YANA KIMI
Não entendia o porquê de tanta carne se o almoço era apenas para quatro pessoas. Papai sempre exagerava. Ainda bem que a Nice, nossa empregada, estava me ajudando. Ela arrumava nossa casa 3 vezes na semana e as vezes fazia comida. Era uma pessoa muito alegre e tranquila, gostava de puxar assunto e isso me agradava, porque viver nessa casa, as vezes, era solitário.
- Senhorita Yana, os acompanhamentos já estão finalizados e as carnes temperadas. - Nice me avisou.
- Obrigada pela ajuda Nice, vou pegar seu pagamento. - Fui até ela e beijei seu rosto.
- Não precisa senhorita, é meu trabalho.
- Nada disso, você não é contratada para organizar almoços, ainda mais dia de domingo. - Fui até minha bolsa e tirei a diária+extra e entreguei para a Nice. - você já está liberada, não esquece de levar comida, pode pegar o que quiser.
- Obrigada Senhorita Yana. Deus lhe abençoe.
- De nada minha querida. - Beijei a testa de Nice e depois fui até o meu quarto me arrumar. Logo Lívia e sua mãe chegariam e eu queria estar apresentável.
Nos últimos dias com tanta coisa acontecendo, consegui manter meus pensamentos longe de Lívia. Mas hoje me encontrava refém da paixão que sentia por ela. Foi só vê-la chegar com seu sorriso radiante, que meu mundo virou de cabeça para baixo novamente. Quando ela me abraçou foi quase impossível ignorar o seu cheiro refrescante e adocicado.
- Ai que saudade, tenho tanta coisa pra te contar. - Lili me apertou em seus braços. - Senti seu corpo colado ao meu, o que me deixou desconcentrada. Só consegui voltar a mim quando ela me soltou e deu espaço para que sua mãe me cumprimentasse.
- Olá Yana, como você está? - Lena perguntou ao me abraçar.
- Estou bem, e a senhora? - Respondi com simpatia.
- O de sempre, trabalho, contas para pagar. Vida de adulto não é fácil. - Todas rimos.
- Nisso eu devo concordar. - Meu pai falou ao entrar na sala para receber nossas visitas. Ele estava sorridente e cumprimentou as duas. Já aproveitando para levá-las até o quintal. Papai e Lena foram até a churrasqueira verificar se as carnes já estavam ao ponto, enquanto Lili segurou minha mão e me puxou para sentar ao seu lado.
- Amiga, você não vai acreditar no tanto de coisa que fiz essa semana. - Lili falava sem parar sobre seu trabalho e o livro que estava escrevendo. Eu só conseguia expressar alguns gestos de aprovação com a cabeça. Porque aquilo estava acontecendo comigo? Porque estava tão nervosa ao redor dela? Pensei que já estivesse bem claro para o meu coração que eu e Lívia só seríamos amigas. Mas está sendo mais difícil do que eu pensei convencer o meu coração que essa paixão é impossível. Por isso ele não parava de acelerar. - Então, se eu conseguir terminar o livro no prazo, posso até ter a chance de publicá-lo.
- Nossa Lili, isso é perfeito. Estou tão orgulhosa. - Falo reparando que inconscientemente ela acariciava minha mão. Aquele gesto estava provocando alguns arrepios em meu corpo.
- E a sua semana, como foi?
- Muito cansativa, mas estou adorando essa correria. Estou um pouco nervosa por ter assumido o cargo de vice-presidente, tenho medo de não dar conta de tantas responsabilidades. - Só conseguia confessar minhas inseguranças para Lívia.
- Mas o que está te deixando tão insegura? Você é a pessoa mais responsável que eu conheço.
- Tenho medo de não superar as expectativas do meu pai. - Olhei na direção da churrasqueira, onde meu pai e Lena pareciam estar rindo de alguma piada.
- Entendo, mas o seu Roberto jamais vai ficar triste com você Kimi. Ele tem muito orgulho de ser seu pai.
Nesse momento a campainha começou a tocar e eu fui ver quem era.
