Malu
Aproveitei que a Bella adormeceu para ficar em silêncio durante toda a viagem. Tentei pensar em uma forma de explicar tudo a Helena de um jeito que ficasse tudo bem novamente, mas nada me parecia bom o suficiente.
Eu achei que ela nem estivesse mais interessada nele, a única vez que tocou no nome do Luís durante as nossas férias, foi para perguntar se eu sabia o motivo do término dele com a Elisa.
Em nenhum momento ela tentou qualquer coisa para se aproximar mais intimamente dele e em alguns momentos, eu até achei que estivesse interessada no Samuel. Mas pelo jeito que me olhou, após ver o nosso beijo, eu estava enganada, ela ainda gosta dele e eu estraguei tudo, não consegui cumprir a nossa promessa de não deixar que nenhum garoto ficasse entre nós.
— Tenta ficar bem, mais tarde nos falamos. — Luís disse baixo ao abrir a porta do carro na frente da minha casa para que eu saísse. Eu não disse nada, apenas assenti e tentei sorrir acenando para as meninas.
Antes de passar pela porta de casa, não contive o choro que segurei por todo o tempo que estive no carro. Coloquei tudo para fora por alguns minutos e enxuguei meu rosto antes de entrar.
Eu deveria ter usado meus óculos escuros. Ao abrir a porta, encontrei minha mãe sentada no sofá lendo um livro e meu pai com a cabeça apoiada em suas pernas assistindo TV, mas voltaram a atenção diretamente para meus olhos vermelhos.
Meu pai se levantou e chegou tão rápido na minha frente que nem tive tempo de pensar no que dizer.
— O que fizeram com você princesa? Por que chorou? — Meu pai, tirando a mala da minha mão e me puxando para um abraço.
— Não fizeram nada, pai, fui eu quem fiz. Mas não quero falar agora, eu preciso ir para o meu quarto e ficar sozinha.
— Não acredito que possa ter feito algo tão grave para estar desse jeito, vamos conversar, me conta o que aconteceu. — Ele insiste.
— Vicente, ela só precisa de um tempo. Ela sabe que estamos aqui para o que precisar.
Vai filha, depois eu levo um chá para você.— Minha mãe me entende, somos idênticas nesse sentido. Eu lhe dou um olhar agradecido, saio do abraço do meu pai e caminho até meu quarto.
— Às vezes eu esqueço o quanto ela é parecida com você. — Escuto meu pai resmungar antes de entrar no quarto.
Nem acendi a luz do quarto, apenas tranquei a porta e me joguei em minha cama. Tirei meu celular do bolso e vi que estava prestes a descarregar por completo, mas não estava com ânimo para levantar, abrir a mala e pegar o carregador.
Apenas mandei uma mensagem para a Helena pedindo desculpas e pedindo para conversarmos. Esperei vários minutos por uma resposta, mas ela nem visualizou. A Helena não solta o celular, é a pessoa que responde mais rápido uma mensagem que eu conheço, por isso, sei que só me ignorou.
Larguei o celular na cama e encarei o teto até pegar no sono.
Acordei com a cabeça pesada, antes do dia clarear, já tinha virado um costume acordar nesse horário após esses dias vendo o sol nascer com o Luís e acho que não vou conseguir acordar tarde por um bom tempo.
Abri a porta da varanda do meu quarto e me sentei para esperar pelo sol. Mas quando o dia clareou, a única coisa que vi foi um dia nublado e sem nenhum sinal do sol, assim como estava o meu coração.
Voltei para o quarto e tomei um banho, ainda estava do mesmo jeito que cheguei em casa no dia anterior. Terminando de me vestir, ouvi batidas na porta do quarto e quando abri, era a minha mãe.
— Bom dia, meu amor!
Trouxe seu chá ontem, mas você não abriu a porta.
— Acabei pegando no sono e só acordei agora pouco.— Digo enquanto procuro meu carregador na mala.
— Problemas com a Helena?— Ela pergunta e eu a olho surpresa.
— Como a senhora soube?
— Não se preocupe, não sei o que aconteceu entre vocês, mas a Tati me perguntou se eu sabia o que estava acontecendo, porque a Helena também se trancou no quarto quando chegou.
Quer falar sobre isso? — Sentando-se em minha cama para me ouvir. Sentei ao seu lado e deitei minha cabeça em suas pernas, deixando algumas lágrimas escorrerem enquanto recebia um cafuné.
— A Nena ontem me viu beijando o garoto por quem suspirou a adolescência inteira.
— E como chegaram a esse ponto? Ele está envolvido com as duas?
— Não, eles nunca tiveram nada e ele nem sabia dos sentimentos dela por ele. Mas disse que sempre gostou de mim e eu também sempre gostei dele, ele foi o primeiro garoto que beijei. Mas me afastei dele quando soube dos sentimentos dela por ele, não queria ver a minha amiga sofrendo.
Mas parece que não adiantou nada.
— Malu, não quero me meter, eu entendo que é uma situação complicada, mas se, mesmo gostando do rapaz, você abriu mão dele no passado para que ela não sofresse e agora você sabe que ele também gosta de você e não sente nada por ela...
Eu acho que chegou a vez dela pensar em você.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Wilma Lima dos Santos
também acho
2024-07-23
1
Júlia Caires
sábio conselho da Manu
2024-06-12
0
Dina Miranda
concordo com a mãe.
2023-12-17
6