3 dias se passaram desde que eu abandonei meus amigos, após uma longa batalha contra um pássaro elétrico gigante que se mostrou ser apenas um sonho, eu acordei em algum lugar da floresta e quando retornei...alguns seres com aparência humana e orelhas de lobo estavam no acampamento...eu observei de longe feito um covarde, enquanto meus amigos estavam sendo presos e carregados para algum local, no último momento eu ouvi eles gritarem por ajuda... ao menos Ticky gritou, mas eu fugi para dentro da floresta...eu consegui fugir, mas a que preço?
As palavras deles tem me torturado, dia e noite...até mesmo nesse último momento onde estou prestes a morrer, eu continuo a pensar naquelas palavras... Elas não param, não importa o que eu faça...elas vão voltar e martelar minha mente novamente, de novo e de novo até que eu perca toda minha sanidade
— hahaha bom trabalho herói, deixou seus amigos pra morrerem
— Sério mesmo que você ainda está vivo?
— você não merece nada além da morte, você é desleal consigo mesmo e com todos os outros
— e sabe o que é pior? VOCÊ É UM SER FRACO E INSIGNIFICANTE
Aquela voz continuava a zombar de mim... De dia e de noite, em qualquer oportunidade ela estava rindo, toda essa situação não passava de entretenimento pra ela
— você vai morrer sozinho, assim como sempre viveu
— você é um desperdício de vida
— POR QUE VOCÊ NÃO MORRE LOGO?
Minha mente aos poucos ia se apagando...mas aquela voz persistia em continuar na minha mente, eu só queria que ela desaparecesse e me deixasse em paz...o que mais dói é saber que tudo o que ela diz é verdade, eu não mereço viv-
— bem vindo a minha mente, seu inseto
—...
Ao desmaiar, Eu estava diante do meu próprio demônio...ele parecia se divertir em querer me menosprezar, mas...eu não conseguia olhar ou ter algum tipo de reação...pra mim tudo era tão vazio.
— qual a sensação de ser tão fraco?
— ...
— hmm
— EU TÔ FALANDO COM VOCÊ SEU DESGRAÇADO!
A voz daquela coisa ecoa reverberando por todo o ambiente, me fazendo tremer... aquela sombra não parecia ter mais de 1.4 metros de altura, mas mesmo assim se mostrava imponente...aquela voz na qual eu odiava ouvir... odiava com todas as minhas forças.
— Quantas vezes você já morreu? deixa eu ver... com essa já deve ser a décima vez
— de tantos corpos pra reencarnar, o escolhido foi justamente o de um garoto fraco e imbecil
— Quem... é você?
-...
— eu sou o arauto da destruição, aquela que veio para destruir a raça humana e todos os seres vivos do mundo
— diante de mim, não existe ninguém mais poderoso que eu.
— ...
Eu já estava cansado de tudo...do mundo e de todos. A um mês atrás eu perdi a pessoa que eu amava, traí meus amigos... todo esse papo não me interessava, seria apenas minha punição por ser tão fraco. mas...por que? Por que eu ainda sinto esse desejo em mim... esse desejo de querer salvar alguém.
Tudo que eu quero... é apenas poder refazer minhas escolhas.
Após algum tempo minha consciência parecia estar voltando, mas eu ainda estava fraco e faminto...
— Uh? Onde eu...
— Au-Au!
— Que?
— Au-Au!!
Um pequeno lobo...eu já estava cansado de deles, primeiramente eles me atacam, depois levam meus amigos... Tudo o que eu queria era poder matar cada um deles
— Au-Au!
— PARA DE LATIR!
— ...
— Au?
Cansado de tudo, eu apenas me levantei e continuei andando... Eu caminhei por alguns metros procurando comida, mas eu nunca achava nada...minha vida iria perecer naquele momento...mas por que?
— POR QUE VOCÊ TÁ ME SEGUINDO?
— ...AU?
O filhote de lobo continuou a me seguir, mesmo depois de ter andado vários metros de distância de onde eu acordei.
— me deixa em paz...
— Au-Au!
— me deixa em...ah
Não importa pra onde eu ia...de longe aquele lobo insistia em me seguir e isso de certa forma me incomodava mais e mais...meu histórico com lobos não é muito bom e mesmo que ele ou ela não me ofereça riscos, eu não queria ter que passar meus últimos dias ao lado dessa coisa
Ao caminhar mais um pouco, eu cheguei até um lago de tamanho considerável, a água parecia ser limpa então eu rapidamente me agachei e bebi um pouco da água e como esperado, a água estava refrescante. Logo em seguida o lobo me alcançou e bebeu da água
— Au-Au!
