Alessandra
“Como assim mãe?”me levantei, impaciente, eu não entendi nada do que ele estava propondo, em um impulso estava de pé, tudo girou, perdi o equilíbrio e cai no chão de bunda, que merda. Coloquei a mão na cabeça.
“Ei você está bem?”Mauro vem até mim se ajoelhando na minha frente.
“Estou, foi só uma tontura, não comi nada hoje”.
Me arrependi no momento que eu deixei isso escapar da minha boca, ele me olhou e vi sua expressão mudar, poderia jurar que vi raiva em seus olhos, ele me pegou no colo tão rápido que eu nem tive tempo pra protestar, me sentou no sofá e foi até a sua mesa, não queria ter deixado escapar que eu estava no fim do poço, mesmo que ele saiba mais ou menos graças ao levantamento completo que fez sobre mim. Ele pediu alguma coisa pra comer, e eu estou constrangida até demais por isso.
Pensei em retornar logo o assunto mas ainda não estava muito bem, logo alguém bateu na porta e assim que ele mandou entrar vi uma mulher com uma bandeja entrando e colocou na mesinha perto do sofá que eu estava sentada.
Assim que ela saiu ele veio até mim.
“Agora coma pra que a gente possa voltar a conversar”.
Como calada a comida estava deliciosa, e eu não iria me opor mesmo, minha barriga estava doendo tanto, eu andei muito hoje entregando currículos, sem tomar café, só tinha me esquecido um pouco da fome por causa da ansiedade de conseguir um emprego que pelo que posso ver é muito mais que um emprego.
Assim que acabei e tomei meu suco estava satisfeita e com as energias recuperadas, ele me apontou a cadeira a sua frente, fui até lá e me sentei, dessa vez quero entender o que ele quer com essa história de mãe, isso é quase uma loucura.
“Como eu estava dizendo, eu quero contratar você pra ser a mãe da Manu, ela precisa de uma figura materna além de uma babá, então você moraria com a gente, acompanharia a Manu em suas sessões de quimioterapia assim como eu também, o que quero dizer é que você cuidaria dela como uma mãe faz, é esse carinho que minha filha precisa e eu estaria disposto a tudo pra que ela possa ter”.
Minha nossa, são tantos pensamentos e eu estou em conflito.
“Como isso vai funcionar?" Estou confusa.
“Bem, primeiro você vem morar conosco, se você aceitar pode ser hoje mesmo, como eu disse antes a Manu não para de perguntar por você, já me ligou muitas vezes hoje pra saber se já estou chegando com você”
“Mas se eu aceitar a Manu vai ser minha filha, e como fica a situação entre nós dois? ás pessoas não vão ficar falando por causa disso?”
“Eu não me importo com a opinião dos outros, minha prioridade é minha filha”.
“Certo, mas e sua namorada?”
Ele me olhou sério.
“Eu não tenho namorada”.
“Olha, me desculpe, mas é que eu não estou mais disposta a suportar os confrontos com uma amante, namorada ou seja lá o que você tiver. Já tive o suficiente disso e não pretendo retroceder ao mesmo estágio de antes”.
Meio que me arrependo de ter deixado isso escapar também, ele não precisava saber que eu passei por tudo isso. Mas eu não quero mais sofrer como antes.
“Entendo, eu garanto que isso não vai acontecer, e se você será a mãe da minha filha você terá o devido respeito por isso, não sei o que te aconteceu mas eu garanto que eu não sou seu ex marido, e não espero nenhuma ligação com você se é essa sua preocupação, vamos manter o respeito entre nós e cuidar da Manu dando o amor que ela precisa”.
Respirei fundo, não é como se ás coisas estivessem fáceis pra mim, e eu estou tentada a aceitar, não só pela Manu mas por mim mesma, nem tenho onde dormir hoje, mas além disso estou com medo, e insegura, mas por mais estranho que pareça eu sinto que posso acreditar no Mauro.
“Certo, então já que você não espera nada de mim e visto que eu, assim como a Manu, senti algo por ela, eu vou aceitar e espero que honre com suas palavras Mauro”
“Ótimo, então vamos acertar seu salário, eu pensei em 40 mil, vou te incluir no meu Plano de saúde, você mora conosco, mas eu posso comprar um apartamento pra você pra quando precisar de privacidade, o que acha?”
O que eu acho? Eu já posso chorar agora? Ou espero que ele não esteja mas me olhando com esses olhos fixos em mim?
“É muito” digo, eu sei que faria isso até de graça a Malu é um amor, mas eu não posso ficar totalmente na dependência de ninguém, não mais, não pra ser enxotada como um cachorro quando não for mais útil, como aconteceu com Vitor, com certeza não.
“Eu acho justo, mas posso pagar mais”. Ele diz sem entender porque estou tão pensativa.
“não, esse valor está bom”.
“Então eu vou só fazer uma ligação e podemos ir buscar suas coisas”
“ok, eu posso usar o banheiro?”
“Sim, é só falar com a secretaria lá fora, ela vai te dizer onde fica”
Eu sai e falei com a mesma moça, ela me disse onde ficava e segui pro banheiro, eu mal fechei a porta quando ás lágrimas chegaram a cair, eu estava sem saída e agora isso, eu posso dizer que Deus não me desamparou, com certeza não. Joguei água no rosto, enxuguei e me olhei no espelho antes de sair, esperei na recepção por Mauro, assim que ele saiu nós fomos até seu carro no estacionamento.
Assim que entramos ele saiu.
“Me fala o seu endereço para mim, colocar no GPS”
Fiquei pensando que ele já deveria saber, já que pesquisou toda minha vida.
“Na verdade, minhas coisas estão com uma moça na praia”.
“Como?”
“Eu fui despejada”.
Abaixo a cabeça morrendo de vergonha, mas prefiro falar a verdade, ele já sabe de boa parte mesmo.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Zeni De Assis
linda história
2024-09-19
0
Vera Lucia Berlanda de Andrade
verdade
2024-09-11
0
Cristina Santos
Deus nunca desampara os humilhados principalmente uma mãe que teve sua filha roubada .
2024-09-06
10