— Sobre o que queria falar aqui no terraço? Pergunto a ela com curiosidade
— sobre isso...
— sobre isso?
— sobre isso...
— sobre isso o que?
— eu esqueci
— ...
Ticky intervém e responde a pergunta que eu tinha feito
— queremos que você passe por um treinamento
— um treinamento? — Pergunto com curiosidade
— isso, talvez não agora, mas acho que suas habilidades podem aumentar com o tempo, assim como as habilidades de Beatriz aumentaram
— Cada caçador pode possuir uma ou mais habilidades, as habilidades de Beatriz envolvem impacto meteórico e lâmina flamejante
— Acredito que você também terá uma habilidade especial com o passar do tempo
Ticky continua a me explicar mais sobre as habilidades que eu poderia desenvolver no futuro próximo, mas por hora meu limite era apenas a capacidade de poder ver as anomalias, cansada de escutar Ticky falar, Beatriz intervém
— Ticky, vamos pra casa
— ah já é hora de ir? depois conversamos mais então
— certo... até depois
Beatriz parecia bem cansada após enfrentar aquela anomalia, então é natural que ela queira descansar um pouco mais antes de continuar enfrentando essas coisas. após alguns segundos os dois lentamente se afastam
E eu também decido retornar para buscar minhas coisas e...
Como as coisas saíram do controle?
A escola toda estava uma bagunça, vários alunos estavam assustados se perguntando o que aconteceu, e como a escola ficou tão destruída ou o porquê dos aquecedores estarem ligados. Independente de tudo isso acho que em algumas semanas a escola já vai estar funcionando normalmente como antes.
Nenhuma morte ocorreu dessa vez, pra nossa sorte tudo foi relativamente bem... Ou quase bem
Após pegar minhas coisas eu sigo para minha casa na esperança de encontrar algum momento de paz mediante a todo esse caos que eu tenho vivido. Ao chegar em casa, não havia ninguém me esperando, nem meus pais ou meu irmão...eu estava sozinho sem saber para onde eles foram, mas ao menos eu tinha a paz que eu buscava.
Ao abrir a porta, eu jogo minhas coisas no sofá e busco relaxar profundamente, não havia mais nada que eu queria fazer além disso...mas no mesmo instante eu me lembro dela, lembro do tempo em que jogávamos juntos o dia todo, lembro também do dia em que ela desabafou comigo sobre os pais dela...foi a primeira vez que eu a vi chorar.
O que eu tenho feito pra achar ela? Eu não fiz nada... não pensei em nada, será... será mesmo que eu ainda me importo se ela desapareceu? Ou eu apenas estou mentindo pra mim mesmo fingindo se importar com ela? E-eu não consigo sentir orgulho de mim mesmo por isso, eu deveria estar procurando ela... é o que qualquer um faria, mas eu não consigo fazer isso.
Lara...
*Enquanto isso na casa de Beatriz*
— oii Beatriz, como se sente? pergunta Ticky
— um pouco melhor
— você tomou os remédios?
— sim
— tinham um gosto estranho
— impressão sua haha
— ...
O inimigo de hoje...essa sensação é estranha, ainda parece tão vivido, é como se ele ainda estivesse vivo
— algo de errado bea?
— não... só preciso descansar mais um pouco
— tudo bem
— me chame se precisar de algo
— tá bom
*9 anos atrás*
Meu nome é Beatriz, tenho 8 anos e atualmente vivo com o meu papai no templo, ele me ensina muitas coisas importantes sobre lutas, eu tenho praticado bastante para me tornar uma guerreira, ele sempre me auxilia no meu treinamento.
— mais rápido!
— certo!
— mais firme!
— ok!
Em cada movimento da espada, reflete-se a dança da alma. sempre foi minha paixão fazer isso, um dia eu me tornarei a mais forte independente do que aconteça...
— Bea, vem logo!
— Tô indo haha!
E esse é o meu único amigo, Henrique. Quando não treinamento no templo, eu saio para brincar com ele ou melhor dizendo, me aventurar
— olha esse lugar, não é perfeito Bea?
— Simm parece incrível, dá pra ver o templo daqui de cima! Digo isso em voz alta
— devíamos fazer um piquenique nós 3
— nós 3?
— sim, eu você e o seu pai
— ah é, seria incrível!
Minha mãe morreu a alguns anos, eu não me lembro bem dela pois eu era muito pequena, mas pelo que me lembro, ela também tinha cabelos longos e brancos como a neve.
— vamos corrida? Propõe Henrique
— daqui de cima? Pergunto eu
— Simm Bea!
