Quando Ivi acordou, Muriel não estava mais no quarto. Ela agradeceu por não precisar ter que olhar para ele, logo pela manhã. Ela levantou, vestiu a roupa e ficou sentada olhando para o nada.
Pensou nele, como havia entrado ali se as janelas eram trancadas.
_ Bom dia!
_ Bom dia!
_ Busquei o seu chá, mingau, algumas frutas, e um pouco de vinho para que possa tomar durante o dia.
_ Obrigada.
_ Precisa de algo?
_ Não, está tudo bem.
_ Mais tarde voltarei, com o seu almoço.
_ O Muriel onde está?
_ O rei saiu para caçar, acredito que não voltará para o almoço.
_ Obrigada. _ Ivi sorriu de alívio.
A serviçal saiu e deixou ela aproveitar a refeição e a tranquilidade que teria por enquanto.
Ivi desfrutou de tudo que havia sido servido à ela. Detestou o chá.
Muriel, saiu para uma caçada com a sua visita, e alguns convidados.
Enquanto eles andavam pela floresta, escutaram um tiro. Quando olharam, Muriel havia sido atingido.
Enquanto alguns socorriam o rei, outros saíram a procura de quem havia atirado.
Muriel, foi levado para casa. Eles o levaram diretamente para o quarto dele, onde estava a Ivi. Os soldados que estavam na porta não queriam deixar eles passar. Tinham ordens do rei que ninguém além dele, e da serviçal deveriam atravessar aquela porta.
_ Saiam da frente seus inúteis.
_ Não podemos, temos ordens do rei para que ninguém passe por essa porta além dele.
_ Se não sair, juro que mato você.
_ Me soltem, eu irei sozinho para o quarto. Ninguém tem permissão de entrar.
Os guardas ajudaram o rei e o levaram para dentro. Fecharam a porta para que ninguém visse a Ivi. Deitaram ele na cama, e saíram.
Ivi estava comendo uma uva, quando eles entraram. Ela apenas observou tudo e não falou nada.
_ Chamem a serviçal. _ disse o rei.
Enquanto um deles foi chamar, o outro ficou na porta.
Ivi apenas olhou para ele, não se moveu do lugar onde estava.
_ Isso está doendo. Que droga, me ajuda a tirar essa roupa.
_ Se você se transformar vai se curar.
_ Eu não estou conseguindo. Preciso que me ajude a tirar isso.
_ O que eu ganho se ajudar você?
_ O que você quer?
_ Quero a minha liberdade.
_ Não vou dar a sua liberdade. Peça qualquer coisa e eu atenderei, menos a sua liberdade.
_ Eu não quero que me toque nunca mais.
_ Eu preciso de um filho, como vai me dar um se não tocar em você.
_ Então não moverei um único dedo para ajudar você.
_ Eu deixo você ir lá fora um pouco. Não todos os dias, darei a você joias, vestidos, o que quiser.
_ Qualquer coisa que eu quiser?
_ Sim.
_ Eu quero passear livremente pelo castelo, quero joias muitas joias, quero escolher os mais belos vestidos, e participar de todos os jantares. Quero que atenda a todos os meus pedidos.
_ Rei Muriel, o que aconteceu? _ pergunta a serviçal ao entrar.
_ Alguém atirou em mim, me ajuda a tirar isso.
Ivi agarrou o braço dela.
_ Se não aceitar o meu acordo, ela não vai ajudar você.
_ Ivi quando eu me recuperar, vou pegar você. Ande sua inútil, vai me deixar morrer.
A serviçal não tinha o que fazer. Precisava ajudar ele.
Ela tirou as roupas dele, e olhou para o ferimento, e percebeu que estava se alastrando como veneno.
_ É um ferimento grave.
_ Retira a bala, eu preciso que retire.
Ela pegou a adaga que estava na roupa dele, e enfiou no buraco. Ela retirou os estilhaços.
_ Precisa se transformar, ou vai morrer.
Muriel começou a transformação, mas não conseguiu ela por completo.
_ Ninguém entra nesse quarto além de você. Chame um dos guardas.
_ Sim majestade.
_ Você vai se arrepender por não ter me ajudado.
Levem ela para a torre, e não deixem ninguém entrar lá. Ela não vai comer e nem beber até que eu decida o que fazer com ela.
_ Eu espero que você morra, lentamente, dia após dia, quero que sofra, sofra muito. _ Ivi riu da situação dele.
Muriel tentou avançar sobre ela, mas não conseguiu. Caiu no caminho.
Ivi caminhou até ele, e cuspiu na cara dele.
_ Eu tenho nojo de você. Se não morrer agora vai morrer depois. Eu te odeio.
_ Levem ela, você vai pagar caro por isso.
