cap 11

Eu enfim recebi a resposta que eu não gostaria de ter recebido...isso confirma minha antiga teoria de que todos haviam se esquecido dela após o desaparecimento, o que é péssimo, pois todo o peso de achar ela cai sobre mim, o único que ainda se lembra dela.

Após a revelação, eu retorno para o meu lugar, enquanto espero a aula começar... porém, as palavras ditas agora a pouco, continuam a ecoar pelo minha cabeça. Como eu iria achar ela sozinho? Onde ela poderia estar?

Enquanto eu pensava, o tempo passou voando e logo o sinal tocou novamente, a última aula iria começar, mas antes disso....

— pessoal, temos um aviso!

Duas garotas tomam a frente, segurando alguns papéis

— na próxima semana teremos um festival escolar, onde iremos apresentar uma sala temática

— temos duas opções

— um café com empregadas ou um labirinto aterrorizante

Após dizer isso, um dos garotos grita ao fundo

— queremos o café com empregadas

— isso, boa ideia haha! Complementa outro garoto

— claro...claro, só um detalhe

— qual?

— as outras salas também irão fazer a mesma coisa... então queremos diferenciar

Todos se olham confusos se perguntando como isso iria funcionar

— vai ser um café onde os garotos irão vestir roupa de empregada!

— Queee!?

As garotas riem da situação de surpresa para os garotos

— sendo assim...eu voto no labirinto aterrorizante

— eu também!

— por que garotos? Vocês ficariam uma gracinha vestido de empregada haha

— não curto essas coisas não

Retruca um dos garotos

E então uma votação foi feita, todas as garotas haviam votado em um café com empregadas, mas como na sala haviam mais garotos, obviamente eles votaram no labirinto.

— Votação encerrada, e o tema vencedor foi... Labirinto aterrorizante!

— aeee! Comemora um dos garotos

— hmm chatos! Murmura uma das garotas

Após isso, as funções de cada um foram divididas organizadamente, cada aluno ficaria responsável por algo, desde a compra dos materiais, até a organização da sala.

— ok...tudo certo pessoal!

— os alunos que vão comprar e os que vão organizar já estão anotados.

— Acho que é isso

— E-emily

— oi?

— ainda falta escolher os alunos que irão ficar na recepção

— hmm

— tem alguém que ainda não está incluso em nada?

Surpreendentemente eu ainda não estava incluso, então obviamente eu levantaria minha mão

— deixa eu ver...

— certo! Arthur e Beatriz ficarão responsáveis pela recepção

— alguma objeção?

Para minha surpresa Beatriz iria ficar comigo para recepcionar os alunos

— se não tem, então terminamos por hoje! Conto com vocês para fazer isso dar certo

A sala então aplaude e elas retornam para suas carteiras

Logo após a aula começou e o tempo novamente passou voando, e o sinal logo toca encerrando mais um dia de aula. Lentamente caminho em direção a saída, aproveitando os últimos momentos daquela tarde. O entardecer pintava os corredores com tons dourados enquanto eu seguia calmamente em direção à saída. Mas antes que eu pudesse sair, Os sussurros misteriosos capturam minha atenção, interrompendo meu caminho em direção à saída. Normalmente eu não pararia, mas algo me chamou atenção...ou melhor, alguém.

— você não tá saindo com ninguém, né? Então não tem problema em aceitar

— ...

— me responde, você aceita?

— não

— ...

Por um breve momento o espaço é tomado por um silêncio, antes da tragédia vir

— QUAL É A SUA EM?

— FICA SE FAZENDO DE DIFÍCIL

— VOCÊ SE ACHA MELHOR DO QUE EU?

Em um ato de impulso, ele a empurra contra a parede enquanto ela permanecia em silêncio

— Você irá sair comigo sim, sua esquisita!

Essas palavras foram a gota d'água para que eu me envolvesse, é então nesse momento que eu me aproximo

— ah, te achei Beatriz

— ainda temos algo a conversar, se importaria de me acompanhar?

— ...

Me ajuda a te ajudar....

— qual é a sua? Não tá vendo que a gente tá conversando? Ele me pergunta

— você é cego ou algo assim?

