— Você é doida! Não, uma retardada! — Igor puxou minha orelha.
— Olha, já deu, ok? Você está reclamando comigo a cada intervalo de aula! — Literalmente, toda vez que acabava uma aula, ele aparecia para reclamar comigo.
— Você não valoriza a sua vida!
— Olha, eu precisava daquele dinheiro!
— Você não disse que tinha umas economias?
— Sim, para emergências! E ainda por cima é pouco, o audiência para que eu pudesse pagar algumas contas ou fugir...
— Então é melhor já ir se preparando!
— Ei!
— Você acha mesmo que alguém assim vai deixar você fugir ilesa? Você sabe muito bem que atualmente, nosso país foi dominado pela máfia!
— Não me lembra disso, sinto até dor de cabeça... Eles estão fazendo bastante mudanças por aqui...
— Tenha cuidado, agora há um mafioso por todos os cantos escondido!
— Sério, quer parar de me assustar?
— Enfim, vou deixar você levar os cadernos que eu trouxe hoje quando acabarem as aulas. Amanhã eu trago o resto para você, ok?
— Ok...
O resto do dia foi completamente chato, não consegui prestar atenção em nada das aulas. Quando eu voltei para casa, só estava pensando no meu celular, a minha cabeça estava uma bagunça, e eu tive que escrever todos os assuntos que estavam nos cadernos.
Praticamente não dormi nada, e cheguei atrasada novamente no outro dia.
— A diretora quer falar com você... — Mal cheguei e já tive que sair da sala.
(Parece que eu estou ferrada...)
— Dahlia, o que anda acontecendo com você? Quando ganhou a bolsa, foi uma das estudantes com as melhores notas, e no começo do semestre era a mesma coisa, o que está acontecendo?
— Problemas, muitos problemas... — O jeito era apelar para a minha "triste" vida.
— Pode me dizer o que precisa, sabe que eu também já fui conselheira, certo?
Antes de ser diretora, ela era a conselheira da faculdade.
— É que eu... Estou passando por necessidades, você sabe que eu sou órfã, não tenho nem familiar para me apoiar, sai do orfanato porque passei da idade.
(Tecnicamente, me expulsaram depois que completei dezoito anos.)
— Seu trabalho parece não ser muito bom, precisa de ajuda?
— Eu acho que eu mesma preciso cuidar dos meu problemas, não vai mudar muita coisa...
— Dahlia, por que não muda de trabalho?
— Eu já coloquei muitos currículos, não consegui nada até o momento.
— Sei que não é grande coisa, mas você pode trabalhar na cafeteria do meu filho.
— Vocês são amigos, então provavelmente ele não vai se importar com isso.
— Ahn?
(Eu nem sabia que você tinha filho em primeiro lugar...)
— Igor, vocês estudam juntos, certo?
— Igor? Aquele Igor? O ricaço? Ele é seu filho?
— Pensei que você soubesse, todos da escola sabem. Sem contar que você já foi algumas vezes lá em casa.
— Mas a mãe dele não estava, quer dizer, você não estava...
— Sim, eu estava trabalhando no horário que vocês foram, afinal, eu venho para cá os três turnos.
— Igor não me disse que ele tinha uma cafeteria.
— Ah, é porque ele ganhou de presente do avô recentemente. De qualquer forma, vou conversar com ele sobre isso!
Eu saí indignada com o Igor.
— Por que você não me falou que a diretora é a sua mãe? — Eu bati as mãos na mesa, o assustando.
— Pensei que você soubesse.
— Como eu ia saber?
— Você não viu meu sobrenome?
— Meu querido, existem milhares de pessoas com o mesmo sobrenome! Sem contar que eu não tenho tempo para pensar nisso!
— Então não me culpe!
— Eu vou culpar você sim!
— Dahlia, vai ter uma festa esse final de semana, que tal se eu contratar você para ser minha acompanhante?
— Ahn? Do nada? Está doido? Por que você precisa de uma namorada de aluguel?
— Eu não quero uma namorada, e sim uma acompanhante!
— Mas por que?
— Será que você pode parar de fazer tantas perguntas? Estou tentando ajudar você a ganhar o dinheiro para comprar um celular novo!
