Bella
— Bambina mia, tem algum compromisso hoje?— Meu pai pergunta ao entrar na minha sala.
— Não, só combinei com as meninas de passar lá na casa dos meus padrinhos. Por quê?
— É que o Gabriel ligou e convidou eu e a sua mãe para sairmos para jantar com ele e a Nina. Ia te pedir para fechar tudo hoje, mas pode ir encontrar com as meninas, eu fecho e combino outro dia.
— Nem pensar, eu só ia jogar conversa fora, posso ir mais tarde. Prefiro que vocês se divirtam, faz tempo que não saem os quatro.
— Tem certeza? — Me pergunta.
— Claro, pai. — Me levanto e o abraço.
— Seu irmão hoje vai dormir na casa do Guilherme, ele e a Helô vão a uma festa de um amigo da escola e na volta ele vai ficar por lá. E não devo voltar cedo para casa com a sua mãe, talvez eu a leve para dançar depois, acho que ela vai gostar.
— Vai tranquilo e aproveita a noite, vou dormir com a Anamel.— Ele assentiu e saiu da sala, após beijar a minha testa.
Mesmo que eu tivesse algum compromisso, eu desmarcaria, gosto quando os meus pais saem para se divertir. Quando eu e meu irmão éramos pequenos, eles revezavam com os meus padrinhos para não deixar de ter um momento só deles, uma semana meus padrinhos ficavam com a gente e na outra, eles ficavam com os gêmeos para que eles fizessem o mesmo. E acho que isso foi importante para a relação deles, porque às vezes são tantas coisas para se preocupar, como trabalho, filhos, casa, contas... Que o casal acaba esquecendo de cuidar da relação a dois.
Mandei uma mensagem para a Anamel, explicando que chegaria mais tarde e dormiria lá, que só passaria em casa antes para pegar as minhas coisas. Ela ficou toda animada e disse que veríamos um filme que estreou essa semana. Já posso até imaginar, deve ser daqueles bem clichês, do jeito que ela gosta.
Assim que anoiteceu, meus pais se despediram e eu deixei tudo organizado na minha sala, antes de ir correndo até a cantina pegar um suco antes que encerrassem o expediente, e quando estava voltando, distraída com meus fones de ouvido, tinha bebido apenas um gole do meu suco, quando um tal professor metido, me surpreendeu saindo da sala no exato momento em que eu estava passando, esbarrando e me fazendo derramar quase todo o suco na minha blusa branca novinha.
— Não acredito! — Digo, ao sentir o suco de laranja gelado escorrendo pelo meu corpo.
— Me desculpe, mas deveria andar mais atenta.— Pelo menos foi o que entendi que ele disse, antes de tirar meu fone. E eu semicerrei meu olhar para ele quando percebi que ao invés de olhar para o meu rosto, olhava a transparência da minha blusa molhada.
Sem dizer nada, cruzei os braços a frente do corpo e ele finalmente me encarou com seus olhos azuis que mais parecem um oceano de tão profundos.
— Eu estava andando normal, você quem saiu apressado e fez esse estrago.
— Aposto que estava ouvindo música no último volume e nem me ouviu abrindo a porta. Mas estou realmente com pressa, não posso discutir com você agora, mas posso te emprestar a minha jaqueta para você cobrir os seus... — Olhando novamente para a direção dos meus seios, que agora estão cobertos pelos meus braços.
— Obrigada, mas dispenso. — Digo, pego o copo do chão para jogar na lixeira e saio pisando firme até a minha sala, onde sempre deixo um casaco.
Já seca e usando um casaco em uma noite quente, verifiquei se todos já tinham ido, tranquei tudo e sai, louca para chegar em casa e tomar um banho e tirar todo o vestígio de suco que restou na minha calça.
O estacionamento já estava praticamente vazio, mas um carro me chamou a atenção, aliais, não o carro, mas quem estava debruçado sob o capô aberto. Pensei em passar direto, pegar o meu carro e sair logo dali, mas a minha consciência pesou.
— Precisa de ajuda? — Perguntei ao Igor, o professor que se acha. Tomando um susto ao me ouvir, bateu com a cabeça no capô e eu segurei o riso, me sentindo vingada pelo suco derramado.
— Não deveria ser só contrário?
Acho que eu deveria salvar uma mocinha indefesa no meio da escuridão.— Passando as mãos pelos cabelos de um jeito sexy para tirá-los da frente de seus olhos.
— Está vendo alguma mocinha indefesa por aqui?
Porque eu não estou. — Viro na direção contrária e dou alguns passos até o meu carro.
— Espera! — Paro e olho para trás.
— Pode me dar uma carona? Estou muito atrasado! — Claro que eu não ia negar ajuda, mas fiquei em silêncio por alguns segundos, fingindo que estava decidindo se daria ou não a carona.
— Vamos.— Respondo, continuo andando até o carro e ouço o barulho do capô se fechando e seus passos apressados para me alcançar.
Assim que entrou no carro, perguntei para onde estava indo, e por coincidência, era para um bar novo perto da minha casa. Fiquei curiosa pela pressa que ele estava de chegar a um bar, mas cheguei a conclusão que, provavelmente, deveria ser um encontro com alguma garota.
— Gosto desse seu perfume de laranja! — Zombando do cheiro do suco que ficou no meu corpo, puxando assunto após os cinco minutos que passamos em silêncio enquanto eu dirigia.
— Gostou?
Ganhei agora pouco de um palhaço! — Respondo e ele ri.
— Pelo menos, ele tem bom gosto. — Virando o rosto para a janela, e permaneceu na mesma posição até chegarmos a porta do bar.
— Muito obrigado pela carona, minha heroína! — Diz ao abrir a porta do carro.
— De nada, moço indefeso. — Respondo e antes de sair com o carro, ele me chama.
— Vai fazer alguma coisa amanhã a noite?— Pergunta e eu fico surpresa.
— Talvez. Por quê?— Respondo fingindo indiferença, mas meu coração acelera enquanto espero a resposta.
— Passa aqui nesse mesmo horário, não vai se arrepender.— Piscando para mim e caminhando na direção da porta do bar, sem esperar pela minha resposta. Saio com o carro, mas antes, olhei pelo retrovisor para ver se tinha alguma garota a sua espera, mas só vi rapazes, talvez ela estivesse em alguma mesa mais escondida.
Tomei um banho, peguei umas coisas que precisaria e fui para a casa dos meus primos. O Davizinho tinha ido levar a Malu em casa, então aproveitei para contar sobre os últimos acontecimentos para a Anamel, que por sua vez, romantizou tudo e já criou toda uma história de felizes para sempre.
Talvez eu vá até o bar amanhã, ou talvez não. Não sei se devo, mas acho que quero...
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Laura Maria Machado Carvalho
A Bella é doidinha e irônica, igual à mãe.
2024-12-29
0
Juliete Figueiredo
provavelmente ou se apresenta no bar ou é o dono
2024-12-10
0
Wilma Lima dos Santos
é verdade Bella
2024-07-27
1