— Então, querida, vamos conversar? — Eu sorri para ela.
— Por que você me trouxe aqui? Ficou doido? — Ela estava tentando esconder o rosto com o cardápio.
Ela estava olhando para o balcão a todo o momento, e eu fiquei curioso para entender o que estava acontecendo. Em um segundo, quando a garçonete começou a se aproximar, ela se escondeu debaixo da mesa.
— Ah... Senhorita? — A garçonete estava perdida.
— Minha nossa, parece que a minha namorada está um pouco tímida. Gostaria de pedir dois cafés para a viagem, tudo bem?
— Oh, certo... Como quer?
— Um sem açúcar, e o outro com.
— Tudo bem, irei preparar em alguns minutinhos.
A garçonete saiu, e eu fiquei rindo dela.
Dahlia levantou um pouco o rosto, e me olhou furiosa.
— A minha mosquinha parece estar fugindo da garçonete, o que aconteceu? Você a conhece?
— Em primeiro lugar, eu não sou uma mosquinha, e em segundo, eu não sou sua!
— Durante uma hora, você é completamente minha, já que paguei por isso!
— Você pagou apenas a metade! A outra ainda está pendente…
— Oh, então irei te entregar o restante.
Eu ainda sabia o valor, já que vi no celular dela mais cedo. Entreguei um pouco mais de dinheiro, já que eu sabia que a mosquinha gosta disso.
— Isso é mais do que combinamos...
— Tudo bem se não quiser!
— Quem te disse que eu não quero? — Ela puxou o dinheiro.
— Dahlia? — A garçonete apareceu sem que percebêssemos.
— Haha... oi... que coincidência, não esperava te ver por aqui, quer dizer, eu esperava...
— Entendo, você se atrasaria por causa do seu encontro...
— É que eu tinha uns problemas para resolver com ele, sabe... estamos terminando!
— Sério? Não parece ser isso...
— Mosquinha, você está me deixando? — Fiz uma expressão de tristeza.
— Me desculpe por atrapalhar! Dahlia, não deixe um homem desses… — Ela me olhou admirada.
Ela saiu, deixando o café na mesa.
— Você trabalha aqui?
— Sim! E você acabou com a minha vida social!
— Como eu fiz isso?
— Você não percebeu o rosto das outras? Ela foi a única que não me olhou de cara feia, você é dono de alguma empresa, certo? Acho que elas conhecem você, estão olhando para o celular e depois para você...
Eu analisei e era verdade. Pior de tudo, era quando Dahlia olhava para elas, faziam cara feia, já para mim era diferente.
— Você pode simplesmente sair desse trabalho.
— Ficou doido? Eu estou ganhando super bem!
— Você se contenta com muito pouco...
A expressão dela dizia "eu me contento com pouco?".
— Vamos sair daqui, por favor! Você ainda tem quarenta minutos comigo, o que pretende fazer?
— Vamos para a minha casa.
— Eu recuso.
— Por que?
— Em público você não pode me matar.
— Eu já disse que não vou fazer isso, ainda...
— Nossa, isso é tão aliviador!
— Você sabe que posso te obrigar a ir comigo.
— Vamos para a minha casa!
— A sua?
— Seus capangas não estão lá, então eu me sentiria mais segura...
(Para te matar, eu não precisaria deles...)
Então, entramos no meu carro. Ela ficou inquieta no começo, mas depois pareceu admirar por dentro.
— Dá última vez nem pude reparar, mas nossa, esse carro deve custar o olho da cara!
— Não é tão caro...
— Sério? Me fale o modelo dele, vou pesquisar rapidinho...
Eu disse, e ela pesquisou.
— Não é tão caro? Nem se eu vendesse os meus dois rins eu conseguiria pagar um desses!
— Sabe, um rim é mais valioso do que você pensa...
— Olha, vamos cortar esse papo antes que você resolva vender o meu... não que você queira, ele está bem ruinzinho, eu quase não bebo água...
Ela sempre arruma uma desculpa para tudo... era engraçado pensar nisso, ela é tão estranha e complicada.
Quando chegamos ao endereço, eu fiquei em choque. Aquilo nem poderia ser chamado de casa.
— Tem certeza de que é o lugar certo?
— Tenho sim, é lindo, né? Consegui um bom desconto nessa casa.
— Numa casa caindo aos pedaços?
— Vê se não fala assim do meu cantinho...
(Cantinho do terror...)
Quando entramos, foi pior ainda. Era tão pequeno, e bagunçado.
— Você é muito desorganizada.
— Experimenta trabalhar, estudar, e ainda limpar a casa! Não consigo manter nada organizado por muito tempo, sempre preciso sair correndo!
Eu havia decidido, a levaria comigo, tudo era uma questão de falar com ela. Mas se não aceitasse, eu a levaria do mesmo jeito.
— Lombardia... Você realmente não tem relação com eles?
— Essas pessoas não sabem nem que eu existo, e não é como se eu gostasse desse sobrenome, sempre me trouxe problemas...
— Que tipo de problemas?
— Ah, uns dois meses atrás eu fui sequestrada, achavam que eu era parente deles e pediram dinheiro. Minha sorte foi que não quiseram me matar, mas fiquei umas cinco horas em cativeiro, e como esperado, ninguém apareceu. Eles desistiram depois de um tempo e me soltaram.
— Depois disso, aconteceu mais alguma coisa com você?
— Não tenho certeza se isso tem algo haver, mas a diretora da faculdade disse que essa semana vieram algumas pessoas perguntando por mim, dizendo que poderiam conhecer os meus familiares. Eu pedi que ela não dissesse nada, afinal, eu já desisti da minha família...
— Entendo...
(Ela está em perigo...)
— Dahlia, se você não vier comigo, provavelmente vai morrer!
— Por que? Você é o perigo aqui!
— Seu sobrenome tem um peso grande, você sabe quem são os Lombardia?
— São os donos de grandes franquias de empresas...
— Não, eles são mafiosos, e daqueles perigosos!
— Todo mundo agora é mafioso?
— Nem todos, mas eles são.
— E por que viriam atrás de mim?
— Se for confirmado que você é realmente da família deles, irão te matar!
— Pronto, acabou a minha vida normal...
— Você não parece tão surpresa.
— Eu estou, mas também estou pensando nas vantagens de morar com você...
— Quem disse que você vai morar comigo?
(Ainda nem falei nada.)
— Você disse que eu morreria se não fosse com você. Se quer me ajudar, significa que precisa de mim, certo? Afinal, você mesmo queria se livrar de mim.
— Você é mais esperta do que parece...
— Não vai ser de graça, você vai ter que me bancar!
— Você acha que pode exigir algo?
— Sim, eu sou necessária, e os meus serviços são caros!
Eu bati a mão na testa, e suspirei.
— Pegue os seus documentos e materiais escolares.
— Nós vamos agora?
— Sim, não precisa levar as suas roupas, eu compro outras novas.
— Sério? Mas tem que ser coisa chique!
(Ela só pensa em gastar?)
— Anda logo...
Ela pegou as coisas e nós saímos de lá.
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Atualizado até capítulo 122
Comments
Maryan Carla Matos Pinto
ela é maluquinha.
2024-12-15
1
Rita Cássia
kkk e maluca
2024-12-15
1
Edna César
claro🤣🤣🤣🤣🤣
2024-11-13
1