Tornei a fechar os meus olhos, só queria acordar na minha cama e descobrir que perdi o ônibus.
— Para, James.
Ouvi a sua de Elisa voz murmurar, abri os meus olhos lentamente, encarando o banco à minha frente.
— Para, aqui não.
Trinquei os meus dentes e aos poucos fui cerrando os meus punhos.
— É sério, James.
Peguei o meu celular e coloquei os meus fones nos meus ouvidos, vasculhei um pouco as pastas e deixei à música tocar no máximo que os meus ouvidos aguentariam e voltei a fechar os meus olhos.
Não podia ser que Elisa estivesse realmente com ele, era inacreditável para mim, ela mesma me disse que não o suportava, então o que estava fazendo ao lado dele? Com aquelas roupas e aquela expressão arrogante?
Ela ainda seria a doce e ingênua Elisa se eu não tivesse me metido na sua vida e fodido com tudo, parabéns para mim, o Óscar de otário do ano vai para: Daniel Olivares.
— Dani...
Abri os olhos sem vontade, percebi que estive dormindo nas últimas horas.
— Vamos descer.
Carlos disse em pé no corredor, notei que o ônibus reduzindo a velocidade enquanto direcionava-se ao posto.
— Vamos aproveitar para ir ao banheiro!
Enquanto ríamos e nos levantávamos, olhei uma vez pra trás, Elisa desviou os seus olhos rapidamente e eu voltei a seguir os garotos para fora.
Entrei em uma das cabines do banheiro e por um momento cogitei a ideia de ficar lá, eu poderia deixar que eles me esquecessem, então eu ligaria pra a minha mãe, ocultaria a parte de que eu armei tudo e voltaria pra a minha casa sem me sentir tão culpado por não ter ido com os caras, mas Carlos tocou insistentemente até eu sair.
Elisa e James estavam sentados num banco do lado de fora enquanto ele falava sem parar, ela parecia nem mesmo escutá-lo, disperça a tudo, até mesmo à fumaça do cigarro dele, que fazia caminho direto ao rosto dela, respirei fundo controlando a minha raiva.
Elisa pareceu me reconhecer de alguma forma, então ergueu ligeiramente o seu rosto, os nossos olhares se cruzaram e o meu coração esteve novamente vivo, eu não o sentia daquela maneira há pelo menos três semanas.
Mas como se eu fosse algum tipo de conteúdo impróprio, ela virou-se rapidamente olhando para os próprios pés.
Mal entramos na lanchonete e Maurício nos avisou com todo o entusiasmo que havia conseguido "batizar" duas garrafas de refrigerante com vodka, e que estava voltando para o ônibus.
"Mais 2 horas de viagem, 2 horas pra ficar bêbado e nem ver o tempo passar", pensei quando entornei o meu primeiro copo, mas 7 copos depois e nada havia acontecido, nada além de um pouco de moleza nas pernas e dormência dos lábios.
Eu havia bebido muito mais que meus amigos, e eles estavam passeando pelo ônibus, contando piadas sem sentido e rindo histéricamente. Qual o meu problema afinal? Minha visão nem mesmo estava turva, até dei uma volta pelo ônibus pra quem sabe a porra do álcool se alastrar, mas certamente havia uma praga muito forte sobre mim.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Júlia Caires
eu acho que o maior erro dele foi não ter contado à verdade toda pra ela. Pq o sentimento dele é super verdadeiro
2024-05-05
2
Karhen
Não sei por que, mas estou sentindo muita dó dele!
2023-04-07
6