Após enfrentar um lobo gigante de duas cabeças, eu descobri que tinha habilidades de cura. Perseguimos o rastro dele que nos levou até uma toca, adentramos ela e nós rastejamos por alguns longos minutos, até chegarmos a um certo ponto, onde o solo cedeu e agora...estamos caindo.
— Aaaaah — Ticky grita desesperado
— O que vamos fazer!? — grito
— eu ainda quero viver! — Ticky chora desesperado
—...
— para de graça Ticky, você é o único que pode voar - Beatriz fala de forma séria
— ah é... verdade haha! Calma aí
Ticky gentilmente puxa nossos braços e nos segura, reduzindo a velocidade da queda
— Não tá funcionando — grito eu
Ticky se esforça ainda mais em bater suas pequenas asas, para impedir nossa colisão contra o solo
— pode não parecer, mas...eu tenho bastante força! Aaaah
— vaii!
— isso!
Os esforços dele funcionaram...ao menos não quebramos nenhum osso durante a queda, mas ainda doeu bastante
— Conseguimos...Por pouco- comento
— nunca duvide da minha capacidade haha!- Ticky se gaba
— E agora? O que nós vamos fazer?
Estávamos em uma ilha cercada por um mar imensos, não havia nada além disso, nós estávamos presos em um mundo totalmente novo, quais perigos poderiam existir?
— vamos andar - Beatriz sugere
— pra onde? - pergunto
— se aquele lobo realmente veio pra esse lugar, então deve haver algo
— mas é um lobo... Eles não vivem em florestas? E florestas geralmente só tem árvores, né?
—...
—...
— Bom... independente se existe ou não alguma coisa aqui, devemos tomar cuidado — Ticky comenta
Parando bem pra pensar...quando estávamos em queda livre, eu vi algo que se parecia com ruínas de alguma estrutura antiga...algo grande como um castelo
— já sei!
— ...o que?
— Vamos dá a volta na ilha, talvez isso nos ajude a encontrar algo
— foi o que eu acabei de dizer... — Beatriz responde
— ah é...
Ficar parado, não ia ajudar em nada, nós precisavamos sair daquele local e encontrar uma forma de voltar pro nosso mundo... Mas olhando um pouco mais pra esse local, é bastante intrigante, não há sol, o céu é alaranjado como ao entardecer, as águas são quase cristalinas. Mas não parece que ainda estamos no nosso antigo lar, é um novo mundo...
Continuamos andando, caminhando pela areias da praia em busca de achar algo que nos ajudasse a voltar, mas nenhum sinal de vida aparente, tudo parecia tão calmo...aquele lobo realmente veio por aqui? Ou nós nos perdemos de alguma forma?
— Ei Beatriz
— ...
— como vai seu braço?
— bem
— ele cicatrizou bem rápido, né Bea? — Ticky comenta
— Hm
Após essa leve interação, nós continuamos andando por um longo tempo, por 2 ou 3 horas aproximadamente, mas, nunca chegamos a algum lugar...ao olhar para esquerda, só havia uma floresta com matas densas, ao olhar pra direita, havia um longo mar quase cristalino.
— aah eu não aguento mais andar...
— mas você tá voando - respondo
— é a mesma coisa
— não é não...
— Ah quer saber, vou dar um jeito nisso!
Batendo suas asas em uma sincronia perfeita, Ticky voa para cima com a esperança de encontrar algo interessante
— Tá vendo alguma coisa!? — pergunto
— deixa eu ver...Não — ele responde com desânimo
— É impressão minha...ou tá começando a ficar escuro? — pergunto
De alguma forma, mesmo sem ter sol, o céu parecia estar escurecendo aos poucos, então de certa forma a noite iria chegar, e nós estaríamos perdidos, em um mundo totalmente novo.
— Tá anoitecendo... — Beatriz comenta
— e agora? — Ticky pergunta
— vamos fazer um acampamento! Ou uma fogueira - faço uma sugestão
— talvez seja o melhor a se fazer, né Bea?
