Sentindo o corpo doído, Ravi abre os seus olhos com dor pela claridade que há naquele lugar. Ele aperta-os algumas vezes para se acostumar até que, frente a ele sentado em uma cadeira com as pernas cruzadas em uma postura imponente num terno preto e fumando um charuto, o encara com um sorriso nos lábios que parecem ser de zombaria.
Ele, que estava deitado sob um colchão macio, agora se mantinha sentado com os seus ombros apoiados sobre o mesmo e o seu corpo escorado. O seu olhar complacente, na verdade emana uma fúria por estar em algum lugar que lhe é desconhecido.
- Quem é você? – A sua voz rouca e sombria emana sobre o cômodo que lhe é estranho.
Ao lado daquele homem, há uma pequena mesa de mogno com um cinzeiro de metal. Apagando o seu charuto, ele ajeita o seu terno fechando os botões do paletó se pondo de pé.
O seu andar em sua direção, lhe dá uma sensação de alerta para o que ele pretende lhe fazer, com as mãos no bolso e o sorriso que em nenhum momento fora desfeito, ele para inclinando o seu corpo para o encarar de igual.
- Me chamo Marco Ligari. E preciso que me ajude em um pequeno serviço.
Franzido o cenho, ele sente que não é boa coisa, mas, resolve arriscar para saber do que se trata pois, aquele homem não lhe inspira confiança.
- E que serviço seria esse?
Rindo, ele meneia a cabeça como se ouvisse uma piada. Na verdade, Marco sempre foi um tanto peculiar. Um misto de sadismo, psicopatia e uma pitada de amorosidade. Ele sabia que Ravi estava desconfiado e que também não seria tão fácil quanto ele pensava.
Mas por enquanto, ele precisa dele. Não pode ao menos deixar que haja desconfiança para as suas reais e verdadeiras intenções. Por ele, o mataria sem pestanejar, mas precisa da sua ajuda para que Helena esteja com ele o ajudando com a pessoa mais importante da sua vida que está naquela cama.
- Eu preciso que me ajude a trazer Helena até mim.
Sua pose altiva, seu olhar presunçoso chega a irritar o seu convidado, mas o que ele pode fazer se não atender ao seu pedido. Desconfiado, ele o indaga.
- Mas o que pretende com a minha esposa?
Uma gargalhada macabra ecoa naquele quarto. Ravi engole em seco por perceber que pode ter desencadeado algo muito negativo. Mas, ele não se daria por satisfeito e se preciso fosse, o enfrentaria pela mulher amada. Não deixaria aquele homem sombrio ficar com a sua esposa, mesmo que não esteja em condições de deixa-la ao seu lado, já que a magoou profundamente.
- Não se preocupe que não quero nada do que está pensando, mas quero apenas que me acompanhe para entender o que quero da sua mulher.
Virando-se e seguindo para fora daquele quarto, os olhos que o acompanhava, agora o seguia com o seu corpo que se mantinha em alerta para qualquer pisada em falso que resulte em uma boa briga.
Olhando ao redor enquanto o segue, ele percebe que estão em uma espécie de clinica. Mas o que mais o intriga, porque há tantos seguranças ao redor tanto dentro quanto fora daquele lugar.
Ravi sabia que ali era mais um mafioso assim como ele. Ao chegarem a uma porta branca com um vidro na mesma, Marco abre espaço para que possa verificar o que está acontecendo. Seguindo até a porta, ele arregala os olhos ao se deparar com tal cena.
- E-ela... não é possível! – Essas foram as palavras que foram balbuciadas pela tamanha incredulidade do que ele via na sua frente.
Olhando para aquele homem ao seu lado, vê-se os olhos marejados vendo a mulher inerte nas suas emoções e pensamentos acompanhada por um cuidador. Apenas o balançar de cabeça, é o que consente ao que realmente se trata aquela mulher.
...~~~~~~~
...
Perplexa pelas revelações tanto do seu pai, quanto do seu tio a respeito de tudo o que envolve a sua família, Helena ao se por de pé, caminha até a grande janela com os vidros do teto ao chão, se prende a uma imagem do lado de fora que a deixa imersa nos seus pensamentos.
