Chegamos a cozinha grande e bem organizada. Aonde o contraste entre as diferentes culturas do nosso pais, se mesclam de forma alegre e convitativa.
Tem fornos de barro, e a lenha,a chaminé que leva a fuligem para longe da casa , utensilhos de barro e algumas panelas de ferro, pendurados ao longo das paredes,e equipamentos mais modernos que permitem a uma boa cozinheira fazer maravilhas naquele lugar.Louças de porcelana e canecas de vinho.
Uma mesa grande no centro, e o chão de pedra ,com parede de uma cor neutra.
Boa iluminação e aquele cheiro agradável de um ensopado quentinho recém cozido.
Que delicia! Me deu até fome.
Uma dispensa bem organizada e farta, com vários cestos com grãos variados, verduras e frutas bem a vontade, carne seca , peixe e ervas de todas as espécies.
Duas servas mais jovens e de costas para nós mexendo e falando com elas sem perceber a nossa presença a que suponho ser inha Maria. Uma mulher morena , com medidas grandes e aquele lenço branco amarrado a cabeça. Ela gesticula com uma mão e com a outra parece provar o sabor da comida.
Sr Otto pigarrea para anunciar nossa chagada.
O sol ainda se pôe mais o jantar já pronto.
Que eficientes!
A mulher vira e sorri para o patrão e em seguida seu olhar curioso pousou em mim. Pois sou a presença icônica da sala, já que Ciri, apesar de ruiva , e branca como papel,não tem a expressividade de uma dama.
Ela aproxima-se e limpa as mãos no avental, e se inclina para mim.
— Boa tarde sinhá... seja bem vinda. Maria a seu dispor.
-Maria , esta é Adelaide e sua dama, Ciri. Adelaide é minha mulher agora. Gostaria que a sra pessoalmente a ajudasse em sua acomodação a nossa casa.
Maria se aproxima mais um pouco e vejo o olhar firme me analisar. Mais ela tem um ar simpático, o que me deixou tranquila naquele primeiro instante.
-Sim sr patrão.
Ela baixa a cabeça em sinal de respeito.
-Vamos sinhá, vou lhe mostrar o quarto e a sala de banhos. Tenho certeza que será muito feliz aqui...
Ela segue a frente falando sobre a rotina da casa e os lugares de circulação dos patrões, acho que gostou de mim.E eu dou um sorriso ao sr Otto e sigo a prestativa senhora pelo corredor que de um lado leva a sala, e o outro aos quartos.
Mais adiante ,ela me mostra uma escada em espiral,e sigo por ela, quando chegamos na parte de cima,vejo 6 portas grandes de madeira de lei, polidas e brilhantes parece até que eram lustradas todos os dias com muito capricho.
Ela abre-me uma delas.
-Esses são os principais quartos da casa, para hóspedes e patrões, dos filhos e agora este que será ocupado pela senhora. Os servos dormem no andar de baixo.
Olhou para Ciri, colocando o limite entre nós.
Queria que fosse diferente, mais como sou uma senhora casada agora, não posso dormir com servos no quarto.
Eles ficam três de cada lado e eu supôs que ao lado do meu, era o dele. E no final daquele corredor superior, a luz do sol, já quase sumindo, revelava a linda e enorme varanda, que era dividida por todos eles, com a separação apenas, grades de ferro de cor azul. E nas varandas portas brancas que davam a privacidade de cada um .
Entro e já vejo duas servas arrumando as minhas poucas roupas nas araras. Próximas do biombo de trocas. E um armário de duas portas ,aonde as peças mais delicadas ficavam dobradas.
Maria olha para meus vestidos e os admira, pois apesar de poucos, são de muito bom gosto. Minha mãe ajudou-me a escolher apenas os melhores.
-Sinhá tem poucas roupas, diferente da outra . A antiga senhora era muito vaidosa e o patrão fazia todos os gostos dela .logo logo, isso aqui vai tá tudo cheio. Ele gosta de ver a esposa bem arrumada.
Ela aponta os muitos espaços nas araras.
- Sou muito simples Maria, não me dou a exageros.
- Exageros? A sra não viu nada... exagero é o que os filhos fazem para aborrecer o patrão.
Resmunga quase para se. Ajudando as servas a retirar minhas peças pessoais do baú e arrumar em uma cômoda grande de madeira .Fiz me de desentendida, pois sou recém chegada e não quero parece intrometida já de cara. Depois vou especular melhor sobre estes filhos aborrecedores.
Olho ao redor e admiro o lindo quarto . Refinado e bem decorado. Um quarto feminino suponho, pelos detalhes florais no papel de parede e na decoração em rosas. Talvez fosse o usado pela antiga senhora.
Uma penteadeira espaçosa aonde meus produtos de perfumaria foram arrumados cuidadosamente, pois se tem uma coisa que não deixo para tras são meus perfumes.
Uma cama grande com lençóis em tom bege, com colchas de renda inglesa, espelhos grandes e pequenos na parede de um verde claro com detalhes , desenho em forma de ondas. Cortinado delicado e em formato de cascatas a janela, um sofá de madeira com almofadas de cor alegre e o chão de madeira cor reluzente coberto por um tapete macio na mesma cor das cortinas.
