capítulo 10

LÍVIA DUARTE

Eu e Kimi estávamos no carro próximas do local onde meu pai marcou nosso encontro. Meu nervosismo só aumentava.

- Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você. - minha amiga falou ao tocar na minha mão.

- E se agente voltar pra casa? Ainda dá tempo de desmarcar essa loucura.

- Lili, calma. Você vai conseguir.

- E se ele não aparecer? Eu não quero me decepcionar novamente.

- Ele vai aparecer. Pelo que você me contou ele parece disposto a conquistar sua confiança.

- Sim, ele repetiu isso várias vezes.

- E o que sua mãe falou desse encontro com seu pai? - Kimi perguntou.

- Ela não guarda remorso dele como eu. É claro que ela ficou preocupada, mas disse pra mim tentar escutar o que ele tem a dizer. E se eu quisesse me aproximar dele ela não iria impedir. - Minha mãe reagiu muito melhor do que eu esperava.

- Eu concordo com a sua mãe, mas toma cuidado por favor.

- Eu vou tomar. Você vai ficar do meu lado, certo? - estava um pouco preocupada e Kimi me trazia segurança.

- Sim Lili, eu não vou sair do seu lado. Vou ficar lá o tempo que precisar. Eu também quero conhecer o seu pai. Afinal eu nunca o vi além de em algumas fotos que tem na sua casa.

- Ele não mudou nada. Só está um pouco mais magro e pálido.

- Se ele não mudou acho que já vi o seu pai. - Kimi estacionou o carro e apontou para o lado. Fernando Duarte estava sentado em um banco. Assim que me reconheceu se levantou e veio em minha direção. Saímos do carro.

- Lívia que bom que você veio. - Falou animado.

- Oi, essa é minha melhor amiga Yana Kimi. - Os dois se cumprimentaram e Kimi segurou em minha cintura. Ela estava me passando segurança. Era seu jeito de demonstrar.

- Vocês são amigas a muito tempo?

- A quase 6 anos. - Kimi respondeu.

- Quem bom que Lívia tem uma amiga que cuida dela.

- Sim, eu cuido. - Kimi apertou mais minha cintura.

- Vamos sentar? - Falei apontando para uns bancos que ficavam perto do lago. Fernando escolheu um parque bem conhecido na cidade para ser o local do nosso encontro.

- Vamos. Eu aluguei uma canoa para darmos um passeio no lago mais tarde. - Falou sentando em um banco. Eu e Kimi sentamos no outro.

- Acho que vai ser divertido. - Falei.

- Então Yana, você parece uma mulher muito amigável. Gostaria que fossemos amigos. Eu sei que eu não mereço sua amizade, mas quero ser amigo de todos os amigos da minha fi.... da Lívia.

- Eu aceito ser sua amiga com uma condição. - Olhei surpresa para a minha amiga.

- Qual? - Papai perguntou.

- O Senhor vai ter que prometer que não vai magoar a Lívia. - As palavras de Kimi me deixaram emocionada, ela se importava tanto comigo.

- Eu prometo. - Ele falou olhando para mim.

- Ok, então me considere sua amiga. - Kimi sorriu para meu pai que também devolveu o sorriso. Ela se dava melhor com ele do que eu. Até agora eu não sabia o que dizer. Foi bom ela ter vindo comigo. Se Kimi não estivesse aqui o silêncio sério muito maior.

- Você quer remar agora Lívia? - Ele me perguntou.

- Pode ser.

Entramos na canoa. Kimi ficou em uma ponta e meu pai na outra. Eu fiquei no meio. Os dois sorriam muito. Era final de tarde. Depois de um tempo remando paramos no meio do lago e assistimos o sol se pôr. Ninguém falou nada, mas o silêncio era bom. Não sei porque, mas me senti em paz. Como se agora minha vida fizesse mais sentido. Olhei para o rosto de Fernando, ele estava com os olhos fechados. Dava pra perceber que ele também estava em paz. Talvez essa reaproximação não fosse tão ruim. Ele estava diferente e eu também me sentia diferente. Como se o tempo fosse curto e tivéssemos que aproveitar cada momento.