— cala a boca...
Beber a água havia saciado um pouco da fome que eu sentia, minha força parecia até mesmo ter sido recuperada um pouco, talvez a água tinha algum efeito mágico?
Eu me sentei a beira do lago, aproveitando a sombra que as árvores ao redor me forneciam, em seguida o lobo se aproximou de mim e esfregou seus pelos contra meu braço
— Sai...
Eu levemente empurro, afastando ele de perto de mim...mas ele voltava a esfregar seus pelos em mim
— aah... que saco!
— Au?
— você é insuportável...
— Au-Au! — o lobo late de forma amigável
Pensando bem...por mais que ele aparente ser um lobo, lobos não costumam latir, apenas cães domésticos
— você é estranho...
— Au!
após descansar um pouco, eu me levanto e continuo andando...dessa vez eu iria buscar achar a estrutura antiga que eu havia visto anteriormente, na queda.
— Fique aí! Não me siga
— Au-Au-Au!
— agora foram três...
Meus passos se mantinham firmes e sincronizados, determinado a resgatar meus amigos, andando mais um pouco, uma estrutura me chama a atenção, é como uma pequena cabana antiga, eu rapidamente fui investigar o que seria aquilo, e como teriam construções humanas por esse mundo?
Ao me aproximar da pequena cabana, percebo os detalhes envelhecidos que contam histórias do tempo. Algumas partes estão desgastadas, revelando os vestígios dos anos passados. Por um instante, hesito diante da porta, ponderando sobre os segredos que podem estar guardados dentro.
Cautelosamente, decido bater na porta da cabana, esperando uma resposta que ecoe pelo silêncio. Se houver alguém lá dentro, a comunicação seria um diálogo inicialmente tímido, marcado por perguntas cuidadosas e respostas cautelosas, como se estivéssemos explorando os limites da confiança mútua.
— tem alguém aí?...dane-se
Ao abrir a porta com cuidado, sou recebido pela visão de uma pequena clareira iluminada, indício claro de que alguém habita este lugar. A luz revela detalhes simples, como se a cabana fosse um refúgio acolhedor. Percebendo sinais de vida, mantenho a cautela enquanto adentro, curioso para descobrir quem pode chamar este recanto de lar.
Explorando o interior, noto a simplicidade do ambiente. Poucos pertences evidenciam uma vida despojada, e no chão, um modesto pedaço de tecido sugere ser o improvisado leito de quem ali reside.
Dentro da cabana, a quietude reinava, quebrada apenas pelo sutil ruído do vento balançando as folhas das árvores próximas. Meus olhos vasculhavam o espaço, absorvendo os detalhes da modesta moradia.
Em um canto, uma pequena mesa exibia alguns objetos, incluindo uma vela quase consumida.Ao examinar a mesa, um diário chamou minha atenção. Abri-o com cuidado, como se estivesse violando a privacidade de seu autor.
As palavras escritas nas páginas revelavam uma narrativa entrelaçada com mistério e solidão. Aquele que escrevia buscava respostas para perguntas que ecoavam em sua mente, assim como eu.
As páginas contavam histórias de um passado perdido, de um mundo que desmoronara em eventos além da compreensão. O autor anônimo buscava significado, uma razão para continuar em um mundo que parecia ter virado as costas para ele.Enquanto eu lia, um súbito som alertou-me para a presença de alguém na cabana.
Virei-me rapidamente, e diante de mim, uma figura envolta em capuz e vestes desgastadas observava com olhos que pareciam carregar o peso de eras.
— Quem é você? — perguntei, buscando respostas na expressão daquela figura enigmática.
O olhar penetrante do guardião parecia decifrar os recantos mais profundos da minha alma, como se estivesse buscando a verdadeira essência por trás das minhas palavras e ações. A atmosfera na cabana se carregava com uma tensão silenciosa enquanto eu ponderava sobre a escolha diante de mim.
Em um impulso, movendo seus pés com sincronia, aquele ser avança a mim, em uma velocidade absurda, usando seu machado para tentar me atingir, o impacto do machado acerta em uma parede de madeira próxima, abrindo um buraco
— QUEM É VOCÊ? — Pergunto novamente a ele
Mas não parecia haver respostas vindo, eu sabia que eu era o invasor, ele estava apenas defendendo seu território
Ele lentamente se vira, arrasta seus pés no chão, preparando uma nova investida como um samurai antigo, seus movimentos são rápidos e precisos. Tentando impedi-lo, eu seguro seus braços e tento derruba-lo no chão, mas sua força era maior que a minha.
