revelações

A alguns dias atrás, eu vivia uma vida comum...nela, não tinha anomalias nem monstros ou super poderes...havia apenas eu e minha velha amiga de infância Lara. Eu vivia uma vida feliz...ao menos quando eu estava com ela naqueles pequenos momentos, eu sempre tinha a oportunidade de vê-la na escola, o que me deixava feliz...mas no meu último encontro, ela desapareceu, sem deixar rastros e nem nada do tipo...eu fiquei me culpando por não estar fazendo nada enquanto ela estava sumida...mas, eu não tinha informações suficientes para começar minha investigação...eu não tinha nada, ela simplesmente sumiu. em meus últimos momentos com ela, eu fiz de tudo para protegê-la, sacrificando meu braço para impedir que ela se machucasse. pensando bem... aqueles cachorros talvez fossem alguma tipo de anomalia, assim como aquela centopéia ou o cavaleiro de de gelo... após me ferir gravemente, eu fui levado ao hospital, conheci alguém que tinha um sonho nobre de querer ajudar as pessoas...mas ela morreu sem poder realizar aquele sonho, logo após eu tive que enfrentar um monstro no qual eu não tinha como vencer, minha única opção era fugir... e foi o que eu fiz. Depois fui salvo por um meteoro causado por uma garota estranha e um gato falante. Desde então temos passado por diversas aventuras, enfrentando essas anomalias...e agora eu estou aqui, a beira da morte...

— Acertamos ele!

Após uma vitória extremamente impossível, Ticky comemora por ter conseguido proteger Beatriz, mas Beatriz sabia da gravidade da situação

— matamos ele... Beatriz olha para Ticky com um olhar triste

— não se culpe... Não foi culpa sua, ele iria nos matar

— tinhamos uma dívida com ele...

— tínhamos?

— eu tinha... ele me salvou, se sacrificou recebendo poder

— mesmo que no fim isso tenha despertado um monstro dentro dele

Não restava nada além de destruição, nunca resta nada...tudo que está em volta quando essas criaturas aparecem, é destruído. O principal causador de tudo isso, nós mesmos, os caçadores de anomalia...

Ao olhar para o seu corpo queimado, tudo que eu posso sentir, é pena... Você foi arrastado pra tudo isso, sem ter culpa de nada. Talvez esse seja um sentimento novo em mim...algo que eu havia perdido naquele dia, mas que voltou quando você apareceu.

Sinto muito que não possamos fazer nada nesse momento, sinto muito por não saber o seu nome, mesmo que tenha sido por pouco tempo.

Essa é a dura realidade que passamos, encaramos perdas a cada batalha, buscando um mundo melhor...

— vamos indo Bea?

— vamos...

— Adeus

Após isso, lembro de algumas semanas terem se passado, eu recuperei meu tamanho normal e durante esse tempo nenhuma anomalia apareceu, por um lado é uma coisa boa já que não haveriam mortes...mas por um outro lado, é estranho que não haja mais. A escola havia fechado pois iriam fazer algumas reformas nela, mas hoje é o dia em que as aulas voltam, porém eu tenho sentido uma sensação estranha a alguns dias venho sentido isso

— pronta pra ir? — Ticky pergunta

— sim

Eu pego minhas coisas e desço as escadas, mas antes que eu chegasse a porta, uma das minhas empregadas me chamou

— Senhorita Beatriz!

— sim? — Respondo

— você tem uma ligação

— é ela?

— sim senhora!

*15 minutos depois*

— Alô?

— beaa! Como você está?

— bem

— tem se alimentado direito?

— Sim

— E o Ticky com está?

— estou ótimo! Ele grita

— qual o motivo da ligação?

— ah é, o motivo de eu estar ligando é...

— ...

— hmm, tudo bem

— mesmo? — ela me pergunta

— sim, já faz um bom tempo

— tudo bem então!

— aah você é a melhor, Bea!

Após isso conversamos sobre mais algumas coisas, até que finalmente ela me deixou desligar o telefone

— então, o que é que ela falou?

— algumas coisas

— me diz!!

— depois

— estamos atrasados

Logo após seguimos caminho rumo a escola, hoje decidi ir andando, mesmo que estivéssemos um pouco atrasados, mas chegaríamos a tempo

O dia estava ensolarado e o clima estava bom, não havia tanto vento soprando mas estava agradável andar pelas ruas. Após alguns passos andados, já era possível ver a escola. Eu adentrei e fui até a minha sala.

Tudo transcorria com a normalidade costumeira. As pessoas ao redor não demonstravam sinais de mudança; tudo seguia seu curso habitual. Estava tudo indo bem, sem indícios de alterações significativas no ambiente ou nas pessoas.