— Beatriz, temos que ir...

Insisto esperando uma resposta

— ...

Mas Ela permanece em silêncio

— sua mãe não te deu educação não? Ele me pergunta enfurecido

— quem você acha que é pra se me meter assim na conversa dos outros?

Ele começa a aumentar o tom e se aproximar de mim

— NÃO SE META AONDE NÃO É CHAMADO!

Após dizer essas palavras ele me empurra com agressividade, fazendo com que eu caia no chão

— Ticky, ative o encantamento

— pode deixar! Ticky concorda

— P-perai Beatriz, também não é assim!

— hmm? Ele resmunga

Antes que eu percebesse, Ticky já estava se preparando para ativar o encantamento

— Tá tudo bem...

Talvez não estivesse...mas eu queria acreditar que estava sim tudo bem, é apenas um ser humano... nós enfrentamos anomalias quase todos os dias, criaturas que matam sem piedade, corremos risco de vida. Então o que ele significava no final?

Eu me levanto do chão, motivado como nunca estive antes.

— já se levantou?

Mesmo após tudo isso...eu não sentia vontade de lutar, ele não valeria meu esforço, é apenas alguém que não tem noção sobre os verdadeiro perigo que habita nesse mundo, e com isso em mente que eu olho para Beatriz sorrindo e digo

— já está tarde, podemos ir?

— ...

Ela não responde, mas me acompanha até a saída

— Aonde você vai!? Não terminamos ainda

Por um momento ela para... E ainda de costas ela fala

— quem você acha que eu sou? Ela pergunta

— acha mesmo que eu sairia com alguém que utiliza da violência como arma, para forçar algo?

— M-mas...

— Não, eu não vou sair com você nunca, entenda de uma vez por todas

— você é burro ou seu cérebro não consegue compreender?

As palavras ditas ecoaram pelos corredores vazios, em nenhum momento antes eu nunca a vi falar tanto de forma tão séria... Após isso continuamos andando pelas ruas até um certo ponto...

— você não deveria ter se envolvido

Ela me olha com uma expressão séria

— não consegui me conter, foi mal.

— ...

— Cara, quanta tensão em! haha, se não fosse por você eu acho que ele teria virado churrasco nesse momento

Ticky brinca com a situação, quebrando o momento de tensão que estava rolando naquele momento.

Andando por algumas ruas, logo nos separamos, mas antes disso, Ticky se vira e grita

— Eii qual o seu nome mesmo?

— ...

Aquela pergunta me pegou desprevenido, depois de tanto tempo eles ainda não sabiam meu nome?

— em? Qual é, diz aí? Ele pergunta novamente

— Arthur!

— como?

— Arthur!

— ah! Só isso mesmo, tchau.

— o nome dele é Arthur Beatriz

— ...

Ele se vira e continua andando...ou voando no caso. Após isso eu segui meu próprio caminho de casa, sozinho e ainda pensando em alguma forma de salvar Lara...

Ao chegar em casa já de noite, eu percebo algo estranho, meus pais não estão em casa como sempre...eu coloco minhas coisas sobre o sofá e vou até a geladeira buscar água

Caminhando lentamente até a geladeira, percorro cada canto da minha modesta casa, observando detalhes que contam histórias silenciosas. As paredes desgastadas parecem sussurrar os anos de existência, enquanto me pergunto há quanto tempo este refúgio acolhe sonhos e memórias.

Ao deslizar a porta da geladeira, deparo-me com poucos alimentos, mas meu olhar se fixa em uma garrafa de água, parcialmente preenchida. Num gesto automático, alcanço-a, sentindo o frescor da condensação contra meus dedos.

A garrafa encontra meus lábios e, em um movimento rápido, sinto a frescura da água inundando minha boca. A refrescância se espalha, dissipando a sensação de sede enquanto o líquido cristalino desliza pela minha garganta. Nesse simples gole, encontro um instante de alívio, uma pausa tranquila no ritmo acelerado da vida na minha modesta morada.

Esticando-me no sofá, deito-me e permito que meus pensamentos flutuem entre as paredes familiares da minha casa. Reflexivo, mergulho nas lembranças recentes, revisitando as escolhas e ações que moldaram meu presente.