Os guardas levaram a Ivi, a prenderam na corrente e trancaram a porta novamente. Ivi se jogou para trás e deitou na cama. Ficaria livre dele por um tempo, até se recuperar ele não a importunaria.
Muriel ficou sobre os cuidados da serviçal. Que sabia muito bem, o que ele iria fazer a ela quando ficasse curado.
Ivi recebeu a sua visita noturna.
_ Por que trouxeram você novamente para a torre?
_ Eu não quis ajudar o Muriel, e ele me mandou para cá. Estão proibidos de me trazer qualquer alimento, e até mesmo de entrarem aqui.
_ O que aconteceu com ele?
_ Um tiro, bala de prata. Fiquei tão feliz ao vê-lo impossibilitado de se curar. Estava tão indefeso e incapaz como eu. Espero que ele morra lentamente, e sofra, mas sofra muito.
_ Se ele morrer, o que vai fazer?
_ Não sei.
_ Se ele morrer, os soldados podem acusar você, e vai ser decapitada, enforcada, ou até queimada. Mesmo que ele seja um monstro, você deveria ter ajudado. Ele teria um pouco de compaixão. As coisas ficariam mais fáceis para você.
_ Quando ele se recuperar, provavelmente vai querer me matar. Ainda mais depois de ter cuspido na cara dele. Ele tentou se transformar para me atacar e não conseguiu.
_ Não quero ver você sofrer. Reze para que ele não se cure tão rápido assim. Pois terá outras preocupações.
_ Então vamos torcer para que ele fique afastado de mim, tempo suficiente.
_ Ivi, você precisa saber algo sobre mim. Eu não sou um humano como você.
_ Então, o que você é?
_ Eu sou um lobisomem também, assim como o rei Muriel.
_ Não, você não é um monstro como ele.
_ Pode ver os meus olhos se quiser. Não teria motivos para mentir para você.
_ Mas você cuida de mim.
_ Cuido por que a amo. Não a vejo apenas como um pedaço de carne, ou como alguém que reproduzirá um filho. Não sou como o Muriel, estamos em patamares bem diferentes. Meus princípios são outros.
_ Você não pode quebrar isso? Ser apenas um humano normal.
_ Vai me odiar, da mesma forma que odeia o Muriel?
_ Como poderia odiar você. Esta cuidando de mim a tanto tempo.
_ Cuidarei sempre.
Ivi aproximou-se dele e o abraçou.
_ Nunca me deixe só. Não sobreviveria.
_ Não a deixarei, mas temo pela sua vida, ainda mais depois de ter desafiado o Muriel.
_ Encontre o meu irmão, e traga-o mais rápido possível.
_ Isso seria deixar você, por muito tempo sozinha. Abandonada a própria sorte, nas mãos dele. Se ficar por aqui, poderei trazer algo para você comer, poderei aquecer o seu corpo a noite. Longe, nada poderei.
_ Muriel não vai me matar. Você terá tempo para ir.
_ Que garantia tem sobre isso?
_ Ele gosta de ver a minha dor, o meu sofrimento. Ele vai me fazer sofrer de todas as formas possíveis.
_ Ivi é arriscado.
_ Vá, e se eu sobreviver, nos encontraremos algum dia.
Ivi beijou ele. E mesmo ele sabendo que era arriscado demais, a possuiu aquela noite.
Aquele estranho, percorreu com a boca cada parte do corpo dela. Fazendo ela sentir sensações jamais sentidas antes. Ela sentiu seu corpo amolecer nas mãos dele. Aquele fogo que invadiu o corpo dela, a fazia reproduzir sons que jamais imaginou.
Ivi sentiu ele invadir a sua intimidade de uma forma tão prazerosa, que nem imaginou que aquilo seria algo tão bom.
Ivi sentiu um cheiro mais forte, sentiu ele se movimentar de uma forma mais rápida. Sentiu algo pulsando dentro dela.
_ Eu te amarei eternamente meu amor. Sonho com o dia que será definitivamente minha. Sem Muriel, e sem ninguém para atrapalhar.
_ Vá, e volte logo. Eu verei o que posso fazer.
_ Não queria abandoná-la.
_ Além do meu irmão, você foi a única pessoa que se preocupou comigo. Nunca vou esquecer a sua bondade. E nem essa noite.
_ Voltarei o mais rápido possível.
Aquele estranho a beijou ternamente. Levantou, vestiu a roupa e saiu.
Ivi teve a melhor noite da sua vida.
Muriel a pior. Não conseguia controlar a dor que sentia. Não conseguia se transformar para se curar. Ainda estava pensando no que faria com a Ivi.
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Atualizado até capítulo 131
Comments
Mellika Duarte
ele não pode morrer
2024-08-21
2
Maria Eduarda
Será que ele morreu kkkkk
2024-08-15
1
Lucia Moura
a Ivi precisa descobrir os seus poderes
2024-08-05
1