Luís Davi
Quando voltamos para casa após ver o sol nascer, estava decidido a deixar tudo como estava. Não queria lutar por uma garota que não tem interesse em lutar por mim.
Mas encontrei a Bella na sala e, percebendo o meu desânimo, me carregou pela mão até o quarto para conversarmos. Contei sobre o conteúdo da conversa que tive com a Malu e ela me aconselhou a não desistir.
Disse para eu ser sincero sobre os meus sentimentos para não deixar nada subentendido, e oferecer a Malu o tempo que ela achasse necessário para resolver as coisas com a Helena.
Eu disse que ia pensar e foi o que fiz a tarde inteira enquanto todos se divertiam nas praias que visitamos. E observando o quanto a Malu e a Helena são cúmplices, entendi o quanto deve ter sido difícil para ela esconder da amiga o que sentia por mim só para que ela não sofresse.
E quando chegamos em casa, que a vi passando mal, me vi louco de preocupação e percebi que nem que eu quisesse eu conseguiria me afastar dessa garota. Inventei qualquer desculpa para não ir ao parque e tive o apoio da Bella.
Me sentei ao seu lado na cama e velei seu sono por horas, e perdi as contas de quantas vezes chequei sua temperatura. Mas seu sono estava tão pesado, que parecia mais exaustão do que algo grave.
Quando vi que estava começando a acordar, sai rápido do quarto, não queria que se assustasse com a minha presença. Desci as escadas, me sentei na sala e ela nem percebeu a minha presença quando foi até a cozinha e abriu o armário em busca de algo para comer.
— Luís, eu já te pedi desculpas, e é claro que eu me importo com os seus sentimentos, mas também me importo com os sentimentos da Helena, ela é como uma irmã para mim. — Disse ao se levantar e se aproximar, após eu ter dito que ela não se importava com os meus sentimentos. Larguei o sanduíche que estava fazendo e segurei sua mão.
— E eu já desculpei e entendi os seus motivos.
— Obrigada por isso. Me incomoda saber que te fiz sofrer, mas já se passaram três anos e acho que podemos passar uma borracha em tudo isso. Só quero que seja feliz independente se for com a Helena ou com qualquer outra pessoa.
— Está me dispensando novamente?
Eu não pretendo desistir de você, a não ser que me diga que não sente nada por mim e não tenho nenhuma chance. Porque se disser que não estou louco em achar que sente o mesmo por mim e que eu tenho alguma chance com você, eu vou esperar até que se sinta a vontade para conversar a nosso respeito com a Helena.— Seguro seu rosto com leveza entre minhas mãos e ela fixa seu olhar no meu.
— Eu sinto. — Sua voz sai baixa e quase dolorosa, soa mais como uma confissão de culpa, mas foi o suficiente para me fazer sorrir. Encostei minha testa na dela e a envolvi em meu abraço.
— A Helena viaja em alguns dias, e eu não quero que ela vá chateada comigo. Preciso pensar bem em como vou contar a ela que beijei o cara por quem foi apaixonada a adolescência inteira.— Diz com a cabeça encostada no meu ombro, com um pesar que não lhe pertence. A Malu não é feita de dramas, ela é como um brisa que refresca por onde passa.
— Esse cara foi apaixonado por você a adolescência inteira. Não estamos traindo ninguém, eu nunca tive nem a pretensão de ter algo com a Helena. Ela te ama e vai entender, tenho certeza que quer ver você feliz.— Me afasto o suficiente para olhá-la, ela fixa seu olhar no meu e não consigo pensar em mais nada além do quanto eu quero beijá-la.
Segurei com delicadeza o seu rosto e aproximei meu rosto até tocar seus lábios com os meus levemente e esperei pela sua reação, não sabia se era o momento certo para isso ou se iria recusar o meu beijo. Mas seus braços envolveram o meu corpo, me deixando seguro para continuar. Movimentei lentamente meus lábios e ela me acompanhou, e quando nossas línguas se encontraram, tive a certeza que era o melhor beijo da minha vida e não queria que terminasse nunca.
Não queria soltá-la, mas após alguns minutos com a minha língua explorando a sua, lembrei de que antes de começarmos o beijo, que parecia interminável, ela estava com fome. Parei o beijo, mesmo sem vontade, e terminei a pasta que estava fazendo para o nosso sanduíche.
— Isso está delicioso! — Elogiando o sanduíche enquanto o devorava sem frescuras.
— Esqueceu que a minha mãe é chefe? Um sanduíche lá em casa, nunca é só um sanduíche.
Aprendi a fazer muitas outras coisas com ela, quem sabe um dia não preparo um jantar romântico para você. Ela ri, dá a última mordida no seu pão, vai até a geladeira e nos serve um suco.
— Luís... — A interrompo.
— Você é a única pessoa no mundo que me chama só de Luís.— Ela ri do meu comentário.
— Isso te incomoda?
Eu nunca consegui te chamar de Davizinho como a sua família. Olha o seu tamanho, você não tem nada de Davizinho. — Diz, me fazendo rir.
— Não me incomodo, pode chamar do que quiser. Só virei Davizinho porque o meu bisavô é Davi. Como o meu primo João Vitor, que chamamos de Vitinho só porque o meu avô é Vitor.
E também, logo você vai deixar de me chamar pelo nome, vou virar amor ou qualquer outro nome carinhoso que ache que combine comigo. — Ela ri e maneia a cabeça.
— Era sobre isso que queria falar antes de ser interrompida.
Podemos, por enquanto, manter em segredo o que está acontecendo entre nós?
Não só pela Helena, mas também pela Elisa. Consigo me por no lugar dela e não gostaria de saber que meu ex está com outra duas semanas após o termino. Dá a impressão que já estávamos juntos antes ou que você não gostava dela.
— Não tinha pensado nisso, mas você tem razão. Não quero magoar a Elisa mais do que já magoei terminando o nosso relacionamento. Vou tentar ser discreto.
Mas vem aqui que daqui a pouco o pessoal chega e não vou mais pode encostar em você. — Tiro o copo da sua mão e a puxo pela cintura, voltando a beijá-la. Até que ouvimos o barulho dos carros estacionando e nos separamos. Comecei a guardar tudo que usei para o nosso lanche e ele foi para a pia lavar a louça.
Claro que queria poder passar todo tempo perto dela sem precisar tomar nenhum cuidado, mas até que estou achando que esse “namoro escondido”, pode ser bem emocionante. E acho que era essa emoção que faltava na minha vida.
A parte mais difícil é ver o Miguel chegar abraçando ela e depois sentando ao seu lado para compartilhar o fone, não que eu tenha ciúme do meu primo, sei que são muito amigos desde pequenos, mas é que eu deveria estar fazendo essas coisas.
Antes de dormir, mandei uma mensagem para ela dizendo que a esperaria no mesmo horário e local que nos encontramos hoje cedo, quando vimos juntos o sol nascer.
Enquanto estivermos aqui, esse será o meu momento preferido.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Ana Lucia Leal Marques
A Malu é filha de quem
2024-03-10
1
Andreia Braga de Lima
lindos
2023-11-20
1
Conce Mota
Meu casal Luis e Manu 🥰🥰🥰🥰
2023-11-15
2