Padre Max
Essa menina é louca, suas palavras me deixam mais louco que ela. Só porque eu sou novo não poderia ser padre?
Isso me pareceu como uma ofensa, como se eu fosse novo de mais para isso, e eu tenho mais santidade de qualquer outro padre.
Idade não julga caráter de ninguém, uma pessoa pode ser idosa, e cometer vários crimes.
Do mesmo jeito das roupas, o você veste não reflete o que você é, e sim como você se comporta usando elas.
Ja vi mulheres vestindo calças, ou vestido longos, que valiam muito menos que mulheres que usam roupas mais curtas. Mas também, já vi mulheres com decotes esfregando os mamilos na cara de quem quer ver.
Mas isso entra o caráter, ele é ligado a sua personalidade, e não tem meio termo, ou você tem, ou não tem.
Pior que terei que aturar ela aqui durante um mês, já que ainda é de menor. Mas se ela ficar no canto dela sem querer me tocar ou chamar a minha atenção, esse mês será perfeito.
Mas ela tem um semblante de quem gosta de atenção, ela é tão meiga... Tão menina.
Não parece que morava realmente na favela, não fala gírias e nem é vulgar como as outras que eu vejo, quando tenho que subir ao morro para falar com o chefe sobre as festas que fazemos aqui na igreja.
Mês que vem já é junho, e faremos a festa de São João, onde se concentrar várias barracas, e é uma ajuda de custo para a igreja.
Como eu já consegui uma casa para ela no morro, agora vou ver se consigo alguém que de um emprego para ela. Afinal, ela vai ter que se sustentar.
— você quer ir conhecer a sua casa? Tenho que ir no morro falar com o Daniel, se você quiser iremos lá juntos.
— quero sim. É bom que eu já conheço lá, eu nunca subir o morro do jacaré.
Nós levantamos e saímos. Como a igreja fica bem do lado da entrada, vamos andando mesmo, assim evito o gasto de gasolina.
Os irmãos do comando já nos olham e me cumprimenta, e ficam de olho nela. Mesmo ela não estando vestida com roupas curtas, ela é bonita e chama atenção deles.
Mas peço para eles respeitar ela, já que ela está subindo comigo. Ela tenta pegar na minha mão com medo, mas eu a puxo e digo para ela...
— sem toques.
Ela revira os olhos e começa a caminhar na minha frente. Só balanço a cabeça e a sigo, pois perdeu o medo rápido de mais.
Chegamos na casa que o Daniel ofereceu para ela, pego a chave e entramos.
— não tem móveis ainda, mas isso iremos resolver na igreja, vou pedir doações e você terá de tudo aqui. Me diga, você já terminou os estudos?
— já sim, eu ia começar a trabalhar no açaí do Guga, mas... Bem deu errado como o senhor sabe.
— vou arrumar um emprego para você também não se preocupe. Veja, aqui é o quarto ali é o banheiro e aqui a cozinha. Acho que dois cômodos para você está bom não está?
— mais que bom, na casa da minha mãe são 3 cômodos para 4 pessoas, estou em um palácio aqui rsrs.
Ela sorrir tão lindamente, seus traços delicados são tão fofos, ela parece um bebê de tão delicada que é.
Seus cabelos negros da um contraste com a sua pele branca como a neve, o homem que a tornar sua esposa será um homem de sorte, porque alem da delicadeza, percebe que ela é respeitosa, mesmo com os homens olhando para ela, ela se manteve em respeito, não aceitando os olhares deles em cima dela.
Pergunto se ela quer ficar aqui ou subir comigo para falar com o chefe, ela diz que fica, que não quer conhecer chefe nenhum.
Digo ok e saio. Subo o morro em direção a boca do Daniel. A maioria das mulheres me olham passando como se eu estivesse em uma passarela de modas, nem a batina elas respeitam no meio da rua.
Umas se aproximam para dizer que sente saudades de confessar, eu só digo para elas irem que iremos conversar.
Enfim consigo chegar na boca. Os homens mandam eu entrar. Eles me tem com respeito aqui, como se eu fosse um deus.
— eae padre tranquilo?
Não gosto desse jeito que eles falam, mas não posso criticar, afinal foram criados assim.
— vim falar da festa de são João, começará na próxima sexta feira, já avisa a comunidade sobre as barracas, eu vou deixar a rua enfeitadas com as bandeirolas.
— pode pá, aviso sim. E a mina que você falou, vai precisar de mais alguma coisa?
— vou esperar ela completar os 18 anos para ela vim para a casa, mas se poder ajudar mais, ela vai precisar dos móveis.
— resolvo isso padre, vou falar com a minha mina e ela vai organizar a casa, pode ficar frio.
Agradeço a ele e desço novamente para encontrar com ela e a levar para a igreja. Bato na porta e ela abre sorrindo para mim.
Esse sorriso dela encantador, fico a observando por um tempo até perceber que estou a olhando tempo de mais.
— vamos embora.
Ela sai e seguimos para a igreja, mas antes de entramos alguém chama ela pelo nome.
— Mãe?
Eu me viro e vejo a mãe dela vindo com tudo para cima dela, mas antes de a tocar eu entro na frente, protegendo a Isadora da fúria de sua mãe.
— sai da frente padre, ela é minha filha e vai voltar comigo.
— não vou, vocês querem me vender para o traficante.
— seu irmão pode morrer Isadora, você não pensa?
Sinto os braços da Isadora me abraçando por trás. E isso me dá uma agonia. Mesmo que ela esteja fazendo isso para eu protege-la, eu não suporto o toque.
— larga o padre e vamos embora.
— ela não irá, ela chegou na igreja pedindo ajuda, e eu irei ajudá-la
— não se mete padre, ou sobrará para você também.
Retiro as mãos da Isadora de mim.
— deixa sobrar, mas não levará ela para se prostituir para pagar dividas do seu filho. A salvação é individual, e a punição também.
Ela me olha com raiva, e diz que voltará e levará a Isadora junto.
Me viro e vejo a Isadora com a mão no rosto chorando. Esse seria o momento que eu a abraçaria para conforta-la, e dizer que vai ficar tudo bem. Mas eu passo direto e a chamo para entrar na igreja, vou deixar que a irmã Maria faça isso.
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Wilma Lima dos Santos
Claro, você passou o rodo geral
2024-12-05
0
Ivanilde T. Serra
kkkkkkk realmente tem muita santidade, só na tua cabeça.
2024-12-19
1
Wilma Lima dos Santos
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣sabe de nada inocente kkkkkkkkk
2024-12-05
3