Malu
Acordei ainda com o céu escuro, precisava de alguns minutos para me deixar mais apresentável que no dia anterior. Vesti um biquíni por baixo da minha camiseta e do meu short jeans e sai do quarto na ponta dos pés para não acordar a Helena.
E quando abri a porta da sala, ele já estava a minha espera, com sua câmera na mão e com aquele sorriso que me desmancha inteira desde os meus quatorze anos. Me estendeu a mão e caminhamos juntos até a pedra onde observaríamos novamente o nascer do sol, mas só que agora, com muito mais romantismo.
Me sentei na pedra e ele se acomodou atrás, me deixando entre suas pernas e passando os braços envolta do meu corpo.
— Falta bem pouco para ele chegar!— Se referindo ao sol, enquanto beijava meu ombro e equilibrava a câmera com uma das mãos sem querer me soltar.
Assistimos novamente o espetáculo que acontecia diante de nossos olho e combinamos que faríamos isso todos os dias, até o nosso último dia aqui e que, enquanto estivéssemos no “nosso lugar”, não falaríamos sobre nada que nos causasse preocupação.
Já com o céu totalmente claro, descemos da pedra e tiramos nossas roupas para entrarmos juntos no mar, aproveitando que todos da casa ainda estavam dormindo. Passamos longos minutos nos beijando dentro daquela água gelada, era o único momento do dia que podíamos fazer isso sem medo de ser flagrados.
Voltando para a areia, por conta da hora, peguei meu celular e fiz uma careta ao ver a quantidade de mensagens. Eram dez mensagens, uma da minha mãe, outra do meu pai, duas do grupo da família e todas as outras do Diogo, meu ex.
— Já reparei que você faz a mesma cara várias vezes durante o dia quando olha para o celular, o que encontra é tão ruim assim? — Pergunta enquanto pega sua câmera na areia. Solto um suspiro e conto.
— O Diogo me manda mensagens o dia inteiro, e hoje ele começou mais cedo.
— Ex namorado obsessivo?
Namorar você não vai ser tão fácil quanto pensei. — Me fazendo rir enquanto o observo passando as mãos pelo cabelo para tirar o excesso de água do mar.
— Logo ele cansa, eu nunca respondo. — Dou de ombros e seguimos para dentro de casa.
E essa foi a nossa rotina durante todos os dias que passamos aqui. Às vezes nos esbarrávamos no corredor quando estávamos de saída dos nossos quartos e ele me roubava um beijo rápido, ou acariciava discretamente a minha mão quando sentávamos perto para comer ou interagir com toda a turma... Se estamos fazendo o certo, eu não sei. Só sei que essa está sendo a melhor viagem de férias da minha vida.
Mas, infelizmente, os nossos dias de diversão chegaram ao fim, chegou a hora de nos despedirmos dessa casa e voltarmos a nossa rotina. Eu ainda quero passar uns dias no sítio matando a saudade dos meus avós antes de ter que levar a vida a sério, e preciso ajudar a Helena com as coisas da viagem, agora chegou a hora de voltarmos a pensar nisso.
Arrumamos todas as bagagens no carro e quando entrei no carro do Thiago, percebi que não estava com o meu celular. Desci e pedi a chave da porta ao Luís e voltei para dentro para procurar. Mas não encontrava em lugar algum e acabei demorando um pouco para voltar.
Fiquei parada por alguns segundos no quarto tentando refazer mentalmente a meus últimos passos com o celular e me lembrei estar com ele na mão quando fui lavar a louça para deixarmos tudo limpo antes de ir.
Desci as escadas e encontrei o Luís parado na porta da sala.
— Ainda não achou? — Me perguntou.
— Acho que já sei onde deixei. — Respondi, caminhei até a cozinha e ele me seguiu. Encontrei o celular no balcão ao lado da pia, cheio de mensagens do Diogo novamente e fiz uma careta como sempre.
— Não vai me ignorar como faz com ele, não é? — Luís me pergunta, pois já até sabe de quem são as mensagens pela minha cara.
— Nunca!— Pisco para ele e tento passar para ir em direção a porta, mas ele me segura e me rouba um beijo.
— Ainda não achou? — Helena entra e interrompe o nosso beijo. Nos afastamos e vi seu olhar de decepção sobre mim.
— Desculpem, eu não queria atrapalhar.— Saindo rapidamente pela porta que tinha acabado de entrar. Meu coração se apertou e corri atrás dela, deixando o Luís parado dentro de casa.
— Helena, vamos conversar. Por favor! — Implorei e ela se virou e me olhou de um jeito que jamais fez, me senti a pior pessoa do mundo.
— Eu pensei que fossemos amigas, você dizia que éramos irmãs de pais diferentes... Eu conto tudo da minha vida para você, e você me esconde isso.
— Eu posso explicar, vamos conversar com calma. Eu ia te contar.
— Eu não quero conversar, Maria Luísa, preciso absorver tudo isso. — Virando as costas e dando passos rápidos e largos na direção do carro do Thiago.
— Eu sinto muito Malu, não queria te trazer problemas.— Luís diz ao se aproximar.
Vamos embora, quando ela estiver mais calma, vocês conversam.
Vai ficar tudo bem.
Eu o acompanhei e chegando próximo ao carro, a Anamel e o Thiago perceberam o clima estranho, mas não perguntaram nada.
— Troca de lugar com o Samuel e vem com a gente, assim o Thiago deixa os dois em casa e nós deixamos você. — Anamel sugere. Eu olho para o carro do Thiago e percebo que a Helena evitava me olhar e acabei aceitando ir no carro do Luís ao lado da Bella, peguei a minha mala e tentei disfarçar a minha tristeza.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Júlia Caires
o único erro foi a omissão. Tomara que elas conversem e se entendam. Helena vai ficar 1 ano fora, vai ser bom pra todo mundo
2024-06-12
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Maria Rita Souza
não tiro a razão da Helena eu tbm passei por isso ,a Maria Luiza não está errada porque existe amor de ambas partes o erro dela é esconder da amiga isso doe mtoooo se se amiga verdade não pode esconder nada tem que ser transparente
2024-05-05
0
Claudia Ferrari
acho que realmente é só vc
2023-11-29
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