Ponto de vista — Cassius:
Havia apenas dois dias que Dahlia estava morando comigo, apesar de tudo, ela estava bem quieta, algo que não parecia ser comum dela. Não tive tempo de perguntar alguma coisa, afinal eu estava muito ocupado com o meu trabalho.
— Senhor, não acha que está na hora de contratar uma secretária? — Era algo que sempre me diziam, mas eu não queria dar esse cargo a ninguém.
Não gosto que ninguém invada o meu espaço pessoal, e a privacidade era algo necessário para mim.
— Já disse, não vou contratar ninguém! — Eu não havia mudado a minha decisão.
— Tudo bem... a sua reunião foi marcada para as meio dia em ponto, no mesmo restaurante de sempre.
Eu não respondi.
Quando estava saindo da minha sala, em direção a reunião, ouvi os murmúrios dos funcionários.
— Ele parece um tirano, sinceramente, odeio esse trabalho! — Reparei bem no rosto da pessoa que disse isso, ela seria demitida quando eu voltasse.
A verdade é que eu não sou misericordioso, então, não importa o que seja que falem de mim, ou de qualquer coisa que tenha relação comigo, está fora da minha empresa, ou morre.
Por isso, quando aquela mosquinha me disse aquelas coisas, eu queria a matar, não sou alguém paciente.
— Vejo que você sempre é pontual, Cassius! — Dyan Lombardia estava de braços cruzados, à minha espera.
— E vejo que você sempre chega antes.
— Preciso estar preparado para todas as situações!
— Isso é verdade, mas você exagera um pouco, não acha?
Dian é o segundo filho da família Lombardia, e um dos possíveis herdeiros da família.
— Você sabe, a minha família normalmente aceita até mesmo filhos ilegítimos... me diga, o que está tentando conseguir com aquela garota? Você sabia que ela não tem sangue dos Lombardia?
Era uma mentira óbvia, ele queria que eu desistisse de Dahlia.
— Quem te disse que eu quero conseguir alguma coisa? — Sim, eu queria os meus benefícios.
— Seja sincero, o que mais você poderia querer? Faça a sua proposta.
— Então, por que se importa com uma garota que não tem relação sanguínea?
— Apenas não aceitamos alguém que não seja da nossa família possa carregar esse sobrenome, e se as atitudes dela causarem problemas?
— Fique tranquilo, nada acontecerá!
— Não me diga que você a ama?
— Talvez.
— Cassius, eu sou seu melhor amigo há muito tempo, e nós dois sabemos melhor do que ninguém que o poder é mais importante que amizade. Então, que tal você apenas ser sincero comigo, por acaso quer destruir os Lombardia?
— Jamais faria algo assim, mas preciso de algo. Vocês não me entregarão tão fácil, então, quando eu tiver o que preciso em mãos, podemos negociar!
— Tudo bem, esperarei o seu contato. Mas Cassius, proteja bem a sua garota, afinal, ela pode não viver até lá...
— É o que vamos ver! — Eu sorri.
Dyan sabia de algo sobre Dahlia, eu tinha certeza, era algo que os Lombardia queriam desesperadamente esconder.
O que eu precisava deles era algo que somente seria dado a mim com uma troca justa, por isso, no momento certo, aquela mosquinha seria minha moeda de troca.
Eu estava a caminho da empresa, ainda havia muito para fazer, então provavelmente chegaria bem tarde em casa. Não precisava me preocupar com a mosquinha, afinal ela estava segura, e tinha o que mais queria, dinheiro.
Mas, aquela garota sempre consegue me surpreender...
— Eu já disse que eu sou a namorada do seu chefe, não vai me deixar passar? — Dahlia estava na recepção, discutindo com a recepcionista, e dois seguranças.
— Tirem ela! — Os guardas tentaram tocar nela, mas os homens que contratei para mantê-la segura, não deixaram.
Eu apressei os meus passos e fui intervir na situação.
— Eu apenas quero conversar com ele, tem algum problema nisso?
— Claro que tem! O nosso chefe não tem namorada, sua maluca! Sabe quantas pessoas já apareceram dizendo isso?
