capítulo 08

LÍVIA DUARTE

- Lívia, você pode vir até minha sala. - Meu chefe falou ao chegar na editora.

- Claro Sr. Rodrigo. - Peguei minha agenda e o segui.

- Pode sentar Lívia. - Ele indicou a poltrona. - Eu li seu artigo. - Falou serio. Eu comecei a suar de nervoso.

- E o que o senhor achou? - Perguntei tímida.

- Era exatamente sobre isso que queria conversar com você.

- Pode falar. Quero muito sua opinião.

- A verdade é que...- Olhou em meus olhos por um tempo. - Eu gostei muito e quero publicá-lo.

- O Senhor quer publicar meu artigo? - Falei incrédula.

- Sim, mas só se você concordar.

- É tudo o que eu mais quero. - Não conseguia conter minha alegria.

- Muito bem, passe na minha sala mais tarde e acertaremos tudo para a publicação do artigo ainda essa manhã.

- Obrigada pela oportunidade senhor Rodrigo. - Aquilo estava realmente acontecendo?

- Você conquistou isso Lívia. Agarre essa oportunidade e escreva muito mais.

- Sim, eu vou continuar escrevendo com muito mais vontade agora. - Saí da sala do meu chefe com um sorriso escancarado. Eu tinha que contar a novidade para a Kimi, ela iria adorar essa notícia. Antes de pegar meu celular vejo uma Samantha muito mal humorada com uma caixa nas mãos. Ela fala alto e aborrecida.

- Essa pessoas não sabem valorizar uma profissional como eu. Vou embora porque quero e não porque me mandaram embora. - Caminhou a passos firmes até o elevador.

Ao que tudo indicava ela tinha sido demitida. Eu não desejava o mal de ninguém, mas seria um alívio não ter Samantha me irritando todos os dias.

YANA KIMI

A reunião com os nossos novos investidores estava quase no final. Meu pai nos apresentou e eles ficaram muito satisfeitos com as minhas ideias.

- No próximo mês vamos realizar o evento e até semana que vem preciso do seu orçamento. - Falou um dos empresários para o meu pai.

- Vamos elaborar todo os documentos que serão indispensáveis e logo entro em contato. - Meu pai falou.

- Obrigado Roberto foi ótimo fazer negócios com você e Senhorita Yana, você me surpreendeu bastantes. - Estendeu a mão para me cumprimentar.

- Obrigada Senhor Augusto. Estamos muito felizes em lhe ter como cliente. - Falei ao apertar sua mão.

- Até logo. - Falou ao sair da sala.

Saí da sala de reuniões junto com meu pai.

- Você foi perfeita filha.

- Obrigada pai, mas esse é só o começo. Não vamos nos precipitar.

- Você parece tanto comigo.

- Você foi um ótimo instrutor.

Papai abriu a porta da sua sala e pra minha surpresa Júlio estava lá dentro com cara de poucos amigos.

- Posso saber o que vocês tanto conversavam naquela sala de reuniões? - Falou arrogante.

- Estávamos fechando um novo investimento Júlio. - Meu pai foi educado.

- E porque a Kimi estava lá? Ela só é uma estudantezinha. - debochou e aquilo me fez ficar com raiva. Mas eu não me rebaixaria. Continuei calada.

- Sua prima fechou um excelente contrato Júlio. Você devia parabenizá-la. - Papai falou todo alegre.

- Com tantas regalias qualquer um fecharia esse contrato.

- Você está errado Júlio. Yana fechou esse contrato porque é muito competente.

- Ela não é competente tio. Você passa muito pano por cima da cabeça dela..

- Júlio eu não admito que fale assim da sua prima...

- Pai, tudo bem. Eu não me importo com os insultos do Júlio. Ele não tem a menor importância na minha vida. - Falei calma.

- Escuta aqui sua...

- Não ouse terminar de falar Júlio. - Meu pai avisou. - Por favor, nos dê licença. Temos muito o que fazer. - Júlio ficou vermelho de raiva, mas saiu me lançando olhares de ódio.