Enquanto eu pensava, lentamente minha mente ia se apagando como o pavio de uma vela...trazendo a escuridão para dentro da minha mente, e logo em seguida eu adormeço.

Minha mente me leva até um campo verde preenchido com animais de diferentes tipos, ovelhas, vacas, cavalos dentre outros animais. Havia uma grande estrada de terra que me levava ao topo de um morro, eu caminhei indo em direção ao topo. Meus passos iam ficando pesados e mais difícil de se locomover, é nesse momento que o céu começa a escurecer, a lua se tornou em sangue e quando me dei conta, todos os animais estavam mortos.

Nuvens de chuva começaram a se formar no céu, indicando que uma grande tempestade iria vir. Naquele momento eu desci do topo daquele morro e corri em direção a um celeiro que se gerou próximo a mim, suas portas eram grandes e pesadas, mas com um pouco de esforço, eu consegui abri-la. Como esperado, a tempestade logo começou, uma chuva intensa começou a cair lá fora e por uma pequena brecha na porta, pude ver as finas gotas de chuva , que mais pareciam agulhas afiadas caindo e perfurando a terra. Enquanto eu esperava a chuva passar, eu me sentei ao lado da grande porta e adormeci...

horas se passaram e então um som como o de um relâmpago acertou o telhado do celeiro no qual eu estava abrigado, abrindo um grande buraco, permitindo que aquelas agulhas perfurantes entrassem, acordei desesperado com o impacto. De cima das nuvens uma imagem semelhante a um pássaro grande estava se formando, o raios revelavam sua silhueta obscura. E então um grande um grande grito ecoou por dentro da minha alma, um grito aterrorizante como o de um pássaro feroz pronto para dilacerar sua presa. Lentamente o pássaro descia e me espiava pelo grande buraco que ele possivelmente havia feito, seus olhos vermelhos como uma maré de sangue, sedendo por carne. Eu rapidamente me escondi trás de alguns fardos de feno no local mais escuro daquele celeiro, tudo para que ele não me visse. Com seu grande pescoço, a ave adentrou o celeiro, olhando cada local do celeiro, eu permanecia imóvel esperando ela ir embora, mas ela nunca ia, e então com suas grandes asas ela fez movimentos rápidos que fizeram raios caírem despedaçando cada parte do celeiro. Desesperadamente eu corri para fora, buscando fugir daquilo.

A ave logo me avistou, voou para mais alto e disparou mais relâmpagos, fazendo eles caírem na tentativa de me acertar. Eu corri em direção a uma árvore próxima, mas meus passos nunca chegavam lá, eu corria em um ciclo infinito enquanto aquela coisa me perseguia...meu fôlego estava se esgotando, eu já não aguentava correr tanto, o desespero começou a tomar conta, e então um grande uivo como se um lobo pôde ser escutado...o som dos uivos aumentavam a cada instante, rasgando meus tímpanos de tão alto que eram e então

— Que???

Eu acordo do terrível pesadelo... Até mesmo em meus sonhos, as anomalias continuam a me perseguir. Já estava tarde, o relógio estava marcando quase meia noite, a casa toda estava escura, apenas uma luz na cozinha estava acesa, meus pais ainda não haviam chegado... Será que eles um dia voltarão?

Minha atenção é roubada, quando ouço um barulho vindo do lado de fora, como se alguém estivesse revirando nosso lixo. Estava escuro demais para que eu pudesse ver alguma coisa lá fora, então eu subi até o meu quarto e peguei meu celular para usar como lanterna, logo após desci e peguei um pé de cabra que tínhamos escondido na cozinha.

Com tudo em mãos, eu estava devidamente preparado para o que viesse, eu caminho em direção a porta, e lentamente a destrancou...

Ao abrir a porta, o ambiente permanece mergulhado na escuridão, mas a luz tímida da lanterna do meu celular revela contornos indistintos. Na penumbra, vislumbro detalhes mínimos, criando um cenário que mistura sombras e fragmentos de objetos.

Do fundo do quintal, ecoam gemidos suaves, semelhantes ao uivo de um cachorro distante. Com um pé de cabra nas mãos, avanço cautelosamente, cada passo marcado pelo silêncio da noite.

