Ao encontrar Henrique em meio aos escombros William decidi ajuda-lo e assim faz; o tira de lá e sai andando com ele até que acabam presenciando uma cena não muito agradável, um homem esfaqueando outro bem a sua frente e sorrindo como se estivesse muito feliz, isso acaba os deixando um pouco assustados, porém William está decidido a continuar e eles não vão desistir assim tão facilmente.
— Você não pode tá falando sério, isso é muita loucura a gente não vai aguenta e... — Henrique
— Olha só se você quer continuar vivo esse é o único jeito, e aí vem comigo ou não? —William tira a tampa do bueiro e estende sua mão para Henrique poder levantar do chão.
— Só sei que a gente vai ficar fedendo a bosta — Henrique segura na mão de William e logo em seguida o mesmo entra dentro do bueiro, seguido por William que desce logo atrás.
— Tá esse aqui vai até saindo da cidade, daí fica faltando só uns 20 km para a cidade vizinha.
— A não cara desisti então, eu com a perna desse jeito mal tô conseguindo andar quem dirá essa distância toda aí, quando eu tô com a perna boa eu num ando nem uns 2km e já tô morrendo, e o que é pior, a gente não consegue ver nada aqui, não dá nem pra sair do lugar nesse breu — Henrique
— a sua motivação me contagia, olha só se você não sabe eu tenho uma lanterna aqui comigo — William abre sua mochila e fica procurando sua lanterna e a liga —viu só, bom e sobre a sua perna não precisa se preocupar, eu sou sua outra perna agora, e vou estar sempre do seu lado e não vou sair daqui e te deixar, não se preocupa tá bem, você é minha família agora — William vai iluminando o caminho pelo bueiro com Henrique se apoiando nele já calado a algum tempo.
— O que foi isso? — Henrique se assusta ao ouvir um barulho.
— Isso o que? — William pergunta olhando para Henrique e iluminando seu rosto com a lanterna
— Esse barulho Iam — Henrique fala levando a mão até a luz que estava focando justo em seus olhos, ele abaixa a lanterna tirando a luz de seu rosto.
— como você me chamou? — William
— Iam porquê? — Henrique
— Tá olha só, não me chama assim na frente de ninguém tá, meu nome é William e esse apelido aí é estranho — William
— humm, bom, mas e quando não tiver ninguém? eu posso? — Henrique
— Tá faz assim, quando tiver só a gente, em momentos raros... tá legal só dessa vez mesmo — William fica olhando em volta com a lanterna, porém não vê nada.
— Tá, mas eu tenho certeza que tinha alguma coisa aqui — Henrique
— aaa você só tá com medo, não tem nada aqui... — William acaba pisando em um rato morto que acaba melando seu tênis de sangue — viu só? era só isso que você viu, um rato morto
— Mas se ele tá morto como ele tava andando? — Henrique
— Porque ele tava vivo né, agora quando ele veio por aqui ele acabou... acabou morrendo... corre Henrique — William fala um pouco aflito e logo começa a correr, porém Henrique não consegue acompanha-lo por estar com a perna machucada e ainda bastante dolorida e acaba ficando para trás.
— Eu não consigo Iam, não dá, vai sem mim eu vou ficar bem, é sério —Henrique se apoia nas paredes do local já desistindo de sua vida e aceitando que aquele seria seu fim.
— Seu idiota —William volta correndo colocando sua mochila para frente e se abaixa para que Henrique suba nas costas dele.
—Não isso vai te atrapalhar, você não vai conseguir correr direito se tiver que me carregar
—Sobe logo nessa merda cara —William fala com a voz firme e decidido e logo sai correndo pelo bueiro com Henrique em suas costas aonde começa a ouvir um barulho que cada vez ficava mais alto.
— Se continuar assim nós dois vamos morrer seu imbecil, me deixa aqui anda — Henrique
— Eu já disse que não agora vê se fica calmo, vai dá tudo certo e... — Enquanto William corria pelo bueiro ele acaba escorregando no chão que era úmido e caindo junto com Henrique.
Ao caírem no chão eles acabam se distraindo e são atacados por um homem todo ensanguentado com o corpo cheio de corte e uma faca fincada em seu abdômen chorando com seu corpo todo sujo e fedorento.
—Eu não quero fazer isso—Ele fala balançando a cabeça e então tira ela de seu abdômen e vai com a lâmina em direção aos garotos na tentativa de matar eles.