- Desculpa filha eu não sei o que deu nele.

- Ele quer a vice-presidência.

- Mas isso não é possível. Já está decidido. Você vai ser a vice-presidente.

- Eu sei pai, mas o senhor não acha que talvez o Júlio tenho um pouco de razão. Ele já trabalha aqui a cinco anos e eu só cheguei agora. Tudo o que ele quer é uma oportunidade.

- O que você está dizendo Yana? Seu primo só trabalha aqui porque ele é da família. Se o Júlio fosse a pessoa mais indicada, com certeza ele seria escolhido, mas eu já analisei a possibilidade e realmente isso não vai acontecer. Você é a mais competente para o cargo filha. - Papai falou sério.

- Não sei pai. E se eu não conseguir?

- Yana, aconteceu alguma coisa? Desde hoje pela manhã você está com essa carinha triste. E mesmo que tente disfarçar eu te conheço. E agora está defendendo o Júlio, que sempre te humilhou e rebaixou. Filha, onde está toda a sua confiança? - Perguntou preocupado.

- Eu estou bem pai. Só preciso de um pouco de ar. - Falei baixo. - Me conta como foi seu jantar com a Lena? - Mudei de assunto.

- Foi ótimo. Sua tia Lena é muito minha amiga e conversamos bast...

- A Lena não é minha tia. - Da onde ele tirou aquilo? A Lívia não era minha prima. Porque todos queria transformar nossa relação em algo fraternal?

- Eu pensei que como Lívia é sua melhor amiga, você considerasse a Lena como Tia.

- Talvez eu deva mesmo considerar a Lívia como prima, isso mudaria muita coisa. - Falei séria.

- Filha, você está bem? Pode me contar qualquer coisa. Você e a Lívia brigaram? - Papai estava angustiado. Percebi o quanto eu estava sendo estúpida. Eu não era uma vítima e nem agiria como uma.

- Desculpa pai é só a TPM. - Menti.

- Eu não sabia filha. - Me olhou compreensiva e eu odiei ter que mentir para o meu pai. - Você pode ir pra casa se quiser.

- Não, tudo o que eu quero é trabalhar. Será que eu não poderia vir mais vezes para a empresa ?

- Claro filha, mas eu achei que você queria mais tempo pra terminar seu TCC.

- Eu consigo fazer os dois. - Falei e aquele assunto se transformou em questões financeiras e ideias para o evento que eu estava responsável. Uma mensagem de Lívia chegou no meu celular, mas eu a ignorei. Ainda não estava pronta pra fingir felicidade.

LÍVIA DUARTE

Minha mãe ficou muito feliz com a notícia da publicação do meu artigo. Ela me deu até um presente, uma caneta dourada linda. Disse que era pra mim lembrar que ela me apoiava. Chorei muito com aquela declaração e ela também.

Mandei uma mensagem pra Kimi, mas ela não respondeu. Acho que estava ocupada. Hoje a noite combinei com o Lucas de me pegar aqui em casa para comemorar. Vamos passar na casa da Kimi e ela vai ter que ir comigo. Esse é um momento importante pra mim e quero os dois ao meu lado.

                                  -

Paramos o carro na frente da casa da minha amiga. Como ela não respondia minhas mensagens eu resolvi vir pessoalmente para intimá-la a sair com agente. Toquei a companhia e nada. Depois de mais algumas tentativas a porta foi aberta.

- Lili, como é bom receber sua visita. - Falou todo animado e me abraçou.

- Olá Roberto, sua viajem foi boa?

- Excelente. Venha entre. Tem mais alguém no carro? - Perguntou educado.

- Sim, o meu namorado. Mas eu só queria saber se a Kimi tá em casa. Quero muito falar com ela. - Expliquei.

- Ela tá sim... olha ela aí - Kimi estava descendo as escadas e pareceu surpresa ao me ver.

