Henrique a fitou, tentando se controlar para não cometer uma loucura como a de ir até ela e bater nela.
— Não, o que eu tinha para fazer eu já fiz. E você, o que pretende fazer, não me respondeu?
— Minha intenção principal é restaurar a Alcateia dos cinzentos. Como você pode perceber, eu já iniciei esse processo. Sou uma loba Alfa e um Alfa tem que ter uma Alcateia.
— Mas você é minha Luna! Precisa estar ao meu lado.
— Como você estava do meu, quando fui trazida para cá?
— Eu estava comemorando, já que você dormiu.
— Comemorando o quê, se você nem me aceitou. Foi seu lobo quem me reivindicou.
Elias, que ouviu tudo, intrometeu-se:
— Como assim? Você ia rejeitá-la?
Henrique abaixou a cabeça e não falou mais nada. Estava envergonhado, mas ainda reticente em aceitar Luana. Principalmente agora que sabia que ela não era da mesma Alcateia que ele.
Luana, percebendo a indecisão e insegurança dele, continuou contando seus planos:
— Além disso, foi incutido dentro de mim, todas as almas dos lobos que morreram na chacina promovida pelo seu pai e agora, eles saíram e querem vingança. Eu estou na liderança deles, mas não quero mais matança, já avisei a eles, que isso se tornará um círculo de vingança, que nunca terminará.
Henrique ficou aliviado por ela ter mudado de assunto e prestando atenção no que ela falava, ficou meio confuso.
— Como assim, almas dentro de você?
— Havia uma xamã na aldeia e quando ela viu a matança indiscriminada e que seu pai não fazia nenhuma distinção sobre aquelas vidas, ela fez um mantra e uniu as almas ao corpo da bebê, que havia acabado de nascer e foi ela, justamente, que eu levei para casa, para substituir a minha que nasceu morta. — contou Elias.
Henrique se levantou e começou a andar de um lado para o outro, totalmente perturbado.
— Então tudo isso é culpa sua? Era isso que meu lobo via nela, esse monte de almas querendo se vingar da gente. E a tal luz azul, o que era?
— Pare, Henrique, você está fazendo muita confusão dentro da sua cabeça.
Sente-se, que vou explicar com calma.
Com a sua andança, Henrique havia se aproximado mais de Luana e começou a sentir o chamado do acasalamento. Estava nervoso, pois não havia sentido isso antes. Não estava entendendo o que acontecia consigo, porque esse chamado chegou só agora?
— Desculpe, Elias, estou confuso mesmo, mas não é só isso.
Olhou para Luana, intensamente, com suas emoções expostas em sua face E ela sentiu o aroma do macho, liberando seus feromônios e chamando a para o acasalamento.
— O que está acontecendo? Por que isto agora, Henrique?
— Não sei, não senti isto na noite de lua cheia. Quem atendeu ao chamado da loba, foi o meu lobo, eu não sentia você.
Elias notou que os dois estavam se atraindo, era o sentimento do acasalamento real. Ficou meditando sobre isso e por que na primeira noite, só o lobo sentiu. Então, achou que era porque ela ainda estava com as almas dentro de si e isso interferiu no lado humano.
— Acho que houve uma interferência das almas dos lobos que habitavam dentro dela. Agora que eles saíram ela está inteira para receber você. O que você vai querer, Henrique?
— Para você, traidor, é Alfa Henrique.
Elias trincou os dentes para não responder, aquele moleque estava muito petulante, mas tinha razão ele era o alfa da alcateia a que pertencia, embora ainda não tivesse assumido, por causa do pai.
Luana tentava se controlar, mas seus hormônios estavam respondendo aos dele e sua loba começou a resmungar em sua cabeça, querendo estar com seu companheiro.
— Ái, Só me faltava essa agora…
— Somos companheiros, agora eu sinto, agora eu te aceito, Luana. O que você decide?
— Tem vezes que eu sinto um ódio Tão profundo de você, Rique! — ela falou como a antiga Luana, criança.
Ele sorriu, sentindo que seu interior, finalmente se acalmava. Era esse O verdadeiro sentimento que deveria existir entre dois companheiros que se encontram e ele ficou feliz por isso Só esperava, que tudo que fez contra ela no passado, ficasse no esquecimento e ela pudesse aceitá-lo totalmente.
Mas Luana, não esqueceu que ele fez com ela no passado, apesar de não sofrer por isso, achava que havia uma barreira entre eles. A força do do laço, era muito forte para resistir, mas não queria ceder agora. Não queria ceder só por causa do laço, queria que ele amasse, queria ter um companheiro por completo e não só porque era uma obrigação.
— Não vou sair daqui, vou permanecer onde tenho que estar. Cuidarei desta Alcateia e cuidarei das almas que estão aqui, para que elas sejam livres e voltem para seu lugar de origem. Quem terá que decidir, será você. Só o aceitarei, se você me conquistar, provando que é merecedor do meu amor.
— Por quê eu tenho que te conquistar? Nos conhecemos desde criança, você sabe muito bem quem eu sou e como sou. Não tem porque ficar nessa lenga lenga, de ter que conquistar.
— Então, pode ir embora. Pois o que eu sinto por você é um grande desprezo, pela figura patética que você está sendo agora.
— Eu? Patético? Acho que você não sabe o que significa ser companheiros, então, eu vou embora mesmo.
— Vá e leve todos esses abutres que voam sobre você, te dando essa inhaca de podre, de quem puxou ao pai.
Ao ouvir aquelas palavras a fúria dele foi tão grande que ele ia pular sobre ela com suas garras de fora, mas Elias se pôs na frente e foi ele que recebeu o arranhão em seu rosto. Luana não ficou parada, também se posicionou com suas garras de fora e se colocou à frente de Elias, para defendê-lo e quando Henrique olhou para ela, se assustou com a aparência da guerreira.
Eles não perceberam, mas do lado de fora, alguém se regozijou, olhando pela janela e escutando tudo. Era Lucas, vendo naquela briga, uma possibilidade.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Tânia Principe Dos Santos
Não confio neste Lucas e acho que dará problemas
2025-01-25
1
Beatrizz 🤍
Esse Lucas além de estranho não é confiável para nem uma dessa alcateia.
2025-01-21
1
Maria Helena Macedo e Silva
Lucas não apareceu por acaso🙄
2024-11-03
1