7

— Eu quero, mas não sei o que fazer...

Neguei com a cabeça e umedeci os meus lábios secos pelo calor.

— Paloma fica encima dela o tempo todo, não vou conseguir me aproximar com aquela por perto.

— Paloma é ótima em persuasão.

Concordei com a cabeça e ri.

— Apenas pense no que falar, e eu vou dar um jeito pra que conversem, ok?

— O senhor... Faria isso por mim?

Olhei com um sorriso sincero e entusiasmado.

— Vou pensar num jeito, mas você tem que me prometer que vai aproveitar a oportunidade!

— Eu vou sim!

— Ok, qualquer novidade e eu te procuro.

— Valeu, professor.

Eu disse estendendo a minha mão.

— Torço por vocês.

Disse ele me cumprimentando e se levantando.

— Eu também.

Entrei no apartamento e pude ver Carlos sentado no sofá olhando para o horizonte.

Me aproximei e me joguei ao seu lado que me encarou soltando um suspiro alto.

— Maurício está chateado.

Disse Carlos, virando o seu rosto na minha direção, continuei olhando a paisagem do lado de fora.

— Eu sei.

— Deveria falar com ele.

Disse ele em meio a um suspiro.

— Eu vou conversar com ele.

Olhei pra Carlos e respirei fundo.

— Eu vou tomar um banho, daqui a pouco temos que ir lá no quiosque, o professor disse 6 horas.

— É verdade.

— Hey, Carlos, vamos indo? O Miguel vai demorar no banho.

Ouvi Maurício dizer e virei o meu rosto pra trás, ele continuava olhando pra Carlos que se levantava preguiçosamente, entendi que ele não queria falar comigo, mas eu não podia esperar.

— Posso falar com você?

Perguntei.

— Pode.

Respondeu Maurício, com uma sobrancelha arqueada.

— Eu espero vocês ali fora, tá calor demais aqui.

Carlos disfarçou e saiu sorrateiramente.

— Maurício, me desculpa ter falado daquele jeito com você.

Comecei e me levantei, Maurício continuou parado, como se esperasse mais de mim.

— Eu sei que está difícil me aguentar, mas também tá difícil pra mim, tudo isso, eu nunca tive que passar por isso antes, você sabe.

Maurício olhou pra baixo e respirou fundo.

— Mas você tem direito de ficar bravo porque o problema é meu, eu não tenho que sair descontando em ninguém, então me desculpa.

— Tudo bem.

Maurício soltou um suspiro e se aproximou, apoiando a sua mão em meu ombro, apertou sem força, em sinal de apoio.

— Eu sei que você tá passando por uma fase difícil, mas é complicado pra nós ver você assim. Lembra de todas as vezes que nós conquistávamos um grupo de garotas, saíamos com elas numa semana e na outra nem nos lembrávamos mais o nome delas.

Sorri, concordando com a cabeça.

— Nós saíamos todo o fim de semana e acordávamos sem saber nem onde estávamos, você estava sempre cantando alguém, fazendo piada sobre o corpo das garotas... Nós sentimos falta disso, sabe? Nós sente falta de sair com você e é difícil perceber que você tá sofrendo pela Elisa.

Continuei apenas ouvindo.

— Eu sei que ela vale a pena, e eu sei que você merece passar por isso, por tudo o que aconteceu, mas se você quer esperar por ela, espera vivendo. Não para tudo por causa dela, porque se você não percebeu, é o que todos eles querem, te afundar, você vai deixar?

Maurício apertou o meu ombro e me deu um chacoalhão, ergui os meus olhos na sua direção

— Vai deixar?

— Não.

— Não?

Ele exclamou e eu ri.

— Não vou deixar.

— Então, ok.

Deu um tapa na minha cabeça.

— Eu e o Carlos estamos indo pra lá, nós se encontra no quiosque.

— Fechado.

Sorri e Maurício foi saindo.

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Comments

Sabrina Pinheiro

Sabrina Pinheiro

Puxa!!!! Esperei um tempão por essa continuação... estou amando! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

2023-05-30

3

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