O som dos pneus do carro velho sobre as pedras fizeram Rose despertar. Ela ainda estava sob efeito de remédios para dor e isso fazia com que ficasse sonolenta. Seus olhos se habituaram à claridade do Sol e logo era reconheceu a rua da sua casa, fazendo um alívio surgir dentro de si, afinal, ela estava viva e descobriria um jeito de se vingar de Elias, nem que levasse uma vida.
Cedric aproximou o veículo da porta da floricultura e pode ver Kelvin e Lisa de pé um ao lado do outro. O mais velho observou aqueles dois e algo ali o incomodou:
— Pronto Rose, está em casa. - Ele avisou a jovem que sorriu.
— Obrigada por tudo, Cedric. - Rose agradeceu e viu a porta do carro se abrir e logo Kelvin surgiu, ficando surpreso ao vê - la.
— Rose… O que é isso?
— Pergunte isso depois. - Cedric desembarcou do veículo para ajudar com a bagagem.
— Rose. - Kelvin insistiu.
— Lá dentro eu te conto. - Rose observou o namorado, com um olhar firme.
— Amiga, o que aconteceu? - Lisa se aproximou preocupada ao perceber o quanto Rose estava mais magra e com um braço engessado.
— Depois eu te conto, Lisa, primeiro preciso conversar com o Kelvin.
A forma séria com que Rose falou surpreendeu Lisa e Kelvin, que a observaram por alguns segundos, sendo despertados por Cedric, que ajudou Rose a sair do carro, deixando claro que estava ali para auxiliar a jovem florista. Os irmãos e Rose entraram na simples casa, e após Cedric deixar as malas e se retirar, Rose decidiu começar a tarefa difícil de contar a Kelvin o acontecido:
— Não sei o que Elias falou para você, mas saiba que não é a verdade. - Rose começou.
— Ele disse que você fugiu com um ricaço. - Kelvin sentia as dúvidas surgirem a cada segundo que observava o estado da namorada.
— Pareço ter fugido? - Rose riu amarga e levantou o braço engessado.
— Saíram noticias que você ficou com um homem da festa. - O jovem sentia um gosto amargo na boca ao se lembrar da notícia que Lisa havia compartilhado com ele.
— Eu errei, admito e me sinto péssima por isso. - Ela se sentia péssima por ter que contar aquilo para o namorado. - Durante a festa, Elias não me deixava fazer nada; eu não conseguia comer, beber ou trocar uma palavra com ninguém. Até que uma moça gentil aproveitou que Elias se distraiu e me levou para uma saída lateral e se dispôs a trazer algo para eu comer, e que eu poderia ficar um pouco ali para descansar. - Rose suspirou. - Até que um cara surgiu, conversamos um pouco e bem, não me recordo bem, talvez foi o fato de eu estar apenas com uma taça de champanhe no estômago, mas quando me dei por si, aquele estranho estava me beijando.
— E você… Correspondeu? - Kelvin a encarava incrédulo.
— Eu não raciocinei, admito. Enfim, fomos pegos pelo Elias, aquele cara me pegou nos braços e saiu correndo comigo. Ele tinha a intenção de me levar embora, mas eu não quis, pensei em você, na minha irmã, no Cedric e em todas as consequências dos meus atos, foi então que vi Cedric e voltei. - Rose alisou o gesso em seu braço. - Quando voltei para o hotel, eu sabia que as coisas não ficariam boas para mim, mas não imaginei que chegaria a tanto. Elias me espancou a ponto de eu quase me matar, por isso desapareci por todo esse tempo.
Kelvin observava Rose incrédulo:
— Se passou por tudo isso, por que meu irmão não me contou?
— Para garantir a sua segurança e a dos seus pais.
— Rose, seja sincera, só foi dessa fez que ele fez algo com você?
Rose encarou Kelvin por alguns instantes, ponderando se devia envolvê-lo em toda aquela sujeira, ou se deveria ficar quieta para arquitetar sua vingança sozinha. Imaginando o que ele poderia pensar dela ao saber que ela deixava ser tocada por Elias por dinheiro, ela decidiu omitir os ocorridos:
— Essa foi a primeira e ultima vez, pode ficar tranquilo. - Ela forçou um sorriso. - Agora, fica ao seu critério acreditar em mim ou não.
— Não tem como eu duvidar de você. - Kelvin se aproximou e a abraçou com cuidado. - Vou te proteger.
-***-
Lisa achou estranho aquele bilhete entregue por um empregado das minas, mas sua curiosidade foi maior. Afinal, poucos conheciam pessoalmente o famoso Elias Tyrant. Como seus pais haviam saídos fugidos devido uma dívida com agiotas, ela agora estava ali naquele fim de mundo, onde a maioria das pessoas eram pobres. Seu sonho era encontrar um cara que pudesse lhe dar uma boa condição de vida e Kelvin parecia ser esse cara.
Desde que ela havia conhecido o rapaz, ela havia se interessado nele, por ser bonito e trabalhador. Pouco depois, ela descobriu que a família dele era tradicional e tinha uma condição satisfatória, o que aumentou mais o seu interesse. O problema era Rose. Ao ver dela, Rose tinha tudo, ela tinha uma casa, uma loja e ainda era parente do dono das minas que tinham naquele vilarejo, enquanto ela só tinha uma casa velha e uma família falida.
Assim que ela alcançou a entrada da mansão antiga com pintura velha e portões enferrujados, uma empregada veio ao encontro dela para levá-la a Elias. Durante o percurso, ela pode reparar que tudo na construção era muito caro, apesar que o local estava tão entulhado de coisas que tornava o ambiente intragável:
— Então você é a Lisa.
A voz fina soou pela sala e a jovem pode ver o homem gordo atravessar e se aproximar do sofá onde ela estava:
— Sim, sou eu. - Lisa ensaiou um sorriso, disfarçando a surpresa ao ver o quão horrendo o homem ali era. Nem dava para dizer que aquele ser era parente de Rose.
— Fico feliz que tenha aceitado o meu convite. Fiquei sabendo que se mudou há alguns meses para o nosso vilarejo e que fez amizade com a Rose. - Elias falou ao se jogar no sofá maior e ser servido com uma xícara de chá.
— Sim, eu e Rose nos tornamos amigas.
— Também fiquei sabendo que esta próxima do Kelvin.
— Sim, também somos amigos.
— Serei breve, quanto quer para tirar o Kelvin da Rose?
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Atualizado até capítulo 101
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