Malu
— Nos vemos amanhã? — Luís me pergunta assim que para o carro na porta da minha casa, após um almoço divertidíssimo com a turma.
— Não vai dar, preciso visitar os meus avós, vou passar uns dias lá.— Respondo enquanto abro o cinto de segurança.
— E quantos dias eu vou ficar sem ver você?— Curvando os lábios para baixo, para eu saber que ficou triste com a notícia.
— Talvez uns três ou quatro, não sei ao certo. Faz tempo que não vejo os meus avós e prometi ir após à viagem da Helena, mas acho que vai ser bom ir logo.
Mas podemos nos falar por mensagens até eu voltar.
— Não é o mesmo.
Por mensagem eu não posso sentir o seu cheiro.— Se Inclinando e deslizando lentamente seu nariz pelo meu pescoço, me arrepiando por inteira.
— Não posso te tocar. — Deslizando o polegar delicadamente pelo meu lábio inferior, e eu fecho meus olhos para me concentrar e tentar controlar meus batimentos acelerados.
— E nem vou poder te beijar. — Seus lábios tocam os meus e dou passagem para que sua língua encontre a minha, enquanto sua mão desliza pela lateral do meu corpo, me puxando mais para perto quando alcança a minha cintura. Deslizo uma das minhas mãos pelas suas costas, e com a outra, acaricio sua nuca e sinto sua pele se arrepiar.
— É melhor eu ir. — Falo entre o nosso beijo, quando percebo que nem o ar gelado do carro, diminui o calor que estou sentindo. Mas só após alguns minutos, nosso beijo foi diminuindo a intensidade até pararmos totalmente.
— Vou sentir saudade! — Diz baixo, de olhos fechados e com a testa colada na minha.
— Promete que vai pensar em mim?
— Impossível não pensar!
Eu volto logo, prometo!— Lhe dou um beijo rápido e ele desce do carro, abrindo a porta para que eu saia e me puxando para um abraço demorado.
— Amigos? Eu sabia... já tinha reparado no jeito que ele olhava para você.
Foi por causa dele que você terminou comigo? — Diogo nos surpreende, com a voz alterada, ao descer da moto.
— Abaixa o tom para falar com ela. — Luís diz ao me soltar e passar a minha frente. Mas seguro o seu braço e me coloco entre ele e o Diogo.
— O que você está fazendo aqui, Diogo?— O encaro de braços cruzados.
— Eu só queria conversar, você nunca responde as minhas mensagens, por isso vim pessoalmente. Mas agora eu sei o motivo da sua falta de resposta.
— O motivo é você, somos nós, o Luís Davi não tem culpa de nada.
Mas se acha que ainda temos algo a conversar, tudo bem, vamos conversar.
Luís, pode ir, mais tarde nos falamos. — Peço, ficando de frente para ele.
— Não vou te deixar sozinha com esse cara. — Luís responde.
— Ela era minha namorada, lembra? Já ficamos sozinhos muitas vezes! — Diogo provoca.
— Está tudo bem, eu vou ouvir o que ele tem a dizer. Mais tarde nos falamos, eu prometo. — Digo com meu olhar fixo ao dele e ele não diz nada, apenas se afasta, entra no carro e da partida.
— Pronto Diogo, já pode dizer o quer.
— Não vai me convidar para entrar?
— Vamos ficar por aqui mesmo, não posso demorar, vou passar uns dias fora e ainda preciso arrumar as minhas coisas.
— Vai viajar com ele? Desde quando vocês estão juntos?
— Eu vou sozinha e faz pouco tempo. Mas não foi para falar dele que você veio.— Ele se encosta na moto e encara o chão e dá um longo suspiro.
— Achei que sentiria a minha falta nesse tempo que estamos separados, porque eu sinto falta da gente. Eu mandava mensagem para não deixar você me esquecer, mas você já está até com outro...— Me aproximo e toco seu queixo para que levante seu rosto e me olhe.
— Já tivemos a nossa chance, foi legal por um tempo, mas não dava para continuar. Eu não estava feliz, e você também não, eu não vou me transformar na garota dos seus sonhos. Eu sou assim, prefiro fazer uma trilha de bicicleta do que passar horas fazendo compras, prefiro acampar e ser picada por mosquitos do que frequentar uma festa onde ninguém se conhece direito e só se preocupa com os sobrenomes... Não estou te julgando, apenas estou te mostrando o quanto somos diferentes.
— Mas se o problema for esse, eu posso mudar. — Desencostando da moto e segurando a minha mão.
— O problema é que você não tem que mudar por mim ou eu por você, quando encontramos a pessoa certa, ela simplesmente se encaixa na sua vida e você gosta dela exatamente do jeito que ela é.
Nós não somos a pessoa certa um do outro. — Seus olhos ficam marejados e eu lhe dou um abraço, afinal, ele não é um desconhecido, passamos seis meses juntos e posso não amá-lo como ele gostaria, mas ainda tem o meu carinho.
— Desculpe se não consegui demonstrar o meu amor da maneira que você merece.
Eu amo você Maria Luísa, mas não vou ficar no seu caminho. — Saindo do meu abraço e subindo na moto, me deixando com o coração apertado.
— Nem um último beijo? Quem sabe me beijando você não descubra que me ama. — Fecho meus olhos sentindo o peso de suas palavras.
— Já demos o nosso último beijo a mais de um mês. Só quero que você seja feliz, com a pessoa certa ou sozinho.— Uma lágrima escorre pelo seu rosto, ele põe o capacete e segue pela rua com sua moto até desaparecer do meu campo de visão.
Sei que seria mais fácil se eu o amasse, ainda estaria bem com a Helena e não precisaria namorar escondido. Mas quem foi que disse que a vida é fácil?
Entrei em casa e fui direto para o quarto pegar o meu celular, encontrei várias mensagens, mas nenhuma da Helena.
Ela viaja em uma semana, e ainda não acredito que não vamos aproveitar esse tempo juntas, como tínhamos combinado. Chego a sentir uma dor física em pensar que a nossa despedida foi daquele jeito.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Luciane Silva Souza
é muito doído qd magoamos as pessoas que são queridas
2023-10-03
7
Mágda Virgínia Rocha
Que menino carente 😍😍😍
2023-07-22
2
Nadja Borges
amei amei amei ❤️
2023-05-29
2