Kimi e Fernando se deram super bem. Eles conversaram bastante e através dessa conversa eu descobri algumas coisas. Meu pai se casou de novo e tinha um casal de gêmeos. Ele morava em uma cidade vizinha e estava de férias do trabalho de vendedor de máquinas. Foi bom saber que ele conseguiu seguir em frente. A raiva que eu estava sentindo aos pouco foi diminuindo.

- Lívia, eu vou ter que voltar para a minha casa amanhã, mas quero te fazer um convite. Aliás, quero convidar vocês duas para me visitarem.

- Eu vou ver um final de semana e entro em contato. - Falei.

- E você Yana?

- Se a Lívia for eu a acompanho.

- Tá certo. Vou esperar vocês. Lívia, posso te dar um abraço? - Falou cauteloso. Eu não sabia como responder. Simplesmente me aproximei e deixei ele me abraçar. Seus braços fortes eram firmes e ele tinha cheiro de hortelã com café. Eu gostei daquele cheiro. Nunca imaginei que me sentiria tão bem nos braços dele. Só agora percebi o quanto estava com saudades. Ele se afastou aos poucos.

- Obrigada pelo passeio Lívia. Eu gostei muito. Espero te ver em breve. Tchau yana, foi um prazer te conhecer.- Falou ao entrar em seu carro.

- Até logo senhor Fernando. Foi um prazer.

Um sentimento de tranquilidade tomou conta de mim. Era como se a minha respiração tivesse voltado ao normal.

- Não foi tão difícil. - Kimi falou.

- É, eu fiquei surpresa. Ele parece outra pessoa.

- Dez anos é bastante tempo. Não sei como ele era antes, mas agora parece gente boa.

- Eu também achei.

- Você se sente melhor?

- Me sinto aliviada. Nunca achei que as coisas seriam assim tão simples e leves.

- As vez a vida nos surpreende. - Kimi Falou ao abrir a porta do carro pra mim.

YANA KIMI

Já tinha se passado uma semana desde o encontro com o seu Fernando. Lili estava muito animada com a nossa visita a casa do seu pai, que seria nesse final de semana. Eu comecei a trabalhar todos os dias na empresa. O evento que estava organizando tomava toda a minha energia e quando não estava na empresa ficava em casa escrevendo meu TCC. As vezes eu via o Lucas na faculdade, mas não nos falávamos. Lili não fazia questão de me levar em seus encontros e eu agradecia por isso. As coisas voltaram ao normal entre eu e minha amiga. Ela me ligava ou me mandava mensagem para dizer como estavam todos os preparativos para nossa viagem. Nem sei se poderia ser considerado uma viagem. A cidade em que Fernando morava ficava a 200km de Santa Catarina, eram 3 horas na estrada. Se tudo corresse como planejado, na manhã de sábado já estaríamos lá.

Hoje era quarta-feira e eu estava saindo um pouco tarde do trabalho. Mesmo assim iria passar na casa da Lili para saber como ela estava e se a viajem ainda estava de pé. Dirigi tranquila até próximo da casa dela. Quando virei na esquina vi o carro de Lucas. Estacionei um pouco longe. Eu não queria encontrar com ele. Esperei por alguns minutos e os dois saíram da casa. Eu tinha visão deles, mas eles não conseguiam me ver.

Lucas falou alguma coisa que fez Lili sorrir. Depois ele puxou sua cintura e colou na dele. Eu não queria ver aquilo, mas se eu saísse dali eles iriam me descobrir. Lucas segurou na nuca da minha amiga e lhe deu um beijo. Ele começou a tocar na bunda de Lili. Eu não estava aguentando ver aquela cena. Será que eles não sabem que nessa vizinhança existem crianças? Que pouca vergonha!

O meu corpo se encolhia cada vez mais. Ele estava beijando a minha Lili. A minha princesa sem cavalo branco. A raiva tomou conta de mim, saí cantando pneu. Eu tinha que esquecer aquela cena, ou melhor, eu tinha que esquecer a Lívia.

Não sei como aconteceu, mas em poucos minutos eu estava em um bar e já tinha tomado quatro doses de uísque. A dor de ver a garota dos meus sonhos beijando outro era o que me adormecia, porque a bebida apenas queimava minha garganta. O que eu vou fazer? Porque é tão difícil superar essa mulher? Mas eu precisava tentar.

