Alessandra
Voltei pra casa e ainda ajudei a Lili com o almoço, me sinto estranha sem ter nada pra fazer, assim que a Manu chegou dei banho e descemos pra almoçar.
"Lili o Mauro costuma vim almoçar em casa?". Pergunto porque estou por fora de tudo.
"Às vezes ele vem sim, mas é difícil, geralmente está na correria, ainda bem que ele achou você, ele tava carregando uma barra tão pesada sozinho". Vejo a preocupação dela com ele, e até posso imaginar, como estava uma loucura pra ele gerenciar a empresa e dar a Manu a devida atenção.
Depois do almoço eu ponho a Manu pra dormir que não apresentou resistência, quando ela acordou ela merendou e brincamos bastante.
Já era quase 19:00h e Mauro ainda não tinha chegado, estávamos na sala, tínhamos feito a lição da escola da Manu e já era quase a hora do jantar, queria esperar por Mauro mas não sabia que horas ele viria, pode ter tido algum imprevisto.
Me levanto pra dizer pra Lili que já pode servir o jantar quando a porta se abre, Manu dá um gritinho indo abraçar o pai que chegou vestido apenas um short, uma camiseta e um tênis, está suado. Deve ter vindo da academia.
Ele me cumprimenta.
"Eu já ia pedir pra Lili servi o jantar". Digo pra ele.
"pode pedi eu vou subir pra tomar um banho rápido, estou com muita fome".
"Tá bom, vai lá que nós vamos esperar você".
Levei a Manu pra cozinha, e a Lili serviu a mesa, não demorou, Mauro desceu e sentou-se com a gente.
jantamos e Mauro em todo tempo dando toda atenção a Lili, isso me fez lembrar do Vitor que era frio com nossa filha, às vezes me pergunto se ele já teve sentimentos por alguém.
Depois do jantar a Manu já estava com sono, coloquei ela pra dormir e enfim fui pro quarto, coloquei uma música baixa e comecei a organizar às minhas coisas, já era meia noite mas o sono ainda não tinha vindo, decidi tomar outro banho demorado, fiquei na janela um tempo olhando o céu.
Deitei e fiquei na mesma, bolando de um lado pro outro, nada de consegui dormir, não sei porque todas às noites fico assim. O relógio marca 3:16h da madrugada e eu aqui acordada, acabo lembrando da sobremesa que a Lili fez, musse de maracujá, me levanto calçando o chinelo e desço bem devagar pra não acordar ninguém.
Assim que chego ligo a luz e pego a travessa com o musse, ponho no copo, levo uma colherada a boca, uma delícia, não é atoa que comi duas vezes após o jantar.
"Ainda acordada?".
Tomo um susto olhando pra cima e vejo Mauro coçando o pescoço, está com uma camiseta e um short.
"Oi, sim, não consigo dormir".
"Algo está te incomodando, pode falar que posso ver se resolvo".
"Não, está tudo ótimo, é sobre mim mesma, eu tenho dificuldades de dormir, acabo pensando em tudo que aconteceu e não consigo dormir".
"Entendo". Ele diz pegando um copo de água.
"E você? Não conseguiu dormir?".
"Não é isso, eu durmo bem rápido, mas sempre acordo pra ir ao banheiro, hoje estava com sede, vim buscar água".
Ele guarda a água.
"Quer um pouco?". Pergunto se ele quer o musse.
"Não, eu não gosto de comer de madrugada".
Pelo visto só eu mesma.
Ele se senta na minha frente e me olha.
"Quer falar sobre o que está te perturbando?".
Olho pra ele e não quero, com certeza não, eu aprendi desde cedo a suprimir tudo que sinto, parei de ter voz quando minha mãe morreu aos 9 anos, antes disso tudo era diferente, minha mãe me amava, meu pai era mais sorridente, mas quando ela morreu meu pai se isolou e passou um tempo só, mas com uns 2 anos se casou com minha madastra, ela nunca gostou de mim e meu pai criou uma distância, tenho um irmão da relação dos dois, ele ainda era o único que gostava de mim, sempre foi uma criança doce. Mas fora isso me tornei quase invisível naquela casa, até o dia que meu pai decidiu que uma união minha com o Vitor era a solução pra todos os seus problemas.
Na casa de Vitor que não tinha voz mesmo, muito menos amigos, até falar com a terapeuta após o sequestro da Kimberly era difícil, mas olhando Mauro assim na minha frente, sei lá, eu sinto algo estranho ele transmite uma paz e confiança, acabo suspirando e baixo os ombros, tudo é tão pesado que eu não consigo mais guardar tudo pra mim.
Comecei a conta tudo, tudo que senti, tudo que aconteceu, sobre meu casamento com Vitor, o desprezo do meu pai, e nem eu mesma tinha percebido que tudo isso estava me matando tanto por dentro, acabei chorando, principalmente sobre a incapacidade de ter protegido minha filha, eu não tenho de fato vivido e sim sobrevivido, carregando todo esse fardo comigo e esses pensamentos tem me corroído por dentro, a tristeza que assola minha alma e tão profunda que às vezes me pego chorando sem querer, mesmo quando não estou pensando em nada.
"Eu sinto tanta falta dela, só eu sei como sinto".
Acabo de desabafar e nem mesmo me importo com todas às lágrimas que deixo cair, me sinto aliviada de ter colocado tudo pra fora, mesmo que a pessoa que está me ouvindo não seja a ideal, é meu chefe afinal.
(Foto tirada da internet)
Ele me olha e eu não sei o que ele pensa de tudo isso.
"Alessandra". Olho pra ele que me olhar intensamente.
"Posso te dar um abraço?".
Eu continuo a olhar para ele, mesmo sem jeito eu digo que sim. Ele se levantou da cadeira e abriu os braços pra mim, eu me aproximo e me deixou ser abraçada, enterrando o meu rosto no seu pescoço ele me abraça, esqueço que ele é meu chefe nesse momento, ele me abraça tão apertado e eu nunca tinha entendido como um abraço pode curar tanta coisa, e eu não sabia que precisava tanto disso, até esse momento.
...(Foto tirada da internet)...
( Oi lindas, caiu uma lágrima do lado daqui, é somente ficção mas os sentimentos e ocasiões são reais, enfim... Espero que estejam gostando, não esqueçam de deixar um comentário, curti e presentear a obra, assim você ajuda no crescimento do livro, coloquei uma foto dela no capítulo 1 se quiserem voltar pra ver 😘😘)
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Socorro Barros Muniz
pode ate ser ficao, mas as vezes ficamos assim, vc descreveu muitas situacoes que passamis nosso dia a dia
2025-02-10
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Adriana Reis
misericórdia já chorei litros
2024-11-16
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Luci
Não sei porque autora, mas meus olhos estão suando horrores. 😭😭
Ainda tem homens que se acham os donos do mundo e principalmente das mulheres e fazem questão de vê-las humilhadas
2024-10-03
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