Anamel
— Vamos Melzinha, por favor!
Não te peço mais nada... Hoje.— Bella, insistindo para que eu a acompanhe até o bar a noite, e não faz nem cinco minutos que acordamos.
— Ele pediu para você ir, não posso te acompanhar em um encontro. — Respondo enquanto me levanto da cama.
— Não é um encontro. Eu só estou curiosa, e se eu for sozinha, ele pode achar que estou interessada.— Me seguindo até o banheiro.
— Mas você está, assume. — Digo antes de entrar debaixo do chuveiro.
— Depende do que é estar interessada para você.
Ele só é um cara bonito que eu facilmente beijaria, nada, além disso.
— E eu faço o que enquanto vocês "facilmente" se beijam?— Pergunto colocando a cabeça para fora do box.
— Não vai ter beijo, já te disse que não é um encontro, eu nem disse que ia.
E como você pretende encontrar o seu "príncipe encantado", sentada na sala de casa?
Os únicos homens que circulam por aqui, tem o seu sangue.
— Quando tiver que acontecer, vai acontecer, e o lugar é o que menos vai importar. — Respondo me enrolando na toalha.
— Tudo bem, esquece o príncipe por enquanto, só me acompanha. Prometo que não vou te deixar sozinha nem que o Henry Cavill apareça na nossa frente querendo um beijo.— Nos olhamos e gargalhamos.
— Ai você pegou pesado!
Tudo bem, eu vou com você. — Acabo cedendo e ela quase me derruba com um abraço.
— Toma seu banho e se arruma para tomarmos café, hoje eu vou para a confeitaria do centro com o meu pai e ele já deve estar na mesa nos esperando.
Chegando na mesa, encontramos meu pai, minha mãe e o meu irmão, que chamava a atenção pelo tomando do seu sorriso antes das oito horas da manhã, e após o café, cada um tomou o seu rumo.
Passei o dia na confeitaria com o meu pai me inteirando sobre fornecedores, pagamentos e tudo que eu precisava saber. Ele agora trabalha em uma das filiais, em um escritório maior e com mais funcionários.
Como sempre fui boa com números e planejamentos, assim como o meu pai, comecei a cursar administração assim que terminei a escola e, achamos que trabalhar aqui me traria a experiência que preciso.
No fim do expediente, mesmo cansada e querendo a minha cama, mandei uma mensagem para a Bella combinando de encontrá-la as vinte horas em frente ao bar, já que ela mora perto e eu ainda ia passar em casa para tomar um banho e me arrumar.
Depois de pronta, me despedi dos meus pais, que pediram que eu tomasse conta da Bella, me fazendo rir, pois deveria ser o contrário, já que ela é mais velha.
Coloquei a minha playlist para tocar no som do carro e dirigi cantarolando e tentando me animar para não estragar a noite da minha prima. E já distante de casa, do nada, um carro avançou e parou bem na frente do meu, me fazendo frear bruscamente e tremer dos pés a cabeça, ao ver três caras encapuzados descendo do carro e apontando armas na direção do meu.
Fiquei tão aprovada, que não sei como consegui abrir o cinto de segurança, quando ouvi os homens gritando para eu descer.
Um deles parou bem na minha frente e arrancou, de uma só vez, a correntinha que ganhei do meu avô quando completei quinze anos e desde então, ela não saia do meu pescoço. E depois de me empurrar, me derrubando no chão, entrou no carro com os outros, e os dois carros saíram em alta velocidade.
Quando olhei em volta, vi os carros que estavam atrás do meu, dando ré e apenas um se aproximou. Eu estava em pânico, já ouvi vários relatos do tipo, de amigos da faculdade ou no jornal, mas eu nunca tinha passado por nada parecido.
Vi uma mão estendida para me ajudar a levantar e eu a segurei sem nem olhar de quem se tratava, só sei que comecei a chorar descontroladamente e senti a mesma pessoa me abraçar e dizer que ia ficar tudo bem.
— Tem alguém que eu possa ligar para vir ao seu encontro? — Seco minhas lágrimas e respiro fundo, tentando controlar meu nervosismo.
— Levaram o meu celular, e fica tudo nele, o único número que seu de cabeça é o meu. — Minha vista estava embaçada pelas lágrimas, minha voz trêmula e minhas pernas bambas.
— Vem comigo, vou te levar até uma delegacia. — Disse segurando o meu braço para me dar apoio.
— Eu só quero ir para casa, pode me levar? — Peço tentando conter as minhas lágrimas.
— Precisa fazer um boletim de ocorrência primeiro, estão com o seu carro, celular e documentos, melhor deixar logo registrado, depois eu prometo que te levo para casa. — Concordei com a cabeça e fiz o que os pais sempre disseram para não fazer, entrei no carro de um estranho.
Na delegacia, ele me serviu um copo com água e ficou o tempo inteiro ao meu lado. E só quando já estava um pouco mais calma, consegui reparar na beleza daquele ser de bom coração que estava em uma delegacia sem necessidade numa sexta a noite, somente para ajudar uma pessoa que ele nunca viu na vida.
Já tinha percebido que era alto e perfumado quando me abraçou, mas não tinha reparado nos seus olhos, que são como o mar, de tão azuis, e nem no seu cabelo escuro alinhado e na sua barba serrada que contornava seu rosto perfeito.
— Vamos? — Sua voz me despertou. E por alguns segundos, eu tinha até esquecido onde estava e o que tinha acontecido.
Não conversamos muito durante o caminho, ele só perguntou o meu endereço e se eu estava mais calma.
Chegando ao meu portão, agradeci por tudo que tinha feito por mim aquela noite e ele só saiu com o carro, quando viu o portão se abrir para eu entrar. E só aí, eu me dei conta, que nem seu nome eu perguntei e que talvez eu nunca mais o encontre novamente.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Heloisa Guerrera
qual o nome do livro anterior que estão comentando?
2023-12-16
2
Laura Maria Machado Carvalho
As cenas se repetem. Situação vivida por Davi e Melissa.
2023-12-03
3
Jane Viera
igual o Davi e a Melissa
2023-11-16
4