— tá bom vamo lá!
— Preparada? Ele pergunta se posicionando para correr
3...2...1!
Já!
— Henri-
— Beatriz?
— teve um pesadelo?
— não...
Quanto tempo faz que isso ocorreu? E por que eu ainda me lembro disso?
— aqui, toma um pouco de água
— obrigado...
-Que horas são? Pergunto eu
— 19:00 horas da noite
— Vamos sair um pouco
— Não quer descansar mais? — Ele pergunta preocupado
Ficar deitada não iria mudar nada na minha vida, talvez fosse uma decisão mais sensata, nesse mundo eu vivo apenas para matar essas anomalias, nada mais além disso importa
— vamos chamar o Arthur?
— não — respondo
— alô Arthur?
— nem temos o número dele
— hmm
resmunga Ticky
E assim, os dois se preparam para sair de casa partindo para mais um missão nesse mundo perigoso e cruel
— Cuide de tudo Isabel
— sim senhora!
Ticky olha para mim e pergunta
— não vai levar sua espada Beatriz?
— não será necessária
— certo...
Caminhando junto de Ticky chegamos a um shopping, não parece ter nada demais além de pessoas. Adentramos ele e subimos em uma escada rolante que ficava no centro do shopping.
— E se uma anomalia aparecesse?...
— nem comece, Ticky
— hmm — Resmunga Ticky
Ao chegar no topo do shopping em um espaço aberto, pudemos ver como O céu está brilhante e estrelado, a lua ganha destaque no céu com seu brilho majestoso, é uma imagem rara nesse paraíso de concreto
— parece uma grande fatia de queijo, né? — Indaga Ticky
— ...
As vezes sinto que Ticky gosta de fazer piadas com tudo, é uma das coisas mais valiosas nele...
— nada aqui, vamos voltar?
— Vamos
Afirmo olhando para ele
— Quando voltarmos, quero comer um daqueles bolinhos, ta bom Bea?
— hmm, vou pensar sobre isso
— só um pedacinho!
—não sei
— por favorzi-
*Explosão*
— O que foi isso —
Corro em direção ao barulho da explosão para ver o que aconteceu
— Toma cuidado! — Grita Ticky
— É uma anomalia!
Sem pensar duas vezes, continuo correndo para o segundo andar, que era onde a criatura estava atacando
— te falei que era pra ter trazido a espada!
— eu dou um jeito
A criatura imponente erguia-se a cerca de três metros de altura, uma figura que lembrava um tiranossauro rex, porém, com uma intrigante fusão de elementos robotizados. Seus movimentos eram mecânicos, e reluzia uma sinistra combinação de metal e circuitos à luz fraca, criando uma presença imponente e ao mesmo tempo futurística. Era como se a era dos dinossauros tivesse encontrado um caminho para o futuro tecnológico.
— um tiranossauro rex mecânico?
— É o que parece Ticky!
Cada passo da criatura reverberava como pequenos terremotos, enviando ondas de tremores pelo solo.
Num impulso determinado, avancei rapidamente em direção à imponente criatura, pronta para o embate corpo a corpo. Cada passo era carregado de adrenalina, enquanto eu me preparava para enfrentar a fusão única entre o passado dos dinossauros e a vanguarda da tecnologia.
— Ticky, ative o encantamento!
Rapidamente ele pronúncia algumas palavras e meus punhos agora estavam flamejantes , mas não me queimava
Meu punho rompeu o ar, impregnado com a energia ardente das chamas. O soco desferido atingiu a criatura, e o calor intenso dançou ao redor do ponto de impacto. O rugido das chamas ecoava, contrastando com os sons metálicos da criatura robotizada. O rugido da criatura ecoou como um aviso de seu próximo ataque. Sua boca se abriu, revelando uma energia ardente e concentrada, enquanto ela se preparava para liberar uma esfera de plasma.
Em um movimento ágil, esquivei-me habilmente do disparo de plasma que a criatura lançou em minha direção. A esfera incandescente passou perto, deixando para trás um rastro de energia intensa.
— Não adianta, meus golpes não causam dano! Grito para Ticky
Com uma rápida movimentação, reposicionei-me, concentrando ainda mais chamas em meus punhos. A energia flamígera dançava ao redor, pronta para ser canalizada no próximo golpe.
Num novo ímpeto, avancei corajosamente em direção ao tiranossauro robotizado. Os punhos carregados de chamas cortavam o ar, prontos para encontrar o metal da criatura em um confronto feroz.
