Naquele dia, eu cheguei em casa de madrugada, a luz do quarto dela ainda estava acesa.
— O que você está fazendo? — Eu entrei, já que a porta do quarto dela estava aberta.
— Ah, você chegou... eu estou fazendo um trabalho da faculdade. — Tinha vários livros espalhados pela escrivaninha.
— Por que não descansa e termina amanhã?
(Espera, eu realmente mandei alguém descansar?)
— Porque o trabalho é para amanhã! Mesmo se eu acordar cedo, não conseguirei terminar a tempo...
Ela parecia realmente estar quebrando a cabeça para fazer aquilo.
— Você faz contabilidade, não é?
— Uau, você realmente investigou a minha vida!
— Acho que eu adivinharia mesmo sem ter investigado.
Afinal, ela é alguém que ama dinheiro, então claramente escolheria algo relacionado.
— É de auditoria contábil...
— Então, quantos dias você teve para fazer? Isso foi um pouco em cima da hora.
— Então... meu professor passou o trabalho há um mês...
— E por que você não começou antes?
— Por causa do trabalho, eu estava muito ocupada, e achei que conseguiria fazer a tempo, mas não deu.
Por um segundo, eu parei e pensei sobre como ela teve que se virar sozinha de diversas maneiras, aquele trabalho era a única coisa que ela tinha para se sustentar, pelo menos antes de trabalhar na cafeteria.
— Eu vou te ajudar.
— Sério?
— Mas não pense que vou fazer tudo por você, o seu olhar já parece de alguém que quer jogar tudo nas costas dos outros!
— É apenas impressão sua!
— Duvido muito...
Eu comecei a ajudar com o trabalho, afinal, ela deveria usar uma empresa de exemplo e analisar suas finanças, e a disse para fazer sobre a minha.
— Ei, vocês realmente ganham isso tudo em um ano? — Ela parecia em choque.
— Essa foi a média do ano passado, estamos quase passando disso...
— Mas ainda estamos no meio do ano, quer dizer que vai ser muito maior?
— Provavelmente, a nossa meta é crescer as nossas finanças, e ampliar os nossos negócios.
— Você não envolve a máfia nisso?
— Não, tudo é separado, não podemos correr o risco de sermos pegos. E se caso acontecer, temos provas de que a empresa está completamente limpa, mesmo que o dono seja envolvido, não seremos apreendidos.
Foi um meio que meu pai criou para não perder tudo.
— Como você tem certeza de que não irão derrubar a empresa?
— Bom, eu sei que posso ser preso, mas eles não podem tocar, já que a advocacia está ao lado da máfia, e também a polícia, teoricamente, as probabilidades de qualquer coisa acontecer comigo, são mínimas.
— Sabe, isso é ruim...
— O que é ruim?
— Vocês compraram advogados, policiais, juízes e outros. Essas pessoas que se venderam por ambição, prejudicam a imagem das pessoas que trabalham honestamente, e lutam para ajudar o povo.
— Sim, mas essa é a realidade. Nós somos hoje, o que eles nos ajudaram a ser. Dinheiro, poder, ambição, tudo isso muda qualquer pessoa.
— Não, nem todo mundo muda.
— Você não mudou por causa do dinheiro?
Ela pensou por um segundo antes de responder.
— Se eu não fosse órfã, e tivesse crescido em uma família feliz, que não precisasse dessas coisas, talvez o dinheiro não mudasse a minha cabeça. Eu não tive escolha, Cassius, eu poderia ter sido como você, e escolhido um caminho assim, ter entrado na máfia, vendido drogas, ou até mesmo usado. O que seria diferente? Eu ainda seria eu, mas uma versão pior, porque é isso que o dinheiro faz!
Eu não respondi, já que ela ainda parecia querer falar mais.
— As pessoas dizem que dinheiro não trás felicidade, que tudo é falso... mas para alguém que nunca conheceu a felicidade, isso é realmente falso? Eu prefiro viver nessa farsa, e ser feliz sozinha... ninguém espera nada de mim, mas alguém já esperou algo de você, certo? Na verdade, muitas pessoas esperaram.
