Vou aos meus aposentos e agora sim, posso-me deitar mais tranquila, mas antes , um bom banho. Pois estou coberta de lama.
Sebastian dormiu até quase a noite, pois Beni lhe deu um chá analgésico ,que o ajudaria a recuperar as forças.
Sua vida estava salva.Mais o veneno ainda tinha resquícios correndo por suas veias.
Quando desci para o jantar aquela noite Beni e senhor Otto estavam conversando, como eu nunca tinha visto antes.
O pai agradecia ao filho por seus esforços e neste momento eu vi laços de sangue .
Fiquei de fato intimamente feliz.
Sentei-me um pouco mais distante e deixei os dois conversarem.
Era lindo ver pai e filho se entendendo. Quase chorei com aquela cena, Que pena que ali no lugar de Beni não era o irmão libertino e rebelde.
Me alegrarei muito mais quando este dia chegar.
O jantar foi servido. E ficamos nós três a conversar como uma verdadeira família.
Depois do jantar, aquela taça de vinho com a lareira acesa a aquecer e iluminar o ambiente.
Há paz e tranquilidade correndo aos quatro cantos da sala. Calmaria , e risos , não por causa da alegria que o vinho traz,mas por que as mágoas do passados então começando a ceder.
As muralhas que Sebastian incentivou o irmão a erguer contra seu pai, finalmente começam a ruir. Ou pelo menos rachar.
Sr Otto está claramente cansado. Tem apenas 55 anos, mais os afazeres do dia a dia, de propriedade em propriedade, sozinho a fiscalizar e tomar decisões importantes, sem a ajuda dos filhos , que a tempos não dão sequer uma opinião; E depois de hoje,do que quase aconteceu com Sebastian... ele está esgotado.
Aproximo-me dele e digo próximo do seu ouvido.
- O senhor Otto, não gostaria de se recolher? Já é tarde. Sebastian está bem, e senhor Beni também está cansado. Todos estamos.
- Você me daria a honra de me acompanhar, até meus aposentos?
Vejo o olhar cansado do homem incrível que senhor Otto é. Não sei mesmo por que minha mãe não gosta dele, pois também cheguei a sentir repulsa, mais hoje, diante destes meses de convivência com ele, eu vejo a honra e a dignidade que o Senhor a minha frente tem.
E o respeito muito por isto.
Beni e eu o acompanhamos até seus aposentos e o filho mais novo de meu marido o ajuda a subir as escadas e trocar as roupas enquanto vou a cozinha eu mesma lhes preparar um chá para que dormisse melhor.
Quando chego de volta ao quarto,o filho lê um livro para o pai, aquele que era meu papel, mais não senti nenhum tipo de ciúmes daquilo.
Servi chá aos dois e me sentei na cadeira de leitura do lado oposto do quarto. E em poucos minutos eu o vi fechar os olhos e dormir.
Beni, se levanta e me estende a mão tocando a de leve com os lábios.
- Obrigado senhora Montanese.
- Pelo que senhor?
-Por fazer meu pai feliz.
Vi o filho sair e fiquei analisando todos os acontecimentos daquele dia; Muitas emoções e situações perigosas.
Barreiras derrubadas e gratidão a tomar o lugar do rancor.
O fato de Sebastian ter entrado na minha frente para me salvar daquele animal terrível, a sua quase morte, a forma como nossos olhares quase revelaram o que eminentemente há entre nós: Uma atração perigosa.
A reconciliação entre Sr Otto e o filho. Esta foi a melhor parte.
Então com um sorriso nos lábios eu vou também aos meus aposentos, e ali ao me deitar lembro-me dos olhos ternos de Sebastian me analisando de forma tão perfeita, e desarmada.
Agradeci a Deus, silenciosamente por ele ter se recuperado. E aquela ansiedade de dar mais uma olhada nele tomou o meu coração. Então levanto-me de vagar e constato que o corredor está vazio. Chego a aporta de seu quarto e a abro. Ele ainda está dormindo. Comeu uma sopa leve feita com capricho por Inha Maria e agora descansa como um bebezinho embalado em seus lençóis.
