta me envolve, mas não tenho medo. Cada passo é firme e determinado, meu único objetivo é encontrar um lugar onde possa me perder em meus pensamentos e emoções.
Finalmente, chego a uma clareira isolada, onde a quietude da natureza me acolhe. O lago à minha frente parece um oásis de serenidade, e é para lá que me dirijo.
À beira da água, sinto-me pequena diante da vastidão da natureza ao meu redor. Deixo-me cair de joelhos na margem do lago.
As palavras duras e cruéis ecoam na minha mente, cortando como facas afiadas. Por que eles precisam falar sobre isso? Por que não podem simplesmente me deixar em paz?
Eu sei que muitos falam sobre isso... "A rainha que não consegue dar herdeiros"......"A quem perde para uma concubina".. a inútil que só gostar de ficar no piano.
Mais eles não sabem o quanto eu ainda tento dar o meu melhor para o rei... eu queria servir para fazer o seu desejo.. mais até hoje eu...
Eu quero.. mais não consigo dar isso a ele... e eu não sei qual é o problema comigo....se Rebecca pode.... não sei.. porque.. eu não posso.
As lágrimas começam a rolar pelo meu rosto, quentes e amargas.
Com um soluço sufocado, deixo-me cair na grama úmida à beira do lago.
Eu sou mesmo uma inútil infértil...
Derrepente sinto uma mão agarrar meu pescoço de repente, o calor do toque queima minha pele, e minha garganta parece se fechar enquanto o agressor aperta com força.
Não consigo respirar, luto para me libertar, mas a pressão só aumenta. Antes que eu perceba, estou sendo arrastada para baixo da água, meu corpo lutando contra o afogamento desesperadamente.
A água invade meus pulmões, queimando e sufocando. Cada segundo parece uma eternidade enquanto luto pela minha vida, implorando por um fio de ar que me permita sobreviver.
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Atualizado até capítulo 128
Comments
Ana Faneco
E Catarina onde está nessa hora 🤔
2024-06-20
3
Jérsica Santos
Ah majestade vc sempre age por impulso
e acaba acontecendo coisas ruins com vc
2024-06-19
1
Maria Andrade
vixe e agora a onde está a Katherine
2024-06-19
1