- Oi linda. - Uma ruiva sentou do meu lado. - Você tá sozinha?

- Parece que sim. - Falei um pouco arrogante, mas ela não se intimidou.

- Vamos deixar sua noite interessante. - A mulher não perdeu tempo e me puxou pra dançar. Eu a segui e dançamos durante algum tempo. Ela se esfregava no meu corpo a música inteira. Até que ela era legal. Talvez fosse disso que eu estava precisando.

- Você quer sair daqui loirinha? - Sussurrou na minha orelha.

- Quero. - Ela simplesmente saiu me puxando por entre as pessoas. Se Lívia podia beijar aquele embuste do Lucas eu também iria me divertir essa noite.

-

Ai que claridade horrível! Abri os olhos lentamente e o sol batia na minha cara. Eu ainda estava lenta das bebidas de ontem. Acho que a ressaca ainda não tinha aparecido. Meu corpo estava pesado e molhe. Virei meu corpo para o outro lado da cama e dei de cara com uma ruiva linda e nua. Onde eu estava? É claro que eu lembro que conheci essa garota no bar e lembro de algumas cenas do nosso sexo, mas nada além disso. Eu, definitivamente, tenho que parar de afogar minhas mágoas em álcool.

- Oi linda. - Nem percebi que ela tinha acordado.

- Oi, você sabe que horas têm? - minha voz estava super rouca.

- Deve ser 13 horas.

- O que? Como isso aconteceu? Eu tenho que ir embora. - Pulei da cama e só então me dei conta que também estava nua. - Onde estão minhas roupas?

- Acho que na sala princesa. - A ruiva ficou rindo do meu desespero, mas também levantou da cama. Eu não pude deixar de olhar para o seu corpo escultural. "Concentra -se Yana". Saí correndo em direção a sala. Minhas roupas estavam no sofá. As vesti com muita pressa.

- Você viu as chaves do meu carro? - Me virei para encontrar a ruiva vestida com um robe.

- Estão ali no balcão da cozinha.

- Obrigada.

- Eu que agradeço. - Falou sedutora. A ruiva me estendeu um copo com café. Peguei de suas mãos e ela me deu um beijo. - Quem é Lili?

- Do que você tá falando?

-Nada, é porque ontem você falou muito esse nome. - Coloquei o rosto entre as mãos com vergonha. Não acredito que transei com uma estranha e fiquei falando o nome da minha melhor amiga.

- É só uma amiga.

- Eu não falo o nome das minhas amigas quando estou transando. Ela deve está te deixando maluca.

- Mais ou menos isso. Eu tenho que ir embora. Foi um prazer tem conhecer... é...

- Cris.

- Ok, Cris... Eu me chamo...

- Yana Kimi Charles.

- Como você sabe?

- Na balada eu sabia que seu rosto era familiar, mas foi aqui em casa que descobri da onde eu te conhecia. - A ruiva sentou no sofá despreocupada.

- E de onde você me conhece?

- Você é a filha do meu chefe. - Meus olhos se arregalaram.

- E você fala isso numa boa?

- Qual o problema? Se você não contar eu não conto. - Eu tinha que admitir, Cris era divertida.

- Em qual setor você trabalha?

- RH, quinto andar. Se quiser pode me visitar de vez em quando.

- Não podemos voltar a fazer isso, ok?

- Você que sabe princesa.

- Tá bom. Eu já vou. Obrigada pelo café. Você quer uma carona?

- Não, hoje eu estou de folga. Mas obrigada.

- Ok, é.. então tá. Tchau?

- Até mais docinho. - Cris falou despreocupada. Já eu estava super preocupada e atrasada. Corri até o elevador. Eu passei a noite fora e ainda vou chegar com cara de ressaca no trabalho. Meu pai vai me matar.

-

- Que cara é essa Yana? - Vanessa falou quando eu me aproximei da sua mesa.

- Tive uma noite difícil.

- Sei bem que noite difícil você teve. Só se for enchendo a cara. - Me repreendeu.

- Van, deixa disso. Eu preciso da sua ajuda. - Falei dengosa.

