Escrevi a minha mãe , sobre os últimos acontecimentos e recebi com alegria mais uma correspondência dela também.
Sempre que isto acontece, sinto-me renovar as forças.
Dalí por diante dediquei-me a organizar a casa para a chegada do conde. Soube que ele é refinado, exigente , temperamental e que é difícil de se agradar.
Mais um desafio para mim.
Enquanto me desdobro em cuidados nos detalhes, senhor Otto começa uma seção estranha de reuniões com seus advogados e seu assistente. Senhor Victório. Um senhor de meia idade, amigo pessoal, conselheiro e a pessoa detentora de todos os segredos de senhor Otto. Confesso que me mordi de curiosidade com tantos encontros, mais o meu foco com a nova missão que me foi confiada, tirou o direito e o tempo necessários para especular e placar tal anseio.
Os dias seguintes que antecediam a sua vinda, passaram tão rápido, que quando dei por mim, já estava à sala, com senhor Otto, aguardando nosso nobre hóspede.
Providenciei um delicioso café a moda da fazenda Moinho Doce, e com algumas receitas de finas iguarias que aprendi com minha mãe e nossa dedicada cozinheira .
A mesa ficou perfeita. Agradei-me com minha própria capacidade.
Sebastian como sempre, sumiu. Dizem que saiu cedo a cavalo, levando o rifle. Provavelmente foi a cabana de caça. Só espero que não acerte o tal conde pelas estradas .Vindo dele, nada há do que duvidar.
Minha ansiedade me fez suar.Tanto que me abanar com o leque foi pouco naqueles momentos de extrema ansiedade.
Quando já perdíamos as esperanças que chegaria de manhã, eis que surge a comitiva do nobre.
Duas carruagens belíssimas e alguns soldados da guarda.
Senhor Otto sai para recebe-lo e me mantenho atrás dele, com minha dama.
O homem jovem demais para a responsabilidade, desce amparado por um servo e a baqueta que serve de degrau.
Nos curvamos em reverência.
- Vossa graça, é um prazer recebe-lo em minha casa.
Ele se apoia na bengala de madeira , que usa apenas como apoio e que o torna mais elegante ainda, este é um costume entre os homens de bem,e faz um gesto para que o olhemos em seguida.
- O prazer é meu senhor Montanese. Confesso que muito me agradou a estadia no campo, confesso que os ares da corte as vezes estão muito poluídos pela falsidade e arrogância de alguns. E por falar em arrogância... aonde está ... seu filho mais velho?
Senhor Otto pigarreia.
-Bem , vossa graça, ele não se encontra no momento, mais está ansioso por revê-lo.
Ele ri pelo nariz.
- Tenho que certeza que sim.
Fiquei sabendo por Beni, que eles serviram juntos no exercito e que tiveram algumas diferenças, tantas que a ordem de manter Sebastian afastado da corte, partiu dele. Por isso o descontentamento de ambos pelo reencontro.
Mantenho-me de cabeça baixa, pois ainda não fui chamada a conversa.
O homem elegante e de porte alto , com a capa negra que arrastava em suas costas , subiu as escadas e parou próximo a mim.
Senti um frio na espinha ao ouvir sua voz . Forte, firme .E de autoridade inegável.
-Esta deve ser sua adorável e jovem esposa , suponho...
-Sim, vossa graça. Esta é Adelaide, minha senhora.
-Olhe para mim, senhora Adelaide, deixe-me contemplar sua graça.
Levanto o olhar levemente permanecendo ainda curvada. Mulheres devem mesmo saber seu lugar diante de um nobre de tamanha importância.
E que veio nos avaliar de cima a baixo e de dentro para fora.
Ele toca meu rosto com a ponta de sua bengala e me obriga a olha-lo.
Vejo um leve sorriso aflorar dos lábios finos. Que homem bonito aquele. Imponente no sentido amplo da palavra.
Daqueles que preenche com competência, todos os espaços ao seu redor.
-Que bela visão celeste tenho a minha frente. Aonde encontrou tão rara doçura?
- É minha prima distante, Milorde.Do norte.
- Lei do parenteado?
- Sim senhor.
Ele ri mais alto e olha meu senhor mais uma vez.
