— E como você sabe meu nome, então? — Ela reitera.
Augusto, não vendo escapatória, decide retirar a máscara e Lena vê o seu rosto, reconhecendo Guto na mesma hora.
— Então você... O que você é? — Lena aponta para ele com uma mão e com outra cobre a boca, surpresa.
— Eu sou um detetive, Lena. Se quiser provas disso eu te dou. Eu estava perseguindo um bandido. — Ele responde de prontidão.
— Eu sinto muito... Eu não sabia... E, acabei deixando um bandido escapar, né? — Lena conclui.
— Adivinhou. E o que vai fazer pra se redimir, hum?
— Eu... Eu... — Ela empurra o peito de Guto, o afastando dela. — Primeiro, fique mais longe. E segundo, eu posso perseguir aquele bandido pra você se quiser.
Guto sorri admirado.
— Você é muito corajosa, não é Lena? Mas não. Não precisa fazer isso. Eu não sou tão mal assim pra chegar a esse ponto e tratar uma linda dama com tanta maldade.
Lena cora de novo. Ela sabe que está sendo sutilmente seduzida por ele. Mas ainda sim, não poderia correr o risco de se entregar a esses desejos inoportunos.
— E o que quer que eu faça? — Ela questiona.
— Um encontro. É só o que peço. — Ele sugere quase implorando.
— E se eu tiver namorado ou for casada? Você não se importa?
— Você é casada?
— Eu... estou noiva de alguém. — Lena responde com certa desconfiança.
Guto suspira.
— De alguém? Tenho certeza que não gosta dele.
— Como você sabe?
— Porque você está muito nervosa, mesmo sabendo quem eu sou.
E isso era inegável.
— Isso não quer dizer nada! Não quer dizer que eu estou apaixonada por você só por isso! — Lena fica carrancuda e cruza os braços.
Guto sorri. Ele visivelmente estava gostando de provocar Lena.
— E por quê você tá tão brava então?
— Por quê você me irrita! — Lena exclama saindo dali, deixa Guto só na rua, e volta para o baile.
Logo, Seu Alexandre aparece e leva Vinícius e Lena de volta para casa.
No outro dia...
Guto visita seus pais, e a família se reúne para conversarem enquanto tomavam café.
— Filho, nós já resolvemos. Achamos uma esposa pra você se seguir em frente. Marcamos o encontro de vocês dois pra hoje. — Seu Wilson, o pai de Guto inicia a conversa.
— Eu já disse, eu não preciso de nenhuma esposa! — Guto se altera.
— Dê uma chance a ela, talvez você acabe gostando dela.
Guto esfrega os olhos.
— Não pai, eu não quero uma nova mulher. Eu já me decidi.
— Pelo menos vá ao encontro, e se você não gostar dela, não precisa casar. Ela é filha do seu Alexandre e se chama Lorena Fontenelle.
O mesmo nome que aquela garota ousada? Como pode? Guto pensava.
— O quê?! Eu aceito... Eu vou pro encontro! — Guto quase se engasga com o café.
— Se soubesse que você gosta tanto do seu Alexandre eu teria dito logo que ela é filha dele. — Seu Wilson presume, sorrindo.
— Eu vou indo agora. — Guto diz levantando da cadeira.
— Muito bem, depois nos conte tudo sobre o encontro. — Ela pede para Guto.
\[...\]
Enquanto isso, Lena, em uma folga da loja liga para Nanda e pede que ela lhe substitua no encontro com o noivo, pois Lena havia que trabalhar no mesmo horário.
Nanda, obedecendo a amiga, veste um macacão azul como de Lena, põe um boné, uma bota preta e um óculos escuros que cobria metade de seu rosto. E segue para a casa de Lena, torcendo para que os pais de Lorena não reconhececem o disfarce de Nanda.
Ao chegar é recebida por seu Alexandre, que estranha um pouco sua filha, que segundo ele, parecia diferente do habitual. Mas ainda sim, dá carona para Nanda achando que é Lena até um restaurante do bairro, onde foi marcado o local do encontro.
Nanda desce correndo do carro de seu Alexandre e ao entrar no restaurante, procura por alguém com as características que o pai de Lena disse que o homem que ela ia encontrar tinha em uma das mesas do lugar.
Segundo seu Alexandre, o "noivo" prometido vestia uma jaqueta marrom e seu nome era Augusto Magno.
Nanda, ainda usando seu disfarce, andando por entre as mesas, encontra ao longe o homem procurado na última mesa no fundo do restaurante, indo se sentar na cadeira em frente a Guto.
Nanda retira os óculos e coloca em cima da mesa, para observar melhor o homem que estava na sua frente. Para Nanda ele é como um Deus grego. A primeira vista, se encantou pela beleza extraordinária daquele homem.
Como a Lena pode dispensar um homem desses?! Nanda se perguntava.
Guto se sentiu totalmente deslocado. Aquela mulher não era quem ele estava esperando. Ela é totalmente diferente da mulher que ele viu no baile e na loja.
Como podia?! As duas terem o mesmo nome, mas não a mesma aparência?! Guto se questionava.
— Quem é você?
— Lorena Fontenelle. — Nanda mente, engolindo em seco.
— É mesmo? Então tem alguém roubando sua identidade. Se eu fosse você, tomaria cuidado.
Nanda é pega no susto. Ela não contava que ele poderia saber de alguma coisa. Muito menos que Guto já conhecia Lorena.
— Eu vou atrás de quem tá fazendo isso. Muito obrigada por avisar. — Nanda continua o disfarce, ao fingir ser Lena, para que ele não desconfie.
Augusto agora passa de animado para decepcionado na mesma hora. Afinal, ele jurava que iria encontrar a mesma Lorena da loja.
Mas se deparou com uma mulher completamente diferente.
E no mesmo instante, decide ir embora do restaurante. Estava pensando em inventar alguma mentira para sair dali e não casar com a mulher na sua frente.
Mas só para não fazer desfeita, ele começa a conversar e jogar papo fora com Nanda. Pergunta quais são suas atividades favoritas, entre outras coisas. Ela responde tudo seriamente. Porém, ele estava angustiado e achando aquela conversa um tédio.
Queria conversar com a Lena que ele conheceu na loja e pedir satisfação a ela. E no mesmo instante, empurra a cadeira para trás e se despede de Nanda.
Decidido, Guto sai do restaurante, deixando Nanda só, e segue em direção da loja de telescópios, onde Lena trabalha, para tirar satisfações.
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Atualizado até capítulo 50
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