14

— Melhor acordar ele.

Ouvi de maneira distante a voz de Carlos.

— Não sei, e se ele não conseguir dormir de novo?

Miguel parecia preocupado, abri meus olhos e vi a silhueta dos três quase sobre mim, como se eu tivesse bêbado.

— Hey, Dani, tudo bem?

Maurício quis saber, contraí o cenho.

— Tudo, porquê?

— Não sei, nós chegamos e você tava dormindo aqui, e escutando música.

Ele deu de ombros e eu comecei a rir, retirando os fones do meu ouvido.

— Tem uma função aleatória no celular, sabiam?

Sorri e cocei os meus olhos.

— Bom, já que Dani está bem, eu vou me deitar.

Maurício ignorou o que eu havia dito e saiu, Carlos fez o mesmo, então Miguel me olhou minuciosamente.

— Como foi lá?

Quis saber, indo para a cozinha, me sentei no sofá e deixei o telefone sobre o braço dele.

— Não sei.

Bocejei e vi Miguel me estender uma cerveja.

— Onde conseguiu isso?

— Antony, sabe-se lá como ele conseguiu isso.

Dei risada e abri a minha cerveja, vendo Miguel se sentar na cadeira de balanço, anteriormente ocupada por mim, e virá-la na minha direção.

— Vamos lá, Dani, como se sente sobre isso?

Fez a sua melhor expressão compreensiva, gargalhei.

— Ela não tá economizando na grosseria, mas eu não tiro a razão dela.

— E como você se sente sobre isso?

Tornou a perguntar, me arrancando uma gargalhada, isso o fez rir também.

— Eu me sinto um idiota, mas de alguma forma estranha, eu sei que vai passar se eu apenas não der o que ela quer.

Dei de ombros, convencendo-me do que eu mesmo havia dito.

— Ahn... E o que ela quer?

Arqueou as sobrancelhas.

— Um moleque que entre no jogo dela.

Apoiei o meu braço atrás da cabeça e tomei mais um gole da minha cerveja.

Eu estava decidido à não pirar e não sofrer, eu iria me preservar em uma linha entre o que eu deveria e o que eu queria fazer. E se não desse certo, eu estava pronto para as consequências.

Miguel e eu ficamos ali conversando sobre coisas aleatórias até bem tarde, e quando ele foi se deitar me peguei sem sono.

Subi e busquei pelo violão que Elisa me havia “dado”. Desci novamente e me acomodei na cadeira de balanço, encostei-me no sofá e continuei olhando ele no meu colo.

Passei as mãos pelo meu rosto e me rendi ao desespero de tocar as suas cordas e saber o som que elas produziam, eu não ia ficar com esse instrumento, mas talvez eu pudesse ao menos afiná-lo... Talvez tocar uma música.

— Que isso?!

Ouvi Maurício perguntar.

— Eu vou devolver.

Defendi-me subtamente.

— É o violão que a Elisa te deu?

Ele perguntou, sentando-se na mesinha à minha frente.

— É.

Concordei com a cabeça.

— Tens de ser um jovem de muita coragem para devolver esse violão.

Ri, concordando com a cabeça.

— E como ainda sou um jovem bem covarde, eu farei o sacrifício de ficar com ele um pouco mais...

— Alguém acorda o Carlos, eu desisto.

— Eu vou subir pra me trocar e aproveito pra acordá-lo.

Murmurei me levantando.

Entrei no quarto e vi Carlos esparramado de bruços sobre a cama, me inclinei pra perto dele e enchi o meu pulmão de ar antes de dar um grito no seu ouvido, ele pulou assustado para fora da cama e com os olhos assustados e o rosto mais pálido.

Sorri abertamente antes de começar a rir verdadeiramente, caminhando em direção ao banheiro.

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