Malu
Não desisti de me resolver com a Helena, ela é extremamente importante na minha vida para que eu desista assim tão fácil. Mas vou dar o tempo que ela precisa, e estarei pronta para conversarmos quando achar que merecemos isso.
Eu a conheço e acredito que, quando a mágoa passar, ela vai pensar melhor e perceber que a nossa amizade não pode terminar assim, não sem uma conversa esclarecedora.
Talvez tenha sido bom ela não ter me recebido hoje, porque dependendo do rumo da nossa conversa, eu não teria refletido sobre o que a minha mãe me disse e não encontraria a paz que eu precisava hoje, nos braços do Luís.
— Para onde quer que eu te leve?— Me pergunta ligando o carro, após o nosso beijo mais demorado de todos que já demos até hoje.
— Pode ser para casa. — Respondo e ele me olha como se tivesse acabado de ter uma ideia.
— Não vou deixar que fique sozinha em casa pensando em coisas que vão te deixar triste.
Preciso ir a uma das filiais da confeitaria fotografar uns doces novos para o site, e você vem comigo.— Disse sem me dar a chance de negar. Mas eu não negaria, porque ele estava certo, eu passaria o resto do dia na cama olhando para o teto.
Acho que demorou uns cinco minutos até chegarmos na confeitaria, e ele segurava a minha mão quando entramos e avistamos a Elisa sentada em uma das mesas com os pais e o irmão caçula.
Tentando evitar uma cena constrangedora, tirei rapidamente a minha mão da dele, segundos antes dela olhar para a entrada e acenar na nossa direção.
Acenei de volta e acompanhei o Luís até a mesa, onde cumprimentamos toda a família.
— Só vocês dois aqui? Cadê o restante da turma? — Elisa quis saber, parecendo não desconfiar de nada e me deixando aliviada.
— É porque não foi combinado, só... nos encontramos. — Respondi, já que o Luís parecia não saber o que dizer.
— Logo vi, para estarem sozinhos...
Davi, te mandei uma mensagem mais cedo avisando que estaria aqui, queria saber se passaria por aqui hoje, mas você nem visualizou.
— Desculpe, eu tive que fazer uma coisa antes e acabei esquecendo de ler. — Luís Davi respondeu e eu não via a hora de me livrar daquela situação constrangedora.
— Sentem conosco. — Disse o pai da Elisa, educadamente.
— Obrigado, mas eu preciso fotografar uns doces e a Malu vai ser a minha ajudante hoje. — Luís respondeu, e eu não sei se a Elisa percebeu algo, ou se tinha o costume de vir com ele, mas vi seus olhos se entristecerem e consegui me pôr em seu lugar. Tenho certeza que ela sente a falta dele, o término desse namoro não deve ter trago alívio para ela como o meu me trouxe.
Nos despedimos deles e o acompanhei até a cozinha, onde estava sua mãe, que nos olhou com alegria e nos abraçou.
— Oi, meu bem!
Que bom que está aqui! Como vão seus pais?
Eu os vejo pouco agora, fico mais aqui do que na confeitaria do centro— D. Nina me pergunta.
— Estão bem, obrigada!— Respondo e ela olha para o filho com um sorriso de canto.
— Precisamos marcar um jantar lá em casa, mas depois vejo isso com a sua mãe.
Filho, já deixei tudo separado para você ali, naquele balcão, fiquem a vontade.— Apontando para onde estavam alguns doces e tortas de se comer com os olhos, de tão apetitosa, e voltando a trabalhar.
O Luís Davi é bom em muitas coisas, mas tenho certeza que nasceu para fotografar. É satisfatório ver o quanto se dedica a isso, independente se está fotografando o sol, uma pessoa ou uma torta, dá para perceber que ama o que faz, e nessa parte, eu ainda preciso me descobrir.
— A senhora deveria contratar a Malu como garota propaganda da confeitaria. — Luís diz a mãe, após me fotografar sem que eu percebesse, quando já estava comendo o segundo sonho de doce de leite que a D. Nina me serviu.
— Deixa a moça comer em paz!
Eu sabia que ela gostava, os pais sempre encomendavam para levar para a casa depois do trabalho, diziam que ela era apaixonada por doce de leite.— D. Nina diz e um monte de boas recordações da minha infância se fizeram presentes.
— Muito bem lembrado!
Preciso reclamar com o meu pai, faz tempo que ele não leva nada da confeitaria para casa. — Falo fingindo indignação e eles riem.
Quando terminou e saímos da cozinha, a Elisa e sua família já não estavam mais presentes, o que me deixou aliviada, não gostaria de vê-la triste novamente.
Sei que não fiz nada para que se separassem, mas não é uma situação muito confortável, ainda é tudo muito recente.
— Quanto tempo acha que ainda vamos precisar esconder que estamos juntos?
Não gosto de esconder nada da minha família. — Luís, ao entrarmos no carro.
— Eu desconfio que a sua mãe já percebeu. — Digo ao encaixar o cinto e ele ri.
— Eu tenho certeza!
Minha mãe sempre percebe tudo.— Diz enquanto liga o carro.
— Não é mais por mim, a Helena já sabe e tenho certeza que meus pais vão ficar felizes quando souberem da gente, meu pai não gostava nada do Diogo, e sei que minha mãe também não, mas ela disfarça melhor. Mas de você, eles sempre gostaram.
— Nem preciso dizer que a minha família toda te adora, o problema agora é só a Elisa mesmo, mas talvez eu converse com ela logo, assim não precisaremos soltar nossas mãos em público como fizemos mais cedo.
Vamos para o Centro Cultural?
Minha irmã e meus primos estão lá, podemos aproveitar para almoçarmos todos juntos.— Concordei e fomos ao encontro da nossa turma, ou parte dela, pois não teremos o Thiago e a Helena como sempre tivemos.
Continua...
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Atualizado até capítulo 177
Comments
Maria Rita Souza
eu li as histórias da família do David mas ainda não li tds as suas histórias autora então estou meio perdida nos filhos sem saber de quem são
2024-05-05
0
Dina Miranda
estou gostando de ler, bonita história.
2023-12-17
1
Conce Mota
Já torcendo por esse casal lindo 😍😻❤️❤️
2023-11-15
3