Os alunos mantinham suas características habituais, sem grandes transformações notáveis. O meu lugar, por sua vez, parecia inalterado.

De dentro da minha bolsa, Ticky sussurra timidamente.

— é estranho ele não estar aqui, né?

— não import-

A porta se abre subitamente

— ah e aí Arthur!

— eai — responde timidamente

— quee...? — ambos gritam surpresos

— ele não estava morto? — Sussurra Ticky

— ...

— ah oi Beatriz! — Sorrio

— conhece ela? — Um dos garotos pergunta

Para mim e Ticky, a surpresa era palpável, pois não esperávamos que ele estivesse vivo após a explosão à queima-roupa que enfrentou naquele dia.

— C-como você sobreviveu? — Pergunto a ele

— É uma longa história haha

Mas pra resumir...

Depois que meu corpo foi totalmente chamuscado, eu fiquei deitado no chão por horas...mas de alguma forma ele estava se regenerando aos poucos, após 8 horas eu acordei e consegui me levantar, aconteceu uma outra coisa também!

— o que?

Me aproximo de Beatriz e sussurro no ouvido dela

— não dá pra mostrar aqui, no terraço eu te mostro

— ok...

— é bom estar vivo novamente!

— esse cara é maluco Beatriz, tô te falando! — Ticky sussurra de dentro da bolsa

Antes da minha morte eu pude conversar com aquela coisa...a sombra de dentro de mim, eu lembro dela ter aparecido no hospital, mas não era tão visível quanto ela se tornou

*10 segundos antes da morte*

— Esse local...onde que eu tô? — mePergunto assustado

— você tá dentro da minha mente, seu inseto imundo

— Sua?

— acha mesmo que depois de morrer 3 vezes você pode chamar esse corpo de seu?

— presta atenção, você tem aproximadamente 5 segundos até a gente trocar novamente

— Na próxima vez que eu voltar, vai ser pra matar a todos que você ama

— o que? Quem você pensa que-

*Palmas*

— Boa sorte em sobreviver.... Hahahahah

— O qu-

A última imagem gravada em minha memória foi uma imensa bola de fogo vermelha, assemelhando-se a um sol, a poucos centímetros de me atingir. Em um único segundo, testemunhei toda a minha vida passar diante dos meus olhos.

É um milagre eu ainda estar vivo para contar isso. Quando finalmente recobrei a consciência, meu corpo estava brilhando com uma leve luz e meus ferimentos já tinham se regenerado em partes

O tempo logo passa, nada de congelamentos hoje, nada de golens, raposas ou cavaleiros, tudo estava normal...como tudo deveria ser. O sinal logo toca marcando o fim do primeiro período e eu me encaminho para o terraço onde me encontraria com Beatriz e Ticky para mostrar algo.

Após alguns minutos os dois logo chegam

— E então, o que você queria mostrar? — Ticky pergunta empolgado

Eu estendo minha mão e me concentro um pouco, após alguns segundos algo acontece

— está brilhando? — Indaga Ticky

— era isso? — Pergunta beatriz

— sim

— por que?

— eu que pergunto, por que minha mão tá brilhando?

Nós três permanecemos em silêncio por alguns segundos, ponderando sobre o que aquilo poderia significar.

— quando isso começou?

— começou logo quando eu acordei ou...revivi

— inicialmente meu corpo todo estava brilhando, mas agora só minha mão

— você agora tem uma tocha no lugar das mãos haha! Zomba Ticky

Ticky zomba da situação, enquanto Beatriz também parece curiosa para saber do que se tratava aquilo.

— corta ela fora

— quee? Tá louca?

Por mais estranho que tudo isso possa parecer, acho que no fim posso me acostumar com isso, talvez seja como o Ticky disse...pelo menos agora eu tenho uma tocha na minha mão...mesmo que seu brilho seja fraco.

— e então, como vai a caçada às anomalias? — Pergunto

— Elas deram uma sumida, mas agora que nosso ímã voltou, elas logo logo voltarão também hehe! — Brinca Ticky

— Agora que eu percebi...você voltou ao seu tamanho normal Beatriz

— ...

— hmm ainda prefiro ela na forma pequena, ela fica tão fofa! Ticky Brinca com a situação

Após esse breve momento de descontração, continuamos a conversa, debatendo sobre qual seria o nosso próximo passo em relação as anomalias, caso elas aparecessem.

— em cada batalha, a morte das pessoas tem sido inevitável...