— Ei, você é rico! Por que eu preciso trabalhar se você poderia somente me dar um?
— Por que você está muito mal acostumada! Não vou te bancar a vida toda, afinal, você precisa trabalhar e conquistar suas próprias coisas!
— Queria que você tivesse nascido pobre, aí você ia ver só!
— Se eu tivesse nascido pobre, você não teria quem te bancasse nas horas que você está dura!
— É... verdade, esquece o que eu falei!
— Enfim, escolhe um celular que você quer, vou pagar exatamente o valor dele.
— Sério? — Meu coração até errou as batidas.
— Espera, não me venha com celulares tão caros! Vou ajudar você a escolher.
No final, o celular continuou sendo um bom, mas não extrapolava no preço.
— Igor, eu não tenho roupas para festa de ricos...
— Relaxa, vou comprar algo para você, ok?
— Obrigada! — Eu ri.
— Sinceramente, às vezes eu acho que eu pareço até seu pai!
— Uma pena que não é...
— Sorte minha! Você já teria me falido.
Então, se passou uns dias, Igor me entregou o vestido, era bem bonito. Fiz o máximo para ficar bonita, até mesmo me maquiei.
Na festa:
— Ei, você não quer casar comigo não?
— Nem nos seus sonhos! — Igor fez careta.
Ele me vê como uma irmã, e eu também o vejo assim.
— Festas de rico é assim? Você mesmo se serve?
— Tem os garçons, mas você pode ir até a mesa.
— Eu posso?
— Você vai fazer um estrago, então deixe que os garçons te sirvam!
Então, eu esperei que viesse até mim, e peguei um petisco.
— Por que isso é tão pequeno? Não enche a barriga...
— Dahlia, você não deveria agir de acordo com o papel de acompanhante?
— Com você eu não preciso fingir!
— Sei, sei...
— Aliás, essa festa é dedicada a que coisa? Simplesmente quiseram juntar um monte de ricos aqui?
— Ah, é uma festa de inauguração de mais uma empresa da família Lombardia. Aliás, esse é o seu sobrenome, certo?
— É sim, mas foi o diretor do orfanato que escolheu para mim. Naquela época, a família Lambardia não era tanto conhecida, mas eu não sei porque ele escolheu justo esse.
— Já pensou se você fosse parente deles?
— Não, já olhei minha ficha, não tem nada sobre mim ou minha família. Teve uma época que eu quis procurar os meus pais, mas desisti. Se me abandonaram, significa que não me quiseram, e provavelmente não gostariam que eu voltasse.
— Talvez não seja assim.
— Sendo ou não, prefiro continuar assim. Ter uma família agora apenas me atrapalharia, não quero amor de ninguém, não preciso de algo que nunca conheci!
— Eu não te entendo.
— Por que diz isso?
— Me lembro que você deu conselhos a uma colega nossa que estava triste por causa do seu relacionamento, você a incentivou a amar e ser amada, mas não faz o mesmo sobre si...
— Igor, não é por que eu não desacredite do amor, que tenho que incentivar os outros a desacreditar também. Por mais que eu não sinta o que eles sentem, eu sei que isso pode ser maravilhoso para quem merece...
— Você acha que não merece ser amada?
— Eu me recuso a aceitar o amor, quero apenas dinheiro! Isso sim é amor verdadeiro!
— Não é não...
— Você já viu rico sendo infeliz?
— Já!
— Então, eles estão sendo ricos do jeito errado! Se for para sofrer, vai sofrer em Paris!
— Dahlia, você é muito esquisita!
— Oxe...
Ela continuou pegando petiscos que chegavam, e então apareceu vinho, e ela pegou também.
— Ei, você não é fraca para bebidas?
— Você vai estar aqui para me levar para casa!
— Haa... não sei o que faço com você...
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Atualizado até capítulo 122
Comments
Rafael Nascimento
kkkkk maravilhoso tô me acabando de rir. ela vai deixar o mafioso maluco /Drool//Drool//Drool//Drool//Drool/
2025-03-28
1
Maryan Carla Matos Pinto
esses dois.
2024-12-15
1
Edna César
exatamente 😅😘😘😘
2024-11-13
1