Ao som do toque do celular na cabeceira da cama, Lena desperta gradualmente tomando-lhe o aparelho eletrónico e pondo-se de pé ao ver que quem ligava era seu pai. Ela de imediato atende a ligação:
Ligação on:
— Alô, pai?
— Lorena, você tá ocupada agora?
— Não, por quê?
— Venha almoçar aqui e traga o Augusto, tenho uma surpresa para os dois.
—Tudo bem, vou chamar ele.
Ligação off.
Ela desliga o telefone, toma um banho e veste um vestido tomara que caia amarelo e como sempre, as botas pretas e uma jaqueta preta.
Já pronta, se dirige para o quarto de Guto. Lena percebe que a porta dele estava entreaberta e entra lá dentro, se deparando com um Augusto nu, saindo do banho, e ela solta um grito estridente e cobre os olhos.
— Quem faz o que quer, vê o que não quer. — Guto confronta Lena.
Lena retira as mãos do rosto, e olha para Guto que sorria das caras e bocas dela, ao ver que ele ainda estava nu.
— O certo não é quem fala o que quer, ouve o que não quer? — Ela retruca.
— Sim…
Guto responde se cobrindo da cintura para baixo com a toalha que estava em cima da cama e se aproxima a passos lentos de Lorena, a deixando encurralada entre ele e a parede.
— E o que você quer em um quarto de um homem seminu, hã? Me admirar? — Ele continua.
Guto se acerca de Lena, encurtando a distância entre seus rostos, de forma que ela conseguia sentir a respiração quente dele na pele. Lena encara ele e depois sorri.
— Mas é claro que não! Nem sonhando eu vou vir aqui por você! Eu vim porque meu pai pediu pra gente almoçar lá, ele disse que tem uma surpresa pra nós dois. Então se estiver livre, podemos ir agora?
— Claro, moranguinho, vou só me trocar.
Guto se afasta dela, indo rumo ao guarda-roupa. Lena resmunga um palavrão e sai do quarto dele.
\[...\]
Após algum tempo, Lena, esperando sentada por Augusto na sala, vê ele descendo as escadas vestindo um short jeans branco e uma camisa polo vermelha, usando óculos escuros, um relógio de prata e um colar com pingente de asas de metal fixado no seu peito.
Lena ri da cena, pois ele parecia mais requintado e um homem bem diferente do habitual. Ele se dirige para a porta e vira para Lena, no sofá.
— Vamos lá, moranguinho.
Lena levanta do sofá e vai até a porta.
— Vamos, muralha.
Augusto sorri do apelido novo e juntos os dois entram no carro e Guto logo deixa o lugar ao pegar no volante e dirigir rumo a casa dos pais de Lena.
Dentro do carro, no caminho para a casa de seus pais, Lena abre o porta-treco do automóvel e retira um livro. Era o mesmo que Sofia havia pegado no dia do acidente.
— Não, guarda isso, Lena, por favor.
— Só estava curiosa.
— Guarde sua curiosidade para depois, coloque isso no lugar.
— Tudo bem.
Lena põe o livro de volta no porta-treco do carro.
— Esse livro, tem alguma história por trás, não é? Se não quiser falar, tudo bem.
— Tem sim. Mas não é boa de se ouvir.
— Eu aguento, pode dizer.
Guto suspira antes de responder.
— Esse livro, foi um dos motivos do acidente.
— Como assim? Você estava lendo ele?
Guto balança a cabeça de um lado para o outro.
— Eu não, mas a Sofia… Ela dormiu com o livro no rosto aí exatamente na sua posição, mas o livro caiu no chão e quando eu me abaixei pra pegar ele de volta uma carreta nos atingiu… E o resto você já sabe.
Augusto responde sem tirar os olhos do volante. Lena acaricia os ombros de Guto, confortando-o.
Enquanto o moreno sorri. Ele a achou fofa naquele instante, mas não teve coragem de dizer, muito menos demonstrar.
— Sinto muito, Guto… Não foi sua culpa… A carreta que tava errada!
Lena enfatiza “carreta” com raiva, o que faz Guto sorrir.
— Obrigado Lena. Me fez sentir melhor.
Lena balança a cabeça em afirmação e volta a observar a paisagem pelo vidro da janela do carro.
Passado algum tempo, Augusto visualiza uma carreta se aproximando do outro lado da rodovia e se põe paralisado e dirigindo no automático, como se tivesse visto um fantasma.
Lena percebe que Guto mudou, e tinha permanecido imobilizado e suando frio, assim que a carreta estava andando lado a lado com o carro deles. E tenta recuperar os sentidos de Guto novamente.
— Guto! Augusto! Me responde!
Lena balançava as palmas das mãos em cima do rosto de Guto para que ele conseguisse voltar do seu transe.
Augusto acorda de sua paralisia e freia o carro bruscamente, parando no acostamento.
— Augusto! Você quase me matou de susto!
Lena diz pondo as mãos no seu peito.
— Desculpa, Lena, acho que fiquei fora de mim por um momento.
— É… Eu percebi. O gatilho pra isso foi a carreta.
Guto fica pensativo por um momento, olhando para o movimento da rua.
— Acho que você não está em condições de dirigir agora. Eu posso dirigir no seu lugar, vem pra cá.
Guto olha para Lena, tentando achar alguma resposta, mas sem o que pensar, decide acatar a sugestão de Lena.
— Você sabe dirigir, tem carteira?
— Sim, é claro.
Lena pega da sua bolsa a carteira, exibindo-a para Guto.
— Tudo bem quero ver o que você sabe.
— Pode deixar comigo.
Lena abre um enorme sorriso.
E os dois saem do automóvel e trocam de lugar. Lena se acomoda no banco do motorista e Guto vai para o banco do passageiro.
Lena sorri maliciosamente e em uma arrancada do carro, dirige velozmente deixando Guto em frenesi e nervoso. Lena para no sinal vermelho e Guto lança um olhar de repreensão.
— Foi uma péssima ideia te colocar no volante, agora é minha vez. Venha pra cá que vou pra aí.
— De jeito nenhum. Se quiser vai ter que me arrancar daqui.
— Que moleca!
Guto tenta tirar as mãos de Lena do volante, e ela morde o braço dele de leve.
— Pelo visto tem uma cachorrinha brava aqui. Vou ter que apelar agora. — Ele ameaça.
Guto se acerca de Lena, tirando o cinto dela, e pondo uma mão abaixo das pernas dela e outra na nuca de Lena.
— Ei, o que você tá fazendo?! — Ela se surpreende.
— O que você disse que era pra eu fazer. — Ele atiça.
O moreno tenta colocar Lena nos braços, mas ela se segura no volante apertando com força, enquanto Guto segue a puxando para si, e de tanta força que ele põe para tirá-la do banco que no mesmo momento que ela solta a mão do volante, Lena é puxada e cai no colo de Guto.
Com os rostos praticamente colados, os dois se entre olham assustados.
Enquanto os olhos verdes de Lena recaem sobre o nariz empinado e o maxilar definido de Guto, os olhos do moreno vão direto para a boca delineada de Lena.
Guto lembra de Sofia, e em um impulso ele enlaça os braços em volta da cintura de Lena e a toma para si, colando seus lábios nos dela, em um beijo quente e fervoroso.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Michelle Pessanha
Eles parecem gato e rato kkk
2023-06-14
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