Uma semana depois, lá estou eu. Com minhas malas prontas.
Olho ao redor e vejo a nossa casa ganhando vida novamente. Os móveis estão de volta e os empregados também, e minha mãe, vestida naquele vestido bordô, que a deixa mais jovem 20 anos.
O belo busto exposto de forma discreta e os cabelos bem arrumados, seus brincos favoritos e algum cor nos lábios.
O luto finalmente acabou.
O meu é verde e com um pequeno decote no busto.Ele é rodado e solto, com as saias presas para trás como manda a moda dos nossos dias.
Sinto-me satisfeita, embora apreenssiva.
Vou partir da minha cidade natal, deixar minha mãe meus amigos , minha vida.
Que apesar de no ultimo ano ter sido penosa, eu sentirei falta dela.
Pois é descendo que se valoriza os pequenos bens da vida.
Após minha conversa com o meu tio, sr Otto, eu sai daquela pousada, me sentindo mais leve.
Por um lado, por que pelo outro, meu coração se retraía.
A proposta dele era estranha, mais por fim, após algumas argumentações ele me convenceu a aceitar.
Seria por uma boa causa, afinal.
Eu acho.
Para uma moça que nunca mentiu na vida, a farsa que ele me propunha era vergonhosa, embora vantajosa para nós. E eu serei descarada, mais uma mulher deve mesmo ter muitas faces. Num mundo como o nosso, um pouco de malicia, não mata ninguém, ainda mais naquelas circunstâncias.
Ele nos devolveria tudo o que o banco nos tirou, e ainda daria sustento a minha mãe.
Como era considerado um dos reis do café no SUL, ela seria a sua representante no NORTE, e assim pagaria a ele trabalhando o que ele havia dado como “ empréstimo” foi só assim que ela aceitou sua ajuda ,e que ele me levasse consigo.
Isso e, a outra condição documentada que acertamos.
D. Marta hesitou muito. Tentou me convencer a desistir, mas como sabe que sou teimosa como meu pai, acabou por aceitar. Não gostava do sr Otto. Mais com documentos assinados em mãos , por ele mesmo, ela tinha a garantia que a sua palavra não voltaria atrás. Era isso ou ele me levaria de qualquer jeito, estava em seus direitos de parente homem mais próximo.
E com as vantagens que ele ofereceu. Seríamos malucas em não aceitar.
Estávamos de volta a sociedade.
Só que agora tudo seria diferente. Ela sabia exatamente em quem confiar e com quem contar naquela cidade de interesseiros.
Vejo nosso fiel cocheiro colocar minha bagagem na carruagem luxuosa que está parada a frente de nossa casa.
As fofoqueiras de plantão claro, estão de prontidão para vera maltrapilha indo embora com o barão do café.
Minha mãe vem ao meu encontro e me abraça pela décima vez naquele dia.
- Tem certeza disto Adelaide? Ainda dá para voltar atrás.
-Não posso desistir mãe. Dei minha palavra e o sr Otto também. Apesar de ainda acha-lo um... depravado. Ele é um homem de palavra. E papai o chamou. Lembra?
- Eu sei... demorei entender, mas entendi. Só não me agrada em nada vê-la... casada... com um , velho chato como ele.
Rimos baixinho.
- Há mãe, ele nem é tão velho assim... e temos um acordo.
- Que se ele não horar, eu mesmo arranco os cunhoes dele.Já avisei.
- Fale baixo...
-Desculpe, mais te ver partir com este homem... me dá arrepios filha.
- O que ele fez para que a sra tivesse tanta repulsa dele?
Pergunto curiosa pois na ultima semana eu os vi se espezinharem de forma respeitosa a todo instante.
-Um dia você saberá. Mas por agora, eu quero que tome cuidado. Pelo que entendi, ele está te levando a um ninho de cobras, e elas vão querer te picar , filha, tenha cuidado!
- Eu vou ter.Prometo.
Ela me beija afetuosamente na testa e afaga meus cabelos.
- Você é tão corajosa Adelaide... eu te admiro filha.
-Eiahaa!- o cocheiro do sr Otto grita para que a carruagem das bagagens passe e a que vai nos levar , chegue e eu possa subir, pois , ele está em outra com seu assistente e advogado.
Ciri vai comigo. É minha dama de companhia e minha amiga. Nunca a deixaria pra trás.
Abraço D Marta mais uma vez e subo .Me ajeito no banco acolchoado. Mesmo em nossa melhor condição, eu andei em uma tão macia assim.
Siri está animada, e sorri dando tchau a nossa cozinheira e a minha mãe.
E lá vou eu . Para essa incrível aventura no sul do pais, ao lado do sr Otto.
Meu Marido por contrato.
Em um ano estarei de volta, e com certeza a menina que está indo hoje, não é a mesma que vai voltar.
***
Apesar do conforto da carruagem, a viagem é longa, pois vamos até a cidade mais próxima pela estrada e depois pegaremos o trem que nos levará até as terras produtivas do barão do café. Como ele quer ser chamado.