Um servo foi deixado de plantão , caso ele tenha febre ou acorde sobressaltado, e o rapaz ao ver-me arregala os olhos.
-Calma, só vim para ver como o senhor está.
O rapaz faz uma reverência a mim.
- Meu senhor não teve febre e dorme por conta das fortes infusões. Segundo o senhozinho Beni, meu senhor vai se recuperar logo.
-Isso é bom Frederico, mas, poderia trazer-me uma moringa dágua, sinto-me cansada para descer as escadas.
Arranjei aquela desculpa para ficar um pouco a sós com ele.
O rapaz temeu deixar o seu posto.
-Eu ficarei olhando o seu senhor até eu volte.
Então Frederico sai dos aposentos e nos deixa a sós.
Sebastian dorme. E ressona um pouco.
Seus lindos olhos azuis fechados e a expressão serena, confirma que está tudo bem. Chego mais perto ainda, desconfiada e eufórica, temendo que ele acorde,ou que alguém apareça, mais parece mesmo um urso hibernando.
As calças de tecido macio e bem folgadas e a camisa de mangas longas para que ao suar , alivie a possível infecção. Mesmo sob os lençóis seu corpo de músculos enrijecidos se evidenciam; chego minha mão até próximo do seu rosto, e quase o toco. Sebastian se meche e ru a afasto novamente.
Sua testa suada, tem os cabelos de fios lisos e grossos grudados nela.
Então pego uma toalha molhada e cubro sua testa para aliviar o ardor leve de seu corpo. E ouso encostar os dedos nos cabelos espessos.
Lembro-me do dia que enfiei meus dedos neles. Como deslizaram de forma delicada entre seus fios.
Deslizo discretamente a mão sobre eles.
Que atração aquela que sinto ao olhar para ele. Queria odia-lo por seu sarcasmo irritante. Mais Sebastian parece um imã que atrai os meus olhos e a minha atenção e principalmente os meus sentidos...
Queria tanto minha mãe aqui comigo para ajudar-me a entender este sentimento.
Não sei se, é um sentimento mesmo , ou se é apenas a euforia da convivência com três belos homens na casa. Posto que nunca havia ficado sequer a sós com um.
Três belos espécimes masculinos, diferentes na aparência , distintos, mais igualmente atrativos a uma jovem inocente e pura como eu.
Olho a boca delicada de meu enteado. E aqueles lábios desejáveis despertam a minha luxúria adormecida.
Estou louca censuro-me e levanto-me de perto daquela carne tentadora a me chamar.
Abano-me com a mão , pois de repente o quarto ficou pequeno e abafado. Preciso sair antes que cometa a loucura de tocar meus lábios ansiosos nos seus.
Encontro o servo Frederico parado a porta, parece que receava entrar, e desperto sua curiosidade.
- Se sente bem senhora?
Recebo a moringa e o copo de sua mão.
- Muito bem- respondo firme para não me denunciar mais ainda.- Pode voltar a velar por seu senhor, e... ninguem precisa saber que vim aqui esta noite , entendeu servo?
Ele balança a cabeça com veemência. Como é servo pessoal de Sebastian, assim como Ciri, deve conhecer alguns segredos de seus senhores.
Entro de volta em meu quarto e se não estava com sede, tive que beber quase todo o conteúdo da moringa, pois agora minha garganta parece queimar.
Deito-me e meus suspiros acho que poderiam ser ouvidos por quem passasse pelo corredor.
-Há Sebastian, seu imbecil indecente, por que não sai da minha cabeça?
Meus sonhos daquela noite, foram todos para ele, Sebastian, meu odiado, enteado sedutor.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
sid
Ele deve ser um bom filho, só não soube lidar com os seus sentimentos
2023-06-23
5
Celia Maria
Adelaide está apaixonada pelo Sebastian, é acredito que seja essa a intenção do Sr Otto,é assim o filho sossega e começa a cuidar das coisas do pai!!
2023-04-23
2
Gisa
Tá muito bom
2023-03-25
0