Depois do jantar, compramos um sorvete e fomos para a beirada da piscina, onde algumas pessoas estavam aproveitando para se refrescar.
O tempo parecia não passar, exatamente quando Elisa e eu namorávamos e faltava apenas uma hora para nos encontrarmos, era sempre a hora mais longa do dia.
— Hey, eu vou indo.
Saltei da cadeira assim que o meu relógio de pulso marcou 20:52.
— Vai, antes que você desenvolva um tipo de TOC de tanto chacoalhar a perna.
— É claro que Maurício não podia perder a oportunidade, ri forçado e fechei a cara antes de me afastar.
Enquanto eu caminhava até lá com minhas mãos escondidas no bolso da bermuda, eu sentia o meu estômago revirar, como se protestasse a quantidade de comida ingerida, mas, na verdade eu sabia que não passava de ansiedade.
Eu sabia que eu podia colocar tudo a perder naquele primeiro encontro, bem como eu poderia consertar muita coisa, mas as porcentagens eram exatamente iguais, e qualquer deslize ou palavra errada, poderia desabar com a minha chance.
O restaurante estava fechado e as luzes haviam sido apagadas, então a escadaria estava iluminada apenas por alguns holofotes acesos no jardim, pude vê-la sentada em um dos degraus, com a cabeça encostada no corrimão e os olhos perdidos num ponto inexistente.
Me aproximei o suficiente pra que ela pudesse notar a minha presença, e então obtive a sua atenção.
— Oi.
— Oi.
Respondeu ela com indiferença.
— Quer ficar aqui? Ou podemos ir procurar um lugar mais claro.
Sugeri, sentindo as minhas bochechas arderem, como se eu estivesse envergonhado.
— Vamos procurar outro lugar.
Deu de ombros e se levantou, saindo à minha frente, mordi meu lábio e a segui.
— E então, o que achou das tarefas, digo... Desse negócio todo de líder.
— Legal.
Novamente indiferente, e minhas bochechas queimavam, como se estivessem em chamas.
— Também achei... Uma boa ideia.
Murmurei, mas, no fundo, eu sentia que ela não se importava com o que eu achava.
— Hum.
Suspirei e vi ela encaminhar para um banco de madeira que ficava logo em frente à cerca de madeira, do outro lado havia apenas barrancos de areia e então, o mar.
— O que vai ser? Poesia ou composição?
Perguntei ao me sentar ao seu lado, ela deixou os chinelos na grama e encolheu os pés sobre o banco.
— Composição. Não é o que você faz?
Perguntou áspera, fechei os meus olhos por um instante, apenas para controlar a vontade de deixá-la ali...
— É, eu gosto de compor.
Respondi com indiferença e relaxei contra o respaldar do banco.
— Imagino, tem alguma composição sobre apostas?
Seu rosto virou-se em minha direção e um sorriso sarcástico desenhou-se em seus lábios, umedeci os meus, procurando uma resposta boa o suficiente.
— Não.
Dei de ombros.
— Mas tenho algumas sobre arrependimento, se quiser ouvir.
— Se fossem ao menos sinceras.
Continuava a usar aquele tom que eu já detestava e não iria me acostumar nunca.
— Ok, podemos fazer isso do jeito fácil, ou do jeito difícil.
Eu disse e me ajeitei no banco, olhando-a nos olhos.
— Podemos deixar as nossas diferenças e mágoas de lado e ganhar os pontos, ou podemos ficar discutindo sobre algo que nenhum de nós quer lembrar e afetar o grupo todo por isto.
Falei sem gaguejar, Elisa pareceu surpresa com a minha atitude, mas logo se recompôS.
— Perfeito, vamos começar logo com isso.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Sabrina Pinheiro
Gostei da atitude dele... acabou com ataques de forma rápida e prática... 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
2023-05-30
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