Não é barão de verdade, mais disse que está negociando um título , pra se e para os filhos.
Sr Otto , é viúvo há muitos anos, e este casamento é uma forma de mostrar aos filhos quem manda de verdade.
Alias eles são a razão deste casamento arranjado, e logo vocês saberão por que.
Segundo soube são dois , e nenhum deles se interessa pelos negócios da família. Sem outros herdeiros , o pai se viu sem saída e resolveu se casar novamente para dar uma lição nos filhos.
Não entendo exatamente como a sua família funciona, mais se ele acha que uma madrasta jovem e bonita vai mudar a cabeça dos filhos, deve saber do que fala.
Mas me garantiu que, nada de mal me acontecerá.
Só preciso seguir o acordo e ficar com ele pelo período de um ano.
Moleza. Pensei ao assinar o acordo nupcial junto com minha mãe.
***
Dois dias na estrada, e já me sinto tonta, de tanto balançar. Mesmo nas paradas em pousadas para banho e refeições , o cansaço do corpo já começa dar sinais.
E então finalmente,chegamos a grande ferrovia . E quando embarcamos senti meu coração eufórico. Nunca andei de trem, e aquele transporte fascinante, rapidamente ganhou minha admiração e meu bom conceito.
E a rapidez e conforto se diferenciavam em muito as carrocerias das nossas carruagens.
Sr.otto se sentou ao meu lado, e me sorri satisfeito.
Embora tenha se mostrado simpático , ainda não consigo tirar da minha cabeça a imagem dele no quarto com duas mulheres da vida.
Mais ele é homem e viúvo, e os homens tem suas necessidades. Mais duas ?é mesmo muito apetitoso, como diria minha mãe.
-Agora já estamos perto, Srta Adelaide. Se sente cansada?
- Um pouco.
- Quando chegarmos, prometo que deixarei que descanse quantos dias quiser, antes de começarmos a por em prática nosso plano.
Olho de lado para o sr Otto. Embora seja meu parente de longe, não temos laços de sangue, segundo ele. Mas com a proximidade dos ultimos dias eu tenho me questionado muito sobre o que ele tem em mente nisso que ele chama de plano. No qual serei apenas um detalhe como diz.
- Como são eles?
- Meus filhos?
- Sim sr.
- Bom, o mais jovem é Beni, de Benedict, escolha da mãe , é um rapaz estudioso, sensível, até de mais eu diria. Quer ser botânico, e distancia das plantações de café, o negócio dele são flores, orquídeas, papoulas, miritis...- o pai revira os olhos.- Eu não sei o que fazer... e o outro.
Ele suspira e olha para as mãos.- É meu maior orgulho e minha grande decepção. Se alistou no exercito, mas largou a carreira e quando voltou para casa, se enveredou por um caminho obscuro do qual não consegue sair. Nunca toca no assunto claramente, mais tem haver com a moça que ele gostava, e que o trocou pelo melhor amigo.Casou se com ele pouco antes do casamento, foi quando ele se voltou ao exercito, mais a insubordinação e rebeldia de um coração amargurado, não o deixaram seguir em frente. Hoje vive de uma forma desenfreanda, como se não houvesse amanhã, entende?
Balanço a cabeça firmando que sim.
- E como o sr acha que minha presença na casa vai faze-los repensar suas atitudes erradas?
-Eles sabem que quando eu morrer, tudo vai ficar mesmo para eles, e do jeito que vão, em pouco tempo torrariam tudo com, flores ou com mulheres...e com você entre nós, espero que se sintam ameaçados de alguma forma. Quando virem que parei de me importar com seu descaso com minhas vontades, creio em Deus que, pelo menos um dos dois caia em se, e venha assumir as rédeas dos negócios como tem que ser.
Sorrio sem dentes. Atitude mais que desesperada de um pai para trazer os filhos a razão.
- E... se não der? Se desandar mais ainda e o sr além de tudo perder a confiança dos seus filhos?
- Pelo menos eu posso morrer com a consciência tranquila de que fiz tudo o que pudia e devia.
- O sr ainda é jovem, não vai morrer ainda.
Foi sua vez de ficar sem graça, e ví ali, os traços marcantes de um homem cansado .
-Posso partir mais cedo do que imagina, menina.
Eleoso, então não revidei.
- Tocaremos neste assunto, um pouco mais para a frente certo?
- Certo.
Ele se perdeu na vista olhando o horizonte, com o sol tímido se escondendo atrás das montanhas. Mais um dia que vai embora, e mais um que se anuncia em poucas horas, E eu vou mergulhar talvez na maior experiência da minha vida, ao lado daquele homem estranho, cheio de segredos, mais que parece ter um enorme coração.
Bate em minha mão, de forma afetuosa. Combinamos que não teríamos contato físico neste contrato, mais aquele não foi um toque malicioso.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Maria Lourenço
acho que ela vai se casar com o filho
2024-11-09
0
jocilene dos santos silva
vai morrer. deixa o viúvo se divertir kkkkk
2024-09-06
0
Gisa
Mais é safado né com duas como diz ela.
2022-12-22
11