Eu não queria machuca-lo...mas também não queria me machucar, ele poderia ser a única pessoa que poderia me explicar mais sobre esse mundo, mas ele não parecia estar disposto a conversar
— E-eu não quero te machucar, por favor pare
—...
por que eu estou me reprimindo tanto? É...é só mata-lo, mate esse ser repugnante!...
eu não vou cometer os mesmos erros que aquele Arthur fraco cometeu...
Ele novamente faz uma investida com um corte que acertaria rasgando meu peito até meu estômago, em uma tentativa mais ágil, eu consigo impedir o seu machado de me acertar, em questão de segundos, eu seguro seus braço, aplico um chute em seu estômago desestabilizando por um momento e em seguida aplico um corte que acerta em cheio o pescoço dele, fazendo sangue jorrar por toda a casa.
Por um momento eu me aproximo do corpo caído e começo a pensar comigo mesmo
—Eu não queria fazer isso...mas você, você não me deixou escolhas
— é uma pena que você tenha morrido, suas informações seriam valiosas para mim
Em um movimento delicado, eu recolho o machado e penso sobre quais serão meus próximos atos daqui pra frente, agora eu possuía uma arma e um lar temporário, talvez não tão forte mas que me ajudaria daqui pra frente...
Eu retiro o corpo levando-o para um local longe da lareira, meu corpo precisava de nutrientes para essa noite...e aquele velho aparenta ser um prato cheio para mim, um ensopado... Ou talvez carne assada...Não, eu não vou fazer isso com ele
Minha barriga continua a roncar de fome
A noite estava quase chegando mas a lareira ainda possuía algumas pequenas brasas, eu me retirei até uma floresta próxima e coletei um pouco de lenha para passar a noite aquecido, cada machadada refletia minha ações passadas sobre tudo o que eu tinha feito e sobre como minha nova pessoa mudaria daqui pra frente...eu não sentia remorso por ter matado ele...nem dó, apenas uma necessidade de acabar com uma ameaça.
Beatriz...Ticky...Lara... Me perdoem por ser quem um dia eu fui antes, foi por minha fraqueza que vocês sofreram as consequências, mas ele não vai mais voltar... não mesmo, eu juro.
Com a madeira coletada, eu retorno para a pequena cabana, e reabasteço a lareira com a lenha, com o pano que estava jogado no chão, eu o pego e enrolo o corpo morto daquele que um dia viveu aqui.
Ao retirar o capuz que ele estava vestindo, orelhas de lobo se revelam...talvez ele fizesse parte daqueles que levaram Beatriz e Ticky, então eu fiz mais do que correto em mata-lo. Eu viverei pra acabar com cada um de vocês...
Nada disso importa no fim de tudo...
Meus olhos lentamente se fecham, permitindo que eu adormeça aos poucos, deitado em cima desse piso frio todos os meus pensamentos somem por alguns instantes, antes que a escuridão tome minha mente.
— Auuuuu!
— Auuuu!
Uivos podiam ser escutados de fora da cabana...seria perigoso sair, minha presença ainda não foi descoberta, então tá tudo bem, eu estava hesitante em sair.
— Auuuu!
Os uivos não paravam e estavam ficando cada vez mais alto, impedindo meu sono, ainda um pouco hesitante, eu recolho meu machado e olho pela fresta da porta, a princípio estava escuro demais para se enxergar algo lá fora, a única coisa que eu sabia é que teria um lobo me esperando... independente do tamanho.
Ao abrir a porta, me deparo com um pequeno lobo, o mesmo de anteriormente... ele estava implorando para entrar, talvez por que estivesse muito frio aqui fora, eu rapidamente me virei e fechei a porta, deixando ele lá fora
— AUUUUU!
— Au-Au Auuuuu!
— Que saco...— murmuro enquanto tento dormir
Mesmo com todo o barulho eu tentei fechar meus olhos e me concentrar em dormir, os uivos não paravam, mesmo após 2 horas ele continuava insistindo, os uivos estavam começando a falhar, como se sua garganta estivesse doendo de tanto uivar
Eu sabia o que precisava fazer... Eu precisava fazer ele parar com isso, só existia uma forma de fazer isso...foi então que eu me levantei recolhi meu machado e lentamente abri a porta...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 25
Comments