Ela não quer mais problemas, mas mal ela sabe quem é o seu marido. Mal ela imagina tudo e quem são os seus pais adotivos.
Após um suspiro pesado, ela vira-se para aqueles que a observam esperançosos para que a mesma concorde com o seu destino e isso que ela ainda nem imagina ser a prometida de Danilo Ritchele.
Encarando-os de forma fria, ela dispara.
- Mas eu não quero me envolver com a máfia. Sei que por ter sido presa injustamente, a minha carreira pode ter ficado com uma mancha, mas quero retomar de onde parei. Eu quero salvar vidas e não tirá-las. E além do mais, eu quero ter a minha filha comigo e isso pode me prejudicar.
O medo de não ficar com a sua filha é grande, mas há algo que precisa ser revelado e Danilo não irá se calar.
- Está na hora de você saber mais do que te falamos Lena.
- Ah é, e o que seria? – Com os braços cruzados na altura dos seios fartos, ela arqueia a sobrancelha com cara de poucos amigos.
Os seus pensamentos eram torturantes, pois, se perguntava em o que seria mais sério do que se envolver com a máfia e assumir um legado que ela mesmo nunca pediu para fazer parte.
A voz rouca e baixa daquele homem que tem lhe arrancado suspiros e arrepios de desejo, lhe tira da inércia que se encontra.
- O seu marido também faz parte da máfia Lena. Você nunca soube ou não desconfiou de nada relacionado a ele sobre isso?
Boquiaberta, ela sente o seu mundo ruir mais um pouco. Andando até a cadeira em que ela estava, o seu corpo cai sobre a mesma de forma violenta.
Finalmente a ficha de toda a desconfiança que ela sempre teve do seu marido com relação a esconder algo dela, as pessoas que em alguns momentos frequentavam a sua casa e que não pareciam pessoas boas. Agora tudo lhe fazia sentido.
- Lena, achamos que ele está envolvido na sua prisão. Mas, ele faz parte de uma máfia que por causa dos que você pensava serem os seus pais, são responsáveis pela morte da família dele. Ele jurou vingança e você sabe bem que ele só casou com você pensando que era filha biológica deles.
Olhando fixamente para Danilo, parecia que ela estava em transe. Todo o sofrimento no inicio do casamento, era por isso. Agora, ela tinha a certeza de que ele nunca a amou e faria de tudo para se vingar dele e não deixar a sua filha se aproximar daquele canalha.
Um olhar sombrio, uma aura fria e determinava, pairava sobre ela. Todos inclusive Danilo, se espantaram com a sua mudança repentina.
- Tudo bem, vamos primeiro tirar a minha irmã da prisão. Eu irei assumir a máfia e com isso me vingarei de todos aqueles que resolveram cruzar o meu caminho e daqueles que amo.
Após dizer isso em que os deixou de boca aberta, Helena sai do escritório os deixando ali admirados por sua decisão, mas algo em Danilo o incomodava. Ele não queria que a sua amada perdesse a sua doçura e sabia que isso poderia acontecer.
Dando um longo suspiro, ele olha para o seu pai e sogro que assentem para que o mesmo vá atrás da sua amada para saber o que ela pretende de inicio.
- Pelo visto, a nossa Helena tem a mesma determinação que a minha cunhada. – Acendendo o seu charuto cubano e dando uma tragada, Lion murmura extasiado.
O brilho de saudade misturado a orgulho por sua filha ser igual a sua esposa não só na aparência, faz com que Leonardo concorde.
Os três, ficam por um bom tempo naquele escritório preparando os próximos passos para a doce Helena na máfia e a sua cúpula em que será uma excelente rainha.
^^^Continua...^^^
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Atualizado até capítulo 97
Comments
Anonymous
Pensando aqui. Esse tal Marcos deve ser apaixonado pela mãe adotiva da Helena ou é irmão dela.
2024-09-25
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Amanda Silva
eu achei o tio dela muito suspeito
2024-08-25
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Rosangela Barbosa Cunha
eu acho que o tio vendeu ela
2024-08-22
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