Abraçada ao meu pai, sim, é surreal, eu sei. Mas é o meu pai. Sinto nesse abraço, todo um amor que parecia que era algo que faltava a ser preenchido no meu coração. Me sinto protegida e acolhida nesse abraço.
Ficamos assim por alguns minutos que pareceram horas, até que a minha ficha cai. Sim, mesmo com tudo o que ele me disse, querendo ou não, eu sou filha de Mateus e Pérola, mesmo que de forma errada, mas foram eles quem me criaram.
Não posso apagar toda uma história, não posso simplesmente esquecer. Envolta no calor desse abraço, eu penso por alguns instantes em o quanto tudo isso é real.
Eu sempre notei algumas diferenças entre nós que chegam a ser um pouco gritantes, mas sempre relevei por não ter chegado ao resultado real de que era adotada e como o meu pai Leonardo diz, vendida e comprada pelos que foram os meus pais esses anos todos.
Quando estudei um mês de genética na faculdade, eu percebi que era diferente deles. Meu pai Mateus sempre foi ruivo, minha mãe Pérola loira, ambos de olhos azuis, até a minha irmã Rúbia, quer dizer, a filha deles, tem o cabelo puxados para a cor da mãe mas os olhos são iguais aos deles.
Eu, tenho os cabelos pretos, olhos amendoados e não tinha mesmo a menor possibilidade de ser filha de sangue deles. É claro que sempre acreditei no que me falavam, ainda mais porque aquela que me criou, me mostrou uma foto de uma senhora que ela dizia ser a sua avó e que tinha os traços parecidos com o meu.
Mas eu não posso ser simplesmente ingrata sem antes saber os reais motivos para o que eles fizeram. Segundo o meu pai, eles eram amigos e saber que eles me compraram e nunca falaram nada a ele sabendo que ele me procurou esses anos todos e só teve a certeza de que eu era a sua filha perdida, quando viu a minha foto estampada no jornal sobre a minha prisão.
Ali, ele viu a sua esposa, minha mãe refletida para ele. Quando leu quem eram os meus pais, ele se odiou arduamente por confiar cegamente nas pessoas que se diziam amigos.
Por isso, decidi que preciso saber da verdade. Preciso saber o que os motivaram a isso. Quem está por trás, apesar que sinto que o meu pai me esconde algo, mas sei que ainda teremos muito tempo para que eu descubra esses segredos.
Agora, eu quero curtir muito a minha filha e o meu pai. Desfazendo-me daquele abraço, olho fixamente para o meu pai e sorrio. De repente a porta em que estamos se abre e uma mini furacão adentra pulando e sorrindo.
- Filha!
Me agacho para ficar da sua altura e pegá-la nos meus braços. Ela se joga sem o menor medo como sempre fez. Nos abraçamos e vejo lágrimas se formando no rosto do meu pai. Resolvo apresenta-los formalmente, pois, sei que isso é importante para ele.
- Jú, preciso te contar algo.
Segurando no meu pescoço, ela afasta o seu rostinho do meu colo e me olha fixamente. Os seus olhinhos curiosos brilham para saber o que tenho a dizer.
- O que é mamãe?
- Está vendo esse senhor aqui... – Aponto na sua direção.
Ela o olha e depois volta o seu olhar atento a mim e balança a sua cabecinha.
- Pois, o que eu ou te contar é algo que você vai gostar muito. Ele é meu pai, seu avô.
Estou sorrindo mas por dentro morrendo de nervoso. Sei que para ela não será muito fácil, já que ela sempre teve o Mateus presente na sua vida e sendo um ótimo avô. Percebo a confusão nos seus olhinhos. Ela está quieta o encarando. Meu pai está com os olhos marejados e um sorriso, mas vejo que ele está assim como eu, receoso. Mas somos surpreendidos.
- Olá vovô. – Ela se joga nos seus braços.
Emocionado, ele a abraça não se contendo com as suas lágrimas que rolam por seu rosto. Até eu fico emocionada.
Seguro no seu braço para o ajudar a chegar ao sofá e sentar-se com a minha menina, já que devido ao acidente, ele ficou com um problema na perna.
Ao sentarmos, ela olha para o meu pai e indaga.
- Se ele é o seu pai e meu vovô, o vovô Mateus, não será mais avô?
Sinto o meu pai enrijecer. Sei que para ele não é fácil, mas ele precisa entender que a minha filha assim como eu nunca soube de nada. E por mais que me doa o que vou falar, mas ele é o meu pai, pois, ele quem me criou esses anos todos.