- Kimi, que bom que está em casa. - Lhe abracei.

- É eu tô aqui, mas o que foi? - Perguntou confusa.

- Eu consegui... nem acredito, mas eu consegui. - Falei empolgada. Ela me olhou e entendeu tudo.

- Seu chefe publicou seu artigo... Nossa, que notícia boa. - Me abraçou, me levantou do chão e me rodou no ar.

- Vou pegar uma garrafa de champanhe para comemorar. - Ouvi seu Roberto falar e ir para a cozinha.

- Eu estou tão feliz Kimi, isso parece um sonho. - estava quase pulando de tanta felicidade.

- Você merece tudo isso Lili e muito mais. Eu estou muito feliz por você..

- E eu também. Vamos comemorar. - Seu Roberto entregou uma taça para mim e depois pra Kimi. Ele encheu com champanhe.

- Um brinde a Lívia, que esse seja só o primeiro trabalho de muitos que ainda vão ser publicados. - Falou o pai de Kimi e tocamos nossas taça.

- E um brinde à Lili, que é uma escritora muito talentosa e merece todo reconhecimento do mundo. - foi a vez de Kimi falar. Tocamos nossas taças novamente.

- Obrigada gente. Vocês são maravilhosos. Eu estou tão feliz. - Kimi me abraçou mais uma vez e falou só pra mim escutar. " Eu estou tão orgulhosa de você ". Suas palavras eram muito importantes pra mim.

- A Yana também tem uma novidade. - Seu Roberto falou.

- É mesmo? E o que é? - Perguntei curiosa.

- Não é nada demais....

- Claro que é... ela fechou seu primeiro contrato com uma empresa milionária do exterior. - Falou todo orgulhoso.

- Papai...

- Nossa, meu parabéns amiga. Você é incrível. Hoje só temos motivos para comemorar. Um brinde a Kimi que é uma extraordinária empresária.

- E uma ótima filha. - Roberto completou e todos brindamos. - Vocês deviam sair pra comemorar. - sugeriu.

- Eu quase me esqueci. Foi exatamente por isso que vim aqui. Você quer sair comigo kimi? O Lucas já está lá fora esperando.

- Sabe o que é... Eu tenho que lavar a roupa..E também preciso...

- Deixa disso filha, a Nice vem arrumar a casa amanhã. Pode ir com a sua amiga.

- Então tá decidido. A sua roupa tá linda. Podemos ir agora. - Falei.

- Tudo bem. Vou pegar a minha bolsa. - Kimi foi para o seu quarto e eu conversei mais um pouco com o seu pai. Aproveitei para perguntar sobre o encontro dele com minha mãe. Apesar deles falarem que são só amigos, eu sei que rola alguma coisa a mais.

YANA KIMI

Aonde eu me meti? Em um momento eu estava tendo sucesso em evitar Lili, mas no outro ela estava na minha porta contando sobre sua publicação, ela estava tão linda e sorridente. Vê-la tão feliz me animou também, mas quando eu menos percebi já estava no carro de Lucas indo para uma boate. O meu plano de ficar longe não deu muito certo e agora eu tinha que olhar os dois cheios de carinhos um com o outro.

A boate não estava lotada, era segunda e o movimento era menor. Sentamos na área vip e Lucas foi buscar as bebidas. Eu não sabia o que falar, então continuei calada.

Lucas voltou para a mesa e me deu um copo com vodca. Ele sentou ao lado de Lili e ela só tinha olhos pra ele. Olhei ao redor para não precisar encará-los. A boate era até legal. Geralmente eu frequentava lugares lgbts, mas nunca fui em nenhum com a Lívia. Aqui eu não encontraria ninguém do Vale. Pra todo lugar que eu olhava só tinha casais heteros. Já estava me sentindo sufocada.

- Vocês viram o discurso do Presidente hoje? - Lucas perguntou chamando minha atenção.

- Sim, se aquilo pode ser chamado de discurso. - Falei.