- Oi Carlos. - Falei ao abrir a porta. Carlos trabalhava com o meu pai desde que eu era pequena.
- Oi Yana, seu pai está em casa? Preciso deixar esses relatórios que ele esqueceu de levar ontem a tarde. - Ele mostrou alguns envelopes.
- Está sim. Pode entrar, fica a vontade.
- Obrigada Yana.
- Na verdade, o senhor chegou na hora perfeita. Já íamos almoçar. Você não quer ficar para comer conosco? - Ofereci.
- Claro que aceito, não poderia fazer essa desfeita. - Calos sorriu. Ele era brincalhão e sempre estava de bom humor.
- Olha quem está aqui papai. - Falei avistando meu pai já sentado na mesa junto com Lili e sua mãe.
- Rapaz, não me diga que vamos ter que trabalhar hoje? - Papai brincou.
- E quando não estamos trabalhando? - Carlos se aproximou e cumprimentou todos na mesa.
- Carlos essa é minha amiga Lena e sua filha Lívia. Meninas esse é meu amigo Carlos, ele trabalha conosco na empresa. - Papai fez questão de apresentá-lo.
- Estou encantado. - Carlos se aproximou e segurou na mão de Lena. Talvez seja coisa da minha cabeça, mas senti um clima surgir entre os dois.
- É um prazer lhe conhecer Carlos. - Lena esboçou um sorriso impecável.
- O prazer é todo meu. - Carlos falou ao encarar a mãe de Lívia.
- Fique a vontade meu amigo. Você sabe que já é de casa. - Papai apontou a cadeira ao seu lado para que seu amigo sentasse.
O almoço foi descontraído e cheio de risadas. Principalmente, porque Carlos estava revelando muitas histórias divertidas sobre suas viagens com papai.
Assim que terminamos de comer, eu e Lívia subimos para o meu quarto. Ela se jogou na cama e começou a me contar sobre sua formatura.
- Devíamos sair, depois da sua formatura, para comemorar. O que acha? - Sugeri.
- Eu acho ótimo. Podemos ir naquele bar, perto da faculdade.
- Estava pensando em algo mais formal. Como um jantar naquele restaurante que você sempre quis ir.
- Nossa Kimi, seria maravilhoso. - Lili bateu palmas empolgada.
- Então está combinado.
Lívia se jogou em mim e me deu um abraço apertado.
- Você é a melhor amiga de todas. - Ficamos um tempo abraçadas. E foi nesse momento que eu perdi o controle de mim. Sem perceber aproximei meu rosto do pescoço dela e inalei profundamente seu perfume. Era inebriante tudo o que somente aquele simples gesto me causava. Meu corpo reagiu de modo nada discreto ao cheiro de Lívia. Meus braços a puxaram pra mais perto e nossos corpos ficaram tão colados que eu não sabia a onde o meu começava e o dela terminava. Senti a respiração de Lívia bem próxima da minha orelha, o que me causou arrepios. Ela movimentou seus rosto de modo que a sua pele acariciou a minha.
Não sei quanto tempo ficamos assim, quando estava com ela perdia a noção de tudo. Afrouxei meu abraço e Lívia se virou lentamente e olhou no fundo dos meus olhos. Eu me sentia hipnotizada. Nosso rostos estavam tão próximos que um simples movimento selaria os nossos lábios. Senti minha boca secar com a vontade de beijá-la. Em um movimento involuntário, acariciei seu rosto e coloquei uma mecha do seu cabelo para trás da sua orelha. Perfeita, foi o último pensamento que veio em minha mente antes que eu aproximasse o meu rosto do dela.
- Lívia, já estou indo pra casa. Você vem comigo? - Com as batidas na porta e o som da voz de Lena, meu corpo se assustou e pulou para trás, o mesmo parecia ter acontecido com Lívia. Mas ela logo ficou em pé e disse.
- Sim mãe. Eu já estou indo.
Ao contrário de Lívia, eu mal conseguia me mexer.