Meu pai também esperava muito de mim, o herdeiro perfeito, o sucessor que faria ainda melhor que ele. Isso tudo eu fiz, e sou o orgulho dele, algo que meu pai sempre dizia.
Ela continuou fazendo seu trabalho, sem dizer mais nada, e as palavras dela me fizeram refletir. A diferença entre nós era enorme, essa garota apenas nasceu e teve o azar de ganhar um certo sobrenome, e se realmente for da família Lombardia, ela teve azar em nascer lá...
Eram quatro da manhã, ela estava quase dormindo. Eu fiquei em silêncio, observando, então depois de relutar muito, ela dormiu, deixando o trabalho incompleto.
Eu a peguei no colo e coloquei na cama, ela estava roncando, e eu me assustei com o quão alto era, mas foram apenas dez minutos assim, já que ela parou de roncar.
— Tudo bem se eu ajudar só um pouco, certo? — Eu terminei o resto para ela, mesmo sabendo que era algo que a mosquinha tinha que fazer sozinha.
Eu acabei às sete da manhã, tomei banho e fui direto para o trabalho, avisei que chegaria atrasado.
— Senhor, tem uma reunião marcada para as duas horas, outra para as três e meia, e duas a noite, que ainda precisam de um agendamento preciso. Onde devemos fazer o jantar?
— O último deixe para o restaurante de sempre, e o outro... Em um lugar que tenha comidas leves, assim irei aguentar mais de uma refeição.
Afinal, eu precisava jantar com os clientes, se não, eles me achariam mal-educado.
Eram mais ou menos onze e meia da manhã quando alguém bateu na minha porta.
— Entre.
Uma mão foi esticada pela porta, havia uma marmita, e eu já sabia que seria ela...
— Eu disse que poderia entrar, mosquinha!
— Como você sabia que era eu?
— Em primeiro lugar, quem mais me traria uma marmita? E em segundo, o seu braço é muito fino, você precisa comer mais.
— Sério, você está querendo dizer que sou um esqueleto?
— Você consegue no mínimo esmurrar alguém? Provavelmente sua mão quebraria.
— Ei, já chega de humilhação por hoje! — Ela começou a caminhar em minha direção, e colocou a marmita na mesa. — Obrigada pela ajuda, você não dormiu, certo? Não sei porque fez isso por mim, mas...
— Não fiz isso por você!
— Ah, é? Então fez por quem? Afinal, a única envolvida nisso sou eu!
— Você ainda é necessária para mim, então é melhor evitar problemas.
— Isso me parece apenas uma desculpa!
— Olha, mosquinha, eu não me importo com nada disso!
— Aham, sei... aproveite a sua refeição! — Ela se virou para sair.
— Onde você vai?
— Me arrumar para ir a faculdade.
— Fique e almoce comigo.
— Mas eu fiz o suficiente apenas para você!
— Está tudo bem, vou pedir comida do restaurante ao lado.
(Afinal, não posso deixar você provar a gororoba que fez...)
— Sério? Mas ainda sim...
— Sente-se de uma vez!
— Ok... — Ela se sentou e ficou parada encarando o chão.
— Mosquinha, o seu motorista está aí, certo?
— Sim.
— Ele vai te levar a tempo.
— Mas minhas coisas...
— Mosquinha, vinte minutos não são o suficiente para ir e voltar? Sua faculdade não é tão longe da minha casa.
Ela viu que não tinha saída e concordou.
A comida chegou rápido, e nós dois começamos a almoçar. Ela provavelmente estava amando a comida, a minha por outro lado... estava horrível, mas eu comi tudo sem reclamar.
Sinceramente, não sei porque apenas não disse a ela, mas na próxima vez eu vou dizer, não posso continuar ingerindo isso, se não, o hospital vai ser minha próxima parada!
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Atualizado até capítulo 122
Comments
Maryan Carla Matos Pinto
a paixão faz coisas.
2024-12-15
1
Edna César
com certeza 🤣🤣🤣🤣
2024-11-13
1
Eliane Pereira
se e ruim pá come kkkkk ele já tá e gostando dela,só não quer admitir
2024-10-27
3