Luís Davi
Mandei inúmeras mensagens para a Malu na noite anterior, que nem chegaram a ser recebidas. Passei a noite angustiado sem notícias dela, cheguei a pegar o carro e parar em frente a sua casa tarde da noite, mas vi que todas as luzes estavam apagadas e voltei para casa.
Me sinto totalmente culpado por essa situação entre ela e a Helena, mas não quero abrir mão dela, ainda mais agora que sei que os meus sentimentos são recíprocos.
Após uma noite mal dormida, levantei cedo, fui até a janela do meu quarto e vi um amanhecer totalmente diferente dos que presenciei nos últimos dias, o céu estava cinza e sem nenhum sinal do sol. Foi inevitável não pensar que, talvez se estivéssemos juntos, ele apareceria como fez todos os dias para apreciarmos a sua beleza e ter o nosso momento mágico.
Tomei um café com a minha família e ouvi várias perguntas sobre a nossa viagem, mas a minha irmã respondeu à maioria, pois os meus pensamentos estavam distantes daquela mesa.
Em um determinado momento, me peguei observando o jeito como meus pais se olham, parecem dois adolescentes apaixonados, mesmo com mais de vinte anos de casados. Eu quero ter isso com alguém também, e eu tenho quase certeza de que já encontrei esse" alguém".
Após o café, olhei o celular e ainda não tinha nenhuma mensagem dela, apenas uma da Elisa que deixei para ler depois. Me despedi da minha família dizendo que precisava resolver um assunto e entrei no carro rumo a casa da Malu, mas chegando lá, não tinha ninguém. Ia voltar para casa quando veio em meus pensamentos que ela poderia estar na casa do Thiago, fiquei com receio de aparecer e atrapalhar alguma coisa entre ela e a Helena, mas não me contive e dirigi até lá.
Encontrei a Malu abraçada ao Thiago e quando nossos olhares se encontraram, vi uma tristeza que me apertou o peito. E agora fazem uns cinco minutos que estamos em silêncio no meu carro enquanto dirijo e nem sei para onde estou indo. Por isso, resolvi parar o carro em uma rua tranquila para tentar, pelo menos, ouvir sua voz.
— Não faz nem vinte quatro horas que disse que não ia me ignorar, e ainda nem viu as minhas mensagens. — Brinco para quebrar o silêncio e ela me olha, esboçando um sorriso quase que forçado.
— Me desculpe, não foi a minha intenção. Nem estou com o meu telefone, esqueci em casa carregando.
— Não precisa se desculpar, está tudo bem, só fiquei preocupado com você.
Pelo que entendi, a Helena não quis te receber, não é? — Seus olhos ficaram marejados com a minha pergunta e ela apenas maneou a cabeça confirmando o meu pensamento. Tirei meu cinto de segurança, virei o meu corpo na direção dela e toquei seu rosto suavemente.
— Eu que preciso lhe pedir desculpas. Não deveria ter lhe beijado naquele momento, estraguei tudo com o meu impulso.
— Você não errou em nada, e eu gostei quando me beijou de surpresa e também gostei de todos os outros beijos que demos escondidos.
Em algum momento eu teria que encarar a realidade, só não foi do jeito que eu esperava.
Parece que essa é a minha sina, ficar sempre na posição de escolha entre você e ela. — Paralisei ao ouvir suas palavras, pois sei que se realmente tiver que escolher entre um e outro, novamente eu não serei o escolhido.
— Isso não me parece justo. Não é justo comigo, não é justo com a gente.
Não quero competir com a Helena, não quero que ninguém saia da sua vida para eu entrar, isso não faz sentido para mim, eu só quero acrescentar.
Mas mesmo sabendo que meu coração vai se partir novamente em mil pedaços, não tenho o direito de pedir que me escolha. Sei que seria como se você me pedisse para escolher entre você e a Anamel, porque você e a Helena são como irmãs, e isso também não é justo. — Viro novamente para frente, apoio meus braços sobre o volante e deito minha cabeça sobre eles, deixando o meu rosto, triste, escondido.
— Hoje mais cedo, antes de sair de casa, minha mãe me disse uma coisa que, na hora, eu não dei muita importância, mas agora, aqui com você, eu consigo refletir sobre a profundidade da sua frase.
Eu transformei o meu primeiro beijo, que foi um momento especial, em culpa. E escondi da Helena como se tivesse cometido um crime ao beijar o garoto que eu gostava, sacrifiquei todas as experiências que poderíamos ter tido juntos só para não vê-la sofrendo.
Minha mãe disse, com outras palavras, que está na hora da Helena fazer o mesmo por mim, e eu acho que ela está certa. Quero muito que fique tudo bem, mas não vou me sacrificar novamente.— Ouço tudo ainda de cabeça baixa e sinto sua mão acariciar a minha nuca.
— Eu até posso estar errada, mas eu prefiro arriscar e errar do que sufocar novamente os meus sentimentos. — Levantei minha cabeça e encarei seus olhos.
— Não vou partir seu coração novamente, eu quero viver isso.— Ao ouvir suas palavras, toda a tristeza que estava sentindo, desapareceu instantaneamente. Abri um sorriso e não me contive, me inclinei para o lado, segurei as laterais de seu rosto e a beijei intensamente, com todo o sentimento que mantive guardado para ela nesses três anos.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Juliete Figueiredo
na verdade não precisa ter sido assim se tivesse contado o que aconteceu na época tenho certeza que Helena teria superado e ficado feliz pela amiga, mas tudo acontece quando tem que acontecer
2024-12-10
0
Wilma Lima dos Santos
que lindos 😍😍😍😍😍😍😍
2024-07-24
1
Maria Rita Souza
isso garota não tem que abrir mão da sua felicidade por ninguém não
2024-05-05
2