Capítulo 03

Kevin vai andando e murmurando de dor. A garota emparelha com ele e ele diz:

— Pode me ajudar a caminhar? Está bem complicado eu me locomover devido à surra que levei.

— Tudo bem. — A garota consente e ele envolve o seu braço no pescoço dela.

— Você é bem pesado! — A garota se queixa.

— Desculpe, mas meu corpo é saudável... — Kevin se justifica.

Os dois vão andando sorrateiramente, observando para todos os lados. Algumas vozes são ouvidas ao longe pelos dois. Kevin sente o corpo da garota tremer mais do que antes.

— Vamos conseguir escapar desse lugar. — Kevin diz no intuito de acalmar a garota.

Apenas dentro do galpão onde estava amarrado que as luzes eram mais fortes. Fora do armazém está com pouca iluminação e muito frio.

— Esse é realmente o lugar que pensei. Meu pai me trouxe aqui algumas vezes... — Kevin faz uma observação.

— Que tipo de pessoa você é? — A garota questiona receosa.

— Do tipo que tenho dinheiro. Por isso me sequestraram. Se andarmos naquela direção de onde vem aquela fresta de luz, conseguiremos sair daqui. Mas não podemos ser vistos por quem ainda continua aqui, provavelmente procurando por você. — Kevin diz e os dois vão caminhando em direção a luz.

— E por que não você? — A garota retruca.

— Aqui! Tem três mortos aqui! — Uma voz masculina grita do local de onde Kevin e a garota acabaram de sair.

— Vamos, rápido! Eles estão vindo. — Kevin pede.

— Eu não quero... — A garota diz chorosa.

— Shihhh! — Kevin diz tampando a boca da garota. — Entre aqui! — Ordena para a garota entrar num container. Ela obedece relutante, pois não tem outra saída.

O que parecia um container é, na verdade, uma passagem.

— Tem um esconderijo mais adiante. — Kevin esclarece.

— Você não está me levando para um lugar pior, está? — A garota pergunta com medo.

— Não. Confie em mim. — Kevin assegura.

Os dois entram no quartinho e Kevin observa atentamente os detalhes. O local parece ter sido usado a pouco tempo. Quando ele olha para a garota, ela está insegura e imóvel. Seus olhos arregalados demonstram um pavor do local.

— Vo... Você foi quem me... Me... ? — A garota balbucia apavorada.

— Não! Eu não sou esse tipo de homem! — Kevin se defende. — Vamos para outro lugar! Esse aqui não é mais seguro. — Kevin declara e pegando na mão da garota, a conduz para o lado de fora.

Kevin enxerga um carro estacionado e apressa os passos puxando a garota consigo. Ele entra no carro e vê que está com a chave.

— Que tipo de idiota deixa a chave no carro? Mas independente disso, é a nossa salvação! — Kevin murmura e liga o carro. Olhando para a garota diz:

— Vamos embora daqui!

Ele acelera o carro e ouve gritos, em seguida tiros vindos em sua direção.

— Abaixa a cabeça! — Ele ordena e a garota obedece.

O carro começa a falhar quilômetros adiante e ele xinga, pois ainda não estão seguros. A sorte é que ainda não tem bandidos em sua cola, mas provavelmente eles chegariam logo. Kevin sai do carro e vê um motel. A garota também sai assustada e o acompanha. Chegando no motel ele ordena:

— Não posso aparecer assim, vá lá e peça um quarto.

— Um quarto? Eu quero ir embora daqui! E você deveria ir para um hospital! Ainda está sangrando... — A garota diz amedrontada.

— Olha... Está muito frio. Eu preciso cuidar desses ferimentos e do meu corpo, mas não posso ir para um hospital. Quem mandou me sequestrar não tem em mãos o que ele anseia, isso significa, que qualquer hospital será o primeiro lugar onde vão me encontrar. Você não parece ser daqui. Então, você não está segura, e quem sequestrou você pode voltar. — Kevin explica e a garota ainda o questiona:

— Eu não tenho dinheiro. Como vou conseguir um quarto?

Kevin apalpa sua calça e encontra sua carteira ainda no seu bolso. Ele respira aliviado ao encontrá-la. Retira um cartão e entrega para a garota.

— Senha 'zero, sete, sete, um'. E vê se tem algum kit de primeiros socorros, por favor. — Kevin diz e a garota corre para a direção da entrada do motel enquanto ele vai devagar.

Ele analisa sua situação e agradece aos céus pela garota ter entrado naquele lugar, onde provavelmente seria o seu túmulo. Tempos depois, já com a chave em mãos a garota retorna e os dois vão até o quarto alugado. Kevin vai até o banheiro e lava o seu rosto. Seus olhos estão roxos, sua mandíbula dolorida, assim como todo o seu corpo. Ele retira sua camisa, enxuga seu rosto e sai do banheiro. Kevin se senta na cama e a garota pega o kit de primeiros socorros e olha para ele envergonhada, entregando-o. Kevin observa e sorri do jeito meigo e tímido dela.

— Diana! — Um homem grita emocionado abrindo subitamente a porta do quarto.

— Papai! — A garota corre para um abraço.

— Minha nossa! Que alívio ter chegado a tempo, minha princesa... Diana, você está bem? — O pai abraça e verifica a garota.

— Estou sim. — Ela responde aliviada. — Mas como me achou? — Ela o questiona.

— Alguém que viu você sendo levada me informou para onde poderiam ter trazido você e agarrei a essa informação... Quando cheguei na recepção, perguntei a moça e dei sua descrição. Com muita luta e depois de mostrar a foto de nossa família ela me disse que estava aqui. E esse sangue em você? Quem é ele? — O senhor pergunta apontando para Kevin deitado na cama, sem camisa e com o corpo cheio de marcas, resultado das pauladas e socos que recebeu.

— Eu não sei. — Diana o responde.

— Como não sabe? — O pai de Diana contesta.

— Ele estava amarrado, e os homens que sequestraram ele, foram mortos pelos que me sequestraram...

— Tudo bem. Isso também não importa mais! Sua mãe e seu irmão estão muito aflitos. Vamos embora daqui! Você já deve ter feito a sua parte. — O pai de Diana conclui e pega na mão da filha.

— Sim. — Diana responde e apenas acena com a sua mão direita uma despedida e sai do quarto acompanhando o seu pai.

Kevin apenas retribui o aceno. Mas o olhar de pena da garota para ele, faz ele se sentir estranho. Seu coração fica ansioso, e em sua mente ele pensa se um dia irá rever a sua salvadora. Uma garota simples, delicada, provavelmente com um metro e sessenta de altura, cabelos castanhos, presos, pele morena, rosto arredondado e olhos negros como a noite... Linda! E faz jus ao nome que tem... Diana, exala beleza e luz, e iluminou a vida do Kevin nessa noite tão escura e sombria.

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Comments

Renascida das cinzas

Renascida das cinzas

porque o pai dele o levaria em um lugar de venda de coisas ilegais???

2024-10-24

0

Luciana Santos

Luciana Santos

bem q ela poderia ajudar mais ele

2024-08-29

0

Márcia Jungken

Márcia Jungken

acredito que Kevin e Diana vão se encontrar logo 👏👏😍😍

2024-07-04

8

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