- Filha, ele não vai deixar de ser o seu avô, apenas você terá mais um avô na sua vida.
- Ahhhhh. – Ela sorri.
Vejo o meu pai me olhar de lado e com isso, no seu olhar vejo mágoa, tristeza. Mas não posso esquecer como eu falei depois de tudo o que me disse. Por mais que tudo seja um tanto confuso para mim, eu vi verdade no seu olhar e nas suas palavras e por inúmeras coisas, eu sei que ele perdeu muito da minha vida, mas agora, podemos escrever novas histórias mesmo que nos tenham usurpado o passado.
Antes que eu pudesse falar algo, Júlia salta do colo do meu pai e sai correndo em direção ao jardim, com certeza vai contar a novidade a Josefa que essa não deve estar entendendo nada, ainda mais depois da foto da minha mãe em cima da lareira.
- Senhor Leonardo...
Ele suspira. O seu suspiro é pesado e mostra um certo desagrado ao chama-lo assim. Sei que ele preferia que o chamasse de pai, mas ainda não consigo falar uma palavra tão simples mas que ele está ansioso esperando por esse momento. Eu continuo.
- Sei que o senhor espera que o chame de pai, mas ainda é tudo muito recente e novo para mim. Espero que entenda.
- Sim minha filha. sei que as coisas não estão sendo fáceis e espero também que não me rejeite e nem se afaste de mim.
- Jamais farei isso. Mas só peço um pouco de paciência, só isso.
Ele me dá um tapinha de leve na minha mão e sorri fraco. Ouço passos se aproximando e ao erguer os meus olhos, eu o vejo parado no batente da porta.
- Posso entrar padrinho?
O meu pai acena para que Danilo entre e o mesmo senta na poltrona na nossa frente. Não sei o que, mas eu sinto algo por esse homem que não sei explicar. Algo que nem nos meus melhores sonhos já senti antes pelo meu marido. Quer dizer, Ravi.
Sinto os seus olhos queimando a minha pele. É como se não só eu sentisse o mesmo por ele. Até que o nosso pai atrai a sua atenção.
- E então, novidades?
- Sim. Pegamos o cafetão. Vamos dar as boas-vindas a ele daqui a pouco.
O sorriso nos lábios deles é estranho. Vejo um misto de crueldade e raiva, mas prefiro não me intrometer nisso, afinal, ainda não sei em que terreno estou pisando.
Sou tirada dos meus pensamentos, com o meu pai me chamando.
- Filha?!
- Ah, sim. – Fico envergonhada.
- Fique a vontade na casa. Eu preciso resolver essa questão para logo a sua irmã estar conosco também.
Arregalo os meus olhos e só agora percebo que o cafetão, é o mesmo do que ele me contou que Nicole é a minha irmã.
- O cafetão, é o mesmo que prejudicou a Nicole?
Meu pai apenas balança a cabeça se preparando para sair. Estou chocada em como o mundo é pequeno. Meses atrás, ela era indiferente e até implicante comigo, meses antes de sair, ela mudou comigo.
Antes dele se retirar da sala, ele beija a minha testa. Quando Danilo se aproxima, a sua voz rouca e o seu hálito suave chocam ao meu ouvido me fazendo ter um arrepio por todo o meu corpo.
- Mais tarde, precisamos conversar Lena.
Afasto o meu rosto, o bastante para os nossos olhos se encontrarem e toda aquela tensão entre a gente se concentrassem naquele olhar preparando para explodir. Ele olha para os meus lábios, assim como desvio o meu olhar para os seus.
Com todo o seu controle, ele sorri e se afasta seguindo em direção aonde meu pai saiu. Sinto o meu corpo esquentar, um formigamento e um comichão acender o que eu pensei que estava apagado ou que só sentia pelo meu ex marido.
Mas se tem uma coisa depois do que eu vi hoje e senti por esse homem, é que como dizem, quem brinca com fogo...
...Mas eu quero mesmo me queimar!
^^^Continua...^^^
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 97
Comments
Amanda Silva
amando a leitura
2024-08-25
2
TRAIÇÃO NÃO TEM PERDÃO
kkkkkkkkkkkk Eita Lasqueira
2023-12-19
0
Marilena Yuriko Nishiyama
Helena Helena,vc vai mesmo se queimar,vai ter fogo no parquinho 🔥🔥🔥🔥🔥🔥😂😂basta aguardar 😂😂
2023-09-21
0