Massageando a testa, ela direciona o seu olhar a todos ao redor e de repente, Júlia se solta de Josefa correndo até a sua mãe com os olhinhos úmidos e com a sua voz choros, deixando Helena com o seu coração apertado.
- Mamãe!
Ela enterra o seu rostinho no seu pescoço abraçada a sua mãe. Olhando para eles, Leonardo senta-se ao seu lado e com um sorriso fraco olha para as duas pessoas importantes na sua vida além da sua enteada a quem tem como filha que ainda está presa.
- Você desmaiou minha filha, trouxemos você para cá e essa mocinha, estava muito preocupada além de todos nós.
Ela sente um misto de sentimentos ao ouvir a voz suave daquele senhor ao seu lado e o toque da sua mão sobre os seus cabelos. Ficando envergonhada, ela sorri e desvia o olhar ficando cabisbaixa.
- Senhora...
Josefa chama a sua atenção. Ela ainda está assustada não tanto com a perseguição, até porque nos últimos meses, ela presenciou algumas pessoas estranhas na mansão visitando o marido da sua patroa. O que mais a deixou intrigada, fora a imagem da sua senhora naquela parede que a mesma nem havia ainda se dado conta do que tinha naquela parede.
Ao erguer o seu olhar em direção a Josefa, a mesma lhe acena de cabeça mostrando com o seu olhar para que ela veja o que há em cima da lareia.
Entendendo o que ela dizia através dos olhos, ela vira-se para ver o que tanto ela quer mostrar. Os seus olhos se arregalam ao se deparar com uma pintura dela na mesma idade, com um sorriso enorme e as mãos no seu ventre embaixo de amoreira num campo cheio de flores ao longe da altura do morro onde ela está.
- Virgem Santíssima. – Foram as únicas palavras que ela conseguiu proferir tamanho o choque.
Percebendo através do seu olhar confuso, Leonardo olha em direção ao quadro em que Helena olha fixamente, os seus olhos se iluminam e marejam com a emoção de ver a sua filha olhando atentamente para a sua mãe.
- Essa é Heloísa Schelperd, minha esposa.
Ela tentava assimilar como aquilo era possível, mas devido a revelação tempos atrás daquela que pensava ser a sua irmã, ela custou a acreditar no que ela disse, mas agora vendo aquela imagem na sua frente e aquele senhor falando com tanto amor sobre aquela mulher, ela sabia que tinham alguma ligação, mas qual?!
Afastando a sua filha um pouco do seu corpo, ela a olha com um sorriso e em seguida, olha para Josefa.
- Meu amor, eu preciso falar com esses senhores. Você poderia ir lá fora no jardim ficar com a Josefa um pouquinho?
Por mais que a sua filha não quisesse ir, ela assentiu. Josefa, entendendo o recado se aproxima da menina estendendo-lhe a mão.
Sua pequena mão que estava fria, enlaça na mão de Josefa seguindo pela lateral da sala onde uma porta estava entreaberta. Que dá até uma piscina e um pequeno jardim.
Vendo que a sua filha não estava sob o seu campo de visão, ela caminha até a lareira. Passa a mão por seus cabelos pensando nos últimos acontecimentos, ao virar-se com os olhos vermelhos e marejados, ela indaga com uma voz embargada.
- O que ela era minha?
Leonardo, por mais que estivesse preparado para aquele momento, ele estava sentindo o seu coração se apertar, a felicidade transbordar e um nervoso misturado ao medo de ser rejeitado pela própria filha.
- Ela era a sua mãe biológica. E eu, sou o seu pai meu amor.
- Co-como assim meu pai? Até aonde eu sei, os meus pais sempre foram Mateus e Pérola Hernandes. Me explica como isso é possível?!
Havia dor na sua voz. Como esses anos todos da sua vida, ela viveu em uma mentira. Como que ela pôde ser enganada dessa forma pelas pessoas que ela confiou e amou esses anos todos.
Por outro lado, Leonardo estava atordoado e com raiva. A raiva por tudo o que ele perdeu da sua filha, por tudo o que aconteceu chegando ao ponto de ser cuidada por pessoas que faziam parte de uma organização que é a sua rival.
Ao lembrar de tudo o que houve, ele cerra os punhos estreitando os olhos para conter esse sentimento que destróis a todos, o ódio.
Encorajando-o, Danilo toca o seu ombro lhe passando força e ao se olharem, eles dão um sorriso fraco.
- Vou deixa-los a sós.
A sua voz rouca que a deixa arrepiada, suspira e assente.
- Tudo bem Danilo, obrigada.
Ele apenas acena e ao olhar para o seu padrinho, o mesmo lhe confirma que está tudo bem. Passando pelas portas, ele as fecha deixando-os sozinhos.
- Venha minha filha, sente-se. Vamos conversar.
Lhe indicando a poltrona na sua frente, ela se aproxima sentando-se e o encarando tentando entender o que ele iria lhe falar. Aquilo tudo parecia um sonho e se fosse, ela queria acordar o mais rápido possível.
Para ele, não era fácil relembrar o passado. As feridas não foram cicatrizadas e estavam como se fossem o primeiro romper da carne que ainda sangrava por tanta dor que ele carrega esses anos.
Já Helena, se mantém curiosa para saber sobre a sua vida, mas também apreensiva pelo que viria dessa conversa. Ela segura na mão do seu pai para lhe passar tranquilidade que para ele, era o melhor dos momentos da sua vida. Ela o tocou pela primeira vez depois de muito tempo. O seu coração transbordava de felicidade.
Com a força que precisava, ele começa a contar tudo desde o início. Desde o primeiro olhar até o dia em que a vida lhe fora cruel levando a sua doce esposa e em seguida o golpe pior de ter a sua filha vendida para aqueles que a mesma acreditava serem os seus pais biológicos e o que vinha a seguir, foi o que a deixou consternada.
Ela mal acreditava que a sua irmã seria aquela que durante alguns meses, foi a que mais implicou e fora responsável por ela parar algumas vezes na solitária mas, que agora entendia que ela estava diferente. Com certeza foi a transfusão que ela precisou na sua cirurgia de apêndice e que o sangue de ambas eram compatíveis, pela raridade dos mesmos.
Após ouvir tudo, ela levantou-se e caminhou até a grande janela do teto ao chão. Ela olha para aquele gramado com um pequeno jardim. Era muita coisa para assimilar, mas algo a tocou profundamente, ela precisava abraçar o seu pai. Finalmente a sua história estava mais clara na sua mente e o vazio que sentia algumas vezes sem explicação, era por faltar algo na sua vida. Na verdade, não era algo e sim alguém, a sua verdadeira família.
Ele a observa em silêncio. Virando-se lentamente, ele suspira esperando por algo que almejo por muito tempo, até que a sua filha caminha em passos rápidos envolvendo-o naquele abraço tão aguardado e o choro copioso preso por tanto tempo era o único alento para eles. Enfim, ele tinha a sua amada filha de volta e ela tinha encontrado o vazio que faltava.
^^^Continua...^^^
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Atualizado até capítulo 97
Comments
Anamaria Dos Santos
eu aqui chorando horrores esse capítulo foi muito bom chega dá um arrepio 😭😭😭😭
2025-01-25
0
Rosane Monteiro
ainda bem que o pai achou elas.
2025-02-17
0
Cida Vasconcelos
Estou amando a história
2025-04-02
0