...KATHERINE...
Thomas acena para dentro da casa, eu o sigo em silêncio quando percebo que ele também estava alerta, afinal, ambos estávamos trabalhando para a pessoa errada e sabíamos disso. Com uma leve olhada em volta da sua propriedade, ele me dá um sinal de segurança e volta a me guiar para dentro de sua casa.
"Eu não acredito! olha quem decidiu aparecer" O tom alegre de Ana soou quando ela saiu da cozinha, logo a visto seus cabelos loiros enrrolados em um coque com seu avental envolvendo o que claramente não era mais uma barriga vazia. Vindo direto para a minha direção, as suas mãos apertaram orgulhosamente seu ventre inchado.
Não consegui disfarçar a minha surpresa, com a notícia, arregalo os olhos diante desse acontecimento inesperado, mas incrível, desde da minha última visita.
"Ana, você está...." Um sorriso se abriu quando ela me abraçou radiante.
"Grávida? como adivinhou?" Disse olhando para a própria barriga.
Thomas riu, rodeando sua esposa com todo cuidado.
Suas feições endurecidas se suavizaram, e eu pude vê o olhar de orgulhoso em seus olhos quando suas mãos passaram devagar na barriga da Ana.
"Isso é incrível.... Como você não me contou isso seu idiota? " Ana riu enquanto Thomas finge uma cara de surpresa.
"eu queria que você mesma visse "Me sinto um pouco irritada com ele, mais não dura muito quando vejo a felicidade nos olhos dos dois futuros pais.
"Dessa vez passa Thomas, pela Ana - Sorrio para Ana ignorando a levantada de sombrancelhas que ele me lança ao seu lado" parabéns -.
Os grandes sorrisos da Ana sempre me fizeram sorrir sem eu nem mesma perceber, só ela é capaz de me fazer sorrir tão fácilmente assim, não tenho dúvidas de que ela vai ser uma ótima mãe.
" Mais caramba Kath... Você cresceu mais nesses últimos meses!?" Sinto os seus olhos ágeis me examinarem de cima abaixo, desvio o olhar para Thomas sem reação.
"Cresci?" Respondo aí sem jeito com o possivel elogio.
"Se eu conheço a Carol deve tá te implorando pra você trabalhar na Casa de prazeres né?" Carol é a nova proprietária da casa de prazeres, deixada como herança de seu pai antes dele morrer, ela cuidava de tudo, funcionarios, atrações, administração, marketing.
Eu a conheço faz tempo e sim, ela sempre implorou para eu trabalhar lá deis da minha última saída.
Ou seja ela não sabe que eu voltei... pois eu ainda não tinha cruzado o caminho com ela.. E pretendo não cruzar tão cedo....
Ela deve ter saído para resolver alguns assuntos do estabelecimento fora da capital, o que me dava pouco tempo para pode fugir e sair para outro trabalho antes que ela volte.
Com sorte....
"Sim mais esse não é o meu ramo"
"Concerteza você arrancaria o pau do primeiro homem que te tocasse " Fala rindo de sua própria piada, o encaro tentando encontrar a graça mais mesmo assim eu e Ana parecemos concordar com ele mentalmente.
"Pelo amor Thomas.... "Ele passa a mão no rosto tentando conter as lágrimas de tanto rir, Ana logo dá um soco em seu ombro fazendo ele recuar fazendo careta pra ela.
"Ok ok entendi.." Ele pigarreia voltando com um tom sério antes de continuar "Eu preciso voltar ao trabalho agora amor". Ela concorda silenciosamente, dispensando ele com um sorriso, ele esfrega mais uma vez a mão na barriga dela depositando um último beijo.
Esses dois quase me fazem vomitar arco-íris por serem tão fofos.
"Você vai passar a noite aqui, não vai, Kath?" pergunta, embora não fosse realmente uma pergunta. Seu sorriso não deixava espaço para recusas.
Fico sem palavras, pensando no que falar, mais ela me corta antes mesmo de eu começar a falar.
"Ok eu vou voltar a preparar o jantar então"E lá se vai ela sem mesmo me olhar nos olhos me fazendo sorrir mais uma vez sem perceber.
Antes que eu pudesse agradecer, Ana já havia retornado a cozinha, rejeitando qualquer protesto com graça maternal e intuição de futura mãe.
Pra um grávida prestes a dar a luz a mulher é bem rápida..
