Uma simples coincidência...

— Tenho uma notícia pra você, Lena.

Lena desvia o olhar do notebook pra Guto.

— Qual?

— Acabei de descobrir que a nossa empregada tirou licença e até ela voltar, você vai ter que fazer todos os serviços domésticos da casa.

Guto diz saindo de fininho rumo as escadas e sorrindo de cabeça baixa.

— Ei! Pelo visto foi uma notícia boa pra você, né? E pra onde o senhor vai? Não foi você quem disse que tinha tempo pra mim?

— Acontece que agora estamos sob outras circunstâncias, meu amorzinho. Boa sorte. 

Lena sorri de forma sarcástica. E Guto sobe as escadas, indo pro seu quarto.

— Não acredito nisso! Nem pra ele me ajudar...

Lena larga o notebook em cima da mesinha de centro da sala e vai para a cozinha, para ver o que faltava ser feito.

Assim que ela abre a geladeira, percebe que ela estava completamente vazia. Só água mineral e ovos compunham o espaço das prateleiras.

"Tenho que fazer compras." Lena pensa em voz alta.

E de imediato ela sobe as escadas, e anda pelo corredor até chegar no quarto de Guto. Ela bate na porta fechada e o moreno logo abre metade da porta, aparecendo sem camisa:

— Precisa de uma equipe técnica, Moranguinho? 

— Não, na verdade eu vou fazer compras agora e queria saber se você quer que eu compre alguma coisa pra você.

— Só pra dizer que eu não sou malvado, eu vou com você.

— Mas eu…

Augusto se troca na frente de Lena, colocando uma camisa branca e uma calça.

 Lena vira de costas pra não vê-lo se despindo. E o moreno toca nas costas de Lena, a levando escada a baixo, lado a lado. Guto só retira a mão dela, assim que eles chegam na sala e Lena pega sua bolsa em cima do sofá. Assim, os dois saem de casa e entram no carro e Guto dá partida no carro. Enquanto Lena observava pela janela o movimento da estrada. 

— Você tem alguma preferência de mercado? 

— Não, o que você quiser. 

Augusto faz uma manobra com o carro, e Lena cai de lado, mas Guto a segura com uma mão.

— Mais cuidado pra não deslizar de novo, moranguinho. 

Guto diz depois de lembrar do beijo que ele roubou de Lena. Ainda estava muito claro na sua mente. 

E ele não sabia, mas aquele beijo era o motivo de Lena estar totalmente distante dele e distraída naquele momento. Ela corava ao lembrar do seu segundo beijo com Augusto. Mas tentava se esquecer disso, se convencendo de que Guto ainda não superou Sofia. 

— Obrigada, mas pra sua informação, eu só deslizei por causa das suas manobras! 

— Tá bom, não precisa ficar nervosa. 

— Eu não tô nervosa. 

— E por quê você tá tão vermelha? — Ele continua as provocações.

— Não é nada, deve ser o sol.

— Deveria ter passado protetor, já que você é uma galega. 

— Eu? Galega? Você é mais galego que eu, Augusto! 

— Então veja e compare quem é mais claro aqui. — Ele continua.

Guto põe um braço encostado no braço de Lena. E aparentemente o braço dele parecia mais escuro que o dela.

Ele retira o braço dela para segurar o volante. 

— Viu? 

Lena vira o rosto pro lado e faz biquinho, sem que o moreno veja. E vira novamente o rosto pra ele. 

— Mas aqui tá na sombra, é por isso que seu braço ficou escuro. 

— Pra mim aqui tá bem claro. 

— Ok, você venceu! Argh! — Lena desiste de tentar convencer Augusto.

Lena cruza os braço e volta a olhar pra janela. 

— Ei, tá zangada? 

— Claro que não, por quê eu me zangaria por isso? Não sou criança. 

— Mas você tá fazendo biquinho. 

— O quê? Não tô! 

— Tá bom, vou comprar um doce pra você, de que você quer? 

— Não quero doce. 

— Tem certeza? Vou comprar um picolé pra mim.

— Picolé? Eu acho que vou querer um também. — Os olhos de Lena brilham.

Guto sorri baixinho e estaciona o carro em uma vaga de estacionamento de um supermercado. 

Os dois descem do automóvel, indo para dentro do estabelecimento. 

Sem esperar Guto, Lorena retira do seu bolso uma lista de alimentos a comprar e olha o topo da lista, sorri, e corre por entre os corredores do mercado, que por sinal estava lotado de pessoas. E tenta alcançar um pacote de grãos em uma prateleira situada no alto, na ponta dos pés. De repente, sente um corpo a pressionando por trás e alcançando o que ela queria na prateleira. Lena olha pra trás, e Guto sorria segurando o pacote nas mãos, levantava uma sobrancelha e seu olhar para Lena, era como de um competidor que venceu uma partida.

— Obrigada, eu já ia pedir pra você pegar. — Lena diz sorrindo.

Guto se aproxima de Lena, o que faz ela dar um passo para trás, se segurando em uma prateleira.

— Deve ser porque isso não é coisa para minions como você, querida. Deixa comigo, que eu faço isso. E você pode ficar em uma das filas do caixa, já que tem bastante gente aqui. 

Guto se acerca mais dela, até roubar a lista de compras da mão de Lena e sai dali. 

— Ei! Isso também não é trabalho pra uma muralha como você! — Lena grita, mas Guto já estava distante dela para ouvir. 