William se afasta de Henrique e tenta chamar a atenção do homem para si o que faz com que ele meio atordoado e fora de si vá em sua direção, logo em seguida Henrique faz a mesma coisa batendo suas mãos no chão, fazendo o nota-lo e então William aproveita a distração do mesmo e pega e se agarra no homem e começa a puxa-lo para trás andando de costas e então usando a força de todo o seu corpo ele consegue derrubar o homem no chão que comeca a dar cotoveladas em seu rosto fazendo o nariz e o rosto de William comecar a sair muito sangue.
Henrique tenta ajudar William mas acaba sentindo uma grande dor na perna e solta um grito já chorando. O barulho acaba fazendo o homem parar de se debater e então William aproveita a oportunidade para rolar com ele no chão e imprensa a cabeça do cara contra a lama fedorenta que estavam sobre e enfia seus dedos no nariz do mesmo o que o deixa ainda mais atordoado.
— CORRE, VAIII RAPIDO, EU TE ALCANÇO DEPOIS, VAIII —William grita com Henrique que sai rastejando pelo chão assustado com a respiração ofegante e pega a mochila de William olhando rapidamente para trás vendo os dois se debatendo e sai puxando ainda mais sua perna que depois do impacto da queda que teve com William parece ter ficado ainda mais dolorida. Com muita dificuldade ele se levanta segurando em sua perna e se apoiando na parede vai se arrastando indo o mais rápido que conseguia. Sua respiração estava pesada e seu corpo terrivelmente dolorido, ele acaba perdendo a força de suas pernas e cai no chão. Com a queda ele fica se rastejando enquanto morde seu lábio com força para suportar a dor mesmo com lágrimas nos olhos ele fica se segurando para não acabar chorando.
—Eu não posso morrer aqui —ele dá um murro no chão e em seguida balança a mão pela dor que sentiu, apoia suas mãos no chão e força seu corpo a se levantar, ele para um pouco e consegue apoiar um dos joelhos no chão e enquanto apoia sua mão na parede seu corpo acaba se encostando nela. Ao se apoiar na parede, ele firma sua expressão facial ficando sério e firma sua perna no chão saindo correndo do local sentindo uma tremenda dor em sua perna.
Após serem atacados, William luta com o homem e Henrique consegue fugir, e quando ele já estava quase desistindo por sentir tanta dor após ter caminhado por horas naquele local escuro ainda por cima com sua perna machucada e com um odor terrível ele não aguentava mais aquilo. Foi quando ele escutou um barulho não muito longe de água corrente, o que o dá forças para continuar; Henrique agora está deitado no chão ao lado do rio com sua respiração descompassada e ofegante com o sol já quase se pondo.
—Eu consegui..., mas o Iam ele... —Henrique abre a mochila de William e pega sua garrafinha de água e bebe um pouco.
— Ele me ajudou tanto e eu não consegui fazer nada pra ajudar ele, porque eu sou assim? —Henrique vai andando até o rio e lava seu rosto na água corrente e fica olhando seu reflexo nela— se eu fosse mais forte você taria aqui comigo e... você também mãe —As lágrimas de Henrique caiam sobre a água se misturando com as do rio e eram levadas pela correnteza, ele limpa suas lágrimas e lava suas feridas na água do local, logo que termina ele coloca a mochila no chão e deita sua cabeça sobre ela e adormece olhando aquele céu já escurecido sem nenhuma estrela.
A noite se passava tão vagarosamente que parecia até que aquele dia nunca iria acabar, Henrique já havia acordado várias vezes aquela noite, aquele frio e o barulho dos grilos não o deixavam dormir, era atormentador e as muriçocas então, pareciam vampiros que não cansavam de sugar seu sangue, e assim se seguiu por toda a noite. Ao amanhecer Henrique estava se coçando todo e já acordou resmungando.
— Nossa nunca imaginei que você teria esse mal humor a essa hora — diz William sentado ao lado de Henrique todo machucado o olhando.
— Iam — Henrique o abraça no mesmo instante que escuta sua voz — desculpa por ser um inútil, você até agora sempre me ajudando e eu não fiz...
— Cala a sua boca, eu que falei pra você vir pra cá não foi? então pronto, agora vai, passa essa mochila pra cá que eu tô com fome — diz William separando o abraço.
— Aqui, eu não comi nada ainda também — Henrique o entrega a mochila.
— Toma — William pega alguns biscoitos e entrega para Henrique e enche sua boca e começa a comer vários de uma única vez.
—Dá pra ir se lavar? Você tá fedendo —Henrique pega os biscoitos e começa a comer.
—Depois, agora eu tô cansado —William
— Vai toma aqui ou você vai se entalar — Henrique entrega a garrafa de água para William enquanto fica mexendo na mochila dele e pega uma camisa de William e a rasga.
— Eii o que pensa que tá fazendo? — William toma sua camisa de Henrique.