— Podem ter vindo muitas, ou quantas sejam, mas a original e oficial sou eu!
Eu ri, chamando atenção deles.
— Ele... riu? — A recepcionista e os guardas ficaram em choque.
— O que está acontecendo aqui?
— Senhor, é que essa... senhorita, estava querendo se encontrar com você, dizendo ser sua namorada! Já estamos cuidando de tudo, então não se preocupe!
— Quem disse que ela não é? Mosquinha, você pode passar sem precisar falar coma recepção nas próximas vezes! — Eu abracei Dahlia.
— Ei, não me chame assim em público! É vergonhoso... — Ela fez careta.
— Não precisa ter vergonha, não tenho motivos para esconder nossa relação!
— Então... ela realmente...?
— Sim. Seguranças, vocês fizeram um bom trabalho protegendo a Dahlia. E vocês dois, se tocarem um dedo nela, arrancarei eu mesmo as mãos de vocês fora!
Eles ficaram surpresos, afinal eu nunca demonstrei esse lado a não ser nos meus trabalhos na máfia.
Dahlia subiu comigo para o escritório, e todos ficaram nos observando.
— Então, por que veio até aqui? — Eu liguei meu computador e procurei a ficha da mulher que estava murmurando mais cedo.
— Você não foi jantar hoje, então imaginei que estava com fome... aliás, ontem você não trabalhou, então fiquei em dúvida.
— Isso é mesmo verdade?
— Por que está desconfiando de mim?
— Você não parece ser o tipo de pessoa que faz comida para os outros.
— Bom, eu sei que tem o segurança para cozinhar, mas eu pedi para ele deixar eu preparar algo para você...
Eu olhei desconfiado para a marmita.
— Não tem veneno! Acha mesmo que vou matar minha fonte de dinheiro?
— Você sabe que eu posso te matar a qualquer momento, certo? E, aliás, eu estou te usando...
— Sim, eu sei muito bem disso. Por isso eu decidi fazer com que você goste de mim!
Eu peguei o telefone e liguei para o departamento de RH.
— Demita essa pessoa, diga que eu ouvi diretamente o que estava falando sobre mim mais cedo. Ah, e também demita a recepcionista e os dois guardam que ficam encarregados da recepção da empresa!
— Você vai mesmo demiti-los por isso?
— Sim. Aliás, termine o que estava falando. Pretende me fazer gostar de você?
— Exatamente! Mas não de firma romântica, quero ser sua amiga, ou te ajudar no seu objetivo!
— Por que?
— Para você não me matar no final. É simples, não? Apenas devo te ajudar a conseguir o que quer, já que precisa de mim, significa que sou necessária!
— Dahlia... eu te disse para não confiar em pessoas como eu! Por que você acha que não vai morrer? — Eu apenas a chamava pelo nome quando era algo sério.
— Ah, você vai me matar? O que vai ganhar com a minha morte?
— ...
Ela pareceu triste de repente.
— Esquece o que eu disse...
— Não confie em mim.
— Eu sei, não confio... mas... eu não posso fugir de você, e se não estiver com você, posso morrer, então que opção eu tenho? — Ela nem mesmo estava me olhando nos olhos mais. — Espero que goste da comida, vou voltar agora... — Ela se levantou para sair.
Eu fiquei olhando para ela parada em frente a porta, ela respirou fundo e sorriu, provavelmente para as pessoas lá fora pensarem que estava tudo bem.
De alguma forma, eu me senti estranho, não sabia explicar porque eu estava tão agoniado de repente.
— A comida tem uma aparência horrível... — Eu provei. — E o gosto ainda consegue ser pior do que a aparência...
Se fosse outra pessoa, eu já teria matado por ter me feito provar algo tão ruim, mas... eu acabei comendo tudo sem perceber.
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Atualizado até capítulo 122
Comments
Maryan Carla Matos Pinto
Ah, o amor...
2024-12-15
2
Rosilene do Carmo Linhares
ele achando ser um durão com ela....mas já arriou os pneus kkkkkk
2024-11-12
1
GAMER W (TITANS BR)
isso que é amor comeu tudo mesmo achando horrível
2024-10-10
1