"Acredite não tinha como recusar" Thomas sorri e me dá sinal para continuar o seguindo.
É eu percebi..
Dou uma última olhada para a Ana sobre o vapor das panelas antes de voltar a seguir Thomas.
Thomas ia na frente, o seu corpo largo não permitia que eu visse o que nos esperáva a frente, estávamos num breve corredor sem portas, a iluminação era fraca, refletindo pouco sobre as paredes e tetos de madeira, mais não demorou muito para pararmos em frente a uma porta.
Ao entrarmos vejo poucas decorações sobre o que parecia ser um quarto falso, já entrei em tantos que nem preciso me esforçar pra notar um.
Com a facilidade e prática, ele ergue uma tábua solta do piso revelando um depósito escondido abaixo. O ferreiro não era burro e nunca foi.
Em um piscar de olhos vejo os seus dedos calejadas apertaram alguma coisa sobre o chão que fez com que o depósito abaixo de nós se iluminasse.
Thomas agilmente começou a descer as escadas que davam para o deposito, seus olhos seguem o caminho da escada enquanto sua forma sólida desaparecia na abertura abaixo.
Quando ele desaparece por completo, sigo-o sem hesitação por degraus de pedra desgastados até embaixo seguindo por escadas pouco pisadas.
Minhas botas ecoaram suavemente sobre o ferro.
Ao chegar ao final da escada, pude finalmente vizualizar todo o local. Armas de artesanato requintado revestiam as paredes de pedra do chão ao teto. – lâminas, armas de haste e armaduras brilhando sutilmente à luz bruxuleante das lâmpadas.
Não pude evitar uma admiração silenciosa, enquanto andava analisando cada uma delas. Não eram meros instrumentos agrícolas ou ferramentas de comércio, mas armas de marca lendária e mística. Aço raro dobrado mil vezes, encantamentos astutos colocados em cada cicatriz e dobra requintada do metal. Relíquias para fazer qualquer guerreiro chorar de inveja, ou soldado empalidecer em reconhecimento aos inimigos derrotados.
Eu não estava olhando mais pude notar o olhar orgulhoso de Thomas atrás de mim em silêncio.
"Não apenas um ferreiro, como você pode vê - ele murmurou, orgulho e satisfação colorindo seu tom "Mais sim um colecionador, Joseph me deu essa responsabilidade. Quando surgir a necessidade, posso equipar até mesmo um exército -.
Eu agora entendia a profundidade de seu trabalho, mais isso era uma arma contra ele mesmo, Joseph estava com as mãos limpas, isso me inrritava... Seus contatos todos os seus negócios, ele colocava pessoas para administrar...
Sinto uma leve preocupação bater em meu peito..
Mais esse era o seu trabalho a anos, ele sabia se cuidar, melhor que eu, não posso me preocupar com um homem crescido.
Afasto a preocupação e me viro para encontrar o seu olhar com a mesma cara de admiração que estava.
" Isso é enorme.... eu nunca vi tanta arma.."
"É só escolher" O que!?
Pisquei sem reação as suas palavras, como assim escolhe... Isso tudo é raro e caro... Só um homem com o poder de Joseph na capital poderia ter acesso a armas assim....
"Eu só preciso de uma lâmina Thomas, isso tudo.. é muito raro e demais pra mim.." Ele balança a cabeça negativamente e se aproxima enquanto cruza os braços.
"Você é o melhor negócio do Joseph Kath, ele mesmo me disse isso, isso pra ele é apenas mais um investimento" Olho para o chão sem reação, sua mão toca o meu ombro suavemente me dando conforto - Se quiser uma lâmina, pegue uma boa, o que tem nisso? -.
Eu não quero dever nada ao Joseph, posso até trabalhar pra ele, mais isso não quer dizer que eu confie nele.. as minha lâminas foram compradas numa loja comum.. Agora isso vindo dele... Não me sinto segura.
" Kath tudo bem?"Olho em seu rosto encontrando um olhar acolhedor e preocupado, é como se ele me lesse como um livro aberto - Olha se não quiser, eu te mostro só as feitas por mim, ele nem precisa ficar sabendo, melhor?-
E tá aí, ele me leu mais uma vez com apenas um olhar...
"Gostaria" Com um sorriso animado, ele puxa o meu ombro me levando a armas mais simples, mais mesmo assim não comuns.
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Atualizado até capítulo 128
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