A jovem bufa, mas faz o que o moreno disse e segue para a fila do caixa, permanecendo em pé e diante de várias pessoas na sua frente. Entendiada, Lena observa o movimento do ambiente e nisso, seus olhos recaem sobre uma morena novinha e segurando um garotinho pela mão e com um bebê no colo. Ela estava tentando segurar algumas sacolas de compras em cima do balcão do caixa, o que parecia quase impossível, por ter duas crianças para cuidar. Sem pensar muito, Lena saiu da fila e se direcionou pro outro lado do caixa, onde estava a jovem morena. 

— Quer ajuda com as compras? — Lorena oferece.

Lena aponta para as sacolas nas mãos da jovem.

— Seria bom, mas eu não sei quem voce é. — A jovem desconfia.

—Eu sou a Lorena, aqui é a minha carteira de identidade. — Lena mostra a carteira para a jovem que analisa com cuidado todos os detalhes da identidade. 

— Tudo bem, pode segurar isso pra mim? 

A moça oferece as sacolas na sua mão para Lena, que logo as segura. E juntas, as duas saem do comércio, andando lado a lado. 

—Vamos, Gael. — A moça estranha chama o garotinho, segurando firme na mão dele.  

Lena ajuda a terminar de pegar as sacolas e anda com a moça pela rua, enquanto conversam. 

— Eu não me apresentei, mas eu sou a Cida. Esse aqui no meu lado é o Gael. E essa no meu colo é a Brenda.

Cida apresenta as duas crianças. 

— Os dois são seus filhos? —Lena questiona.

— Sim, são meus filhos… Obrigada pela ajuda. É difícil ver alguém como você hoje em dia, Lorena.

— Deve ser difícil pra você também cuidar de duas crianças, não é?

— Nem tanto, elas não dão quase nenhum trabalho. A maior dificuldade mesmo é a questão financeira. 

— Nunca passei por algo assim, mas imagino que deve ser difícil mesmo. 

— Eu moro com um imprestável dentro de casa, então a dificuldade é redobrada. E você,  Lorena? Tem alguém? 

— Sim, eu casei recentemente, mas esse casamento não vai durar muito mesmo. 

— Por que não? Desculpa ser intrometida. 

— Tudo bem, é que foi um casamento por conveniência, então eu e ele fizemos um acordo que vai durar por um ano. 

— Meu chefe também foi assim. Quer dizer, ele se casou porque os pais dele obrigaram ele. 

— É mesmo? Que coincidência! Pelo menos sei que não vou estar sozinha nisso.

Cida sorri.

— Sim. Meu chefe é um anjo… Gosto demais dele… Agora eu tô afastada do trabalho por cuidar da Brenda, mas sempre que eu fazia compras ele me ajudava, além disso ele sempre me paga adiantado, principalmente quando eu estou com alguma emergência. Ele é um perfeito cavalheiro! 

Lena nota que Cida estava muito entusiasmada. 

— Você quis dizer que gosta dele em um sentido romântico? — Lena indaga..

— Sim, eu gosto bastante dele… Se não fosse por ele ter se casado agora… Talvez eu pudesse dizer o que sinto por ele, mas perdi minha chance.

Cida morde o lábio inferior. 

— Talvez ainda não esteja tudo perdido, você pode conseguir falar com ele ainda, já que o casamento é de fachada. Pode ser que ele goste de você, mas se nunca perguntar, nunca vai saber, Cida.

— Acho que você tá certa. 

De repente, o garotinho puxa o vestido de Cida, apontando para um freezer de uma loja.

— O que meu Gael quer? Um picolé?

O garotinho balança a cabeça pra cima e para baixo em afirmação. E antes de Cida levar ele e a bebê no colo para a loja, fala com Lena.

— Eu vou comprar um picolé pro meu filho, você quer vir comigo ou esperar aqui?

No mesmo momento, Lena lembra que Guto prometeu um picolé pra ela, e que ela esqueceu de avisar Augusto que ia sair do mercado. Ela pensa um pouco e responde Cida.

— Eu vou só fazer uma ligação aqui, e já entro com vocês, tá bom?

— Tudo bem, nós vamos ficar por aqui. 

Lena retira o celular da sua bolsa, e fica chocada quando percebe várias ligações perdidas de Guto na tela do seu smartphone. Ela logo retorna a ligação dele, que atende de imediato. 

Ligação on:

— Onde você se meteu, Lorena? Eu revirei o mercado todo procurando você!

— Desculpa, é que eu tô carregando algumas sacolas de uma moça que precisa de ajuda aqui…  Se você tiver terminado, pode voltar pra casa, eu vou depois que deixar a moça na casa dela, tudo bem?

Guto fica sem palavras do outro lado da linha. 

— Nossa, não sabia que você tinha um espírito de Maria Teresa de Calcutá.

— Eu sempre fui altruísta, você que nunca percebeu. 

— Tá bom, senhora altruísta, espero que não se esqueça do que me prometeu.

— Do que? Do picolé? Você comprou um pra mim?

Lena se anima.

— Vou colocar na geladeira pra você. Só não chegue tão tarde em casa. 

— Eu já tô chegando, não se preocupe.

Ligação off.

Guto encerra a ligação.  Lena põe o celular no bolso e se junta a Cida e às crianças, sem imaginar que na verdade, Cida é a empregada de Guto.

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