- Eu tenho que ir Kimi... - Lívia parecia tensa. - Ainda tenho que terminar o meu artigo dessa semana. - Era impressão minha ou ela estava afetada por nossa proximidade?
- É claro, eu acompanho você até a porta. - Finalmente me levantei e me aproximei dela.
- Não precisa, pode ficar aqui. Não quero incomodar. - Lili caminhou a passos rápidos até a porta.
- Tudo bem.
- Obrigada pelo almoço. Estava tudo uma delícia. - Antes que ela pudesse sair eu a chamei.
- Lívia. - Ela se virou em me encarou. Talvez estranhando a fato de eu tê-la chamado pelo nome.
- Sim?
- Eu queria te falar uma coisa, mas.. - Minhas palavras ficaram presas na garganta.
- Mas?
Será que eu devia contar pra ela sobre os meus sentimentos? Era uma tortura guardar tudo o que estava sentindo para mim mesma. Ainda mais quando sentia que Lívia não era totalmente imune a minha presença. Ela tinha sentido algo com o nosso quase beijo, não é possível que eu esteja imaginando coisas. Mas e se eu estiver enganada, e se me declarar só deixar as coisas estranhas entre a gente?
- Não é nada. Eu só queria agradecer por ter aceitado o convite pra almoçar aqui em casa. - Falei já me odiando por mais uma vez ter sido uma covarde.
- Eu que agradeço, a comida estava ótima. O seu pai é um amor.
- Ele adora você.
- Posso dizer o mesmo da minha mãe. Ela só sabe falar de você e o quanto você é responsável e educada. - Saber que Lena gostava de mim inflava o meu ergo, porque ela raramente gosta das amizades que Lívia tinha.
- Não tenho culpa se sou uma ótima amiga. - Brinquei tentando quebrar o clima tenso que se instalou entre nós.
- A modéstia passou longe em, mas não posso negar que você é a melhor, por isso nunca quero deixar de ser sua amiga. - Sei que Lívia não teve a intenção, mas suas palavras me lembraram mais uma vez que eu não podia estar apaixonada por ela.
Quando Lili foi embora me senti extremamente triste, o que já era o meu normal nos últimos dias. Enquanto olhava para o teto do meu quarto e decidia se trabalhava ou ia beber, meu celular começou a vibrar. Olhei a tela e sorri, ela sempre fazia eu me sentir melhor.
- Oi Cris, tudo bem?
- Sim princesa, estou ótima. Quero sair, vamos aprontar hoje?
- Parece que você adivinhou os meus pensamentos, preciso me distrair.
- Porque, aconteceu alguma coisa?
- Só o de sempre. Lívia continua sendo minha melhor amiga e eu nuca vou ter uma chance com ela. - Falei triste.
- Pensei que você já tivesse de boa com isso.
- Eu estava, mas hoje ela veio almoçar aqui em casa e eu quase a beijei.
- O que, como assim? Mas ela também estava afim?
- Nunca vou descobrir, a mãe dela bateu na porta do quarto antes que eu a beijasse.
- Olha, não quero você enfurnada no seu quarto pensando no que poderia ou não ter acontecido com a Lívia. Já se olhou no espelho hoje? - Seu tom era bem debochado. - Yana, você é maravilhosa. Esse seu corpão é uma delícia, e eu falo com propriedade. - Não contive meu riso. - Então já chega de se lamentar, tem um monte de meninas legais que adorariam ficar com você. Levanta esse traseiro gostoso da cama e se arruma, vou te buscar pra gente ir naquela boate do centro, hoje vamos nos divertir.
Não tive como recusar. Sair com a Cris sempre me ajudava a esquecer um pouco essa frustração que sentia. Será que em algum momento iria superar essa paixão louca que sentia por minha melhor amiga? Como queria que ela me correspondesse, mas as vezes essas ideia só parecia leseira da minha cabeça. Lívia jamais pensaria nessa possibilidade. E se meu coração não quisesse para de sentir isso? Coração idiota.
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Atualizado até capítulo 45
Comments
Nilva Vieira Santos
libera mais capítulo
2023-02-25
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