Rose desceu de cima da cadeira de madeira antiga carregando uma velha lata de biscoitos, local onde escondia suas economias, já que temia que o que deixasse no banco poderia ser tirado dela por Elias. Já tinha meses que ela se desdobrava entre a floricultura, suas aulas e seu contrato com Elias.
A jovem abriu a lata e pode ver as notas amassadas espalhadas. Era naquelas notas que estava a esperança da compra da liberdade e quando ela conseguisse, esperava poder ter uma sobra para comprar seu sonhado vestido de noiva para se casar com Kelvin na pequena igreja do vilarejo.
Seu sonho era poder se casar com Kelvin e viverem tranquilamente naquela casa com seus filhos. Sim, ela era uma romântica e sonhadora. Adorava histórias de princesas que encontravam seus príncipes encantados e viviam felizes para sempre. Certo, que Kelvin não era um príncipe de fato, mas era o seu príncipe, que a cada dia que passava a salvava um pouco mais da escuridão que teimava em surgir dentro de si.
Ela passou a contar as notas ali e percebeu estar com quase metade do valor que devia a Elias. Com sorte, até o fim daquele ano, ela poderia pagar ao menos os juros, após se formar, ela tentaria pegar um trabalho na cidade mais próxima, que pudesse ganhar um pouco mais para sanar a dívida. Suas economias estavam dando certo, o que a deixava feliz.
Batidas no portão a fez despertar. Ao olhar o simples despertador que ficava ao lado da cama, ela pode ver que já era o horário que Kelvin saia do serviço. Como era fim de semana, não havia aulas e geralmente, eles aproveitavam aquele momento para ficarem juntos. Rapidamente ela guardou o dinheiro e a lata no local de origem, para correr até o portão para encontrar o namorado.
Ao ver o rosto de Rose, Kelvin sorriu e não resistiu em tomá-la nos braços e beijá-la ali mesmo:
— Linda como sempre. — O jovem falou com um leve sorriso.
— Até parece, estou toda desarrumada. — Rose tentou se justificar ao ajeitar os longos cabelos.
— Pelo jeito não quer sair, ou estou errado? — Kelvin brincou.
— Não, eu quero ficar sozinha com você. — Ela tinha um olhar sugestivo. — Venha, vamos entrar.
Se havia uma coisa que Rose agradecia diariamente, era o fato de Kelvin a fazer esquecer dos toques grotescos de Elias em seu corpo. Seu namorado era carinhoso, amável e gentil ao tocá-la e sempre fazia questão de usar proteção para proteger ambos. Kelvin não era o homem mais lindo do mundo, mas era bonito o suficiente para ela e era isso que importava e lhe dava a atenção necessária para que ela mantivesse sua sanidade.
Kelvin se retirou do corpo dela e se ergueu para se livrar do preservativo usado:
— Acho que deveríamos pensar em nos casar. — O jovem falou deixando Rose surpresa.
— Casar? — Rose repetiu ao se cobrir com o cobertor velho com estampa de cavalo.
— Sim, não acho certo estar fazendo isso com você sem um compromisso sério. — Kelvin segurou a mão dela e beijou. — Você aceitaria?
— Claro que aceito, meu amor! — Rose o abraçou animada
-***-
Rose entrou no escritório de Elias e pode ver o homem obeso sentado atrás da mesa de mogno que mesmo sendo cara e bonita, ficava feia naquele ambiente mal decorado. Ela havia vindo por todo o caminho pensando em como conversar com aquele ser que ela estaria se retirando daquele compromisso devido seu futuro casamento sem despertar a ira dele:
— Você se atrasou hoje. — A voz fina de Elias soou pelo cômodo.
— Perdão, eu estava ajeitando algumas coisas da loja com a ajuda do Kelvin.
— Que bom que estão brincando de casinha, aproveite enquanto pode.
— Elias. — Rose se aproximou cautelosa. — Então, eu gostaria de saber se poderíamos negociar o pagamento das parcelas da escola que você está me ajudando.
Um sorriso sinistro surgiu no rosto rechonchudo de Elias, o que chamou a atenção de Rose:
— Você é tão inocente, Rose, acha mesmo que sua dívida é apenas as parcelas da sua escola e você paga com o seu corpo? — Elias riu, abriu uma gaveta e tirou uma pasta jogando no meio da mesa. — Abra.
Rose pegou a pasta, que estava grossa devido à quantidade de papéis. Cuidadosamente, ela abriu a pasta e passou a verificar as folhas ali, que todas eram boletos, faturas de água, luz, fornecedores de flores e plantas e no fim tinha um contrato, onde ela reconheceu a assinatura de sua mãe:
— Para manter você e a sua irmã após a morte do pai de vocês, sua mãe nos procurou e pediu um empréstimo para pagar todas essas dívidas, como ela era minha tia, eu não poderia negar um pedido de ajuda. Ela prometeu pagar de volta, mas acabou falecendo antes e como pode ler nesse contrato, em caso de não pagamento da dívida, a mesma é passada para seus descendentes, no caso você e sua irmã. Como sua irmã não está aqui, só resta você.
A jovem observou os valores em cada fatura e o valor total do empréstimo. Nem em toda a sua vida ela conseguiria uma quantia tão grande para poder sanar aquela dívida:
— Quando estiver pronta, te farei minha esposa e com isso a dívida estará sanada. Resumindo, sua mãe te vendeu para mim.
Ouvir aquelas palavras deixou Rose sem chão. Após a morte do seu pai, as coisas ficaram difíceis, até que um dia, sua mãe disse que iria melhorar a floricultura e pagaria a passagem de Hortênsia para que ela pudesse se especializar em algo para melhorar de vida. Os planos, era para que ela também fosse para cidade, para se especializar em algo, porém sua mãe se foi. Agora ela sabia de onde havia surgido todo o dinheiro que as mantiveram durante aqueles anos:
— Pense direito no que vai fazer, Rose. Tenho você em minhas mãos. — Elias sorriu de forma sinistra.
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Atualizado até capítulo 101
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