Ao me aproximar, vislumbro a origem dos gemidos. Meus olhos, ajustando-se à penumbra, revelam uma cena inesperada. O que antes era apenas som agora ganha forma: uma figura solitária, talvez um animal noturno.

Ao direcionar minha lanterna, deparo-me com uma visão horripilante: um lobo de aproximadamente 2 metros com duas cabeças devorando vorazmente algo que se assemelha a um pedaço de carne, talvez carne humana?.

Ao perceber o brilho da lanterna, o lobo de duas cabeças rosna ferozmente, fixando seus olhos penetrantes em mim.

Lentamente, o lobo de duas cabeças avança em minha direção, cada passo reverberando a presença imponente da criatura.

Em um instante o lobo em minha direção, porém em um ato de pura adrenalina, eu me esquivo habilmente.

— Quase...

Após o esquivo bem-sucedido, o lobo de duas cabeças responde com rosnados ainda mais intensos, ecoando pela noite com ferocidade.

Lutar contra ele em um espaço apertado como esse, é loucura..eu precisava de um plano urgente antes que eu fosse a próxima vítima. Com passos lentos, recuo diante do lobo de duas cabeças, mantendo-me atento à sua reação.

Ele continua a rosnar com ainda mais intensidade, se aproximando cada vez mais. Num descuido, meu pé pisa em um galho seco, que estala abruptamente, atraindo a atenção aguçada do lobo. Em um instante, a criatura, percebendo o som indiscreto, parte para um ataque ágil e voraz.

— Desgraçado! Me preparo para o acertar com o pé de cabra

Porém, Para minha surpresa, o lobo, em um movimento ágil, salta por cima de mim. O sopro do vento causado pela sua passagem reverbera em minha pele, enquanto a criatura demonstra uma destreza inesperada.

O lobo de duas cabeças continua a correr, sua figura destaca-se sob o brilho prateado da lua. A luz lunar revela a elegância selvagem da criatura em movimento.

Rapidamente corro em direção ao a ele, mas a criatura demonstra uma velocidade que ultrapassa minhas capacidades. Cada passo que dou parece insuficiente diante da agilidade da fera, que se distancia velozmente. Ele salta o grande muro e dispara em direção a uma rua próxima, desaparecendo no meio da escuridão.

Deixar essa coisa correr por aí a solta, seria um perigo não só pra mim, mas para todos...com base nisso eu decido continuar procurando a fera.

Eu passava por ruas e ruas procurando aquilo, mas nenhum sinal da fera aparente, as horas já se aproximavam das 1 da manhã...eu estava apenas seguindo meu instinto, sempre parecia que eu estava perto, mas eu nunca estava... é como perseguir um coelho que está na sua frente, mas na verdade ele não existe.

— tá na esquerda

— direita!

Chegou um momento onde o rastro dele sumiu, e eu fiquei a deriva nesse mar de mistério...o último local foi o parque que é aonde eu estou, no momento eu não consigo senti-lo mais. se ao menos a Beatriz estivesse aqui...ela poderia resolver isso.

A única coisa que eu poderia fazer naquele momento era sentar e esperar até que eu pudesse senti-lo novamente... E foi o que eu fiz. Após alguns minutos, uma presença poderosa surgiu...como uma aura de um demônio.

Na minhas costas estava Cerberus ou quase isso... com 3 quase metros de altura, o tamanho dele havia aumentado consideravelmente desde a última vez que eu o vi. A criatura imponente me observa, seus olhos penetrantes mantendo uma vigilância intensa aguardando uma oportunidade para me matar.

Numa coreografia de movimentos lentos, a criatura se aproxima, seus passos deliberados ecoando na noite. Instintivamente, recuo cuidadosamente, mantendo uma distância segura. O lobo de duas cabeças, em um gesto impressionante, libera um uivo estremecedor que corta a noite como um eco selvagem.

Num impulso surpreendente, a fera dá um salto considerável em minha direção, seu corpo imponente projetando-se no ar.

Não havia como defender

Não há como matar

Tudo que eu posso fazer é....

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!