18

Eu queria segurar a cintura da Bárbara, mas, ao mesmo tempo, algo me impedia.

Era incontrolável, eu mal podia esperar pra ver a reação da Elisa, enquanto, ao mesmo tempo, eu temia, de maneira alucinante que saísse do meu controle de uma vez por todas.

Assim que pisei para dentro do salão Bárbara me olhou por um instante e eu estava nervoso demais para olhar para os lados, então sorri sem humor pra ela e apontei com o queixo para a mesa que os meus amigos haviam escolhido, educadamente coloquei a minha mão nas suas costas e a conduzi até lá.

E só quando puxei a cadeira pra que ela se sentasse, pude ver aqueles olhos perdidos entre os muitos outros, e diferente de todos, estes tinham lágrimas acumuladas sob a pálpebra inferior, um soluço eclodiu na minha garganta, mas me controlei o máximo que pude, para não ir embora dali e mostrar a ela que não era nada do que ela poderia estar pensando, que eu ainda a amava mais do que qualquer coisa.

Eu não podia agir como um idiota, eu precisava mostrar a Elisa que apesar de tudo o que fiz, eu já havia pagado por isso ficando sem ela.

Sabe quando você está em um lugar e tem uma placa de "Proibido a entrada", então tudo o que você quer fazer é entrar? Eu me sentia assim, eu sabia que não podia olhar pra ela, mas eu simplesmente não conseguia prestar atenção na conversa, nem fazer outra coisa que não fosse me policiar para não me virar em sua direção, e ainda assim às vezes eu me pegava esticando o pescoço e buscando-a entre as cabeças à minha frente.

— Dani, está tudo bem?

Bárbara quis saber quando já tinhamos terminado de jantar.

— Sim, porquê?

Olhei com indiferença, eu não queria ser grosso, mas também não queria ter de explicar nada.

— Parece preocupado.

Murmurou com um sorriso cúmplice.

— Nada demais.

Dei de ombros e ela riu baixinho, encostando seu queixo em meu ombro.

— Quer dar uma volta? Esse lugar parece estar pesado pra você.

Contraí o cenho e ri, rolando os olhos.

— Ok, você venceu, vamos.

— Hey, eu e Dani vamos dar uma volta, até mais tarde.

Ela disse se levantando junto comigo.

— Hummm!

Eles fizeram e eu senti que novamente todo o mundo estava nos observando, soltei um suspiro alto e caminhei até o caixa.

Bárbara segurava o meu antebraço enquanto caminhávamos lentamente pelo resort, sem um lugar certo pra ir, mas acabamos chegando a uma das piscinas, apontei para uma espreguiçadeira pouco iluminada e nos sentamos lá, um ao lado do outro.

— Ela estava lá, não estava?

Bárbara questionou.

— A garota por quem você é apaixonado.

Umedeci os meus lábios e estralei os meus dedos, então sorri fraco e olhei pra ela.

— Pode falar Dani, não é como se fossemos namorados.

Ri sem graça e olhei pra frente.

— Estava.

Admiti e respirei fundo.

— E... Qual a história de vocês?

Ela quis saber, olhei pra Bárbara, eu iria contar mais uma vez tudo aquilo que eu tanto me arrependia.

— Havia essa garota, e eu a apostei...

Tornei a contar toda a história para Bárbara, que vez ou outra me interrompia para perguntar algumas coisas. Pacientemente eu respondia e tornava a relatar, às vezes eu até imitava o jeito como Elisa falava comigo.

Me fazia bem falar sobre as coisas boas que passamos juntos, era uma recordação boa, que me deixava mais aquecido e confiante.

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Comments

Sabrina Pinheiro

Sabrina Pinheiro

Legal... assim ela ajuda ao invés de atrapalhar os dois...

2023-05-30

6

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