— Um esparadrapo, vai me dá — Henrique pega a camisa de volta.
— espara...o que? — Henrique pergunta sem entender sobre o que se tratava.
— é aqueles negócios de enrolar nos machucados pra estancar o sangue, vai agora estica o braço — Henrique
— Não dá eu num sou o homem elástico — William estende seu braço dando algumas risadas.
— haha muito engraçado viu — Henrique enfaixa o braço de William onde havia um grande corte que tinha sido feito pelo homem e que ainda saia sangue.
Algumas horas depois eles já estavam descansados e recarregados, William já havia tomado banho e vestido a roupa que tinha em sua mochila. Eles decidiram então continuar sua jornada e foram caminhando em uma estrada que havia ali perto se apoiando um no outro.
—Iam por acaso você... matou ele? —Henrique pergunta enquanto olhava para o chão.
—Eu... não pensa nisso tá, agora essa é a nossa vida e não tem como viver com esses pensamentos de culpa.
—Mas Iam você acha certo a gente tirar a vida de outras pessoas? —Henrique olha pra ele triste.
—Essa é a nossa realidade, eles não tiveram pena de nós pra atacar ou matar na primeira oportunidade —William fala irritado
—Eles... levaram a minha mãe —Henrique olha para o chão com uma expressão neutra e então William o abraça.
Ao ouvirem um barulho que parecia muito ser de um carro eles ficam animados e sem pensar duas vezes começam a correr, aquilo poderia ser a salvação deles.
— A gente vai conseguir, finalmente vamos sair desse inferno — William e Henrique começam a correr se apoiando um no outro, mas acabam não conseguindo alcançar o carro.
— A gente nunca vai sair desse inferno —Henrique fala e já se senta no chão ali mesmo.
— Uma hora alguém vai passar por aqui e a gente vai conseguir, não vamos morrer aqui - William fala andando de costas e se senta encostando em uma porteira.
— Tá, mas será que... AAAAA
Enquanto estavam ali distraídos, os dois acabam sendo atacados e apagados ali mesmo sem nenhuma chance de poderem reagir. Eles acordam em um lugar escuro e quente.
— Aonde a gente tá — William fala observando em volta.
— A gente morreu e veio pro inferno é isso — Henrique fala olhando pra uma fogueira.
— Dá pra vocês calarem a boca por favor? vão acabar acordando a minha irmã —Rebeca
— Quem é você e o que quer conosco? — William a encara irritado se mexendo e acaba percebendo que está com seus braços amarrados.
— Olha só deixa de marra que quem manda aqui sou eu, bom eu quero saber o que estavam fazendo por aqui? quem são vocês? — Rebeca fala seriamente olhando William que estava amarrado junto com Henrique em um tronco.
— A eu sou o Henrique e esse é o meu amigo William, a gente se conhece a pouco tempo mais acho que já posso te chamar de amigo né cara? tamo indo lá pra aquela cidade aqui perto sabe, como é o nome mesmo? — Henrique fica tentando lembrar o nome da cidade.
— A fala sério cara, você é muito burro mesmo — William balança a cabeça em negação.
— Então vocês só tão de passagem? — Rebeca fala se afastando um pouco.
— Sim, você não precisava ter sequestrado a gente — William
— Como é que é? escuta aqui eu não sequestrei ninguém não — Rebeca fica encarrando William de perto irritada.
— E como você chama pegar duas pessoas e levar elas a força pra um lugar assim e deixar elas amarradas em? — William
— A e se você não tivesse amarrado? O que ia fazer em? — Rebeca puxa um canivete do bolso de sua calça e então corta as cordas de William o soltando.
— Isso — William pula sobre ela e junta seus braços sobre sua cabeça os apertando com força fazendo ela então soltar a faca.
— Me solta agora seu idiota — Rebeca fica tentando sair de debaixo do garoto.
— E se eu não quiser em? — William acaba sentindo dor em seu braço que estava enfaixado dando uma abertura para Rebeca que se solta e o empurra no chão dando um murro na cara dele.
— Não pense nunca mais em chegar perto de mim ou vou fazer você se arrepender — Rebeca sai de cima do garoto que colocou a mão no rosto pelo aumento da dor.
— Dá pra vocês me soltarem aqui por favor? — diz Henrique os olhando.
Com o barulho de toda aquela discussão eles nem percebem mais acabam acordando Aloe, a imã mais nova de Rebeca que estava deitada no chão ali perto.
— Tem gente tentando dormir sabia? a final quem são vocês?
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Atualizado até capítulo 39
Comments
Gaby 💖
gostei muito, continuar
2022-10-22
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