Que voavam com o vento ameno daquele fim de tarde.
Uma mesa redonda para café e pequenas refeições, dois lugares e a cadeira de balanço , com certeza para leitura ,acolchoada no mesmo tecido das almofadas do sofá;uma estante com alguns livros, candelabro para as noites escuras e no canto perto da janela um móvel com objetos de resina, anjos, criaturas da noite , animais e bonecas de porcelana com belos vestidos.No meio da sala o lustre imponente e assustador, pelo tamanho e delicadeza das peças.
Ainda não tinha luz elétrica no Brasil,pois só chegaria em 1882 mais ele simbolizava o sonho de um dia ver esta grande maravilha do mundo moderno chegar para ilumina-lo, mais enquanto não chega, ficava ali, apenas para decoração, e logo as velas e candelabros seriam acesos para não nos deixar no breu total. E nos lembrar que ainda precisamos delas, e muito.
Ao terminarem, saem e Maria e Ciri vem ajudar-me a trocar aquela roupa, enquanto outras já entram com água e toalhas para o meu banho.
Na casa tem a sala de banhos, mais supus que , como só entra um por vez, e com certeza o patrão era a prioridade, eu teria que me refrescar por ali mesmo.
Elas trazem uma grande bacia de (cor) bronze e após tirar aquele espartilho mais que apertado, visto o fino camisolão e entro na bacia, me sentando em posição confortável, para que Ciri e outra serva me ajudem a refrescar-me.
Elas enrolam meus cabelos e jogam pequenas porções de água , e passam algumas tolhas no meu corpo.
- Amanhã eu vou pedir para encher a banheira para que a sinhá possa mergulhar, por hoje devido a hora , acho que vamos ajuda-la apenas a ficar fresquinha para o jantar.
- Obrigada Maria, assim está perfeito.
Na cidade já é difícil um bom banho a noite, imagine naquele lugar longe de tudo. Mais aquela água morninha está mesmo muito gostosa.
Estou empoeirada e aquilo é tudo de bom. Depois do banho, uma roupa mais confortável, sem aquele espartilho incômodo porem necessário para as mulheres de bem ficarem ainda mais elegantes, e agora jantar. Encarando aqueles enteados que pelo primeiro encontro com um, sei bem o que me aguardará com o outro.
Desço as escadas espirais e os homens da casa já me aguardavam.
Estou cansada, mais se não aparecesse com certeza causaria uma péssima impressão e eu não quero já parecer esnobe nas minhas primeiras horas ali.
Quando chego a sala, sr Otto oferece-me o braço e eu vejo o segundo irmão olhar-me de lado.
- Há... já iam-me esquecendo. Adelaide este é o meu outro filho. Beni.
Ele vira-me para o irmão mais novo. Um rapaz bonito, mais sem traços do pai, porem com feições mais delicadas, mais aqueles inconfundíveis olhos azuis iguais aos do irmão, com certeza herança da mãe, pois sr Otto tem os seus num castanho intenso.
— Muito prazer srta... Adelaide.
Ele inclina-se pra mim ,e o pai a censura.
- Sra Adelaide Beni. É minha esposa.
O rapaz contrai os lábios e em seguida sorri-me sem graça.
-Desculpe pai. Sra Adelaide, seja bem-vinda.
- Obrigada, sr. Beni.
Respondo sentindo a indignação do outro irmão , queimar as minhas costas de longe.
— Apresentações feitas, podemos comer agora? Preciso sair.
-Aonde vai meu filho, acabei de chegar e ainda nem conversamos direito...
O rapaz passa a frente do pai e fala sem nos olhar.
- O sr tem coisas mais interessantes para fazer do que... conversar comigo pai.
Para no meio do caminho e faz um gesto de reverência com as mãos para passarmos a sua frente. Aquilo foi irônico e provocativo.
Ele com certeza falou com malícia sobre eu ser uma distração melhor.
Não me quer por aqui, mais sabe que terá que me suportar.
Mais ao se levantar dareverência,, não deixa de me olhar de baixo a cima. Como estou sem as muitas saias usadas para sair, o vestido ficou bem rente ao meu corpo apesar de largo. Tenho medidas exatas, o que sempre chamou a atenção dos homens para mim.
Naquele momento arrependi-me de não ter-me coberto mais.
Seu olhar foi luxurioso, e acho que só eu percebi.
A mesa de 12 cadeiras, ficou pequena depois que percebi o seu olhar descarado para mim.
Sento-me ao lado do sr Otto, e o homem simpático tenta de todas as formas deixar-me a vontade.
Mais a presença dos irmãos, quase indiferentes a nós, na mesa , quebrava qualquer tentativas dele.
O jantar foi servido.
Eles são frios, e não trocam nenhuma palavra com o pai.
Que filhos aqueles, que família aquela em que fui meter-me.
😟
Beni Montanese
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 76
Comments
izza1971
Primeira vez que leio um livro de época, espero coisas boas...gosto muito de filmes no tema.
2025-02-28
1
Edna Aparecida Rodrigues Pereira
tô amando o livro parabéns autora
2024-12-11
1
Maria De Fatima Carvalho
😱😱😱😱👏👏👏👏💯💯💯💯
2023-11-24
2