— hmm
Bom... nós decidimos que passaríamos a noite alí mesmo, só precisávamos de alguns recursos para preparar nosso acampamento
— do que vamos precisar, Arthur? — Ticky pergunta
— gravetos pra fazer uma fogueira e folhas
— tá bom!
Após separar nossas funções, Ticky e eu trabalhamos juntos para construir o melhor acampamento possível para passarmos aquela noite, e após 1 hora pudemos ver o resultado.
— Wow, isso tá incrível, olha só Bea!
— ficou legal...
A fogueira nos fornecia o calor necessário para nos aquecermos, a noite não estava mais tão fria quanto estava antes, mas...ainda não tínhamos algo importante
— tô com fome...e com sede! — Ticky reclama
— todos nós estamos
— não tem nada para comermos? — Ticky pergunta enquanto olha para mim
— eu nem sei se existe algum ser vivo comestível nesse mundo...
— hmm — ele murmura
As horas iam se passando, e estava ficando cada vez mais escuro
— podem ir dormir, eu fico vigiando — falei
— tem certeza? - Ticky pergunta
— sim
— tá bom então!
Antes que percebesse, Beatriz já estava dormindo... agora eu ficaria de vigia, protegendo eles...se bem que eu sabia que, se um monstro nos atacasse, eu não poderia fazer nada.
Após todos dormirem, eu fiquei admirando o brilho da fogueira e suas faíscas, aquele calor acolhedor... tudo era tão bom, eu só conseguia pensar no que fazer daqui pra frente, será que vamos conseguir sair?
Por um momento fecho os olhos, imaginando o reencontrar com Lara, como ela estaria agora? Ela ainda seria a mesma pessoa animada de antes? A mesma pessoa que eu amei durante anos desde minha infância. No momento atual eu tenho novos amigos, junto deles eu tenho passado por diversos desafios... Enfrentando monstro após monstro, um novo capítulo que se iniciou. Mesmo nessas situações...tudo ainda parece divertido.
Após algumas horas, no céu começa a se formar nuvens de chuva carregadas, o que era estranho... já que quando estava de dia, não havia sinal nenhum de que existiam nuvens nesse mundo.
Se a chuva realmente chegasse, seria um perigo para nós.não dá pra saber se as gotas de chuva são realmente água ou outra coisa... naquele momento eu tive a sensação de que já tinha passado por essa situação antes, mas minha memória não colaborava.
Aos poucos, as nuvens iam se aproximando do nosso precioso acampamento, a sensação de que havia um perigo eminente chegando, me deixava ansioso.
Mas eu não queria temer... Pelo contrário, eu queria proteger aqueles que estavam comigo, a qualquer custo eu iria protegê-los
Após alguns minutos, pequenas gotas de chuva começaram a cair suavemente sobre minha cabeça, criando uma melodia suave enquanto tocavam o solo. O céu escurecia lentamente, e o aroma fresco da chuva iminente permeava o ar.
Gradualmente, a chuva intensificava seu ritmo, transformando as gotas suaves em uma dança mais persistente. O crepitar da fogueira, que antes proporcionava calor e luz, começou a ser apagado pelas gotas que desciam do céu, até que a última brasa se apagou, deixando apenas o som suave da chuva como trilha sonora.
Tudo foi tomado por uma escuridão total, o único som que se podia escutar, era o som da chuva caindo...mas isso não parecia incomodar Beatriz ou Ticky...o que é bem estranho.
De repente, uma forte ventania começou a soprar, balançando as folhas das árvores com brutalidade, causando tumulto na ordem natural das coisas.
De cima das nuvens Um grito estridente, semelhante ao chamado de algum pássaro noturno, ecoou na noite chuvosa.
Lentamente, ele começou a descer dos céus, sua silhueta imponente revelando um poder majestoso. Seus contornos se destacavam contra a cortina de chuva, uma presença imponente que comandava respeito.
