12

Depois do jantar, compramos um sorvete e fomos para a beirada da piscina, onde algumas pessoas estavam aproveitando para se refrescar.

O tempo parecia não passar, exatamente quando Elisa e eu namorávamos e faltava apenas uma hora para nos encontrarmos, era sempre a hora mais longa do dia.

— Hey, eu vou indo.

Saltei da cadeira assim que o meu relógio de pulso marcou 20:52.

— Vai, antes que você desenvolva um tipo de TOC de tanto chacoalhar a perna.

— É claro que Maurício não podia perder a oportunidade, ri forçado e fechei a cara antes de me afastar.

Enquanto eu caminhava até lá com minhas mãos escondidas no bolso da bermuda, eu sentia o meu estômago revirar, como se protestasse a quantidade de comida ingerida, mas, na verdade eu sabia que não passava de ansiedade.

Eu sabia que eu podia colocar tudo a perder naquele primeiro encontro, bem como eu poderia consertar muita coisa, mas as porcentagens eram exatamente iguais, e qualquer deslize ou palavra errada, poderia desabar com a minha chance.

O restaurante estava fechado e as luzes haviam sido apagadas, então a escadaria estava iluminada apenas por alguns holofotes acesos no jardim, pude vê-la sentada em um dos degraus, com a cabeça encostada no corrimão e os olhos perdidos num ponto inexistente.

Me aproximei o suficiente pra que ela pudesse notar a minha presença, e então obtive a sua atenção.

— Oi.

— Oi.

Respondeu ela com indiferença.

— Quer ficar aqui? Ou podemos ir procurar um lugar mais claro.

Sugeri, sentindo as minhas bochechas arderem, como se eu estivesse envergonhado.

— Vamos procurar outro lugar.

Deu de ombros e se levantou, saindo à minha frente, mordi meu lábio e a segui.

— E então, o que achou das tarefas, digo... Desse negócio todo de líder.

— Legal.

Novamente indiferente, e minhas bochechas queimavam, como se estivessem em chamas.

— Também achei... Uma boa ideia.

Murmurei, mas, no fundo, eu sentia que ela não se importava com o que eu achava.

— Hum.

Suspirei e vi ela encaminhar para um banco de madeira que ficava logo em frente à cerca de madeira, do outro lado havia apenas barrancos de areia e então, o mar.

— O que vai ser? Poesia ou composição?

Perguntei ao me sentar ao seu lado, ela deixou os chinelos na grama e encolheu os pés sobre o banco.

— Composição. Não é o que você faz?

Perguntou áspera, fechei os meus olhos por um instante, apenas para controlar a vontade de deixá-la ali...

— É, eu gosto de compor.

Respondi com indiferença e relaxei contra o respaldar do banco.

— Imagino, tem alguma composição sobre apostas?

Seu rosto virou-se em minha direção e um sorriso sarcástico desenhou-se em seus lábios, umedeci os meus, procurando uma resposta boa o suficiente.

— Não.

Dei de ombros.

— Mas tenho algumas sobre arrependimento, se quiser ouvir.

— Se fossem ao menos sinceras.

Continuava a usar aquele tom que eu já detestava e não iria me acostumar nunca.

— Ok, podemos fazer isso do jeito fácil, ou do jeito difícil.

Eu disse e me ajeitei no banco, olhando-a nos olhos.

— Podemos deixar as nossas diferenças e mágoas de lado e ganhar os pontos, ou podemos ficar discutindo sobre algo que nenhum de nós quer lembrar e afetar o grupo todo por isto.

Falei sem gaguejar, Elisa pareceu surpresa com a minha atitude, mas logo se recompôS.

— Perfeito, vamos começar logo com isso.

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Comments

Sabrina Pinheiro

Sabrina Pinheiro

Gostei da atitude dele... acabou com ataques de forma rápida e prática... 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

2023-05-30

6

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