6

Maurício tinha razão, eu não estava cooperando com o meu bom humor, e de nada adiantaria me lamentar, isso iria me desgastar, me tornar um chato e ainda ficaria sem ela, mas ele errou num ponto.

Ela não viria, nem mesmo se sentisse que estava me perdendo, Elisa sabia que no fundo eu não desistiria dela por qualquer outra garota, ela não era mais minha e eu tinha de superar isto, apesar de toda a dor.

— Daniel Olivares.

Ergui a minha cabeça e eu suspirei alto ao ver o professor se acercar.

— Oi, professor.

Respondi sem graça por ter sido pego em meu momento de tristeza.

— Tudo bem?

Perguntou, sentando-se ao meu lado.

— Tudo certo.

Murmurei com desânimo, encostando-me ao tronco do coqueiro, o professor me olhava como se examinasse a minha expressão.

— Hum...

Assentiu devagar, ele não acreditou em mim... Nem eu.

— Te vi brigando com o Maurício, algum problema?

— Ah, aquilo?

Sorri sem humor.

— E só o Maurício, nós brigamos às vezes.

Expliquei com falsa indiferença.

— Sabe Dani, eu estava no baile de primavera.

Traguei o maxilar e continuei olhando para a barra da minha camiseta, que eu enrolava no dedo.

— É por isso que está assim?

— Assim como?

— Com cara de quem arrependido, e não sabe não pedir perdão.

Assentiu lentamente como se procurasse o que dizer, ou como se ponderasse se devia dizer algo ou não.

— Bem, pensei que fosse mesmo só uma aposta entre amigos.

Traguei em seco e abracei os meus joelhos, olhando pra frente e me perguntando se eu deveria responder.

— Era pra ser professor.

Murmurei sem vontade.

— Eu deveria conquistá-la, e de repente eu vi que quem tinha conquistado ali era ela... Eu não esperava me apaixonar... Era pra Elisa ser só mais uma, igual todas as outras.

— Elisa nunca foi só mais uma, Dani, ela não tem o perfil de "mais uma".

Fechei os olhos e assenti devagar.

— Sei disso, eu sempre soube, mas eu não pude evitar... eu a quis mais do que qualquer coisa, ainda a quero, mas eu fiz tudo errado, eu podia ter evitado todo aquele constrangimento no baile, mas eu deixei acontecer.

— Não pense assim, rapaz!

Ele exclamou com a mão em meu ombro.

— A culpa não é só sua, é certo que quando percebeu que estava apaixonado você poderia ter rompido a aposta e dito tudo a ela...

— Eu rompi a aposta, eu disse aos garotos que não queria mais, e então não havia mais aposta, eu tentei dizer à Paloma, mas ela não se importou com isso.

— Você disse isso à Elisa?

— Ela não me deixou explicar, ela não quer me ouvir.

Mordi o meu lábio e respirei fundo.

— Você insistiu?

Meu professor quis saber.

— Claro que insisti professor, eu tenho ido atrás dela desde aquele dia, mas ela me pediu por favor, pra que eu não procurasse mais, não dissesse mais nada... Eu acredito que eu estava fazendo mal a ela enquanto ficava ligando, e eu não quero fazer mais mal a ela, mais do que eu já fiz, o senhor me entende?

— Entendo...

Disse com um sorriso gentil.

— Entendo que você ama essa garota e que se ficar respeitando esse pedido vocês vão sofrer em dobro.

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Comments

Júlia Caires

Júlia Caires

sábias palavras professor

2024-05-05

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