— é algo algo normal, quando se trata de anomalias

— não...deve ter algum jeito de combater as anomalias e manter as pessoas seguras

Uma das batalhas mais marcantes que ainda me lembro, foi quando eu ainda estava no hospital...por conta do meteoro, todos aqueles que sobreviveram a centopéia foram mortos por conta do impacto...

— A morte faz parte, é inevitável

— Talvez pra você, mas eu me nego a aceitar que pessoas inocentes morram! Respondo quase gritando

— por favor mantenham a calma! Ticky intervém

— você mesmo deveria saber, estamos enfrentando criaturas de outro mundo

— Eu não me importo com quem tenha que morrer, eu vou cumprir meu objetivo como caçadora de anomalias, e se for necessário eu passarei até por cima de você

Surpreso com a resposta de Beatriz, opto por ficar em silêncio por um breve momento, até que Ticky quebra a a tensão com um aviso

— cara, você não vai querer irritar ela...confia em mim

— Então o que faremos? Pergunto novamente

— nada... não há nada que possamos fazer

— fique feliz se você conseguir salvar 1 pessoa pelo menos

Após essas breves palavras, Beatriz se levanta e retira-se do local em silêncio, Ticky apenas a segue como normalmente faria.

— ela já passou por muitas coisas difíceis, tenta entender o lado dela...

— ...

Eu decido não responder, Ticky respeita meu silêncio e se retira do local. O sinal toca em seguida, marcando o término do intervalo e anunciando o retorno à rotina habitual. Consequentemente, retorno à sala, cumprindo meu dever como aluno e mergulhando novamente nas maravilhosas atividades acadêmicas.

Mas, antes mesmo que eu entrasse, alguns garotos me abordaram, Miguel e Lucas.

— Eii Arthur! A quanto tempo

— como você tá? — Ele me pergunta olhando com expectativa

— o que vocês querem?

— nossa, não é como se toda vez que te chamo, é pra pedir algumas coisa

— e não é?

— não...mas já que você falou

Eles passam a me explicar toda a situação, sobre como éramos bastante amigos e que amigos fazem favor aos outros pois isso fortalece a amizade entre os brothers.

— o que você quer?

— eu conto ou não conto, Miguel?

— conta, conta

Ele pede para que eu me aproximasse um pouco mais, pois não queria que ninguém escutasse o pedido

— notamos que você tem andado mais com a Beatriz... E como uma coisa leva a outra

— Queremos o número do celular dela

lucas complementa

— é isso aí

Pra ser bem sincero, eu nem sei se ele usa, ela não parece ter interesse nesse tipo de coisa...ela parece não ter interesse em nada

— não vai dar

— o quee?

— fortalece nós Arthur

— se quiser, peçam vocês mesmo

— mas ela parece ser mais próxima de você

Inocentes...mal sabem eles a discussão que acabamos de ter

— mas assim, isso faria ela ser próxima de mim... não de vocês, então não adiantaria nada eu pedir

— vai lá cara! Você consegue! — Eles me incentivam

— tudo bem...

Lentamente, me aproximo da carteira de Beatriz, que parecia estar distraída com o som dos pássaros além das janelas,

— Beatriz você poderia me passar o seu-

— Não

— mas eu nem falei o que era

— ela escutou a conversa inteira de vocês, cara, ela tem uma ótima audição

Sussurra Ticky

Escutando a conversa alheia Beatriz? Saber que ela presta atenção em mim, é uma novidade na qual eu não esperava

— então é realmente um não?

—...

Como sempre, ela ignora minhas perguntas, logo após isso eu retorno para dar as ótimas notícias para o Lucas e Miguel

— e então cara?

— é, ela não passou

— aah cê não pediu direito

De certa forma eu nem cheguei a terminar o pedido

— psé, talvez vocês consigam se sair melhor do que eu, né?

— é.... É uma pena né Lucas? — Miguel encara lucas

— pois é né Miguel? — Lucas encara miguel

— Parece que não vai rolar mesmo

— mais alguma coisa? — Pergunto

— sim, obrigado pela tentativa

Por um momento eu notei algo estranho...mas eu estava com medo de perguntar e obter a resposta que eu não queria. Durante todo esse tempo que Lara desapareceu, ninguém nunca chegou a perguntar, mesmo eu sendo próximo dela e ela ter bastante amigos.

É em um momento de coragem que eu pergunto, a pergunta crucial

— A Lara tem faltado bastante né? Vocês sabem dela?

— A Lara?

-Sim...

— vocês sabem sobre ela?

Por um momento os dois permanecem em silêncio, pensando

— ...

— ...

e então a resposta veio

— quem é essa?

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