O bater poderoso de suas asas desencadeava relâmpagos, criando estrias elétricas no céu noturno.
Rapidamente corro buscando acordar Beatriz ou Ticky
— Beatriz! Ticky!
Mas eles não acordavam de forma alguma...seu sono era tão pesado quanto uma rocha... não vai ter jeito, acho que eu realmente vou morrer.
— ACORDEM!
Ao ouvir meu grito, o pássaro responde com um grito ainda mais alto, suas asas batendo com intensidade, liberando relâmpagos.
— C-como eu vou lidar com isso?
— Como eu vou matar esse desgraçado?
Ele se aproximava, suas asas poderosas cortando o ar com determinação. A cada batida, a distância entre nós diminuía, revelando mais detalhes de sua poderosa aparência.
— ACORDA BEATRIZ!
Eu continuo a gritar, esperando que ela venha ao meu socorro. Mas ela continua a dormir, mesmo nessa tempestade.
— Pensa, pensa!
Nenhuma ideia vinha a minha mente, impulsionado pela adrenalina, eu corro em busca de algo para usar como arma.
— cadê?
— cadê?
Nada parecia ser útil no meio de todas essas folhas caídas, mas eu continuava a insistir, procurando
— Cadê?...
— Achei!
Na minha frente, estava um graveto no qual eu usaria para minha proteção e de todos, rapidamente recolhi e retornei até ao acampamento.
Ao retornar, Mirei meus olhos para o alto, buscando a criatura imponente que estava a sobrevoar o local. Eu precisava de alguma forma chamar a sua atenção e atrair para longe
Foi nesse momento que eu tive a brilhante ideia de usar o brilho da minha mão direita para atrair a criatura
— vem...vem...
— VEM PRO PAU SEU DESGRAÇADO!
A criatura, de alguma forma, parece reagir ao meu grito. Lentamente, ela desce, batendo suas asas de forma mais intensa, e relâmpagos são liberados em uma exibição elétrica única.
Se inicia o nosso jogo, onde presa e predador se caçam ferozmente em uma dança mortal pela sobrevivência, apenas um sairia vivo desse embate...e com certeza seria eu.
Com determinação, levanto minha mão e encaro a criatura que se aproxima lentamente. Ela parece atraída pela luz, tão atraída que me segue cegamente, como uma mariposa em busca de uma lâmpada acesa.
A cada momento ela se aproximava mais e mais do solo, é nesse momento que eu decido fazer minha primeira investida
Em um movimento rápido, ergo o graveto improvisado, preparando-me para enfrentar a criatura alada. Seus olhos faiscam com eletricidade, e suas asas batem com uma força impressionante.
Com um grito, avanço em direção à criatura, balançando o graveto em um arco amplo. Ela reage desviando-se habilmente, mantendo uma distância segura. No entanto, ela não desiste, continuando a seguir a luz emitida pela minha mão direita.
A chuva intensa torna o solo escorregadio, dificultando os movimentos. A criatura mergulha, suas garras afiadas visando atingir-me. Eu me esquivo por pouco, sentindo a corrente de ar produzida por suas asas.
A dança perigosa continua, entre desvios ágeis e tentativas de ataque com o graveto. A cada momento, sinto a eletricidade no ar, indicando que a criatura está prestes a liberar seus relâmpagos. Preciso encontrar uma maneira de virar o jogo a meu favor.
Observo sua movimentação, buscando padrões ou fraquezas. Num momento de intuição, noto que ela hesita ao girar bruscamente. Aproveito essa oportunidade para avançar com determinação, mirando um golpe preciso.
Com um golpe certeiro, consigo atingir uma das asas da criatura, causando-lhe desconforto. Ela solta um grito agudo, recuando momentaneamente. Aproveito esse instante para gritar em direção a Beatriz e Ticky, tentando acordá-los novamente.
-ACORDEM! Estamos em perigo!
No entanto, mesmo com o caos ao nosso redor, o sono profundo dos meus companheiros parece inabalável.