- Porque você tá fazendo essa carinha? Pode parar. Eu não vou me meter em problemas por sua causa.

- Por favor Van. - Implorei com um beicinho.

- Para de fazer essa cara. - Continuei a fazer minha carinha de coitadinha. - Tá, tudo bem. O que você quer?

- Preciso que diga ao meu pai que eu estive aqui mais cedo, mas precisei sair para resolver umas coisas e só cheguei agora.

- Eu não vou mentir para o meu chefe.

- Por favor Vanessinha. Vai ser só dessa vez, eu prometo. - Fiz um x com meus dedos e beijei. Ela me olhou indecisa.

- Tá bom. Vai logo pra sua sala antes que o seu pai volte da sala de reuniões. E faz o favor de ir ajeitar esse cabelo no banheiro. Pega o meu estojo de maquiagem e da um jeito nessa bagunça. Minha nossa, parece que passou a noite rolando na grama. - Eu comecei a rir do seu comentário. Na verdade foi rolando na cama, mas ela não precisava saber disso.

- Obrigada Van. Por isso que eu te amo. - Dei um beijo estalado em sua bochecha. Ela ficou toda vermelha.

- Vai logo antes que eu desista dessa ideia. - Avisou séria.

- Já tô indo. Beijos meu amor.

Fui até o banheiro e me olhei no espelho. Jesus!! Eu estava toda bagunçada. Sem maquiagem nenhuma e com o cabelo todo amassado. Me arrumei o mais rápido possível e peguei uma nova muda de roupa que sempre levava comigo na mochila. Isso eu aprendi com o meu pai. Ele dizia que era a roupa de emergência. E essa com certeza era uma emergência.

Voltei para a minha mesa e sentei na cadeira soltando um longo suspiro. A porta da minha sala foi aberto com força.

- Tá ali tio. Ela chegou toda bagunçada e com cara de quem passou a noite na farra. - Júlio parou de falar ao me ver. - Mas ela estava toda acabada agora a pouco. - Seu rosto se tornou confuso.

- Bom dia pai. Bom dia priminho. Tudo bem com vocês? - Me coloquei em pé e cumprimentei os dois.

- Bom dia Filha. Onde você estava? Passei na sua sala mais cedo, mas não te encontrei.

- Eu estava resolvendo algumas coisas.

- É mentira tio. Ela estava na farra. - Júlio se alterou.

- Isso não é verdade pai. Você pode confirmar com a Vanessa. - Olhei para o meu primo que estava vermelho de raiva.

- Você é mesmo uma sem vergonha Yana.

- Júlio, já chega. Respeite sua prima e saia dessa sala agora. - Papai falou.

- Mas tio...

- Saia Júlio. Eu tenho que falar com a Yana. - Eu engoli em seco com as palavras do meu pai. Ele tinha descoberto.

Júlio saiu batendo a porta com raiva e papai olhou pra mim.

- Pelo menos você estava com sua roupa de emergência. - Eu não esperava por aquilo. Pensei que ele iria brigar comigo.

- O Senhor não tá chateado comigo?

- Eu estou chateado por você ter mentido pra mim e não por ter chegado tarde no trabalho.

- Me desculpa pai. Foi sem querer. Eu não... Eu...

- Yana, você trabalhou duro a semana inteira. Eu não vou te punir por um deslize. Só não faça de novo.

- Sim senhor. Eu prometo que isso não vai se repetir.

- Se você quer um dia de folga é só falar.

- Não pai, eu não quero. Tudo o que eu preciso é me concentrar no trabalho.

- Tudo bem. Em casa conversamos melhor. Eu vou sair agora para uma reunião e preciso que você revise esses contratos...Quando acabar você tá liberada. - Papai saiu da sala. Ele estava magoado comigo e eu odiava decepcioná-lo

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Comments

sua crush? ~ ♀️🔞

sua crush? ~ ♀️🔞

ss, realmente é vdd ... quando perdoamos alguém se sentimentos muito mas leve e melhor ... por isso não guardo mágoa, msm algumas pessoas me machucando

2023-01-17

2

Betina Lima (@betinasotnas)

Betina Lima (@betinasotnas)

Mais uns Cap. Pfvr🥺

2022-07-05

1

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