Meu soco infligiu um impacto notável na criatura, causando-lhe algum dano. Porém, a batalha não foi unilateral, pois a cauda da criatura, ágil e poderosa, me acertou com um golpe feroz.
— BEATRIZ!
*cof* *cof*
— T-ta tudo...bem
Nenhum dos meus golpes não conseguem causar dano...
— Beatriz...! Ticky grita parecendo distante
À medida que a escuridão se aprofunda, minha visão vai se apagando lentamente. Sinto a força escapando de mim, como se cada golpe desferido tivesse drenado minha energia vital.
— Fuja Ticky... — Digo isso com os olhos em lágrimas
— eu venci! Grita Henrique
— Ah não valeu! — Respondo com um pouco de irritação
— você mandou bem Bea, mas ninguém me vence na corrida haha!
— Hmm
Resmungo baixinho
— como você é tão rápido se você nem se exercita?
— Eu sou rápido como um raio!
—Sabe como as pessoas me chamam?
— como haha?
— henrique o corredor mais rápido do mundo!
— seii hahaha
Os dois caem em gargalhadas enquanto dividem aquele pequeno momento precioso, um momento pequeno mas muito importante para beatriz
— ah eu me lembrei agora, eu pedi a minha mãe para dormir na sua casa hoje, tem problema?
— nenhum, Vai ser divertido! Vou pedir ao meu pai
...as vozes nunca pararam
— Me solt-
Elas continuaram dia a após dia
— não me toque!
Como uma lembrança da real assassina que eu sou...
— henrique...papai...eu sinto muito
— Beatriz! ACORDA!
— ...
— ticky?
Antes que eu percebesse, eu estava sendo carregada por aquele garoto, que eu nem se quer sei o nome
— você tá bem?
— o que aconteceu? — Pergunto assustada
— Eu que te pergunto, você desmaiou!
— mas respondendo sua pergunta, atualmente estamos fugindo de um dinossauro robô assassino
— E não, não temos nenhum plano
— meu Deus, como você foi acabar nesse estado? E por que você parece menor do que antes?
— Ticky nós dê suporte!
— pode deixar!
Recapitulando um pouquinho
*1 hora atrás*
Eu estava deitado, quando finalmente tomei atitude pra começar a investigar o sumiço da Lara, e então eu fui até o local em que ela esteve pela última, mas não encontrei nada daí senti uma forte presença próximo dali...na verdade bem longe, uma presença dentro do shopping, eu não sabia o que era então eu segui por pura intuição, chegando aqui eu vi beatriz lutando contra esse dinossauro robô, levou um golpe e caiu, eu resgatei e agora estamos fugindo dele.
— E foi isso que aconteceu
— ...
— Você está melhor?
— um pouco
— Ô Ticky... só uma coisinha
— por que ela tá do tamanho de uma criança?
É uma explicação simples, conforme ela gasta ou acumula energia, seu corpo cresce ou diminui, na batalha contra o cavaleiro de gelo, ela aumentou um pouco, mas logo voltou ao normal.
— Então as fontes de energia dela estão baixas? — Pergunto
— isso aí!
— eu tô bem, eu consigo lut-
— cuidado! — Grita Ticky
Ela tenta se levantar, mas não possui forças suficientes para se manter de pé, queria poder fazer algo por ela...mas não sei como ajudar e isso de certa forma me incomoda
— Ei... tá vendo aquele nas costas dele dele?
— Tô... — respondo intrigado
— Talvez seja o núcleo, então se acertarmos um golpe forte nele, dá pra ganhar a batalha
— sábia observação Bea
— mas você não consegue ficar de pé
— Ticky...ajude ele
— me nego
— Ticky...
— Não sabemos se ele resistirá!
Os dois pareciam ter entrado em uma discussão séria naquele momento, mas eu estava com medo de me envolver
— pode ser nossa única chance, Ticky
— hmm
— Se você morrer a culpa é dela!
— vamo lá
— Espera aí, o que você vai fazer?
Ticky pronuncia algumas palavras, e lentamente sinto meu corpo aquecer, logo após o formigamento e então
A DOR!
— Aaaaaaah! Paraaaa!
— Aguenta mais um pouco
— Paraaaa com isso!
— Ele não vai aguentar Bea!
Pouco a pouco eu sentia minha sanidade queimar junto com o meu corpo, tudo estava ardendo era como ter o inferno dentro de mim... queimando a todo instante sem parar!
— só mais um pouco...
— Aaaaaaaaaaah!
— Que agoniaaa
— ELE VAI MORRER BEATRIZ
— CONTINUA!
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Atualizado até capítulo 25
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