A criatura recupera sua compostura e avança furiosa.Decido mudar minha tática. Em vez de enfrentar de frente, corro em direção à floresta densa, onde árvores altas podem oferecer proteção.
A criatura me persegue, com sua silhueta imponente cortando o céu tempestuoso.Ao entrar na floresta, busco abrigo entre as árvores, usando a densa vegetação para obscurecer a luz emitida por minha mão.
A criatura hesita, incapaz de rastrear-me com clareza. Este é o momento de virar o jogo. Escondido nas sombras da floresta, mantenho-me alerta, observando seus movimentos. A chuva intensa continua a cair, criando uma atmosfera misteriosa e tensa.
A criatura sobrevoa a área, frustrada por não conseguir localizar-me.
Agora, empoleirado nas alturas de uma árvore, seguro firme o graveto e concentro o brilho em minha mão. A luz intensa corta a escuridão da floresta, atraindo a atenção furiosa da criatura.Ela voa em direção à fonte de luz, suas asas batendo com fúria.
No momento certo, salto da árvore para uma posição mais segura, enquanto a criatura investe na direção do brilho.Agora, com a criatura próxima, aproveito a oportunidade. Desço da árvore em um movimento ágil e cravo meu graveto em suas asas, causando uma dor imensa na criatura
Enquanto a criatura se enfraquece, continuo a direcioná-la para longe do acampamento onde Beatriz e Ticky ainda dormem profundamente. A floresta se torna um campo de batalha caótico, iluminado esporadicamente pelos relâmpagos que cortam o céu.
Apesar dos esforços da criatura para resistir, minha estratégia persistente prova ser eficaz. Com um golpe final, atinjo-a perfurando seus olhos, fazendo-a cair de dor.
A batalha estava ganha, até que a criatura começa a emitir um brilho extremamente forte, partículas elétricas percorriam o seu corpo causando estática, desesperadamente busco me afastar, mas o brilho era forte demais e após alguns segundos a criatura explode, liberando uma imensa carga de energia.
Uma forte luz toma o local, iluminando completamente a floresta sombria, minha visão se apaga, mas aos poucos pude perceber que a tempestade ia se acalmando...
— o que!?
— foi um sonho?
Foi realmente um sonho? Parecia...parecia tão real. Eu me levanto e decido ir investigar o local da batalha, mas...
A criatura havia sumido, não havia mais corpo, e o local parecia intacto...as árvores não aparentava ter sofrido alguma mudança desde a explosão.
Assustado com tudo isso e ao mesmo tempo aliviado, eu decido retornar ao acampamento improvisado, ao olhar pro chão, haviam pegadas... não parecia ser minhas, era como um exército caminhando
Quanto mais me aproximava, vozes podiam ser escutadas ao longe...como se alguém estivesse gritando.
— prendam todos!
— quem são vocês!? - Grita Ticky
— calem a boca!
— me soltem! - Grita Beatriz
Uma multidão de pessoas haviam cercando o local...era como um exército, haviam duas Carruagens, puxadas por lobos... OS MESMOS QUE ENFRENTAMOS ANTERIORMENTE
— nós deixem ir!
— CALEM A BOCA!
Um dos soldados transpassa com uma lança de ferro, eletricamente carregada
— Aaah!
Ticky foi a primeira vítima... E-eu estava paralisado de medo... Eu não queria deixar eles para trás, mas meu corpo não se movia. Foi nesse momento que uma voz gritou meu nome
— ARTHUR!
Meu corpo congelou por inteiro... Ticky havia me visto, e logo em seguida os guardas também me avistaram
— Peguem ele!
— Nos salve!
— arthur... - Ticky chora com olhos em lágrimas, vendo eu fugir
Eu rapidamente corro em direção a floresta, me arrependendo por ter deixado meus amigos para trás...
— Me desculpem pessoal... E-eu sou fraco demais para fazer alguma coisa
— ME DESCULPEM!
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Atualizado até capítulo 25
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