- Na real eu achei bem genocida. - Lívia concluiu.

- Porque gatinha? - Que ódio dele por chamar ela assim. - Pra mim o presidente tinha razão em tudo que disse. - O encarei horrorizada.

- Você realmente tá dizendo que ele estava certo quando disse que o corona era só uma gripezinha e que quem tinha que morrer ia morrer de qualquer jeito?. - Falei um pouco alterada.

- Ele estava certo Yana. Eu peguei essa gripezinha é não senti nada. - Debochou.

- E quanto as milhares de pessoas que morreram por causa desse vírus, você acha que tinham que morrer mesmo? - Perguntei no limite da minha paciência.

- Não tem tratamento, então não tinha muito o que fazer. - Concluiu.

- A maioria da pessoas morreram porque esse cara que todos chamam de presidente não apoiou o isolamento social e o sistema de saúde do nosso país é um lixo por culpa dos governantes que nunca pensaram na população só nos seus próprios interesses. - Eu estava vermelha de raiva.

- Gente... Tudo bem vocês não concordarem. Mas não vamos se alterar. - Lívia falou pela primeira vez.

- O presidente Bolsonaro só queria cuidar da economia. Se as pessoas tivessem dado ouvido não estaríamos nessa crise sem fim. - Lucas continuou a falar.

- Você é rico Lucas. Que crise tá enfrentando? Eu tenho pena dos pobres que não tem emprego e nem como sobreviver. - Falei ao pensar nas pessoas que frequentavam o centro de ajuda que eu e meu pai criamos para doar cestas básicas durante a pandemia. Ele ainda funcionava, mas agora estávamos oferecendo cursos para ajudar na busca por emprego.

- Eu não tenho culpa de ter nascido rico se é isso que você tá dizendo. - Se fez de vítima.

- Você pode ajudar quem não nasceu com privilégios. - Falei.

- Eu não tenho culpa de nada disso e cada pessoa cuida da sua própria vida.

- Se você acredita mesmo nisso eu não vou mais discutir com você. Estou indo embora. - Me levantei e saí andando rápido. Idiota, arrogante, egoísta, era tudo o que aquele imbecil era.

- Kimi, espera... - Lívia me chamou quando eu já estava na rua. - Você não pode sair assim o Lucas não falou por mal.

- Lívia, me desculpa mais eu não vou passar a mão na cabeça do Lucas e você também não devia.

- Eu só queria que vocês se dessem bem.

- Isso é impossível. Eu não me relaciono com pessoas genocidas.

- Pega leve Kimi.

- Pegar leve? Foi você que escreveu um artigo sobre os erros do Presidente durante a pandemia e agora está indo contra suas crenças por causa de um rico mimado que nem da o devido valor que você merece. - Lívia se encolheu. Ela estava triste. Eu fiz ela ficar triste. Aquilo acabou comigo. - Me descul...

- Eu vou volta pra dentro. Boa noite Yana. - Falou chateada e me deu as costas.

Eu não a segui só fiquei ali parada sem saber o que fazer. Eu realmente tinha brigado com minha amiga por causa de um garoto? Tá que ele era um idiota bolsomínio, mas a verdade é que eu estava com ciúmes. Porque ela estava com ele? Ela nem me olhava dá mesma forma que olhava pra ele. O que eu estou fazendo de errado? Peguei um Uber e fui pra casa me odiando por ter falado aquelas coisas para Lili. Aquela não era eu. Eu nunca tinha alterado a voz pra ela e muito menos falado algo que a machucasse. Mas eu a magoei e ela estava chateada comigo.

Naquela noite demorei pra dormir e só conseguia pensar no olhar de decepção que Lívia me lançou enquanto eu depejava palavras duras na sua cara. Ela tinha razão em não me amar, eu não merecia seu amor.

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Comments

Ana Lúcia

Ana Lúcia

como vc queria que ela ti amasse vc nunca se declarou pra ela .

2024-04-11

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