- Soube bem como aproveitar seus direitos, senhor Otto.
Ele se curva novamente, em concordância com o comentário. Comentários extremamente machistas, mais que fazem parte do cotidiano dos homens de nosso tempo.
Senhor Otto conduz o homem para dentro da casa . Um criado traz agua para lavar as mãos do nobre e ele se senta a mesa para servir-se de nossa hospitalidade. Enquanto os outros ajudam a levar a bagagem até os aposentos preparados com tanto capricho para sua breve estadia, depois do que vi em seus olhos, um fogo estranho a se consumir por dentro, espero mesmo que seja breve.
Uma esposa bela e jovem, pode ser uma benção ou uma maldição para um homem nos dias de hoje.
Alguns nobres da coroa, vindos de países distantes ao nosso Brasil,mantem ainda os velhos costumes escandinavos de tomar as mulheres que lhe agradam para se, nem que para isto, matar os maridos seja apenas um mero detalhe.
O Império domina o povo. Totalmente.
Espero que este, de origem dinamarquesa , não cultive tal costume.
Durante o café, o nobre não tirava os olhos de mim, mesmo conversando com o anfitrião, seu pudor e encanto pareciam mais fortes do que a discrição da apreciação.
Pedi licença para ir verificar se tudo estava a gosto dos servos pessoais para o senhor exigente e só então respirei aliviada quando senhor Otto me livrou daquela angustia.
Para me deixar tranquila de fato, ví que estava tudo bem.
Quando voltava dos aposentosdele, deparei-me com Sebastian. Sujo e maltrapilho. Parece que havia lutado com uma fera.
Paramos um na frente do outro.
- Matei um Cervo com minhas mãos , antes que pergunte.
- E o senhor teve o atrevimento de passar pela sala assim? Com este desrespeito ao hóspede de seu pai?
- Se conhecesse Sinclair, como eu conheço, ia querer chuta-lo para fora , a senhora mesma. Aconselho que tranque bem as portas de seus aposentos a noite, ou terá uma bela surpresa em seu leito quando estiver dormindo.
- Obrigada por seus conselhos, mais sei me cuidar senhor.
- Sabe...- ele desdenha entrando em seus aposentos.
-Pretencioso!- Falo baixinho. Mais ele abre a porta e me lança aquele sorriso que tanto me dá raiva de ver.
- Eu ouvi, madrasta.
Ruhumm... resmungo alto.
-Por que não vai se lavar logo senhor e vá cumprimentar o conde, que será mais vantagem do que acusa-lo de liberdades que ele sequer pensou em tomar comigo.
- Quer vir ajudar-me , senhora?
- Deixe-me em paz.- Esbravejo, já me sentindo ruborizar.
- Impossível! Paz é a ultima coisa que tenho quando penso na senhora.
Seu olhar agora mudou e eu também me desarmo. Nossa atração é mesmo mutua. E vejo a análise detalhada da minha figura por parte dele.
Suplico com o olhar que pare de me analisar daquela forma e Sebastian me entende.
Entra para seus aposentos e eu sigo meu caminho, de volta a sala com o conde e sua comitiva. Pois trouxe alguns membros da corte consigo. Ainda bem que temos muitos aposentos na casa.
Os soldados ficariam na casa de apoio bem próximo da entrada da fazenda.
Voltar aquela sala, me trouxe mais apreensão. Primeiro pelo olhar atento do nobre, e depois , pelo desrespeito que Sebastian fez na sua presença.
Ele trouxe o cervo arrastado até a frente da casa e o jogou na frente dos soldados .
E quando passou pela sala cumprimentou o conde de costas enquanto atravessava a sala.
- Cacei um cervo para alimenta-lo enquanto estiver por aqui, Sinclair.Espero que seja suficiente para vossa fome nobre, vossa graça.
- Agradeço a gentileza, E bom dia para você também, Sebastian.
Sebastian se vira e curva-se em reverência de deboche, sem no entanto olha-lo.
Sr Otto quase some de vergonha pelo comportamento do filho.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Cintia Maria Lemos Tavares
Mulher amando
2023-07-17
1
sid
mas também...que conde hein!!!
2023-06-23
0
Joelma Alves de Souza
maravilhosa história
2023-05-22
0