YANA KIMI
Depois da faculdade fui para a empresa do meu pai. Eu estagiava lá 3 vezes na semana. Ele fazia questão que eu aprendesse como gerenciar o negócio da família, por isso estou no último ano de administração na Universidade Federal de Santa Catarina. Meu pai é o filho mais velhos de 3 irmãos e também presidente da empresa. O seu plano é me preparar para substituí-lo. Meus tios eram uns cabeça de vento, pelo menos era o que o meu coroa falava e ele tinha razão.
Quando estava no ensino médio não me via gerenciando uma empresa tão grande quanto a nossa. Mas depois que comecei o Curso de administração me apaixonei por essa área e o sonho do meu pai se tornou o meu.
Durante as viajens do meu pai quem me orientava era a sua secretária Vanessa. Ela já trabalhava na empresa a 20 anos e era uma das funcionárias mais competentes, por isso papai depositava tanta confiança nela e eu também.
- Oi Van, o que vamos fazer hoje? - Perguntei empolgada.
- Oi Senhorita Yana. Chegou tão cedo hoje.
- Só tive um tempo e depois conversei com o meu orientador.
- Seu pai está tão orgulhoso, que já convidou todo mundo do escritório pra sua formatura no final do ano. - Falou animada.
- E você vai Van?
- É claro Yana, não perderia por nada.
- Que bom porque eu não posso me formar sem minha crush na plateia. - Van ficou vermelha como sempre acontecia quando eu flertava com ela. Essa era uma brincadeira nossa. Desde os meus 15 anos eu dava em cima dela descaradamente só pra ver seu rosto virar um pimentão.
- Deixe de bobagens senhorita Yana. - Me aproximei dela e a abracei por trás beijando seu pescoço. Ela deu um pulo e se afastou de mim.
- Você está louca menina. Alguém pode aparecer. - Van estava muito envergonhada e eu só ria.
- Deixem que vejam. Vou contar pra todo mundo que você é minha deusa. - Provoquei com um jeito cafajeste.
- Você não toma jeito mesmo mocinha. Pode parar de gracinhas que você tem muito trabalho hoje. - Falou séria.
- O que tem pra mim?
- Toma esses documentos que o seu pai deixou e vai revisar tudinho. Se tiver alguma dúvida me chama. - Peguei a enorme pilha de papéis e fui até a sala do meu pai. Antes de entrar virei e disse.
- Obrigada meu amor. - Mandei um beijo no ar para Vanessa que corou violentamente. Eu apenas gargalhei e entrei na sala.
O resto da tarde foi de muito trabalho. Aqueles documentos eram sobre uma nova compra que a empresa iria realizar. Também tinha algumas folhas de pagamentos e balancetes mensais dos últimos 3 meses. Como era de se esperar os lucros estavam dentro do esperado. Meu pai queria que eu ficasse por dentro de todos os movimentos da empresa porque depois da minha formatura ele me colocaria como vice-presidente. Eu estava nervosa com todos essa responsabilidade, mas fui ensinada a ser confiante e não deixar transparecer meus medos.
Vanessa entrou na sala algumas vezes para me entregar novos documentos e depois saiu. Quando eu começava a trabalhar me concentrava inteiramente e levava muito a sério qualquer decisão que precisasse tomar. Até porque qualquer passo em falso podia nos custar milhões. Meu celular começou a tocar. Se fosse qualquer outra pessoa eu não atenderia, mas o identificador mostrava o nome papai.
- Oi pai. Como estão as coisas.
- Oi filha. Está tudo bem. Temos muito que conversar quando eu voltar. Estou sondando um negócio milionário aqui e sua ajuda será fundamental para o fechamento.
- Sério? Que notícia boa. Em que posso ajudar?
- Os donos dessa empresa querem uma mente jovem e criativa para promover um evento aí no Brasil e eu sei que você vai se sair muito bem.
- Eu espero alcançar as expectativas de vocês pai. - Falei animada.
- Você vai filha. Eu sei que vai. Como estão as coisas aí na empresa?
- Tudo certo. Estou revisando os balancetes do trimestre.
- E está tudo correto?
- Sim, mas acho que podemos melhorar as margens de lucro. Gastamos muito com coisas desnecessária.
- Quero ouvir mais sobre suas ideias quando eu voltar. Agora vou ter que desligar filha. Se cuida. Te amo.
- Também te amo pai. Até domingo. - Desliguei.
Peguei minha coisas e saí da sala. Me despedi de Vanessa e fui para o elevador. Antes da porta fechar o escroto do meu primo entrou.
- Oi priminha. Trabalhando até tarde?
- Oi Júlio. É o que parece.
- Tá querendo impressionar o Tio Roberto? - Falou arrogante.
- Eu não preciso impressionar ninguém Júlio. Se ele me escolheu é porque sabe que sou a melhor. - Com Júlio eu não podia demonstrar fraqueza.
- Mais é claro que ele te escolheu Yana, você é filhinha dele. Isso não foi uma disputa justa. - Falou amargo.
- Se você tá tão incomodado porque não fala com o meu pai? Tenho certeza que ele vai te ouvir.
- É isso mesmo que vou fazer. O tio Roberto precisa saber que existem pessoas mais capazes de assumir a vice-presidência. - Seu tom arrogante me desafiava.
- Boa sorte. - Falei ao sair do elevador e seguir para o estacionamento.
A melhor maneira de irritar o Júlio era ignorando suas provocações. Eu não me rebaixaria ao seu nível. Ele era filho do Tio Hugo e os dois eram farinha do mesmo saco. Desde que me entendo por gente eles querem ter controle sobre a empresa, mas meu avô não permitiu e deixou tudo o que tinha aos cuidados do meu pai. Por causa disso Júlio tem raiva de mim e me provoca sempre que pode.
-
Quando cheguei em casa vi Lili sentada nos degraus da porta de entrada. Ela estava linda, mas seu rosto estava sério. Será que tinha acontecido alguma coisa?
- Porque não me ligou. Eu podia ter te buscado na faculdade. - Falei.
- Não precisava. Eu vim de ônibus. - Falou séria.
- Aconteceu alguma coisa? - Perguntei preocupada.
- Temos que conversar.
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Atualizado até capítulo 45
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